X CONGRESSO BRASILEIRO DE PSICOLOGIA HOSPITALAR

DIA 10

 

 

Auto-Estima e Apoio Social na Velhice 1

Camomila Lira Ferreira 2

Diante das mudanças, perdas e riscos que o envelhecimento pode acarretar ao idoso, fazendo-o buscar recursos protetores, de adaptação e/ou superação dessas vivências, tem-se a auto-estima e o apoio social como importantes fatores de proteção. Nessa perspectiva, objetiva-se avaliar a auto-estima e o apoio social em idosos, através de um estudo transversal de natureza quantitativa com 65 idosos, usuários da Rede de Atenção Básica de Saúde do Distrito Sanitário Leste em Natal/RN. Aplicou-se um questionário estruturado, a Escala de Auto-Estima e a Escala de Apoio Social, avaliado em cinco dimensões: material, emocional, de informação, afetiva e de interação social positiva. Na análise dos dados, utilizou-se a estatística descritiva e o coeficiente de correlação de Pearson. Obteve-se que a idade média dos idosos é de 71 anos, sendo 83% da amostra constituída por mulheres. Dentre eles, 38% são casados e 40% viúvos, residindo com duas (41%) ou três (37%) gerações. Na amostra, 66% apresentam ensino fundamental incompleto e 80% com renda entre 1 e 3 salários-mínimos provenientes, na maioria dos casos, de sua aposentadoria. A média do escore de auto-estima foi de 9,37±3,71, apontando para uma auto-estima positiva. Já os escores médios das dimensões de apoio social equivalem a 90,85±14,65 na dimensão material, 93,95±13,18 na afetiva, 80,92±20,02 emocional, 79,85±21,97 de informação, e 82,62±20,00 interação social positiva. Em todas essas dimensões, o apoio social é avaliado como satisfatório. Foi encontrada uma correlação moderada e positiva entre auto-estima e apoio social afetivo (r = 0,320), entre auto-estima e apoio social de informação (r = 0,304) e entre auto-estima e apoio social emocional (r = 0,292). Levando-se em consideração que a auto-estima é um importante indicador de saúde mental e que uma avaliação satisfatória do apoio social recebido é fundamental para o desenvolvimento do idoso, é concebível que uma compreensão positiva de si mesmo propicia a percepção

1 Trabalho resultado da dissertação de mestrado da autora, a ser apresentado na Mesa Redonda: Envelhecimento e Saúde.

2 Psicóloga; Mestre em Ciências da Saúde pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN); Especialização em Psicologia da Saúde: Desenvolvimento e Hospitalização pela UFRN; Pesquisadora Voluntária do Grupo de Estudos: Psicologia e Saúde (GEPS) do Departamento de Psicologia da UFRN.

de ser bem quisto, receber atenção e sentir-se compreendido e amado. Favorecem ainda o apoio social disponível ao idoso aspectos como relacionamentos positivos com amigos e familiares, participação em grupos de idosos ou da igreja, residências intergeracionais, estado civil e ter filhos. Com isso, é possível analisar a auto-estima e o apoio social como mecanismos de proteção essenciais para a adaptação bem sucedida e que trazem perspectivas positivas para a trajetória de vida do idoso. É importante e necessário, portanto, estabelecer intervenções que reconheçam e estimulem as capacidades e potencialidades de desenvolvimento na velhice, a fim de que o idoso possa viver com saúde e qualidade.

Palavras-chave: Auto-Estima; Apoio Social; Velhice.

 

 

Prevalência e características das tentativas de suicídio entre

adolescentes grávidas: um estudo de caso-controle

Profa Dra Gisleine Vaz Scavacini de Freitas

Semelhantes são os fatores associados à gravidez na adolescência e ao

comportamento suicida entre jovens, como baixa escolaridade, privação

socioeconômica e exposição à violência. Porém, pouco se sabe da prevalência de tentativa de suicídio (TS) alguma vez na vida entre adolescentes grávidas (AG) e não grávidas (ANG), de mesma área de moradia. A prevalência de TS de jovens escolares no Brasil (12 a 18 anos) varia entre 8,3 a 12,8%, no gênero feminino. Sendo as TS o principal fator de risco para uma nova tentativa, detectar grupos de maior risco se faz necessário para as ações preventivas. Objetivos: determinar a prevalência e analisar as características da T1S de AG (n=110) e ANG (n=110) pareadas por idade e área de moradia. Método: A amostra foi composta por 110 AG, de 14-18 anos, atendidas no serviço público de pré-natal da cidade de Piracicaba e 110 ANG (controles) pareadas quanto à idade e endereço. Foram excluídos do grupo de casos adolescentes com

gestação anterior culminando em parto. As entrevistas foram realizadas entre os meses de maio/2003 e fevereiro/2004. Instrumentos: Questionário para orientar a entrevista derivado do Estudo Multicêntrico de Intervenção no Comportamento Suicida (SUPREMISS) e Escala de Ideação Suicida de Beck. Foram realizadas análises descritiva e estatística. O protocolo foi aprovado pelo Comitê de Ética da FCM-Unicamp e pela Comissão de Pesquisa da Prefeitura de Municipal de Piracicaba. Ao final das entrevistas, no caso da constatação de transtorno mental grave e/ou risco para TS, a adolescente foi encaminhada ao Serviço de Saúde Mental do Município. Resultados:

Prevalência para AG vs ANG: tentativa de suicídio (20% vs 6,3%, p=”0,003);” ideação suicida (16,4% vs 9%, p=”0,10).” As TS ocorreram em torno de um ano antes da gravidez. Três casos ocorreram no início da gestação. Os indivíduos, de ambos os grupos, que relataram TS (n=29), em sua grande maioria (n=24), tentaram uma única vez. A repetição foi relatada por cinco AG. O método mais utilizado foi o de autoenvenenamento com medicamentos. Apenas um terço dos episódios de TS recebeu socorro médico. Seis casos (AG=4 e ang=”2)” foram classificados como gesto suicida, comportamento auto-agressivo que não chegou a ser completamente efetuado, sendo impedido pela própria pessoa, ou por outra que estava presente na cena. Conclusão: A prevalência de TS entre AG foi 3 vezes superior ao grupo controle de ANG e 2 vezes

superior aos estudos dessa prevalência entre adolescentes do gênero feminino no Brasil. Recomenda-se enfatizar o controle de meios, em especial o acesso a medicamentos, como também iniciar estratégias de prevenção ao suicídio durante o pré-natal, pois as AG conformam um grupo de risco para o comportamento suicida.

Palavras-chave: tentativa de suicídio, adolescente grávida, auto-envenenamento

1- Pesquisa de doutorado realizada no Departamento de Psicologia Médica e Psiquiatria da FCMUNICAMP

sob orientação do Prof. Dr. Neury Botega

2- Psicóloga pela PUCCAMP, Mestre e Doutora na área de Ciências Biomédicas pela FCM- UNICAMP.

Professora do Curso de Psicologia da Universidade Metodista de Piracicaba, orientadora de estágio em

Psicologia da Educação nos programas de promoção em saúde junto a grupos de gestante e adolescentes.

 

 

Hospital Dia: modelo para desospitalização[1]

Maria Rosa Ceccato Colombrini[2]

Introdução: o Ministério da Saúde tem reafirmado o HumanizaSUS como política que permeia as diferentes ações e instâncias do Sistema Único de Saúde, englobando os diferentes níveis e dimensões da atenção e da gestão. Para tanto, sugere-se às instituições de saúde que trabalhem com dispositivos que possibilitem a humanização da atenção, dentre eles: acolhimento com avaliação de risco; ambiência como um espaço físico entendido como espaço social, profissional e de relações interpessoais; trabalho em equipe multiprofissional com adscrição de clientela; atendimento ao usuário em modelos de desospitalização como ocorre com Hospitais Dia (HD). Por HD entende-se como uma unidade de assistência ao usuário que: (1) representa um recurso intermediário entre a internação e o ambulatório; (2) desenvolve programas de atenção de cuidados intensivos por equipe multiprofissional, visando substituir a internação integral; (3) não desvincular o usuário de seu convívio familiar e social. Método:todo o processo de implantação do Hospital Dia em aids ocorreu de forma participativa e com modelo de gestão integrado ao modelo assistencial. Resultados: foram desenvolvidos nos últimos dois anos cinco projetos e dois estão em andamento. Projetos desenvolvidos e em fase de avaliação ou já avaliados: (1) planejamento de ações para viabilização da transferência e abertura de um Hospital Dia em uma instituição pública (2) acolhimento em um Hospital Dia para aids; (3) ambulatório de enfermagem de adesão ao tratamento em um Hospital Dia; (4) implementação prática de uma premissa da política nacional de humanização; (5) comemorações facilitadoras à adesão ao tratamento em um Hospital Dia de aids. Projetos em andamento: “Avaliação de desempenho como ferramenta de gestão e canal de escuta entre gestor e profissional de saúde – atores de um cenário público” e “A consulta com hora marcada como fator de satisfação dos usuários”. Discussões e considerações finais: realizar o acolhimento com avaliação de risco possibilitou respeitar a real necessidade clínica do paciente, resgatar aspectos de cidadania, integrar e inserir o usuário/família ao serviço de saúde, atender os usuários respeitando-se suas atividades de vida diária e disponibilidade para acessar o serviço. Condutas integradas favorecem uma maior adesão ao tratamento. O “sentir-se” acolhido e respeitado é um passo fundamental para

 

[1] Relato de experiência

[2]Graduada e Mestre em Enfermagem pela Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Especialista em Gestão em Saúde e Gestão Hospitalar pela Fundação Getúlio Vargas e pela FCM/Unicamp. Atualmente é Enfermeira Supervisora do Hospital Dia em aids/HC/Unicamp e Diretora de Enfermagem do Ambulatório Médico de Especialidades (AME-Rio Claro). Autora dos livros: Leito Dia em Aids: Uma Experiência Multiprofissional (Atheneu, 2001); Ventilação Mecânica Básica para Enfermagem (Atheneu, 2003); Enfermagem em Infectologia: Cuidados com Paciente Internado (Atheneu, 2009 – 2ª Edição). Membro de Honra da Sociedade Sigma Theta Tau InternationalHonor Society of Nursing. Membro da Rede Brasileira de Enfermagem de Segurança ao Paciente (REBRAENSP – Polo Campinas).

que o usuário possa iniciar o tratamento de maneira consciente de sua importância. A adesão deve ser reconhecida como um fenômeno que a equipe de Enfermagem é capaz de identificar com capacidade técnica e legal para compor ações que visem promover e recuperar a saúde, prevenir doenças e melhorar a qualidade de vida das pessoas que vivem com HIV/aids, por meio da construção de um espaço terapêutico entre o enfermeiro e o usuário. O conhecimento é a base para relacionar demandas do processo de trabalho, com a segurança do usuário e equipe e avaliação de risco. O trabalho em equipe potencializa resultados diferenciados, criativos e inovadores. A interdisciplinariedade e multidisciplinariedade são conceitos que precisam ser construídos cotidianamente entre os vários profissionais que atuam em um espaço de trabalho, com respeito às áreas de conhecimentos específicos.

Palavras chave: aids; adesão ao tratamento; segurança clínica; espaço terapêutico.

 

 

 

 

 

Transtorno do Estresse Pós-Traumático

Eduardo Ferreira-Santos

Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT) está intimamente

associado à exposição da pessoa a um evento extremo estressor externo, violento,

envolvendo direta ou indiretamente uma ameaça de morte ou agressão à integridade

física de si mesmo ou de outra pessoa próxima ou não que tenha ocorrido no período de

tempo de dois meses até cinco anos antes do aparecimento dos sintomas. Nem sempre a

pessoa faz uma associação imediata entre o evento traumático e o aparecimento dos

sintomas, particularmente quando o trauma ocorreu já há algum tempo; porém uma boa

anamnese é capaz de trazer à tona o acontecimento como fator causal de uma

transformação na vida do paciente, envolvendo 3 categorias de sintomas, sendo que nem

todos estes podem estar presentes: revivência, entorpecimento e hipervigilância. O

tratamento é realizado com Psicoterapia Breve Integrada à utilização de medicação

específica.

Palavras-Chave: ansiedade, violência, trauma, integridade física, TEPT

Especificação do trabalho: apresentação do diagnóstico de TEPT e a forma de tratá-lo

Mini-Curriculum: Psiquiatra e Psicoterapeuta, Mestre em Psicologia Clínica (PUC-SP),

Doutor em Ciências Médicas (FMUSP), Médico Supervisor Aposentado do Instituto de

Psiquiatria do Hospital das Clinicas da FMUSP

 

 

 

 

Desafios contemporâneos da Gestão Organizacional (de Saúde)¹

Marcus Leite Lüders²

Os últimos 30 anos  foram  assolados por imensas mudanças no mundo dosnegócios e das organizações. As instituições de Saúde, apesar de serem as últimas a receberem  esse impacto, não ficaram  fora dessas Mega mudanças.   Vamos refletir sobre as principais diferenças que formaram  um abismo entre as instituições dos anos 80 com  as da atualidade e seus reflexos no comportamento daqueles que atuam nos níveis estratégico, tático e operacional de uma organização.  O avanço tecnológico,  ao mesmo tempo que trouxe inúmeras soluções ao problemas do homem moderno, forçaram-no a buscar incessantemente uma condição diferenciada com relação as  suas competências e habilidades,  jamais imaginadas anteriormente. Essa nova condição coloca ao ser humano um novo paradigma nas relações sociais, incluindo o trabalho e família. O tempo, considerado atualmente, como o recurso mais valioso da história, sofreu alterações no mundo produtivo, onde suas unidades  de medida se transformaram de anos para  meses, meses para  horas, de horas para  minutos e de minutos para segundos.  No ambiente organizacional, para suportar esse novo cenário,  surgem novos  métodos de gestão (processos, pessoas, conhecimento, etc) , planejamento, gerenciamento da informação e muitos  outros tentando instrumentalizar o ser humano às novas demandas de atendimento aos seus clientes, em busca de Qualidade e da Excelência de seus produtos. Finalmente vamos refletir sobre o mundo ontem e o mundo hoje, das organizações produtivas,  explorando especificamente,  os desafios do gestor das organizações de saúde, que vive pressionado pelo  desenvolvimento tecnológico, sua interação  com o ser humano e a racionalização dos recursos financeiros . Esse cenário abre, cada vez mais, espaço para a Psicologia Organizacional, atuar nos diagnósticos e nas ações que objetivam manter a harmonia necessária para suportar competitividade, sobrevivência, recursos escassos e produção otimizada. Aí estão os desafios, modernidade e tecnologia, aliadas a serviço do homem, porém  exigindo cada vez mais das pessoas.

Palavras chave: Gestão organizacional, gestão por processos, mega mudanças,  gestão da Qualidade, Gestão de pessoas.

1 – Reflexões sobre o tema Gestão Organizacional, embasadas por experiência profissional.

2 -  Graduado em Análise de Sistemas pela PUCC  e Mestre em  Qualidade pelaUnicamp, atuou nos últimos 28 anos em organizações como, VOLKSWAGEN DO BRASIL, CPFL TUSA e UNICAMP, em Assessoria Organizacional, Gerenciamento e Desenvolvimento de Sistemas de Informação. Foi Assessor da Superintendência do Hospital Mario Covas; diretor da Diretoria de Planejamento e Desenvolvimento de Recursos Humanos da Unicamp;  coordenou  áreas Administrativas e de  TI,  do CEB ( Centro de Engenharia Biomédica da Unicamp). No momento atua como Assessor  Técnico do AME (Ambulatório Médico de Especialidades) de Rio Claro, onde participou do Planejamento, Implantação e atual gestão do ambulatório. Ministra aulas, cursos e Palestras sobre os temas Planejamento e Gestão.

 

 

 

 

“Humanização e Acolhimento aos Usuários do Sus: atuações e perspectivas”

Sônia Cardoso Moreira Garcia

A Política de Humanização Nacional no contexto da saúde, no SUS, vem alinhavando firmes pontos na construção de uma Rede segura de atuação.

Rede esta, tecida com a contribuição inovadora de inéditos atores, envolvidos em projetos desafiadores os quais buscam a humanização e o acolhimento digno aos usuários do SUS, através de ações e estratégias singulares a cada realidade.

Diante da preconização pelo Ministério da Saúde de diretrizes voltadas para a Humanização e o Acolhimento destes usuários e ainda, certos de que este é o caminho para percorrermos com relação à evolução e aprimoramento desta relação entre profissional da e na saúde e usuário, é que passamos ao ato, investindo em recursos humanos os quais possam fazer desta recomendação, uma filosofia na realidade do município.

Foi nomeada, portanto, a Coordenação de Equipe de Humanização e Acolhimento nas Portas de Entrada da Saúde de Resende, a qual iniciou um plano de ação constando de distintos momentos que permeavam uma análise situacional com diagnóstico de cada Porta de Entrada das Unidades.

Entre estas, apresentou-se a da Fundação Hospitalar Resende, hospital de Urgências e Emergências Médicas localizado no eixo entre Rio de Janeiro e São Paulo à margem da Rodovia Presidente Dutra.

Esta Porta de Entrada evidenciava um estrangulamento no número de atendimentos diários e quem a buscava, caracterizava-se por atendimentos, em sua grande maioria (80%), de baixa complexidade, ou seja, questões que poderiam e deveriam ser atendidas nas Unidades Básicas de saúde.

A proposta era a de se instalar uma nova cultura na saúde de Resende: que cada usuário e sua rede estabelecesse vínculo de afeto/confiança com equipe na Rede Básica.

Para tanto, um longo e desafiador caminho foi percorrido e isso para que cada usuário fosse acolhido com o sentido de inclusão e humanização neste acolhimento. Variadas ferramentas foram por nós criadas como recursos no sentido de, termos uma Rede de Saúde que fosse caracterizada como uma Roda de Conversa, onde o bem estar do usuário, seu dia a dia na saúde e sua satisfação fosse a meta central dos nossos esforços.

Deste modo, a Porta de Entrada da Fundação Hospitalar Resende passou a não mais viver o gargalo que experimentava com relação aos atendimentos em seu Pronto Socorro. As Unidades Básicas passaram a desfrutar da boa comunicação desenvolvida entre equipes e usuários e paulatinamente, as pessoas puderam vir se conscientizando do significado de urgência e emergência médica, de prevenção na saúde e da possibilidade de transformação de uma atitude.

Alcançamos redução das filas e do tempo de espera de cada usuário que na sala de espera do Hospital, hoje se encontra. Contamos com o acolhimento humanizado de uma equipe multiprofissional em sintonia diária, pactuações e encaminhamentos que agilizam os atendimentos, apoio da mídia divulgando nossos protocolos e relevante grau de satisfação de cada usuário, que os pórticos das nossas Portas de Entrada na saúde, necessite atravessar.

Palavras Chave: humanização, usuário, acolhimento, SUS, rede

Especificação do Trabalho:

Este resumo refere-se a trabalho de acolhimento e humanização desenvolvido nas Portas de Entrada da Saúde de Resende em relação aos usuários do SUS. Trabalho este, que resultou em um novo Protocolo de Contra Referência, onde ações e estratégias foram implantadas no sentido de obtermos uma significativa mudança de pensamento e comportamento dos usuários com relação à oferta de serviços na saúde e, com relação aos profissionais que os recebem. Toda uma rede de pactuação e conversação foi dinamizada, restabelecendo o canal de comunicação entre os protagonistas envolvidos no processo fazer saúde.

 

 

O adoecer do encarcerado: o aprisionamento da saúde

Maria de Fatima Franco dos Santos

A doença, tanto física quanto mental, é frequente entre os encarcerados. Foi

realizado estudo documental, através dos registros de Entrevista de Inclusão de Prisioneiros, em uma amostra de sessenta sujeitos do sexo masculino e o mesmo número do sexo feminino. As entrevistas foram feitas por estagiários do curso de Psicologia da Pontifícia Universidade Católica de Campinas no ano de 2009. Os condenados cumprem pena no regime fechado em Unidades Prisionais do interior do Estado de São Paulo. Fez-se o registro da frequência simples em que os dados ocorreram. A idade dos sujeitos variou de 18 a 58 anos para os homens e de 18 a 60 anos para as mulheres. A maioria se encontra na faixa etária de 24 a 28 anos. Quase metade da amostra refere apresentar problemas de saúde, perfazendo 40%. Mais da metade dos que referem ter alguma doença crônica, não recebe nenhum medicamento e nem tratamento. As principais doenças que acometem a amostra pesquisada são as doenças respiratórias, cardíacas, mentais e ortopédicas. A psicose e a depressão foram as doenças mais relatadas. Uma porcentagem c1onsiderável, 37%, não se submeteu ao teste de HIV. Cerca de 70% refere o uso de drogas ilícitas e mais da metade assumiu o alcoolismo, antes do aprisionamento. A maconha é a droga mais utilizada, seguida pela combinação maconha, crack e cocaína. Aproximadamente 50% desses usuários começaram a utilizar drogas ilícitas entre 13 e 17 anos de idade. É possível concluir que apesar da amostra ser composta principalmente por indivíduos jovens, um número considerável deles apresenta doenças crônicas e não recebe a atenção mínima necessária. Na Unidade Feminina não há sequer ginecologista e isso demonstra o descaso do Estado em relação à saúde dos prisioneiros. Pode-se dizer que eles receberam uma dupla condenação, a da Justiça referente ao crime cometido e a do Estado ao obrigá-los a suportar a falta de tratamento de suas enfermidades.

Palavras-Chave: Saúde do prisioneiro, encarcerados, sentenciados.

1 Pesquisa realizada a partir de Trabalhos de Conclusão de Estágio Supervisionado em Psicologia das

Organizações em Campo Forense e do Curso de Extensão em Psicologia Forense.

2 Professora do Curso de Psicologia da Puc-Campinas, psicóloga do Sistema Penal no Estado de São Paulo de

1988 a 2005. Especialista em violência, criminalidade e segurança pública.

 

 

 

 

 

QUALIDADE DE VIDA DE QUEM ADOECE

Nely Aparecida Guernelli Nucci

As implicações psicológicas, tanto na etiologia quanto na terapêutica das doenças vêm despertando um crescente interesse, originando estudos e pesquisas. A forma com que o paciente vivencia sua enfermidade, sua auto-percepção de bem ou mal-estar parecem contribuir na evolução biológica da patologia, podendo constituir-se em cofator terapêutico. Assim, a avaliação da Qualidade de Vida tem sido acrescentada nos estudos clínicos junto à eficácia e à segurança dos tratamentos. Dentre as inúmeras doenças que podem acometer o ser humano, o câncer por suas características e significados tem merecido inúmeros estudos e pesquisas na área da Psicologia.

Buscando aproximação ao conceito Qualidade de Vida e a compreensão do fenômeno “estar com câncer” este estudo foi delineado dentro de uma trajetória metodológica abrangendo aspectos quantitativos e qualitativos. Na primeira etapa foi aplicado o instrumento de avaliação de Qualidade de Vida desenvolvido pela Organização Mundial de Saúde – WHOQOL-bref. A pesquisa foi realizada com 50 pacientes adultos, de ambos os sexos, em tratamento de diferentes tipos de câncer no Centro de Oncologia do Hospital Municipal Dr. Mário Gatti, em Campinas/SP e com 70 voluntários-controle, residentes na mesma cidade. Os grupos não apresentaram diferenças estatisticamente significativas em relação aos aspectos psicológico, satisfação com a saúde e qualidade de vida. Na segunda etapa foram entrevistados 15 novos pacientes em tratamento no mesmo Serviço. Fundamentada na metodologia qualitativa fenomenológica, partiu das questões norteadoras: “O que significa para você o termo Qualidade de Vida?” e “Como está a sua vida?”. Da análise dos discursos surgiram 05 temas para a primeira questão – Qualidade de Vida significando:

1) ter saúde; 2) ter autonomia financeira, conforto, satisfação das necessidades básicas; 3) viver bem na dimensão dos afetos, das relações familiares, das amizades;4) cuidado e 5) um conceito abrangente. Em relação à segunda questão 11 foram os temas encontrados, os quais foram agrupados em 03 categorias abrangendo o passado, o presente e o futuro na dimensão da vida dos entrevistados. Após essa análise foi realizada síntese compreensiva dos resultados e aproximação entre os dois métodos utilizados. Nas

considerações finais são discutidos os aspectos estudados, bem como o

papel da Psicologia em direção à melhoria da assistência nessa área.

Palavras-chave: 1) Câncer; 2) Psicooncologia; 3) Qualidade de Vida; 4)Fenomenologia.

Pesquisa quanti-qualitativa.

Nely A.Guernelli Nucci, doutora em Psicologia pela USP. Psicóloga do Centro de Oncologia do Hospital Municipal Dr. Mário Gatti –

Campinas/SP. Supervisora de estágios em Psicologia da Saúde na PUCCampinas e UNIP. Coordenadora Psico-Social da Associação

de Pais e Amigos da Criança com Câncer – APACC – Campinas/SP. Membro e Certificação pela Sociedade Brasileira de Psico-

Oncologia e ALAPSA. Membro da International Psycho-Oncology Society

 

 

 

 

 

Qualidade de Vida e Depressão no Envelhecimento 1

Ádala Nayana de Sousa Mata 2

 

O envelhecimento da população brasileira, que vem acontecendo de forma radical e acelerada, tem proporcionado mudanças no perfil epidemiológico e demográfico da população. Estas transformações acarretam em aumento da procura por serviços de saúde devido às doenças crônicas e múltiplas que podem estar presentes no processo de envelhecer, bem como resultado da mudança dos hábitos de saúde da população e da exposição a fatores de risco. A depressão é a mais prevalente condição mental em idosos, estando associada aos padrões de mortalidade, morbidade e alterações na funcionalidade. Os sintomas mais característicos dessa patologia são a sensação de tristeza e vazio, queixas de humor triste ou deprimido, além de fadiga, dificuldades de concentração e lentificação psicomotora. Pode gerar, ainda, distúrbios psicológicos, baixa auto-estima, interpretações negativas do cotidiano e não-aderência aos tratamentos de doenças crônicas. Assim, atua como fator determinante da qualidade de vida, uma vez que produz no indivíduo uma quebra na sua dinâmica de desenvolvimento, gerando uma desarmonização e exigindo uma reestruturação da sua vida. A expressão qualidade de vida, por sua vez, tem várias vertentes, que vão desde uma conceituação popular até seu emprego no contexto científico, utilizado principalmente pelas áreas relacionadas à saúde. O conceito é amplo, uma vez que a OMS considera a percepção do indivíduo de sua posição na vida, no contexto da cultura e sistemas de valores nos quais vive, e em relação aos seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações, demonstrando a multidimensionalidade e subjetividade do conceito. Assim, as condições físicas, psicológicas, ambientais e os relacionamentos sociais são domínios relevantes para a percepção que o indivíduo fará de sua qualidade de vida. Verifica-se, portanto, a necessidade de compreender a velhice como um período do ciclo vital que merece atenção dos profissionais, das políticas e dos serviços de saúde, oferecendo ao idoso condições para lidar com as demandas do dia-a-dia e meios para melhor atender às suas dificuldades, prevenindo a depressão, e promovendo o envelhecimento bem-sucedido.

Palavras-chave: envelhecimento, depressão e qualidade de vida.

1 Trabalho apresentado na Mesa Redonda como parte do projeto de pesquisa “Qualidade de vida em idosos usuários da rede básica de saúde de Natal/RN”

2 Psicóloga. Especialista em Psicologia da Saúde. Mestranda do Programa de Pós Graduação em Ciências da Saúde da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Pesquisadora voluntária do Grupo de Estudos: Psicologia e Saúde (GEPS), vinculado ao Departamento de Psicologia da UFRN.

 

 

 

 

 

A PRÁTICA DE REALIZAÇÃO DE GRUPOS DE APOIO A FAMILIARES DE PACIENTES INTERNADOS NO HOSPITAL UNIVERSITÁRIO GETÚLIO VARGAS EM MANAUS, AMAZONAS.

Moraes, A. P. S; Lima, P. A. M.; Matsdorff, K. D. K; Costa, M. C. R; Andrade, A. C.; Macedo, M. G. D.

Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV), Manaus-AM, Brasil.

Objetivos: Proporcionar um momento de reflexão, para que os acompanhantes dos pacientes internados em um Hospital Universitário possam falar sobre a situação que estão vivenciando e receber informações da equipe de saúde sobre o funcionamento e a dinâmica hospitalar. Nesse sentido buscam-se escutar as necessidades, história de vida, condições emocionais e sociais, trabalhando as potencialidades dos familiares que acompanham os pacientes hospitalizados; tentanto enfatizar as vantagens proporcionadas pelas atividades executadas em grupo, sobretudo quanto às instruções da dinâmica hospitalar e socialização; proporcionando desta forma apoio psicossocial aos familiares.

Métodos: Realização de reuniões quinzenais, onde há orientação sobre o funcionamento, dinâmica e regras do Hospital Universitário Getúlio Vargas. Após isso, é proporcionado um espaço para os familiares externalizarem o momento vivenciado e, consequentemente, ajudar-se mutuamente. O setor de Psicologia coordena o Grupo Operativo, utilizando técnica terapêutico-metodológica qualitativa através da abordagem fenomenológico-transdisciplinar. O trabalho desenvolvido no grupo foca a construção de conhecimento do acompanhante através de informações e vivências compartilhadas. As temáticas são pré-estabelecidas relacionando-as à saúde, à hospitalização e à participação do acompanhante. Dentre os recursos didáticos, incluem-se dinâmicas, textos e músicas reflexivos, folders explicativos e apresentação de slides.

Resultados: Após 53 encontros quinzenais, observou-se a importância do acompanhante no processo de cura e recuperação do paciente, pois através das escutas realizadas em grupo puderam falar das suas necessidades e condições emocionais compartilhando a experiência vivenciada. Nota-se que trabalhando as emoções dos acompanhantes proporcionamos uma melhor compreensão da situação e dos cuidados dispensados ao doente, possibilitando a aprendizagem de novos métodos de adaptação e, consequentemente, reduzindo o grau de ansiedade destes.

Conclusões: Portanto, aos acompanhantes é esclarecido que, durante a hospitalização de um paciente, ele é essencial nesse processo, visto que sua atuação acontece em conjunto com o corpo clínico. Um aspecto que propicia a troca de experiências no grupo é que cada participante, ao se apresentar, também fala sobre a história clínica do paciente. As práticas educativas suscitam questões profundas e essenciais – vida, morte, sofrimento, tristeza, perda. Através da situação grupoterápica, o Grupo de Apoio a Familiares amplia a visão da equipe de saúde, que passa a perceber a relação médico-paciente-acompanhante de forma multifocal, privilegiando o trabalho humanizado e transdisciplinar.

Implicações clínicas: A pessoa que se submete a um atendimento hospitalar, leva não só seu corpo para ser tratado, mas vai por inteiro e, por extensão, atinge sua família, que participa de seu adoecer, suas internações e seu restabelecimento. Por todos esses aspectos, os grupos terapêuticos com os familiares são muito ricos, uma vez que nestes podem dividir seu sofrimento e se ajudarem mutuamente, pois no período da doença, os familiares desempenham papel importantíssimo, e suas reações muito contribuem para a própria reação do paciente no seu processo de cura. Assim, o Hospital Universitário Getúlio Vargas-HUGV em Manaus instituiu programas que visam beneficiar essa população, como o Grupo de Apoio a Familiares – GAF, que funciona desde janeiro de 2008.

Referências

ALAMY, S. Ensaios de Psicologia Hospitalar. Minas Gerais: Copyright, 2003.

BAPTISTA, M. N. Psicologia Hospitalar: teoria, aplicações e casos clínicos. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2003.

BLEGER, J. Temas de Psicologia: Entrevista e Grupos. São Paulo: Martins Fontes, 1993.

CAMPOS, T. C. P. Psicologia Hospitalar: A atuação do psicólogo em hospitais. São Paulo: EPU, 2006.

ROMANO, B. W. E a família vem ao hospital. In: Princípios para a Prática da Psicologia Clinica em Hospitais. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2004.

 

 

 

 

 

A SUBJETIVAÇÃO DO ADOLESCENTE OBESO QUANTO AOS GANHOS E PERDAS NA CONTEMPORANEIDADE

Lima, P. A. M.; Andrade, A. C.; Moraes, A. P. S.; Costa, M. C. R; Matsdorff, K. D. K; Macedo, M. G. D.

Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV), Manaus-AM, Brasil.

Objetivos: Avaliaras causas do surgimento da obesidade na adolescência e sua subjetivação na contemporaneidade, compreendendo a trajetória psicológica dos processos inconscientes de subjetivação juvenil e as consequências da compulsividade alimentar relacionada ao trauma na visão psicanalítica através de estudos de casos atendidos em psicoterapia no Hospital Universitário Getúlio Vargas.

Métodos: O desenvolvimento deste trabalho está associado à pesquisa clínica propriamente dita: com estudo de casos clínicos de 16 (dezesseis) pacientes pré-adolescentes e adolescentes obesos atendidos em psicoterapia de orientação analítica, observando o manejo transferencial e o estabelecimentoprocedimentos teóricos. A relevância deste tema se debruça sobre a interrogação dos fatores relacionados à subjetivação do adolescente obeso e quais perdas e ganhos estariam atrelados à obesidade juvenil na contemporaneidade. Partindo do pressuposto de que a adolescência representa um limite tênue entre o que é considerado normal e patológico no tocante ao desenvolvimento mental e corpóreo. Colaborando para a superação destas questões, o terapeuta necessitaria de melhor entendimento sobre o manejo dos conflitos juvenis inevitáveis e sobre o modo de auxiliar o adolescente a alcançar um desfecho produtivo nesta fase. Não observando a obesidade como uma patologia na adolescência e sim, como sintoma da falta de mediação simbólica entre o desejo inconsciente e o mundo real.

Resultados: Verificou-se que a obesidade aparece na atualidade como uma nova forma de mal-estar civilizatório. A partir daí, opadrão estético ideal do corpo magro tornou-se uma das idéias mais consumidas na contemporaneidade. Porém, há de se considerar que os sujeitos contemporâneos se estruturam psicologicamente de formas diferentes daquelas próprias da sintomática clássica das neuroses descritas por Freud e a grande questão contemporânea sobre a obesidade reside na forma como ela é desenvolvida e percebida, estando relacionada a fatores de forte apelo estético, ditames midiáticos e novas formas sublimatórias que levam à compulsão alimentar.

Conclusões: A obesidade do sujeito pode ser correlacionada a um contexto de forças pulsionais que por não encontrarem uma satisfação possível no interior da cultura social atual, comprometem o destino dessas forças. Em resposta a esta vida de insatisfação a obesidade transforma-se numa espécie de invólucro criado pelo indivíduo, inconscientemente, para proteger-se dos problemas externos.

Implicações clínicas: A busca da proteção pode ficar atrás da adiposidade e pode disponibilizar ganhos secundários, passando o sujeito a ser movido pela angústia do trauma e o advento recalcado transformando-se em sublimação. A dinâmica do sujeito enquanto ser desejante inserido na cultura atrelada ao percurso edípico será alicerce à subjetivação. E o supereu pode sofrer culpabilizando-se pela pulsão, ou melhor, pelo consumo orgíaco alimentar. Logo, o sintoma da obesidade convoca a interpretação e decifração em psicanálise, uma vez que o saber inconsciente instaura o saber psicanalítico do recordar, repetir e reelaborar. Ainda assim, o imaginário social em torno da intervenção cirúrgica sugere, para alguns jovens que convivem com a obesidade, uma alternativa mais sedutora, ajustando-se à vida contemporânea baseada na superficialidade, na aparência, no imediatismo e não na essência.

 

 

 

ESPIRITUALIDADE E SUAS IMPLICAÇÕES NO PROCESSO SAÚDE-DOENÇA

Viviane Coeli de Queiroz ; Cantisani, L. M.

Hospital Unimed- João Pessoa, Paraíba.

Objetivo: o presente trabalho tem por objetivo identificar de forma concisa as evidências recentes do papel da espiritualidade no processo saúde-doença e como ela pode interferir na saúde física e psicológica do Ser Humano. Método: Cosnta de uma pesquisa bibliográfica, onde foram selecionados livros e artigos científicos relacionando espiritualidade e saúde, ressaltando o valor da inserção da espiritualidade durante os tratamentos médico e a importância positiva que a religião e a fé das pessoas possuem diante de posicionamentos e questionamentos comuns nos processos de saúde–doença. Resultados: Colocando a espiritualidade como algo ainda maior e bem mais abrangente do que a religião, ela pode ser definida como “uma sensibilidade ou apego aos valores religiosos que ajuda a pessoa a ter uma visão de autoconhecimento e maior compreensão da vida. Fornece ainda a base e o apoio que lhe permite passar da dissonância e fragilidade para uma sensação de bem-estar e plenitude”. A atenção ao aspecto da espiritualidade se torna cada vez mais necessária na prática de assistência à saúde. Cada vez mais a ciência se curva diante da grandeza e da importância da espiritualidade na dimensão do ser humano. Vários estudos têm confirmado que a influência da espiritualidade tem demonstrado potencial impacto sobre a saúde física, definindo-se como possível fator de prevenção ao desenvolvimento de doenças e eventual redução de óbito ou impacto de diversas enfermidades. Conclusão: Podemos concluir que a espiritualidade tem papel importante no processo saúde-doença, levando em consideração, que a espiritualidade é um fator de promoção da resiliência que se refere ao desenvolvimento de uma força interna, através de pensamentos, palavras e ações, que facilitam a vivência das mudanças causadas por uma patologia, superando as crises e estresses com o mínimo de comportamentos disfuncionais. Implicações clínicas: Estudar cientificamente a espiritualidade é uma empreitada muito entusiasmante e perigosa, pois essa é uma área repleta de preconceitos a favor e contra a espiritualidade. Não importa se possuímos crenças materialistas ou espirituais, atitudes religiosas ou anti-religiosas, necessitamos explorar a relação entre espiritualidade e saúde para aprimorar nosso conhecimento sobre o ser humano e nossas abordagens terapêuticas, visto que este é um campo ainda pouco explorado, mas constitui um promissor campo de investigação.

 

 

 

 

 

 

A MÚSICA NO TRATAMENTO PSICOLÓGICO DE ADOLESCENTE ENLUTADA: UM ESTUDO DE CASO

Isabella Drummond Oliveira Laterza ¹  

Karla Crisitna Gaspar²

O câncer, apesar do avanço da medicina é uma das patologias mais temidas, e com um índice de alta mortalidade. Dessa forma, quando o paciente recebe este diagnóstico, sente-se ameaçado por uma possibilidade de morte. Além do paciente, a família sofre mudanças em seu cotidiano em função de uma série de ajustamentos que deverão ocorrer devido ao adoecimento. Com isso, é de extrema importância, quando o paciente recebe o diagnóstico e começa a realizar o tratamento, que a família seja assistida pela equipe de saúde com o intuito de garantir o acompanhamento das necessidades dos membros familiares ao longo do processo. Em muitos casos de câncer, o paciente vem a óbito e a família poderá necessitar de um acompanhamento psicológico para ajudá-la nesse momento. Quando há a perda de um dos pais, é necessário estar atendo, pois, em se tratando do luto de adolescentes, há uma complicação nessa fase. A perda dos pais poderá desencadear sentimentos como medo, raiva e abandono nos adolescentes que precisarão ser trabalhados. Os objetivos desse estudo foram investigar o processo de luto de uma adolescente que perdeu a mãe de câncer e oferecer apoio psicológico a ela. Foi convidada uma adolescente de 17 anos para participar da pesquisa. Para a coleta de dados foram utilizados relatos das sessões dos atendimentos psicológicos com a adolescente que está em psicoterapia breve no Ambulatório de Oncologia Clínica de um hospital público. Além disso, foi utilizada a técnica da musicoterapia. Os relatos das sessõesfuncionaram como eixo de investigação e instrumento. A análise do conteúdo se deu através de estudos de caso. Subsidiaram as análises e interpretação dos dados as contribuições advindas da Psicanálise e Psicologia da Saúde. Esperamos com as intervenções psicológicas contribuir para que esse processo de luto seja trabalhado e que a psicoterapia possa ser o momento da adolescente expressar seus medos, dores, perspectivas de futuro, dentre outros aspectos.

Palavras chave: adolescência; luto; psicologia da saúde.

¹Psicóloga pela Universidade do Estado de Minas Gerais – Campus FEIT

Aprimoranda em Psicologia e Oncologia pela Universidade Estadual de Campinas – Unicamp

² Psicóloga do Ambulatório de Oncologia Clínica e Quimioterapia do Hospital de Clínicas -Unicamp. Supervisora titular do Programa de Aprimoramento “Psicologia&Oncologia” pela Faculdade de Ciências Médicas – Unicamp.Especialização em Psicologia Hospitalar PUC-SP. Mestranda em Ciências Médicas ,FCM – Unicamp.

 

 

 

 

 

 

INTERFACE ENTRE NATUROLOGIA E ARTETERAPIA

ASSUMPÇÃO, A.

Hospital das Clínicas, Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP. Campinas – São Paulo – Brasil.

Objetivos

- Apresentar breve definião sobre a naturologia e sua situação como terapia complementar a hospitalar.

- Apontar algumas experiências da naturologia no ambiente hospitalar.

- Explorar a interface da naturologia e arteterapia.

- Apresentar experiência de contos indígenas na sala de quimioterapia do Hospital das Clínicas da UNICAMP, com finalidade terapêutica.

Métodos

- Pesquisa de campo com abordagem qualitativa sobre contação de mitos indígenas, adaptados e escolhidos de acordo com as necessidades observadas e documentadas sobre os pacientes da oncologia, durante o tratamento de quimioterapia e coleta de relatos e imagens posteriores ao mito.

- Pesquisa bibliográfica sobre as interfaces entre naturologia, o hospital e arteterapia

Resultados

Os resultados obtidos até esta etapa do projeto,mostram que a simbologia presente nos mitos fornece elementos para auto-regulação psíquica favorecendo a superação de conflitos referentes ao período vivenciado ou acompanhado pelos familiares. Observa-se também, que os mitos promovem um momento lúdico/ descontraído que dentro do contexto é de grande valor terapêutico, pois diminui a tensão vivenciada o que melhora o sistema imunológico.

Conclusões 

            A naturologia como profissão em busca da transdisciplinariedade possui como parte de suas disciplinas a arteterapia. No entanto existem poucas publicações ou pesquisas que fundamentem essa correlação.

O projeto de pesquisa referente a mitologia indígena com os pacientes da sala de quimioterapia embora focado na arteterapia exclusivamente é realizado por uma naturóloga o que permeia a visão sobre o trabalho e evidencia a necessidade de mais pesquisas que fundamente essa correlação, contribuindo para as duas áreas de saber, a naturologia e a arteterapia.

            Amana Assumpção, naturóloga graduada pela Universidade do Sul de Santa Catarina – UNISUL desde julho de 2003.

             Pós graduanda em especialização de Arteterapia pela Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP.     

 

 

 

 

 

A ATUAÇÃO DO PSICÓLOGO HOSPITALAR NA EQUIPE MULTIPROFISSIONAL, AS POSSIBILIDADES DE INTERVENÇÃO E A COMPREENSÃO DO SENSÍVEL: UMA REFLEXÃO ACERCA DE UM CASO.

Taciana Cristina Carvalho Ragazzi

Pontes-Fernades, A. C

Funayama, C. A. R.

Anselmo, J. N. N.

Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto – USP/ Ribeirão Preto – SP/ Brasil

Objetivo: O objetivo do presente estudo é propor uma reflexão sobre a atuação do Psicólogo Hospitalar junto a equipe multiprofissional e as possibilidades de intervenção neste contexto pontuando a compreensão do sensível, algo que vai além das palavras ou as antecede, lançando um olhar de homem como ser-no-mundo e desta maneira, na tentativa de compreendê-lo, considerar sua historicidade.

Método: o caso apresentado foi acompanhado na Enfermaria de Neurologia Infantil do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo no ano de 2009 junto a equipe multiprofissional. Durante o tempo de internação foram realizados atendimentos psicológicos para mãe e filho, visitas e reuniões multiprofissionais e discussões teóricas. As intervenções psicológicas acontecerem na modalidade de psicoterapia breve focando no apoio para a dupla e na participação das discussões multiprofissional inserindo uma visão de ser-no-mundo e a possibilidade da compreensão do sensível.

O caso: o presente caso desdobrou diante da enfermidade do garoto V. (6 anos) que foi internado na Enfermaria de Neurologia Infantil do HCFMRP-USP em busca de um diagnóstico. V. estava perdendo a força muscular de forma gradual e quando chegou à enfermaria tinha dificuldade de fala e de locomoção. A possibilidade diagnóstica era de uma doença muscular progressiva. A acompanhante de V. era sua mãe L. que se demonstrava angustiada frente a situação. V. permaneceu internado por mais de um mês e passou por vários exames até obter o resultado de HIV positivo contraído através do aleitamento materno. A mãe L. não tinha consciência de ser portadora do vírus. Mãe e filho foram encaminhados para tratamento em sua cidade de origem.

Resultados: foram realizados acompanhamento psicológico para a dupla, visitas e reuniões multiprofissionais e discussões teóricas durante todo o processo de internação. Diante dos atendimentos psicológicos destacou-se a possibilidade de realizar as intervenções para mãe e filho juntos devido a forte ligação de ambos, a possibilidade da compreensão que vai além da fala, incluindo gestos, movimentos e expressões, a possibilidade de intervenções junto aos médicos pontuando a necessidade de alta devido ao impacto diagnóstico instaurando uma visão do paciente e de sua acompanhante como ser-no-mundo.

Conclusões: é na prática que se pode sentir e viver as possibilidades e os limites da atuação psicológica em um contexto hospitalar. O psicólogo quando inserido em uma equipe multiprofissional pode realizar o seu trabalho propondo uma visão global do ser humano que adoece encarando-o além do contexto da enfermidade posicionando-o como ser-no-mundo levando em consideração a sua historicidade e as dores e alegrias que ela o traz e, sendo assim, na tentativa de compreendê-lo, considerando suas diferentes formas de expressões.

Implicações clínicas: a relevância da apresentação do caso está nas diferentes possibilidades de atuações do psicólogo hospitalar abrindo espaço para a compreensão do ser-no-mundo e do sensível junto a equipe multiprofissional.

 

 

 

 

“Comunicação de Más Notícias no Campo da Saúde: a criança como paciente”

Gimol Benzaquen Perosa – Faculdade De Medicina de Botucatu-UNESP

A comunicação é considerada um instrumento essencial para o relacionamento entre profissional e paciente, um dos principais ingredientes presentes nos cuidados em saúde, um poderoso instrumento facilitador no processo de diagnóstico e tratamento, especialmente quando se trata de doentes crônicos ou com quadros muito graves. Mudanças significativas no campo da comunicação ocorreram nos serviços de saúde, recentemente, impulsionadas pela sensibilidade crescente pela humanização, por uma maior aceitação de fatores psicológicos na determinação das doenças, e pelo interesse dos próprios pacientes em receber informações e participar da tomada de decisões que dizem respeito á sua saúde.Apesar dos profissionais informarem mais os pacientes,nos dias de hoje, ter que informa-lo que ele é portador de quadro de prognóstico reservado ou de doenças em estágio terminal, as chamadas “más noticias”, ainda é uma das situações mais difíceis e dramáticas na prática profissional. Em principio, o portador de más notícias desperta raiva, tristeza e desesperança, pois a essência da notícia ruim reside no que está sendo dito, mas uma abordagem inadequada, pelo despreparo dos profissionais para lidar com a dimensão subjetiva, pode aumentar, desnecessariamente, o sofrimento da equipe e do paciente, especialmente daqueles sem expectativa de cura. Nesta apresentação pretende-se dar atenção especial á comunicação de más noticias quando os pacientes são crianças, a partir de nossa experiência pratica e de pesquisa em enfermaria de pediatria, com crianças, famílias e equipe profissional. Os nossos resultados  parecem indicar que , no contexto pediátrico, a comunicação ocorre, no geral, com os pais, com pouco envolvimento da criança. Quanto ao que, quem e quando comunicar, o assunto ainda é polemico e há falta de consenso. A maioria dos profissionais acredita que a criança e a família devem ser postas a par do estado de saúde da criança,mas,na pratica, é grande a resistência em informar o diagnóstico e o prognóstico de forma explicita, recorrendo a termos técnicos, minimizações e fugas. Por seu lado, os pais não reclamam dos cuidados em sí, mas da falta de interesse dos profissionais, da falta de empatia com  a família e da dificuldade de estabelecer vínculos adequados que ajudem a suportar a noticia.A grande maioria apóia  que a criança seja excluída do processo.Para finalizar , pretende-se debater essas  questões  e possíveis formas de capacitação da equipe, entendendo que se trata de tema que  não se limita a conhecimento técnico-cientifico mas envolve fatores de ordem ética,legal e cultural.

Palavras-chave- comunicação médico/paciente, más-noticias, paciente terminal, psicologia pediátrica

Mini-curriculo

Psicóloga com Mestrado e Doutorado na PUC-SP

-Docente das disciplinas de Psicologia Medica e Psicologia do Desenvolvimento da Faculdade de Medicina de Botucatu-UNESP

-Docente da pós graduação em Saúde Coletiva da Faculdade de Medicina de Botucatu-UNESP

-Responsável pelo Aprimoramento em Psicologia Hospitalar em Pediatria na Faculdade de Medicina de Botucatu-UNESP

- Vice-coordenadora do Comitê de Ética em Pesquisa da Faculdade de Medicina de Botucatu-UNESP

Áreas  prioritárias de atuação e  pesquisa

-Comunicação no setting pediátrico

- avaliação de crianças de risco

-psicologia fetal

- ensino medico

 

 

 

 

 

Os desafios da Oncologia Pediátrica

Silvia Brandalise

Os desafios do exercício da Medicina, em muito extrapolam os conhecimentos
científicos, com sua necessidade de contínua atualização. Evocam os
sentimentos mais profundos de compaixão, da Ética, da cidadania, dos
direitos humanos e de Reverência à Vida.

Todos estes valores, igualmente importantes para qualquer área de atuação do
profissional médico, se agudizam para os grupos mais vulneráveis de pessoas,
como as crianças.  Dar o diagnóstico a uma mãe, sobre  uma doença em
seu(sua) filho(a), é tarefa que mobiliza as mais profundas emoções. Mais
ainda, se se tratar de uma doença grave, como o câncer.

Embora tenham ocorrido avanços significativos na área da oncologia
pediátrica, aspectos relacionados aos tratamentos, sempre agressivos, assim
como aqueles vinculados aos efeitos tardios, ainda representam pontos
relevantes que impactam na Qualidade de Vida.

Mais do que curar, é fundamental minimizar as sequelas das terapias
dirigidas ao controle do câncer, promover precocemente a reabilitação e
estabelecer as bases para a reinserção social. É porisso que é fundamental
trazer para o ambiente hospitalar, todo o Mundo que constitui o universo da
criança.

Isso é suficiente? Não. A contínua educação dos pediatras, para o
diagnóstico precoce do câncer, como também, a educação da sociedade acerca
dos hábitos de vida saudáveis, tornam-se a grande demanda da atualidade.
Prevenir o câncer da criança e do adolescente torna-se o maior desafio
destas próximas décadas.

É preciso termos hoje, a coragem de atenuar os fatores de risco já
conhecidos,  para o câncer destes jovens. É necessário ter a ousadia de
propor medidas públicas com o objetivo da diminuição dos poluentes
ambientais, que em muito interferem com a qualidade dos alimentos e da água,
fontes da nossa subsistência e saúde.

 

 

 

 

A atitude transdisciplinar aplicada a Saúde e Sustentabilidade

Uma abordagem multidimensional

por Fernando A C Bignardi *

Diante do aumento demográfico da população idosa no mundo, constatamos que a medicina baseada numa concepção mecânica de homem não se mostra suficiente e satisfatória. Por ser um método topográfico que é acionado pela identificação da parte doente do corpo, para a qual atribui um diagnóstico e consequentemente a um tratamento, soma tratamentos diante da multiplicidade de diagnósticos.

Como a maioria dos idosos tem mais de um diagnóstico (75%), ocorre o sério problema da polifarmácia (como é conhecida a sobreposição de vários medicamentos simultâneos em um mesmo indivíduo), cujos efeitos colaterais levam a internação hospitalar, cerca de 12% dos idosos, sendo que cerca de 80% dos idosos tratados pela medicina convencional, tem pelo menos 1 efeito colateral em seu tratamento!

Além disso o estudo epidemiológico sobre o envelhecimento demonstra que a principal causa de perdas funcionais na velhice, em decorrência das doenças crônicas, é o estilo de vida, que resulta de fatores multidimensionais como escolhas alimentares, hábitos de sono e ritmo de vida, crenças, postura e atividade física, etc.

Em função disso, mudar do modelo mecânico newtoniano para uma concepção multidimensional inspirada na física quântica foi fundamental para compreender melhor o processo de adoecer do ser humano.

Neste modelo, que considera as dimensões: física (órgãos e sistemas), metabólica (fluido composto por sangue e linfa que integra e comunica os sistemas), vital (relacionado aos ritmos do corpo: sono, apetite, excreções, respiração, etc.) mental (postura física e atitude mental diante da realidade interna e externa) e supramental (espiritualidade como “arquivo” da missão essencial e da indivudualidade) do ser humano, pode-se identificar uma cascata de causalidade descendente que se inicia quando a pessoa se desconecta de sua vocação essencial (dimensão supramental ou espiritual) e constrói modelos mentais de vida ancorados numa percepção ilusória da realidade com valores circunstanciais como a ambição material baseada no poder alcançado pela violência, conhecido como Androcracia. Esta atitude de exploração baseada no desrespeito pelo outro e na dominação da Natureza é a principal causa da insustentabilidade que aflige o mundo contemporâneo.

Ao recorrermos a um protocolo terapêutico que valoriza e intervem em todas estas dimensões são criadas as condições para que a cura aliada ao bem estar sejam despertadas na pessoa. Em ensaios clínicos corporativos realizados utilizando-se este procedimento multidimensional obtivemos a cura de doenças crônicas decorrente da transformação de padrões patogênicos nos vários níveis da pessoa.

Para tanto uma especial importância é dada à prática da meditação, como uma metodologia científica de mudança voluntária do modo de operação cerebral. No estado de consciência meditativo, as ondas eletroencéfalográficas beta, do estado de vigília habitual, sedem lugar  para ondas teta, delta e gama, características do sono profundo, que passam a ocorrer em estado de alerta possibilitando a reconexão do praticante com as dimensões causais da realidade representadas por uma sutil rede de padrões sistêmicos que formata, por meio de informações, a matéria e a energia. Esta condição já era referida na Bíblia quando se refere ao Verbo que existia no princípio e se fez carne, ao mesmo tempo em que relata que Deus disse (emitiu uma informação): Faça-se a luz!

A mente meditativa se conecta ao universo simbólico reconhecendo imagens carregadas de significado, entende-se assim, como procedimentos que se valem de técnicas imaginativas, costumam ser tão benéficos no resgate da saúde.

Este processo de reconexão do ser humano com esta dimensão espiritual ou causal da Realidade, possibilita o realinhamento de alguém com sua vocação essencial alinhada com o projeto cósmico de realização universal que resulta ações sustentáveis.

Esta condição era, como sugerem evidencias arqueológicas obtidas na Grécia e na Amazônia, a estrutura cultural das civilizações primitivas, onde o espírito feminino de parceria entre ser humano e Natureza prevalecia e possibilitava o sucesso da espécie na sua jornada de sobrevivência no Planeta por centenas de milhares de anos.

O resgate da cultura de parceria apresenta-se como um pilar fundamental na reconquista da sustentabilidade pessoal e planetária. Para tanto a contemplação dos fenômenos e tomada de decisões envolvendo as funções do hemisfério encefálico direito (alcançado pela meditação e outras técnicas contemplativas) apresenta-se como etapa fundamental do resgate da saúde, bem estar, realização e cultura de paz e prosperidade.

Uma evidência deste fenômeno é observada em grupos de idosos que meditam, nos quais a reconexão com a dimensão supramental, viabilizada pela meditação, favorece o resgate da missão essencial da vida e possibilita o ressurgimento da motivação pela vida acompanhada da cura de doenças crônicas (hipertensão arterial e diabetes), assim como o resgate de bem estar e qualidade de vida na medida em que são retomados projetos de realização da vida.

Outra evidência, agora registrada no mundo corporativo, é que, executivos que meditam começam a produzir projetos sustentáveis num processo de respeito e parceria com a Natureza, ao mesmo tempo em que se tornam mais felizes, realizados e saudáveis!

A transdisciplinaridade é a atitude cientifica contemporânea que, reconhecendo a complexidade dos fenômenos assim como a multidimensionalidade da realidade, se dispõem a buscar soluções sustentáveis nos estratos mais sutis (informacionais) da realidade o que possibilita encontrar situações de genuíno consenso coletivo, por meio da inclusão e respeito às diversidades, potencializando a utilização dos conhecimentos disciplinares de forma sinérgica e transformadora.

Esperamos que a disseminação desta atitude possa resgatar a dignidade da espécie humana recuperando a possibilidade de sua sobrevivência harmônica e pacifica no Planeta.

* Médico gerantólogo, psicoterapeuta, homeopata e consultor pessoal e corporativo na área da sustentabilidade.

Coordenador do Centro de Estudos do Envelhecimento da UNIFESP e

diretor fundador do Centro de Ecologia Médica “Florescer na Mata”

Email: Fbignardi@superig.com.br  site: www.florescernamata.com.br

 

 

 

 

 

 

 

Saúde e Tecnologia: Alguns Aspectos Psicossociais

José Leon Crochik

 

O objetivo desta conferência é discorrer acerca da dupla face da tecnologia na área da saúde, com destaque para os aspectos Psicossociais. Nas diversas áreas sociais, e assim também na área da saúde, o avanço tecnológico foi e continua a ser fundamental para a diminuição de sofrimentos e para o aumento da longevidade; isso ocorre pela criação de equipamentos cada vez mais propícios a diminuir riscos à saúde nas intervenções necessárias da medicina, pela prevenção de doenças por meio dos cuidados higiênicos e alimentares; ao mesmo tempo, a tecnologia contribui com a frieza existente na relação entre os profissionais da saúde e os clientes/pacientes: não só as máquinas substituem a mão que apalpa o corpo, como esses profissionais tendem a tratar seus clientes/pacientes como objetos da tecnologia, isto é, uniformes, sem vida, somente corpos a ser manipulados. É essa redução do humano a uma coisa que implica a ausência da identificação, identificação essa, que se gera sofrimento para os profissionais da saúde, não pode ser retirada da possibilidade dos homens se tornarem homens; assim, para que a vida se salve, na ausência de identificação, ela se perde.

Palavras-chave: frieza, ausência de identificação, tecnologia

1- Especificação do trabalho: conferência

2- Mini currículo: docente do Instituto de Psicologia da USP

 

 

 

 

Velhice e Envelhecimento: as representações sociais de moradores de uma instituição asilar

Rinala Ferreira Maia1

Isabella Drummond Oliveira Laterza2

Larissa Guimarães Martins Abrão3

A inserção e a participação mais ativa da população de idosos na vida social é hoje objeto de programas governamentais e de toda sorte de projetos de outras instituições voltadas para a promoção da saúde. Pensando, então, em termos da psicologia desenvolvimental e em como tem se configurado a sociedade atual em relação aos idosos, percebemos que existem representações sociais negativas sobre a velhice, que colaboram na perpetuação do sentimento de inadequação e não-pertença social do idoso, na medida em que a idade avança. Pensando nesse sentido, o objetivo deste estudo foi investigar uma população de moradores de idosos de uma instituição asilar, no intuito de perscrutar suas representações sociais sobre a velhice do ponto de vista da condição social do idoso e de sua capacidade de desenvolvimento. Ao todo, foram entrevistados 13 moradores de um abrigo de idosos situado em Ituiutaba, Minas Gerais. As entrevistas foram gravadas em áudio e transcritas para análise do conteúdo das falas. Os resultados indicam que, entre os moradores, não há uma identificação da instituição como um “lar” propriamente dito. A velhice asilada, para estes sujeitos parece ser o lugar da estagnação. A rotina institucional aponta para a ausência de atividades, que corrobora a sensação de que resta apenas a morte. Em todos os discursos, quando interposta a questão sobre as perspectivas de futuro, o devenir cede lugar à desesperança. A solidão é a grande presença nas entrevistas, embora apontem o asilo como um lugar “bom”. Entendem que são bem cuidados, pois os “enfermeiros” dão remédios e ajudam. Quando não há o desejo de voltar para “casa”, manifesto na maioria dos depoimentos, há a espera resignada pela efetivação da vontade de Deus. Em outras palavras, o envelhecimento é percebido por estes sujeitos como um momento esvaziado de sentido, em que saltam a solidão e a conformidade. Entendemos que os resultados obtidos são importantes na medida em que levantam uma reflexão sobre a qualidade do cuidado que é oferecido já que as concepções que embasam a intervenção junto à terceira idade ainda se mantêm tão comprometidas com a exclusão.

Palavras-chave: velhice; representações sociais; moradores

1 Aluna do 5°ano de Psicologia na Universidade do Estado de Minas Gerais/ Campus FEIT

2  Psicóloga. Formada pela Universidade do Estado de Minas Gerais / Campus FEIT

Aluna do curso de Aprimoramento Profissional em Psicologia e Oncologia – UNICAMP

Psicóloga. Docente da Universidade do Estado de Minas Gerais/ Campus FEIT. Doutora pela Universidade de Brasília em representações sociais e gênero

 

 

 

 

 

RELATO DE EXPERIÊNCIA: ATENDIMENTO PSICOLÓGICO COM CRIANÇA DEFICIENTE AUDITIVA

Natália Michelato Silva ¹

Cláudia Alexandra Bolela Silveira²

No ano de 2009, no período de abril a novembro, foi realizado o atendimento com uma criança portadora de deficiência auditiva, do sexo masculino, com idade de 7 anos. Esse paciente foi indicado pelas estagiárias e sua supervisora da Clínica de Fonodiaulogia da Universidade de Franca, apresentando como queixa a dificuldade de implantar limite nesse paciente, tanto pelas estagiárias quanto pela mãe do mesmo. O atendimento foi realizado no Centro de Estágio e Pesquisa em Psicologia da Universidade de Franca- UNIFRAN, pela estagiária que cursava o 5º Ano do Curso de Psicologia, Natália Michelato Silva. O referencial teórico do estágio foi psicoterapia analítica infantil com o uso da ludoterapia. As sessões do grupo eram realizadas semanalmente com duração de 1 hora.  O paciente era uma criança agressiva, com dificuldade de interagir e de se conter.  No decorrer dos atendimentos percebeu-se uma interação entre o participante e a estagiária, criando um bom vínculo terapêutico. Durante as sessões, a criança em questão, conseguiu elaborar e trabalhar a aceitação de sua deficiência auditiva, conter a sua agressividade, de forma lúdica ao desenhar e brincar, o que denotava a busca de uma elaboração dos seus conflitos internos, através do simbolismo e do mecanismo de projeção. O paciente apresentou uma melhora no relacionamento com a mãe e no comportamento durante as sessões de psicoterapia e fonodiaulogia, evidenciando a importância da psicoterapia analítica que permitiu trabalhar as angústias e ansiedades que surgiam nas relações com o paciente.

¹ Psicóloga pela Universidade de Franca. Aprimoranda em Psicologia e Oncologia pela Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP

² Psicóloga. Supervisora de Estágio em Psicologia na Universidade de Franca.

 

 

 

 

 

 

 

RESUMO DE CONFERÊNCIA

O TRATAMENTO E O CUIDADO COM A PESSOA HOSPITALIZADA

Yolanda Cintrão Forghieri – Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo SP Brasil

Objetivo: Este trabalho tem por objetivo ressaltar a importância do cuidado a ser prestado à pessoa hospitalizada, pelos profissionais que lidam com ela, simultaneamente ao tratamento prescrito para o alívio de seus sintomas e, se possível, para a obtenção de sua cura.

Metodologia: A partir de minha longa experiência como psicóloga e aconselhadora terapêutica e o exame de vários autores pertencentes à abordagem fenomenológica da psicologia, na qual venho me especializando, neles procurei encontrar motivos que pudessem justificar o objetivo acima proposto. Entre os autores examinados merecem destaque: os filósofos Husserl, o iniciador da fenomenologia moderna, Merleau-Ponty, seu discípulo e Buber o fenomenólogo das relações humanas; os psiquiatras e psicólogos Vandenberg, Minkowski, Boss e Binswanger. Nas idéias de Buber e Binswanger encontrei os motivos pretendidos que passo a descrever sucintamente.

Resultados: O ser humano é um ser-no-mundo, existe sempre em relação a algo e a alguém. O mundo aparece para ele sob três aspectos diferentes e inter-relacionados; o circundante, que abrange a natureza e a concretude do que se encontra à sua volta; o humano do qual fazem parte os seus semelhantes; e o próprio, que consiste na sua própria identidade, que vai surgindo e se desenvolvendo a partir de suas vivências no mundo, que lhe são significativas. As relações com os seus semelhantes assumem particular importância por ser nelas que a pessoa tem maiores e melhores oportunidades de atualizar e desenvolver suas peculiaridades como ser humano. Nestas destacam-se a sua liberdade, sua responsabilidade e o cuidado que consiste no amor e sintonia em sua própria existência que num sentido profundo, nos torna a todos semelhantes como pessoas existindo no mundo, às vezes com realizações e alegrias, outras vezes com frustrações e aborrecimentos, assim como, ora com bem-estar e saúde, ora com mal estar e aborrecimentos existenciais (físicos e/ou psicológicos).

Conclusões: Considerando que a pessoa hospitalizada quase sempre em decorrência de alguma enfermidade grave, encontra-se bastante restringida na atualização de suas peculiaridades humanas, principalmente em sua liberdade e sua responsabilidade, que ficam a cargo dos profissionais responsáveis pelo seu tratamento. Assim sendo, torna-se necessário que ela seja fortalecida pelo cuidado, manifestado no amor, consideração e respeito dos referidos profissionais, que geralmente são os médicos (as) e as enfermeiras (os). Entretanto, estes não costumam estar preparados e/ou alertados para a importância do cuidado a ser manifestado à pessoa hospitalizada.

Implicações Clínicas: Depreende-se dos subsídios e considerações acima descritos, a importância da participação do psicólogo (a) na equipe de profissionais responsáveis pelo tratamento, pois este não deve estar voltado apenas para o organismo da pessoa hospitalizada e sim, também, para a sua personalidade, os seus aspectos psicológicos, as suas peculiaridades como ser humano, de certo modo, semelhantes as dos responsáveis pelo tratamento.

 

 

 

 

 

 

 

 

ENFRENTANDO O LUTO
Lucélia Elizabeth Paiva
lucelia_paiva@uol.com.br

Vivenciamos ganhos e perdas ao longo de toda a vida, desde o nascimento até
a morte. Perdas corriqueiras em nosso desenvolvimento e nosso cotidiano, às
quais nem sempre lhes damos a atenção devida. São “mortes simbólicas”, que nos remetem à consciência de ser humano, de nossa finitude.
A morte é um fato universal, porém seu enfrentamento (luto) e significado
variam de sociedade para sociedade. De modo geral, o luto pela perda de um ente querido é uma experiência desorganizadora: a vida parece perder sua configuração, nada mais é como costumava ser. O sentido dado à vida é repensado. A pessoa que vivencia o luto não se reconhece, tem sua identidade transformada. As relações são reavaliadas. A pessoa enlutada sente-se vulnerável e necessita se reorganizar a partir de uma ausência, de um vazio que lhe é imposto.  As atitudes em relação à morte e a capacidade de enfrentamento do luto estão ligadas ao suporte dado às pessoas envolvidas nesse processo, assim como à possibilidade de expressão dos sentimento e emoções. As crenças religiosas e/ou filosofias de vida podem ajudar.
Os rituais de despedida são momentos importantes no enfrentamento da morte e no processo de luto. A despedida é um momento solene, que necessita de um
desprendimento emocional para aceitar a morte: separação definitiva, o
desapego. Porém, apesar do fim que a morte encerra, é possível vislumbrar vida no luto, há possibilidades de transcendência, de re-significação da vida e do viver.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Entrelace Psíquico dos Sons[1]

Ana Maria Caramujo[2]

           

Desde os primórdios da humanidade, o homem questiona e busca respostas a perguntas como estas: Quem sou eu? De onde vim? Para onde vou? O que importa não são as respostas, mas para onde estes questionamentos direcionam o desenvolvimento biopsicossocial do homem. O homem primitivo busca suas respostas na natureza e é lá que encontra suas divindades e também a cura e alívio para as suas dores. Nas tribos indígenas, o pagé, com a ajuda da música e/ou dos seus elementos sonoros e com a ajuda da dança, é quem cura os enfermos de seus males do corpo e da alma. O homem da cultura oriental ensinou a crer na existência de um mundo superior a este mundo material e sua busca consiste em atingi-lo através do aprimoramento espiritual. Em contra partida, o homem ocidental segue um outro caminho, em busca de desenvolvimento intelectual e tecnológico, que por vezes o põe distante da sua natureza sonora-musical. Entretanto, na Segunda Guerra Mundial, músicos e médicos estudaram os efeitos da música na saúde. E, hoje não se tem dúvidas acerca do poder terapêutico da música e/ou de seus elementos  sonoros, quando aplicados sistematicamente, dentro de um plano de trabalho consistente e devidamente fundamentado. E, também, não se discute mais a validade dos métodos e técnicas  musicoterápicas, pois a musicoterapia, hoje, está se afirmando no campo científico e, muitos são os trabalhos científicos que comprovam sua eficácia, e maior tem sido sua inserção nos  hospitais. Como exemplo, a autora, desde abril de 2009, desenvolve um trabalho voluntário, de musicoterapia, no ambulatório de oncologia do Hospital de Clínicas da Unicamp, juntamente com o Prof. Dr.  Joel Sales Giglio, durante a quimioterapia. Em 2009, semanalmente, das 13:30 às 17 horas, hoje, quinzenalmente. A equipe de enfermagem relata uma melhoria na integração da equipe, um ambiente menos tenso, alegre, descontraído e harmonioso. Os pacientes, em sua maioria, relatam, espontaneamente, ausência de enjoo,  diminuição da dor e de outros sintomas comuns na quimioterapia (eles cantam e tocam instrumentos de simples execução e leves). Essa oficina tem por objetivo criar a possibilidade dos participantes desse congresso, experimentarem através da música, e/ou dos seus elementos sonoros, a abertura de novos canais de comunicação, pois aqui a proposta é não-verbal. E, também de experimentarem,  o entrelace psíquico dos sons. Sabe-se que os sons, a música e/ou seus elementos sonoros perpassam o intelecto, a compreensão racional, atingindo o sistema límbico responsável por controlar nossos impulsos e nossas emoções, facilitando assim, a expressão das mesmas e também dos sentimentos. A música por ser evocativa, permite que o indivíduo experimente o emergir de conteúdos esquecidos, reprimidos ou desconhecidos, que permaneceram por tanto tempo inconscientes.

…“A música mais que qualquer outra arte, tem uma representação neuropsicológica extensa. Por não necessitar, como música absoluta, de codificação linguística, tem acesso direto às afetividade, às áreas límbicas que controlam nossos impulsos, emoções e motivação. Por envolver um armazenamento de signos estruturados, estimula nossa memória não-verbal (áreas associativas secundárias). Tem acesso direto ao sistema de percepções integradas, ligadas às áreas associativas de confluência cerebral, que unificam as várias sensações, incluindo a gustatória, a olfatória, a visual e a proprioceptiva em um mesmo instante, como a lembrança de um cheiro ou de imagens após ouvir determinado som ou determinada música. Também ativa as áreas cerebrais terciárias, localizadas nas regiões frontais, responsáveis pelas funções práxicas de sequenciação, de melodia cinética da própria linguagem, e pela mímica que acompanha nossas reações corporais ao som” (Muskat et al., 2000).

Palavras-chave: sons, música, musicoterapia, terapia expressiva, psiquismo.

 

[1] Refere-se a uma oficina em que os participantes experimentam uma atividade prática através da musicoterapia – terapia expressiva não verbal.

[2] Caramujo, A.M.. Psicóloga Clínica (IUP,1983); Especialista em Musicoterapia (FPA, 2002); Docente na UniFMU; Musicoterapeuta Voluntária no Ambulatório de Oncologia do HC da Unicamp; Mestranda na Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp.

e-mail: anamariacaramujo@uol.com.br

 

 

 

 

 

 

 

RESILIÊNCIA E ESPIRITUALIDADE EM PACIENTES ONCOLÓGICOS: UMA ABORDAGEM JUNGUIANA

MENEGATTI-CHEQUINI, M. C.; ARAÚJO, C. A. – Pesquisa realizada durante o curso de pós-graduação (nível – mestrado) na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUCSP, cidade de São Paulo – SP – Brasil.

OBJETIVOS: Verificar a existência de correlação entre resiliência, o bem-estar espiritual e seus fatores: religioso e existencial. Analisar as diferenças entre os fatores de bem-estar religioso e existencial relacionando-as com resiliência e averiguar as relações entre resiliência, bem-estar religioso e existencial com dados sociodemográficos, religiosos/espirituais e de saúde em pacientes, em fase de tratamento, que tiveram por adversidade o adoecimento por câncer. O termo resiliência foi empregado no sentido de processo através do qual uma pessoa, grupo ou comunidade, superam situações de adversidades, transformando-as em desenvolvimento pessoal e coletivo. Espiritualidade referiu-se à experiência com o Self,  à experiência humana que traz sentido e significado para a existência, à busca do divino, do sagrado, que implica no entendimento ou no sentido de conexão com um propósito supremo, não-material, ou seja, no reconhecimento do poder de algo Absoluto, além-ego, que nos remete à uma sensação de plenitude e comunhão com o universo e não apenas a adoção de um sistema específico de crença ou prática religiosa.

MÉTODOS: Pesquisa de campo, realizada no Centro Paulista de Oncologia. O levantamento de dados foi feito através do emprego de um questionáriode dados sociodemográficos, religiosos/espirituais e de saúde e duas escalas intercalares: uma para avaliar resiliência, a Escala de Resiliência de Wagnild e Young (1993) – (ER), adaptada por Pesce et al. (2005) e outra para avaliar o bem-estar espirituala Escala de Bem-Estar Espiritual de Paloutizian e Ellison (1982) – (EBE), adaptada por Marques (2000), esta última composta de duas subescalas: a de Bem-Estar Religioso (BER) que avalia se o indivíduo tem um relacionamento íntimo com um “Deus”, ou “poder superior”, “energia” etc.  e a de Bem-Estar Existencial (BEE), que verifica a capacidade da pessoa em atribuir sentido e significado à vida. A soma das subescalas é igual ao bem-estar espiritual. A avaliação dos resultados procedeu-se através da análise quantitativa, foi também realizada análise fatorial e a construção de Clusters. O referencial teórico utilizado foi a psicologia analítica. A pesquisa avaliou 60 sujeitos (de 27 a 72 anos) de ambos os sexos (14 homens e 46 mulheres), com diagnóstico de câncer, em qualquer estagiamento, que estivessem em tratamento, sendo excluídos aqueles em fase terminal.

RESULTADOS: 1- Tratou-se de uma amostra bastante homogênea: a maior parte do sexo feminino, de idade entre 40 e 60 anos, casados, 93,3% com nível de escolaridade superior, com trabalho e poder aquisitivo alto, situações que normalmente caracterizam situações de proteção; portanto, como esperado, os resultados apontaram para uma amostra resiliente e com bom nível de bem-estar espiritual. 2- Quase 90% da amostra afirmaram ter religião, mas apenas 41,7% disseram frequentar alguma instituição religiosa e mais de 90% responderam que realizam práticas espirituais como rezar, meditar e orar, sendo que o grupo que afirmou realizar estas práticas apresentou médias maiores em resiliência, inclusive com tendência a aumentar a classificação de resiliência conforme aumentava a frequência das práticas espirituais. 3- Quanto maior a importância atribuída  à fé, espiritualidade ou religiosidade, no enfrentamento da doença, maior a média em resiliência. 4- 96,6% da amostra consideraram que a doença transformou suas vidas e quanto maior a intensidade atribuída a estas transformações, maior a média em resiliência. A análise do cruzamento e as comparações dos dados da ER, da EBE e seus fatores de BER e BEE demonstraram que: A- Existiu uma correlação positiva significativa entre as escalas ER e EBE, comprovando a hipótese de que existe interrelação entre resiliência e espiritualidade. B- Somente o fator existencial da EBE apontou correlação direta com a ER, o fator religioso apenas mostrou relação com resiliência quando associado ao fator existencial. C- O resultado da comparação entre as médias das diferenças dos escores da EBR e EBE indicou uma tendência na direção de que indivíduos com bem-estar existencial maior ao bem–estar religioso eram mais resilientes. D- A comparação entre as médias dos desempenhos nas subescalas de BEE e BER e as classificações na ER mostraram que quanto maior a resiliência, maior o resultado nos dois fatores, porém, ainda maior no existencial, ou seja, esses dados mostraram que não adiantava o indivíduo ter relação íntima com um “Deus” (fator religioso alto), se esta relação não fosse capaz de trazer sentido e significado para sua existência (fator existencial baixo). Nestes casos a resiliência era menor. A classificação hierárquica para a construção de agrupamentos (clusters) confirmou os resultados anteriores mostrando associações entre os temas espiritualidade e resiliência.

CONCLUSÕES: A espiritualidade é um fator de resiliência e pode funcionar como mediador no processo resiliente. A fé, a convicção de um propósito supremo, trazem responsabilidade, sentido e significado para a existência, capazes de dotar o indivíduo de dispositivos fundamentais no trato da adversidade.

IMPLICAÇÕES CLÍNICAS: A espiritualidade, sendo um fator de resiliência, deve ser abordada na prática clínica e em programas que visam à promoção do processo resiliente.

 

 

 

 

 

 

 

 

DIA 11

 

 

 

“A URGÊNCIA DE PSICÓLOGO NA EMERGÊNCIA MÉDICA”

Sônia Cardoso Moreira Garcia

O nosso objetivo neste trabalho é mostrar a necessidade de termos o Psicólogo como o profissional a ser inserido nas Unidades de Emergências Médicas, profissional este, o qual promova a compreensão do que seja reconhecer e legitimar instâncias outras, as quais também nos constituem.

Dimensões estas que atravessam nossa rotina de vida que se vê, subitamente, entrecortada pelo inusitado de um mal estar inesperado ou por um acidente de diversas ordens, onde nos vemos, inundados por  medos, fantasias, inseguranças, tristezas, sensação de impotência,  ansiedade e tantos outros sentimentos e emoções que valsam entre si, deflagrando uma condição perturbadora dentro de nós mesmos e dentro de  uma Sala de Emergência Médica.

Busca-se compreender que há uma dimensão para além do orgânico. Dimensão que se faz presente e perceptível àqueles que estão afinados em percebê-la e a qual dita os rumos de um prognóstico e de um tratamento médico. Tratamos, aqui, da dimensão psíquica do ser e de seu poder de atuação em adoecimentos crônicos e/ou agudos, emergenciais, súbitos e que nos conduzem, a todos, para salas de emergências e urgências médicas.

O setor de Emergência Médica é uma Unidade de total imprevisibilidade. A equipe que ali atua, como que um corpo de balé, onde seus movimentos devem ser precisos e isso, de forma harmonicamente peculiar, quase que orquestrada, a evidencia com singularidades. Contudo, diferente do corpo de balé, a equipe do Pronto Socorro não dispõe de tempo hábil para ensaios e nunca se tem conhecimento prévio da música que será orquestrada no ato seguinte.

O P.S. é o local aonde se chega  não só com a dor física, mas também, com a  dor psíquica, onde ambas possibilitam o deflagrar de sentimentos e emoções únicos.   

É neste sentido que apontamos para a urgência do psicólogo nas emergências médicas. Cabe a este preparado profissional a incisão adequada em intervenções psicológicas.

Reconhecer o impacto psíquico na tríade paciente, equipe e familiar  na Emergência Médica, aponta para a necessidade de inserção do psicólogo nesta equipe, minimizando todo o sofrimento advindo  do inesperado do adoecimento e isto é um primeiro passo rumo à inovação no Acolhimento e na Humanização dentro da Unidade de Emergência Médica.

Especificação do Trabalho:

Este resumo refere-se a trabalho teórico – prático desenvolvido na Unidade de Emergência e Urgência Médica da Fundação Hospitalar Resende. Trabalho este, que resultou na inserção do Psicólogo na equipe de saúde da referida unidade, onde ações foram implantadas no sentido de obtermos uma significativa mudança no atendimento dos clientes com relação à oferta de serviços na emergência e urgência médica. Para tanto, todo um processo de inclusão social foi preconizado, recomendado e seguido pelos atores da saúde em nosso município.

 

 

 

 

 

 

 

A atuação do Psicólogo em Unidade de Terapia Intensiva¹

Thais Helena Nogueira de Aguiar²

A UTI tem por objetivo oferecer suporte avançado de vida e estabilidade clínica a pacientes críticos que possuam chances de sobreviver. É um ambiente de alta complexidade já que se propõe a estabelecer monitorização completa e vigilância 24 horas por dia. Os profissionais que atuam nestas unidades são designados intensivistas. A equipe de atendimento é interdisciplinar, constituída por médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, nutricionistas, psicólogos, assistentes sociais, entre outros conforme as especificidades do caso. A atuação do psicólogo visa proporcionar conforto emocional aos pacientes internados e seus familiares que, frequentemente, demonstram fragilidade e ausência de recursos psíquicos para o enfrentamento da situação. A equipe de saúde também possui limitações relacionadas ao confronto com o sofrimento vivenciado. O trabalho do psicólogo inclui a facilitação na comunicação entre todos os envolvidos (paciente – família – equipe) com consequente estreitamento dos vínculos. O setting terapêutico é construído a beira do leito, com acolhimento ao paciente e oferta de escuta. Cria-se um ambiente favorável para a expressão das experiências emocionais evocadas pelo adoecimento e internação na UTI/UCO. No hospital da Cruz Azul de São Paulo, as solicitações para atendimento são realizadas pela equipe de saúde quando percebe alguma alteração de comportamento, gravidade da patologia, tempo prolongado de hospitalização, entre outras demandas do paciente e/ou familiar. A observação clínica da dinâmica vivenciada na unidade constitui uma forma de triagem realizada pela psicologia. Associado aos atendimentos a pacientes e familiares, são realizadas reuniões ou estudos de caso interdisciplinares. Em busca de uma atenção humanizada, teve início em julho de 2009 o projeto de alojamento compartilhado. De acordo com a avaliação da equipe de saúde, seguindo critérios pré-determinados, alguns pacientes podem ser acompanhados por um familiar que recebe o suporte psicológico. A prática evidencia que a permanência do psicólogo na UTI favorece a adaptação dos envolvidos e minimiza o sofrimento inerente a este ambiente.

Palavras chave: UTI, UCO, Psicólogo Intensivista.

 

 

 

 

 

 

A dança como alívio de sintomas no hospital

Soraya Innella Gazal

A psicologia tem avançado no estudo das manifestações psicossomáticas e no entendimento da integração corpo/alma. A dança como terapia vem ao encontro desta visão de integração bio-psiquica e considera que o organismo vivo tendo percorrido bilhões de anos de evolução, possui uma sabedoria própria, chamada de inteligência celular. Para a Biodanza, criada  por Rolando Toro, esta inteligência psico-organica é chamada de Inconsciente Vital, o qual é acessado por meio de uma metodologia de dança terapêutica, ou seja do Sistema Biodanza.
A aplicação da dança terapêutica no hospital tem como base este enfoque da Biodanza e visa propiciar ao paciente uma reabilitação global, compreendendo a reabilitação física e afetiva. Por meio de exercícios de consciência corporal, o individuo percebe que pode dialogar com o seu corpo e obter dele sinais e respostas para o alívio dos sintomas, ou até mesmo reversão deles. São também propostas vivências de dança expressiva e espontânea e dinâmicas de grupo não verbais, onde são usadas músicas previamente selecionadas pelo seu valor terapêutico, pela sua capacidade de deflagrar emoções e por seu poder de induzir movimentos e vivências. Estas atividades quando aplicadas dentro de uma metodologia, cuja a intensidade das vivências é progressiva e estudada para a adequação às necessidades do grupo, alcança os seguinte objetivos:
- Melhora da auto-estima, estimulando o paciente a cuidar de si.
- Conexão com a vontade de viver, e alívio da depressão, favorecendo o sistema imunológico a reagir positivamente.
- Aumento da consciência corporal, ajudando a diagnosticar e a prevenir os sintomas.
- Melhora da comunicação e socialização, contribuindo para a reinserção do interno na vida cotidiana e familiar.
- Melhora da mobilidade, flexibilidade e amplitude dos movimentos, favorecendo a locomoção e a expressão.

Palavras-chave: Dança-terapia, Biodança, Biodanza, Psicossomática, Psicologia Integrativa.

Natureza do Trabalho: A dança terapêutica (Biodanza) aplicada à reabilitação do paciente hospitalizado.

Soraya Innella Gazal -  Psicóloga (CRP 06/30225-6), pós-graduada em Psicossomática, Psicologia Junguiana e Gerontologia. Estudou com o Prof. Rolando Toro Araneda(criador da Biodanza), formando-se Facilitadora Didata de Biodanza pela International Biocentric Foundation. Nos últimos 17 anos tem desenvolvido trabalhos como psicoterapeuta, com análise de abordagem junguiana e facilitado Biodanza em grupos semanais de vivências e workshops temáticos.

 

 

 

A Experiência do Psicólogo Hospitalar em Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica (UTI P) – Vivências Psíquicas [1]

Yara Cristina M. C. Fernandes Angélico [2]

A presente conferencia foi elaborada a partir do trabalho realizado em hospital particular na região central de São Paulo. O objetivo é apresentar um panorama sobre a UTI Pediátrica e a inserção/ atuação do psicólogo hospitalar, enfocando as vivências psíquicas e o relacionamento equipe-paciente-família. As UTI´s são unidades de suporte avançado a vida, que mantém “sistema de vigilância contínua a pacientes graves ou de risco, potencialmente recuperáveis” (CREMESP). Via de regra, são setores repletos de equipamentos, monitores e “materiais específicos e tecnologias necessárias ao diagnóstico, monitorização e terapia” (ANVISA – Resolução 7/2010). Mantém uma equipe presente em período integral. A equipe multidisciplinar (médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, nutricionistas, fonoaudiólogos, psicólogos e assistentes sociais) presente grande parte do dia, atua em contato direto com os pacientes e/ou familiares. Neste cenário complexo, onde inúmeras representações sociais negativas permeiam a própria definição de UTI, atua o psicólogo hospitalar, objetivando minimizar o sofrimento e angústia causados em decorrência do processo de adoecimento e hospitalização. Na UTI Pediátrica a atuação foca além da criança e/ou adolescente, a equipe de saúde e os responsáveis, que podem permanecer como acompanhantes e participam ativamente do processo de internação.  Os envolvidos na experiência do adoecimento e tratamento da criança e/ou adolescente gravemente enfermo vivenciam uma gama de sentimentos, fantasias de culpa, de morte, medos, dentre outros que se não abordados, podem influenciar de forma prejudicial o acompanhamento do paciente no que tange aos aspectos psíquicos e emocionais. Como a criança e/ou adolescente vivencia o adoecer? Quais as suas percepções? Como os pais experienciam este momento? Como interagem com seus filhos e com a equipe? É possível exercer a maternagem? Como transitar entre o discurso médico-técnico, o lúdico e a emoção? Como lidar com a morte? Refletiremos sobre estas questões a luz da teoria e através de fragmentos de casos reais. A prática evidencia que a permanência e atuação do psicólogo com os pacientes e familiares propicia diminuição da ansiedade, expressão dos sentimentos, esclarecimento de dúvidas com a equipe de saúde, em virtude do estreitamento de vínculo, melhor capacidade para adaptação e enfrentamento de situações de crise e medo, manutenção de recursos psíquicos adequados, adesão ao tratamento. No trabalho do psicólogo junto à equipe multidisciplinar, observa-se compreensão ampla sobre os aspectos subjetivos envolvidos no adoecimento e tratamento, apoio focal relacionado aos casos, além de discussões éticas e humanização da assistência, preservando a singularidade das histórias/ casos, das condições orgânicas e seus desfechos.

Palavras-chave: psicólogo hospitalar, UTI pediátrica, vivências psíquicas, relacionamento equipe-paciente-família, humanização.

 

[1] Conferência elaborada para apresentação no X Congresso Brasileiro de Psicologia Hospitalar.

[2] Graduada em Psicologia pela PUC/SP e pós-graduada em Psicologia Hospitalar e Neuropsicologia pelo Hospital das Clínicas da FMUSP e UNIFESP. Psicóloga responsável pelos atendimentos na Pediatria e UTI Pediátrica do Hospital Cruz Azul de São Paulo.

 

 

 

 

 

 

 

Através da Semântica de uma Tentativa de Suicídio: “Eu Quero Tirar a Minha Vida!”

André Faro Santos 1

O suicídio, efetivo ou suas tentativas, é assunto cotidiano para os profissionais de psicologia, em especial para os clínicos e para os que atuam em hospitais. Por se mostrar como a mais dramática forma de lidar com eventos adversos que acometem a pessoa, o suicídio é tema polêmico, inquietante e, para quem mantém relação com o suicida, ponto de eterno questionamento, revestido de certa dose de incompreensão. Especialmente no que tange à morte, fim concreto da tentativa de suicídio bem sucedida, o ato suicida é percebido como ação viável para a morte voluntária. Contemporaneamente, as explicações de cunho psicossocial têm assumido maior relevância no rol de motivações que podem conduzir uma pessoa a procurar ativamente causar o fim da sua vida. Com isso, desvela-se uma densa rede de significações e causas (micro e macrossociais) que intentam sustentar a decisão, autônoma ou resultante da incapacidade de enfrentamento, de induzir a própria morte. Dentre os diversos recortes possíveis para o estudo do tema suicídio, opta-se por trabalhar, na corrente análise, a visão clínica da expressão do ato suicida, que é a situação em que o indivíduo comunica, direta ou indiretamente, seu desejo de morrer. O comunicado do suicida se apresenta como objeto relevante de análise, pois ultrapassa a especificidade de qualquer setting existencial em que ocorra a expressão, ou seja, dá-se tanto na clínica, como no

hospital, alterando apenas a forma pela qual é expresso o seu desejo. No ambiente hospitalar, em virtude do desvelamento do sofrimento e seu enlace com problemas físicos de saúde, o anseio pela morte parece se manifestar de forma mais singela, fazendo da Escuta psicoterapêutica uma via privilegiada na busca pelo entendimento do que o indivíduo quer “se fazer ouvir” quando menciona a vontade de tirar a própria vida. Partindo do princípio que a Escuta é a ferramenta clássica que permite o acesso às significações do ato suicida, sejam eles congruentes ou não com a realidade concreta, permite-se, então, a relação entre o psicólogo e a outra pessoa que deseja comunicar algo. Esta via primordial de atuação canaliza os significados do ato, tornando acessível a compreensão da semântica simbólica do suicídio. Desta observação nasce uma questão central que permeia esta investigação: Quando uma pessoa pede para morrer, o que ela realmente está pedindo? Talvez a resposta seja que o suicídio possa ocorrer quando uma pessoa quer expressar algo, mas não consegue, o que revela a premência pela exploração os significados latentes que compõem a seguinte

assertiva: Eu quero tirar a minha vida! Dado o exposto, apresenta-se uma proposta de Escuta que recorre à singularidade da expressão do desejo de morrer, colocando em evidência perguntas que parecem estar implícitas sob a tentativa de suicídio, por exemplo: o que é possível alcançar para se fazer entender este comunicado? Enfim, a idéia é discorrer sobre um simples panorama de análise que vá além do dito, na busca por apreender a rede de significados e as nuanças expressivas de um sofrimento psicológico que, muitas vezes, distingue o background do ato suicida.

Palavras-Chave: Processo Morte-Morrer; Escuta Psicoterápica; Suicídio; Ato Suicida.

1 Mestre em Ciências da Saúde (Universidade Federal de Sergipe)

Doutorando em Psicologia Social (Universidade Federal da Bahia)

 

 

 

 

 

 

 

 

Avaliação e Tratamento dos Transtornos do Impulso: TEI -                     Transtorno Explosivo Intermitente

Maria Christina Armbrust Virginelli Lahr

O Transtorno Explosivo Intermitente (TEI) – classificado na categoria dos Transtornos do Controle dos Impulsos, não Especificados – EIXO I – (DSM-IV-TR) caracteriza-se por episódios agressivos com freqüência e intensidade desproporcionais à situação, provocando danos à objetos, propriedades e/ou outras pessoas. O comportamento não premeditado – produzindo culpa, vergonha e arrependimento – não pode ser justificado por outro transtorno mental e não decorre dos efeitos de drogas ou condição médica geral. O comportamento agressivo decorre de forte tensão e vem acompanhado de alívio desta após o ato agressivo. Comorbidades com outros transtornos psiquiátricos e de personalidade devem ser excluídas, embora os estudos demonstrem que o TEI se mistura com outros transtornos, particularmente, os de Personalidade.

Presente em mais de 6% da população, produz sérios prejuízos nas várias aéreas da vida. Tem suas causas biológicas/físicas atribuídas à disfunção na neurotransmissão serotoninérgica; alterações nas regiões cerebrais ligadas à emoção e memória (sistema límbico) e/ou que planejam e controlam os impulsos (lobos frontais). Causas emocionais ou psicológicas se devem a um histórico familiar permeado por instabilidade, explosões verbais e abusos físicos/emocionais e, presença de transtornos do humor e vícios. A violência e ameaça sofridas desencadeiam intolerância à frustração, raiva e hostilidade que são utilizados como vingança para corrigir injustiças a que os portadores de TEI se viram submetidos. A aprendizagem por modelação os impede de desenvolver um freio inibitório adequado sobre seus impulsos, levando-os a repetir as mesmas características na vida adulta. As atitudes explosivas eclodem quando se confrontam com situações que os fazem evocar experiências ameaçadoras e, tem a finalidade compensar sentimentos de insegurança e auto-estima rebaixada. O comportamento impulsivo-agressivo inicia na infância, tem seu pico aos 30 anos e declina aos 50. Infelicidade e/ou lesões foram documentadas em 87,5% dos sujeitos. Apenas 12,5% procuram ajuda.

Portadores de TEI apresentam dificuldade no funcionamento executivo, sobretudo, nas atividades de planejamento e execução de estratégias, tomada de decisões e resolução de problemas. A Terapia Cognitivo-Comportamental – abordagem que desafia as crenças negativas e distorcidas dos portadores de TEI – demonstra eficácia ao identificar e modificar tais crenças, dotando esses pacientes com recursos que os possibilitem desenvolver estratégias para resistir e gerenciar seus impulsos agressivos, aumentando-lhes as habilidades de enfrentamento frente às situações que eliciem suas explosões e, tornando, dessa forma, seus comportamentos mais adaptativos, melhorando seu humor e sua qualidade global de vida.O tratamento do TEI tem como objetivo fundamental, reduzir e/ou extinguir os impulsos agressivos.

Palavras-chave: Transtorno Explosivo Intermitente; impulsividade; raiva; comportamento agressivo; Terapia Cognitivo-Comportamental;distorção cognitiva.

1- Clinica

2 – Psicóloga com Especialização em Terapias Cognitivas. Ambulatório Integrado dos Transtornos do Impulso (AMITI) do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.

 

 

 

 

 

 

 

Calatonia em pacientes hospitalizados 1

Paulo Toledo Machado Filho 2

Antes de falarmos sobre a Calatonia em pacientes hospitalizados, será necessário

tecermos algumas considerações sobre sua história, sua aplicação e seus efeitos. Ela foi criada pelo médico húngaro Pethö Sándor (1916-92), em um hospital da Cruz Vermelha, por ocasião da segunda guerra mundial. Trata-se de uma técnica de relaxamento que, através de toques suaves, aplicados simetricamente nos dedos dos pés, na sola e no arco plantar, no calcanhar, no tríceps sural, na região ínfero-posterior da perna, e posteriormente na nuca, produz efeitos de soltura e descontração muscular, regulação e aquietamento neuro-vegetativo e melhoria geral do estado emocional do paciente. Após a vinda do Sándor para o Brasil (1949), a Calatonia passou a ser avaliada academicamente e bastante utilizada também em consultórios, observando-se extensamente seus efeitos psicológicos e

psico-físicos. O seu emprego em ambiente hospitalar também vem sendo atualmente verificado. Considerando-se a condição do paciente hospitalizado, de modo genérico e nas diversas clínicas, em seus aspectos consciente (enquanto objeto de manipulação) e inconsciente (reflexões sobre a vida e a morte, saúde e doença), e a condição de estresse decorrente, relacionada com o próprio adoecer e a situação de hospitalização, indaga-se sempre sobre a existência de recursos que possam vir a favorecer a relação médico/terapeuta – paciente e a melhora do estado emocional deste durante o período de internação e tratamento; a Calatonia surge como um recurso importante e que deve ser verificado não somente como um método paliativo, mas também eficaz enquanto abordagem complementar aos outros recursos ou procedimentos terapêuticos. Em nossa observação, os seus efeitos tranqüilizantes sobre a condição ansiógena do paciente hospitalizado e na recomposição do eixo HPA (eixo do estresse), com ressonâncias sobre o sistema imunológico, explicam os resultados positivos apontados em muitos trabalhos realizados por nossos colegas e alunos, nas diversas intersecções entre a psicologia e a clínica geral. A Calatonia, através da sutileza de seus toques, exerce também um contraponto às características da manipulação a que é sujeito o corpo do paciente no hospital.

Palavras-chave: Calatonia, toques sutis, relaxamento, integração físio-psíquica, relação mente-corpo.

1 Uso da Calatonia – técnica de relaxamento criada por Pethö Sándor, em pacientes hospitalizados.

2 Médico Psiquiatra, Psicoterapeuta Junguiano especializado em técnicas de abordagem corporal, Mestre em Antropologia Social. Coordenador e docente do curso de especialização Jung & Corpo, Especialização em Psicologia Analítica e Abordagem Corporal, do Instituto Sedes Sapientiae, São Paulo, e docente dos cursos de especialização em Cinesiologia Psicológica, do Instituto Sedes Sapientiae e de pós-graduação em Arte Integrativa, da Faculdade Anhembi-Morumbi, São Paulo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

  Cuidados Paliativos desde o Diagnóstico Oncológico*

Ana Catarina Araújo Elias**

* Trabalho publicado na Revista Online de Saúde e Ciências da Vida do CEUNSP
http://cienciasdavida.info/revista

** Psicóloga. Doutora em Ciências Médicas, UNICAMP. Professora Supervisora da Universidade Paulista (UNIP). Desenvolveu na dissertação de mestrado uma intervenção terapêutica original para re-significar a Dor Espiritual de pacientes graves e terminais denominada Relaxamento, Imagens Mentais e Espiritualidade (RIME); na tese de doutorado operacionalizou um programa de treinamento sobre esta intervenção RIME para profissionais de saúde, tendo trabalhado com enfermeira, médica, psicólogos e terapeuta voluntária. Recebeu o Prêmio CRISTÁLIA SIMBIDOR pelo trabalho desenvolvido no doutorado, durante o 7 Simpósio Brasileiro e Encontro Internacional sobre DOR (SIMBIDOR), em São Paulo, outubro de 2005. Publicou artigos científicos em revistas indexadas e escreveu capítulos em livros. É membro da Sociedade Brasileira de Psico-Oncologia (SBPO), da Associação Brasileira de Cuidados Paliativos (ABCP), da Academia Nacional de Cuidados Paliativos (ANCP) e membro efetivo da Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED).

A medicina tem trabalhado com dois modelos: o curativo e o paliativo, de forma distinta; ao nos deparamos com um caso em que o diagnóstico oncológico apontou para uma remota possibilidade de cura, embora a mesma não pudesse ser ainda descartada, observamos uma interface entre os modelos curativo e paliativo. Cuidados Paliativos é uma abordagem multidisciplinar que visa promover qualidade de vida e controle dos sintomas físicos, emocionais e espirituais quando já não é mais possível curar o paciente; esta modalidade de tratamento foi iniciada no século XX pela médica psiquiatra suíça Elisabeth Kübler-Ross nos Estados Unidos e pela médica, assistente social e enfermeira Cicely Saunders na Inglaterra. Na conferência discutiremos todas as técnicas que foram utilizadas no acompanhamento psicológico deste caso atendido através do GRENDACC – Grupo em defesa à criança com câncer, na Unidade de Oncologia Pediátrica CLEMED, atual: Instituto de Clínicas Bolivar Risso, em Jundiaí / SP,que se inseriu na interface dos modelos curativo e paliativo. O sujeito foi L.G.S.C., sexo masculino, cujo diagnóstico de um câncer e início do tratamento clínico e psicológico se deu aos 9 anos de idade, em julho de 1998, e prosseguiu até seu óbito, aos 12 anos, em janeiro de 2001. Este paciente era portador de adenocarcinoma de supra-renal, nunca entrou em remissão total, recidivou após cirurgia e quimioterapia e apresentou metástase no pulmão. O método utilizado foi estudo de caso clínico longitudinal que se refere ao estudo de um caso particular, considerado representativo de um conjunto de casos análogos, por ele significativamente representativo. Os Cuidados Paliativos, neste caso representado pelo tratamento psicológico, ocorreu em três etapas; na primeira etapa, julho de 1998, o foco trabalhado foi estabelecer e fortalecer o vínculo da criança e de seus pais com a equipe multidisciplinar de saúde responsável pelo tratamento oncológico; na segunda etapa, de agosto de 1998 a janeiro de 2000, o principal foco trabalhado foi o crescimento psicológico da criança; na terceira etapa, de fevereiro de 2000 a janeiro de 2001, trabalhou-se a re-significação da morte e do processo de morrer da criança e o luto dos familiares, dentro de uma perspectiva biopsicossocial e espiritual. Em resposta a este trabalho de cuidados paliativos desde o diagnóstico oncológico, observamos uma boa vinculação da criança e seus pais com toda a equipe,  crescimento psicológico da criança e qualidade de vida no processo de morrer, assim como melhor enfrentamento do luto pelos familiares. Observamos que é possível oferecer cuidados paliativos quando ainda há esperanças de cura e, por mais paradoxal que possa parecer, a criança, ao perder o medo de viver, perdeu também o medo de morrer.

Palavras-chave: Cuidados Paliativos. Luto. Espiritualidade. Oncologia Pediátrica. Psicoterapia Breve. Ludoterapia. Psicologia Hospitalar.

 

 

 

 

 

 

 

 

CUIDADOS PALIATIVOS EM NEONATOLOGIA 1

Jussara de Lima e Souza    2

A evolução da tecnologia tem permitido a sobrevivência de crianças prematuras extremas e malformadas, com maior probabilidade que estes pacientes tornem-se crônicos, com seqüelas secundárias ou não a complicações neonatais.

O cuidado paliativo neonatal deve focar sua atenção em dois pontos: tratar o paciente com o objetivo de proporcionar a melhor qualidade de vida possível e acolher os familiares.

PRINCÍPIOS NORTEADORES DO CUIDADO PALIATIVO PERINATAL

 

A atenção paliativa no período perinatal deve focar: pré-natal, sala de parto e unidades de internação e atendimento ambulatorial.

No período perinatal a inversão de expectativa pode ocorrer no pré-natal ou ao nascimento, ou em qualquer momento pós-natal.

PROPOSTA DE TRATAMENTO

  • Cuidados básicos de enfermagem
  • Analgesia e sedação, se necessárias (utilizar sistematicamente as escalas de avaliação de dor).
  • Aquecimento.
  • Alimentação enteral, quando possível.
  • Hidratação endovenosa – soro de manutenção (via umbilical ou venóclise periférica)
  • Manter suporte respiratório já iniciado.
  • Se em ventilação mecânica, redimensionar parâmetros.
  • Tratamento sintomático diante de desconforto aparente.

ACOLHIMENTO ÀS FAMÍLIAS

  • Assegurar a permanência dos familiares.
  • Informar a situação clínica com clareza.
  • Propiciar alguma privacidade
  • Comunicar, tão logo quanto possível, em caso de piora e morte.
  • Aguardar a chegada da família para as despedidas.
  • Disponibilizar espaço para as despedidas.
  • Oferecer as lembranças disponíveis da vida do bebê.
  • Oferecer fotografia ou filmagem.
  • Propiciar apoio espiritual às famílias.
  • Apoiar nos trâmites de sepultamento, velório e enterro.
  • Dispor de convite escrito com data agendada para retorno em reunião com grupo de pais enlutados.
  • Realizar reunião em grupo, dos profissionais com os familiares enlutados, com objetivos de: esclarecer dúvidas, prover acesso ao resultado de exames, encaminhar para especialidades clínicas ou acompanhamento psicológico quando necessárias; e, principalmente, proporcionar um espaço de acolhimento.

PALAVRAS-CHAVE: Cuidado Paliativo, neonatologia, recém-nascido, acolhimento.

1- Trabalho desenvolvido pelo Grupo de Cuidados Paliativos em Neonatologia do Hospital da Mulher – CAISM / UNICAMP

2- Médica neonatologista, mestre em pediatria pela FCM_UNICAMP, coordenadora do Grupo de Cuidados Paliativos em Neonatologia do Hospital da Mulher – CAISM / UNICAMP

 

 

 

 

 

 

 

 

ACOLHIMENTO E ORIENTAÇÃO NO HOSPITAL PÚBLICO: ESPAÇO DE INTERVENÇÃO DA EQUIPE MULTIPROFISSIONAL EM ONCOLOGIA. (1)

Gina Colombo Feijó de Souza (2)

O Serviço de Oncologia Clínica do Hospital das Clínicas da UNICAMP funciona como referência para atendimento de pacientes com câncer da região de Campinas, que engloba 42 municípios e 3.900.000 habitantes. A equipe multiprofissional observava tanto nos pacientes e acompanhantes muita ansiedade, desinformação e medo ao chegar pela primeira vez em um serviço oncológico . Avaliando esta realidade, sentiu a necessidade de alterar a abordagem inicial, e a partir de abril de 2007, reimplantou o Grupo de Recepção aos Casos Novos, que tem o objetivo de acolher pacientes e acompanhantes que estão iniciando tratamento, explicar como o ambulatório funciona, apresentar os profissionais que fazem parte da equipe, estabelecer vínculos, desmistificar estigmas, promover um espaço de escuta e esclarecimentos, na tentativa de diminuir a ansiedade com relação aos procedimentos que serão realizados. O Grupo acontece diariamente no início da manhã antes da primeira consulta médica, com horário e local estabelecidos. A atividade é coordenada pelos profissionais do serviço social, psicologia e nutrição. Participam em média 10 pessoas (entre pacientes e acompanhantes) por grupo, sendo que em média são atendidos de 4 a 5 casos novos por dia. A faixa etária é variável, com maior concentração entre 60 a 70 anos, com predominância do sexo masculino. O grupo permite aos pacientes e acompanhantes iniciar o tratamento com mais segurança na equipe que os acolhe, compreender a patologia, as terapêuticas inerentes a cada caso e a importância da adesão ao tratamento. O serviço social participa desta atividade ressaltando o direito à proteção social, estabelecida pela legislação brasileira, que facilitará a adesão ao tratamento e melhoria da qualidade de vida enquanto direitos de cidadania.

Palavras chaves: Serviço Social, equipe multiprofissional, acolhimento, adesão, vínculos , orientações.

(1)   Relato de experiência.

(2)   Assistente Social do Ambulatório de Oncologia Clinica/Quimioterapia do Hospital de Clínicas da Unicamp . Supervisora Suplente do Programa de Aprimoramento  e Especialização em Serviço Social em Oncologia.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Inserção do Psicólogo Hospitalar na Saúde Pública: Desafios e Conquistas1

Arlinda Barbosa Moreno2

A regulamentação da profissão de psicólogo no Brasil é recente: data de 27 de agosto de 1962. Por esta razão, a atuação em psicologia se conforma e se constitui em um contexto sócio-político

fortemente voltado para o atendimento individual e, por vezes, “clandestino” como era a marca dos anos de chumbo. A prática da psicologia em consultórios constitui-se, assim, no emblema dessa

profissão por muitos anos. Além disso, nas inúmeras faculdades que ministravam a graduação e a formação de psicólogos no país, a inserção dessa profissão, como acontece em algumas universidades até hoje, era na área de ciências humanas e não na área das ciências da saúde. Vale dizer que, ainda hoje, na divisão de áreas de conhecimento utilizada e compactuada por suas

comissões, o CNPq – Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico aloca a psicologia na Grande Área Ciências Humanas. Ou seja, o reconhecimento da psicologia como uma profissão da saúde ainda enfrenta dificuldades e percalços. Mas, a despeito de sua jovialidade como profissão, a atuação do profissional de psicologia, nesse curto espaço de tempo, atravessou áreas muito diversas, para além das quatro paredes do consultório, tais como: escolas, creches e orfanatos, empresas e sindicatos de trabalhadores, bairros, presídios, instituições de reabilitação de deficientes físicos e mentais, hospitais, ambulatórios, postos e centros de saúde. De outra parte, no contexto histórico da saúde em geral, a saúde pública é paulatinamente construída e voltada para o sistema estatal de saúde disponibilizado para toda a população, enquanto a saúde coletiva se consolida como

sendo a que observa a saúde como fenômeno social de interesse público. O psicólogo, como profissional de saúde, tem o dever de aplicar suas técnicas e conhecimentos à promoção da saúde

das pessoas e, para tanto, seu trabalho deve imbricar-se com as questões afetas às condições gerais de vida de uma dada sociedade. O psicólogo, portanto, trabalha na tensão entre a individualidade e a coletividade; entre a subjetividade e a objetividade das condições de vida. A cada dia, os

determinantes sociais de saúde se fortalecem como elementos fundamentais para a saúde das populações. Dessa forma, grandes desafios se interpõem e se transformam em pauta para a nossa

profissão, por isso, a inserção dos psicólogos brasileiros no sistema representante da saúde pública em nosso país, o SUS – Sistema Único de Saúde, em seus diversos níveis de atenção, bem como a

contribuição das ações de saúde envidadas pelos psicólogos e sistematizadas em produção científica da psicologia, com vistas à transformação positiva e à ampliação da promoção da sáude, da

prevenção e do tratamento de doenças, são o foco dessa conferência.

Palavras-chave: Psicologia; Atuação Profissional; Saúde Pública; Saúde Coletiva.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Limites entre pesquisas qualitativas e quantitativas no

contexto hospitalar 1

Egberto Ribeiro Turato 2

Para desarmarmos falsos dilemas na discussão sobre limites entre

investigações quantitativas e qualitativas empregadas no contexto hospitalar,

apresento um jogo de perguntas habituais feitas àqueles pesquisadores que

trazem abordagens das ciências humanas para o espaço acadêmico onde o

modelo biomédico é hegemônico. Em contrapartida, são aqui abaixo propostas

outras indagações, desta vez, que deveriam partir dos investigadores

qualitativistas em direção a seus colegas que utilizam a matemática como

ferramenta básica na construção dos conhecimentos científicos. Estes últimos

estão assim buscando nexo causal – pautado nas correlações estatísticas –

entre elementos coletados. (1) Pergunta freqüente aos qualitativistas:

conclusões da pesquisa qualitativa são generalizáveis? Perguntas básicas que

contrapomos: Que devemos entender por conclusões de uma pesquisa

científica? Quais as diferenças entre produção de novas conclusões

matematizadas e da geração de novos conceitos? Qual tipo de pesquisa gera o

quê? Como e quando surgiu a idéia da necessidade da generalização para a

construção do saber da ciência? Vejamos: as grandes teorias científicas, nas

diversas áreas do conhecimento, nascem sempre de generalizações? (2)

Pergunta ardilosa aos qualitativistas: Quais são e o que pensar sobre os vieses

nas pesquisas qualitativas e quais seus efeitos sobre a apreensão dos dados?

Perguntas desarmadoras que contrapomos: Existem pesquisas científicas

destituídas de viés? Que tipos de vieses existem, como detectá-los e como

lidar com eles na discussão dos resultados? Os investigadores qualitativistas

ou quantitativistas costumam apontar os vieses de seus métodos em seus

relatos de pesquisa? (3) Pergunta perplexa aos qualitativistas: A presença e a

ação do pesquisador influem no relato e no comportamento dos sujeitos de seu

estudo ou conseguem manter a neutralidadePerguntas indignadas que

contrapomos: O pesquisador não faz sempre parte integrante do enquadre da

pesquisa ou existe uma neutralidade na apreensão dos fenômenos ou na

descrição dos fatos? Há procedimentos de coleta de dados que a isentariam de

elementos subjetivos do pesquisador qualitativista e do quantitativista? Toda

ciência não é subjetiva na medida em que é sempre concebida e elaborada por

sujeitos? Por outro lado, a utilização de métodos qualitativos é mais

recomendada aos pesquisadores com mais tempo de experiência na realização

de investigações científicas? Os iniciantes em atividades científicas, que

utilizam métodos quantitativos, não incorreriam no enfrentamento de

dificuldades tantas quantas também caem sobre aqueles que se iniciam no

trabalho de investigação através de métodos qualitativos? Uma vez coletados e

tratados os dados, os resultados em mãos, sejam através de métodos

quantitativos ou qualitativos, não exigiriam a mesma capacidade criativa do

pesquisador? (4) Pergunta bem intencionada aos qualitativistas: Abordagens

qualitativa e quantitativa podem ser usadas juntas a partir de único projeto de

pesquisa? Perguntas oportunas que contrapomos: Um pesquisador sozinho

pode ter domínio teórico e prático suficiente para usar ambos os métodos num

mesmo empreendimento? Na prática, os trabalhos científicos chamados

“quanti-quali” costumam considerar as diferenças de embasamento nos

paradigmas? Consideram a diferença de recursos metodológicos? De modo

panorâmico, fecho este resumo, indicando um amplo quadro com as diferenças

e os pontos em comum nas características dos métodos quantitativos e

qualitativos: www.abrasme.org.br/cbsm/artigos/artigos/13_Egberto_Turato.pdf .

Palavras-chave: pesquisa qualitativa; método clínico-qualitativo; estudo quantiquali

1 Trata-se de trabalho de natureza teórica, uma reflexão sobre a autonomia

entre os métodos quantitativos, que buscam nexo causal, segundo as Ciências

da Natureza os métodos qualitativos que investigam nexo de sentido, segundo

as Ciências do Homem.

2 Professor Livre-Docente do Departamento de Psicologia Médica e Psiquiatria,

Faculdade de Ciências Médicas, UNICAMP. Líder do ‘Laboratório de Pesquisa

Clínico-Qualitativa’ (CNPq). Orientador dos Programas de Pós-Graduação em

Tocoginecologia e Ciências Médicas/ Área Saúde Mental, Unicamp. Autor do

Tratado da Metodologia Clínico-Qualitativa, 4ª Ed., Ed. Vozes, 2010.

 

 

 

 

 

 

 

                              movimento, respiração e canto 1

Wânia Mara Agostini Storolli 2

O tema deste estudo é o processo experimental Movimento, Respiração e Canto, que pesquisa e explora especificamente as relações entre estes três componentes. Realizada desde 2002 em grupos de até 20 participantes, esta experimentação prática tem como principal fundamento a Respiração Vivenciada de Ilse Middendorf. Tendo início com a intenção de proporcionar a reorganização da respiração para as atividades relacionadas ao canto, através

da incorporação da Respiração Vivenciada, a experimentação expande seus objetivos, investigando também a possibilidade de um desdobramento criativo da prática de Middendorf. Decorrente de uma aplicação particular, a prática original é conduzida a um processo de transformação a partir do momento em que a investigação se concentra em seu potencial criativo. Integrada a outras estratégias a Respiração Vivenciada dá então origem ao trabalho de Movimento, Respiração e Canto. O desdobramento criativo ocorre inicialmente a partir das experiências didáticas, desenvolvendo-se como fruto da interseção entre pesquisa, ensino e uma proposta de criação. A Respiração Vivenciada foi desenvolvida por Middendorf na década de 30, na Alemanha, sendo originalmente uma prática terapêutica e de autoconhecimento, onde o corpo é trabalhado sem automatismos, permitindo seu conhecimento a partir dele próprio. Ela estimula a consciência dos processos de percepção e viabiliza um

estado de concentração e presença, fatores importantes para os processos criativos. O trabalho com a Respiração Vivenciada respeita a naturalidade do processo respiratório, apoiando-se na sua relação com o movimento. Enquanto a respiração preenche o movimento, este por sua vez pode surgir da respiração. Neste ponto é possível realizar a conexão com a criação artística. O movimento criativo que surge da respiração é um desdobramento natural, que pode se manifestar através de desenhos do corpo pelo espaço, movimento e canto. O potencial criativo materializa-se no momento da expiração, quando a respiração pode se configurar em

 

1 Pesquisa de Doutorado, realizada na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo,

com financiamento da FAPESP e CAPES.

2 Graduada em Música pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (1986),

com especialização em Rítmica, Voz e Movimento na Hochschule der Künste de Berlim, Alemanha.

Teve como professores de Corpo e Voz, Zygmunt Molik e Ida Kelarova, tendo estudado também no

Ilse Middendorf Institut für den Erfahrbaren Atem em Berlim. Mestre em Artes / Musicologia (2004)

pela Universidade de São Paulo, com a dissertação “Movimento e Respiração: a prática da Respiração

Vivenciada de Ilse Middendorf no ensino de canto”, finalizou em 2009 o doutorado em Processos de

Criação Musical na Universidade de São Paulo. Desde 2002 coordena o curso de Expansão Cultural

“Movimento, Respiração e Canto” no Instituto Sedes Sapientiae em São Paulo. Dedica-se ao ensino de

canto, improvisação vocal, movimento e respiração, difundindo a prática “Movimento, Respiração e

Canto”, desenvolvida a partir da integração da Respiração Vivenciada de Ilse Middendorf ao canto.

movimento. O uso da voz, presente na prática original de Middendorf no trabalho dos espaços respiratórios-vocais, dá origem a outros processos criativos no âmbito do trabalho com Movimento, Respiração e Canto. Do processo de vivência da respiração surgem improvisações vocais e movimentos, levando o indivíduo a adentrar um corpo em estado de

criação. Os momentos de criação ocorrem como um evento performático, onde o corpo é o agente principal do processo. A criação artística é considerada aqui como uma forma de transpor os limites entre o corpo e o espaço, levando o corpo a transfigurar-se em movimento, gestos e sons – revelando uma das inúmeras possibilidades de sua metamorfose. A reflexão sobre as relações entre corpo e voz aponta para um estado de dissolução de fronteiras,

atestado também pelos depoimentos dos participantes. A vivência deste processo experimental revela-se como possibilidade de ocupação das zonas de fronteira – entre as diversas linguagens artísticas, entre o “eu” e o outro – constituindo-se assim como uma experiência de comunhão.

Palavras-chave: movimento; respiração; canto; Respiração Vivenciada; processo de criação.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O valor do brincar em crianças hospitalizadas
Profª. Dra. Aidyl M. de Queiroz Pérez-Ramos

Tem-se observado o sofrimento que ocasiona, na criança hospitalizada, a
ausência ou inadequação dos estímulos lúdicos. A inclusão de brinquedotecas,
hoje, é mais frequente nas unidades hospitalares pediátricas, com internação, devido à obediência à lei específica e/ou ao progresso do conhecimento sobre as necessidades de brincar da criança, em especial quando internada. No
entanto esse progresso tem-se mostrado insuficiente devido à carência na
organização desses recursos e o mau uso que é feito deles. Apresenta-se
nesta palestra uma proposta de avaliação do ambiente hospitalar pediátrico e
posteriormente a proposição de recomendações pertinentes. Analisa-se a
aplicabilidade da brinquedoteca quando existe, os brinquedos nela
existentes, a sua higienização e adequação para as crianças. Além disso,
observam-se também as pessoas que brincam com elas, nesse caso, a
acompanhante e a auxiliar de enfermagem por terem contatos regulares com o
pequeno doente. Uma vez avaliadas tais condições, são apresentadas propostas
de intervenção, especialmente quanto ao devido uso das brinquedotecas,
propiciando às crianças internadas um melhor desenvolvimento, positivando
melhores condições emocionais e adaptação ao tratamento e às condições do
ambiente hospitalar. Espera-se com esta contribuição poder contribuir para o
progresso do uso do lúdico como excelente recurso para a melhoria da
qualidade de vida das crianças hospitalizadas.

 

 

 

 

 

 

Pesquisa Clínica em TCI: O uso indevido da Internet

Dora Sampaio Góes

Com a chegada da Internet há pouco mais de 15 anos, uma série de conseqüências foram observadas: o alcance das informações, novas formas de se fazer pesquisas, novas modalidades de relacionamentos interpessoais e etc. Além disso, essa revolução causou um grande impacto no comportamento humano ao criar a possibilidade de se navegar por espaços virtuais de vivências e convivências, como os tão conhecidos Orkut, Second Life, FaceBook, dentre uma dezena de outros. Em tais espaços, os indivíduos compartilham aspectos de seu cotidiano e também aspectos de realidades imaginárias em lugares também imaginários, não representam nem de longe qualquer retrato de um espaço físico real. Foi dessa forma que a tela do computador tornou-se a nova “janela para o mundo”. E, de fato, além de favorecer a comunicação e a busca de informações, uma importante ferramenta de contato social foi criada. No entanto, juntamente com o aumento na popularidade do uso da rede mundial, surgiram relatos na imprensa leiga e na literatura científica de indivíduos que estariam “dependentes” desta realidade virtual da Internet. Kimberly Young, psicóloga norte-americana e especialista em dependentes de Internet, afirma que as experiências vividas neste espaço podem favorecer potencialmente ao “vício”, ao provocar sensações reais e tão satisfatórias que competiriam com a realidade “real” a nossa volta. Desta forma surgiu o conceito de Dependência de Internet, podendo ser encontrada em qualquer faixa etária, nível educacional e estrato sócio-econômico, os estudos estimam que aproximadamente 10% da população de Internautas já teriam desenvolvido este problema. No que diz respeito às formas de intervenção em psicoterapia, resultados ainda são embrionários. Menciona-se que as terapias de apoio ou de aconselhamento seriam de grande valia, seguido das intervenções familiares, como forma de reparar o dano causado pela ruptura em forma de ausência das relações familiares e laborais e, finalmente, a psicoterapia cognitivo-comportamental. Como este modelo terapêutico já contabiliza bons índices de respostas no tratamento de outros transtornos do controle dos impulsos (jogo patológico,

tricotilomania, dentre outros), as intervenções cognitivo-comportamentais são uma forte opção de intervenção. Nossa experiência com grupos estruturados de psicoterapia baseada nas premissas conceituais da terapia cognitiva e vem sendo aplicada há três anos, foi desenvolvida por Cristiano Nabuco de Abreu e Dora Sampaio Góes. Primeiramente destinada a atender a demanda de adultos

Dependentes de Internet de nosso ambulatório em São Paulo (Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da USP) e logo depois estendemos aos adolescentes. O programa segue um roteiro de 18 encontros semanais e ao apresentar temas encadeados, tem como objetivo final propiciar ao paciente um melhor controle do uso da Internet, desenvolvimento de novas habilidades pessoais nos desafios e no manejo das situações de estresse, um novo repertório de reações emocionais e finalmente a restituição e/ou reparo do grupo social. Nesta apresentação discutiremos a conceituação de Dependência de Internet assim como a Psicoterapia de Grupo.

Palavras-chave: Dependência de Internet, Psicoterapia, Psicoterapia de Grupo

Psicóloga com especialização em Psicologia Clínica e Hospitalar.

Psicóloga do Ambulatório Integrado dos Transtornos do Impulso (Amiti) e

Psicóloga do Ambulatório de Bulimia e Transtornos Alimentares (Ambulim) do Instituto de

Psiquiatria – HCFMUSP

 

 

 

 

 

 

 

Psicologia na Estratégia de Saúde da Família 1

Heloisa Elaine dos Santos2

O Sistema Único de Saúde (SUS), decorrente do processo de Reforma Sanitária Brasileira, é uma das principais inovações do Estado Brasileiro. Tendo por princípios a universalidade do acesso, a integralidade e a equidade, o SUS exige uma mudança na lógica até então adotada pelo sistema de saúde. Estas inovações estendem-se às diferentes áreas e graus de complexidade na área da saúde. Em consonância com estes novos princípios e diretrizes, e com a Reforma Psiquiátrica, propõe-se o fechamento dos Hospitais Psiquiátricos e a implantação de um modelo substitutivo ao modelo asilar na assistência em saúde mental (Portaria 336 de 19 de fevereiro de 2002). Na Atenção Primária à Saúde (APS) este novo modelo baseia-se no enfoque dado à população, através de ferramentas epidemiológicas e clínicas que permitam ajustar os programas às reais necessidades de saúde. A Estratégia de Saúde da Família (ESF) vem sendo adotada em todo o Brasil como o principal modelo de APS, formada por equipes multiprofissionais compostas por Médicos, Enfermeiros, Agentes Comunitários de Saúde, Técnicos e Auxiliares de Enfermagem, além das equipes de Saúde Bucal. As ações a serem desenvolvidas pelas equipes na ESF devem estar voltadas para a promoção da qualidade de vida e valorização do papel dos indivíduos no cuidado com sua saúde, de sua família e da comunidade, além das ações de prevenção e cura de agravos à saúde. Visando a integralidade do cuidado, o processo Saúde-Doença deve ser compreendido em suas várias dimensões (ambientais, sociais, econômicas e biológicas, entre outras). Para tanto, diferentes áreas do conhecimento são necessárias ao diagnóstico e elaboração de projeto terapêutico. O Psicólogo, inserido nesta estratégia, deve adequar-se às especificidades da APS, através de tecnologias como: Clínica Ampliada, Projeto Terapêutico Singular e Apoio Matricial, entre outras. A Portaria 154 de 24 de janeiro de 2008 cria os Núcleos de Apoio à Saúde da Família (NASF) que inclui o psicólogo, entre outros profissionais. Na Unidade Básica de Saúde (UBS) Eldorado, localizada na Região Sul da cidade de Diadema, município do Grande ABCD, a equipe do NASF é composta por Psicólogo, Assistente Social, Fonoaudiólogo, Ginecologista e Pediatra, com o objetivo inicial de oferecer apoio matricial e atendimento clínico referenciado às seis equipes de Saúde da Família da UBS Eldorado e mais três equipes da UBS Vl. Paulina. O trabalho fragmentado, a padronização dos procedimentos e as prescrições pré-definidas dão lugar às estratégias não definidas a priori, como processos de intervenção em ato. Com a elaboração de Projetos Terapêuticos, grupos de prevenção e orientação apoiados pelo NASF, toda a equipe passa a se co-responsabilizar pela saúde da população atendida, diminuindo significativamente as filas de espera para ingresso em atendimento, principalmente em Saúde Mental. Além do saber tecnicista de cada profissional, a apropriação do território, concebido tanto como segmento de espaço físico, quanto como um lugar de expressão simbólico, ocupa papel fundamental no planejamento das ações em saúde na ESF. Desta forma, todo o trabalho está em constante movimento, porque o território também está em transformação. O NASF é um lugar de permanente construção.

Palavras-chave: Saúde da Família, Apoio Matricial, Saúde Coletiva, Psicologia da Saúde.

1 Relato de Experiência de implantação do Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF) em uma Unidade Básica de Saúde (UBS) no município de Diadema/SP.

2 Psicóloga da Secretaria Municipal de Saúde de Diadema. Especialista em Psicologia Hospitalar e em Saúde da Família.

 

 

 

 

 

 

 

 
Título: Sala de Espera: Música + Ação


Autor: ANTONIO MESSIAS GAMA ROSPENDOWISKI
Co-autores: KARLA CRISTINA GASPAR; FABIELE DE OLIVEIRA SILVA; THAINE
GOMES; ROSANA OLIVEIRA CORTE FONTANA
Apresentador: ANTONIO MESSIAS GAMA ROSPENDOWISKI
Resumo: Local: Ambulatório de Oncologia Clínica e Quimioterapia do HC -
UNICAMP – Campinas/SP


Introdução
Estudos sobre musicoterapia apontam para o poder que o trabalho com
música tem para despertar o prazer e romper bloqueios psicológicos em
níveis mais profundos. A música pode estabelecer canais de expressão que
facilita o emergir de situações emocionais conflitantes, que em outras
formas de terapia poderia levar um tempo maior.
Objetivo

Promover orientação, apoio emocional e humanização ao atendimento de
pacientes e acompanhantes na sala de espera do Ambulatório de Oncologia
Clínica e Quimioterapia do Hospital das Clínicas da UNICAMP.
Método

São realizados atendimentos semanais na sala de espera de quimioterapia
com pacientes e acompanhantes, com duração de aproximadamente quarenta
minutos, sendo a música utilizada como um elemento disparador para as
discussões e reflexões do grupo. Os Aprimorandos de Psicologia e do
Serviço Social, facilitadores da inter-relação grupal, apresentam-se e
convidam os participantes a observarem os sentimentos e pensamentos
evocados durante a execução da música. Ao término da música, são
incentivados a exporem para o grupo as experiências vivenciadas, e
posteriormente debatidos com intervenção dos facilitadores.
Resultados
A música possibilitou aos participantes discussões de temas como:
temporalidade da vida humana, esperança, limitações geradas pelo
tratamento quimioterápico, qualidade de vida, adesão ao tratamento e
morte. Permitiu a troca de experiências e vivências entre pacientes e
acompanhantes de tal modo a não se sentirem sozinhos no seu adoecer,
tornando a sala de espera um lugar mais acolhedor.
Conclusões
As músicas além de possibilitarem a expressão de sentimentos de forma
melódica, permitiram aos participantes acessarem seus conteúdos
emocionais, o que facilita a discussão de temas que envolve o adoecimento
e seus desdobramentos. Percebe-se que os participantes utilizam as
palavras e/ou versos para exemplificar seus respectivos conteúdos
emocionais. Pode-se pensar que as discussões das músicas propiciaram
apoio emocional e meio para melhor lidar com o processo de tratamento e
suas implicações. Cabe ressaltar a importância das escolhas dos temas das
músicas para que não sejam demasiadamente diretivas, e sem nenhum viés
religioso ou sócio-cultural.

 

 

 

 

 

 

 

 

Saúde Mental e Hospital Dia. Uma Nova Realidade de Atendimento Clínico Hospitalar

Classificação Temática: Hospital Dia

Autora: Zen, Pricilla Figueiredo; Verea, Dorit Wallach.

E-mail: hospitaldial@clinicaprisma.com.br

Resumo:

A conferência visa oferecer os fundamentos teórico-práticos do tratamento em hospital dia para neuróticos graves e dependentes químicos.

A Teoria do Apego foi utilizada como fundamento para entender a complexa interface da doença, do vínculo ao tratamento e do paciente.

A ideologia do HD é oferecer um tratamento intensivo dentro de um programa de inclusão social. O trabalho foi elaborado a partir da concepção de que o indivíduo desenvolve sua patologia inserida no contexto sócio-familiar e é nesta conjuntura que deve ser tratado.

A ressalva se faz quando há um risco eminente de vida própria e/ou de terceiros, se fazendo necessária a internação integral por um período de tempo mínimo.

O tratamento no HD é realizado numa abordagem sistêmica que inclui a responsabilidade da clínica, dos familiares e dos pacientes, alimentando assim a aderência terapêutica que atua na motivação, nas resistências e na possibilidade de estabelecer vínculos de confiança estáveis.

 

 

 

 

 

 

TERAPIAS COMUNITARIAS EM AMBULATÓRIO UNIVERSITÁRIO

Pinheiro, S.A. Universidade Federal do Triângulo Mineiro. Uberaba, Minas Gerais, Brasil.

Neder, CR. Centro Universitário São Camilo.

OBJETIVOS. Realizar atividade educativa e lúdica para promover a qualidade do tempo de espera por consulta em ambulatórios públicos onde as pessoas comumente submetem-se a situações de pouco conforto e monotonia; não conversam; evitam sair do lugar; sentem-se irritadas e pouco acolhidas pela equipe de saúde.

MÉTODOS. Entre março de 2008 a março de 2010, realizamos terapias comunitárias(TC) semanais na sala de espera de um ambulatório do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Triângulo Mineiro, Uberaba, Minas Gerais. Cada TC é constituída das etapas de acolhimento; escolha do tema; contextualização; problematização e encerramento. Cadeiras fixas, espaço exíguo e a solicitação permanente do relativo silêncio hospitalar exigiram dinâmicas sem muita mobilização física e moderação do som das vozes. A saída das pessoas chamadas para a consulta clínica  tornou-se mais uma regra da TC.

RESULTADOS. O paciente, durante as TCs, deu depoimentos, pequenas aulas de sabedoria de vida, compartilhou receitas caseiras, improvisou show de musica e anedotas, invertendo antigas posturas que denotavam impotência e desconfiança para com a instituição. Observamos modificação de hábitos nos acadêmicos e nos profissionais daquele setor de trabalho. A equipe de saúde, menos impessoal, passou a sorrir, e ate a se desculpar com o grupo envolvido nas atividades da TC por chamar alguém para se ausentar da roda. Pessoas de ambientes contíguos aproximaram-se, muitas vezes, para participar.

CONCLUSÕES. A técnica de Terapia Comunitária pode ser adequada ao ambiente hospitalar e propicia horizontalidade nas relações humanas; partilha de experiências e mobilização da alegria.

IMPLICAÇÕES CLÍNICAS. O trabalho hospitalar, organizado para tratar doenças, pode incorporar recursos tecnológicos de promoção de saúde, sem prejuízo de sua eficácia e eficiência. Ao longo desses dois anos, a convite do Departamento de Recursos Humanos da Universidade, realizamos TCs com equipes multiprofissionais de enfermaria de Clínica Médica, Clínica Cirúrgica, Unidade de Transplante Renal e de Terapia Intensiva, com a finalidade de promover a saúde dos trabalhadores.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Transtorno do Impulso: Conceito e Classificação

Danielle Rossini

A fim de se abordar os Transtornos do controle do impulso (TCI), explanar-se-á

sobre a classificação geral dos TCI, impulsividade e seus desdobramentos

conceituais, as diferentes desordens já classificadas e em estudo denominadas

como TCI, bem como a experiência em atendimento ambulatorial desta

população em hospital escola.

Palavras chave: Transtornos do controle do impulso, conceito, classificação,

atendimento ambulatorial

 

 

 

 

 

 

 

DIA 12

 

 

 

 

 

A Importância da Odontologia Oncológica na Assistência Global ao Paciente Oncológico

Maria Elvira Pizzigatti Correa

A cavidade bucal é altamente suscetível aos efeitos diretos ou indiretos do tratamento do câncer. Esse envolvimento pode estar relacionado a diversos fatores que incluem desde o processo natural de renovação celular da mucosa oral até a diversidade da microflora oral, podendo estar ou não associado a pequenos traumas decorrentes das funções normais da boca. As complicações mais freqüentes relacionadas ao tratamento antineoplásico encontrados na cavidade oral são a mucosite, as infecções, presença de dor, sangramento, hiposalivação além das alterações do paladar. Tardiamente, a presença de infecções e de segundos tumores também é descritos pela literatura. Durante a mielossupressão e imunossupressão, a cavidade oral pode se tornar uma grande fonte de infecções locais que podem ser refletidas sistemicamente. A presença de dor e de lesões orais pode resultar em má nutrição, desidratação e dificuldade de fala, e ainda podem ser relacionadas à depressão e ao isolamento social. A prevalência das complicações orais relacionadas ao tratamento quimioterápico é de aproximadamente 10% dos pacientes que recebem quimioterapia como tratamento coadjuvante, em cerca de 40% daqueles que recebem quimioterapia como tratamento curativo primário e em cerca de 80% daqueles submetidos ao transplante de células tronco-hematopoéticas. Apesar do reconhecimento da cavidade bucal como um órgão extremamente envolvido no tratamento antineoplásico, a implementação da avaliação odontológica sistemática a esses pacientes ainda é escassa. Entretanto o reconhecimento do envolvimento oral tem possibilitado o crescimento da cooperação entre dentistas e médicos, enfermeiros e de todo o grupo multidisciplinar de tratamento e suporte ao paciente com câncer. Portanto a discussão da multidisciplinaridade e interdisciplinaridade no tratamento do paciente com câncer como meio de aperfeiçoamento entre os profissionais, resultando numa melhor qualidade de vida do paciente com câncer se faz cada vez mais necessária.

 

 

 

 

 

 

 

A PALAVRA NA RESIGNIFICAÇÃO DAS ESTRUTURAS COMPORTAMENTAIS

João Batista de Oliveira Filho; Orientadora: Dra. Arlete Parrilha Sendra; UENF- UNIVERSIDADE ESTADUAL DO NORTE FLUMINESE DARCY RIBEIRO

PÓS-GRADUAÇÃO STRICTO SENSU EM COGNIÇÃO E LINGUAGEM

CAMPOS DOS GOYTACAZES, ESTADO DO RIO DE JANEIRO, BRASIL.

Objetivo: Trabalhar palavras cuja semântica responda ou possa ser responsável pelos distúrbios biopsíquicos;

A pesquisa envolveu cinco pacientes obesos, insatisfeitos com sua condição. Ao longo de doze sessões foram trabalhadas seis palavras-chave, consideradas traumáticas, cujos sentidos resignificados, seriam, a nível consciente, capazes de redirecionar estruturas comportamentais. Verificamos que as palavras instaladas com seus sentidos sócio-culturais podiam ser resignificadas, possibilitando, a nível consciente, re-direcionar estruturas comportamentais.

Método: (desdobramento) Foi a aferição por resistência galvânica e aferição diária do peso dos pacientes

Como parâmetro, objetivando o foco de contato, escolhemos os signos: pai, mãe, sexo, morte, comida e dinheiro. Estes signos foram escolhidos por possuírem forte conteúdo de valores em nossa sociedade: valores afetivos e culturais nas palavras pai e mãe; valores erótico-existenciais nas palavras sexo (Eros) e de finitude em morte (Tânato); valores do capital, em comida e dinheiro. As palavras foram colocadas para o sujeito-paciente dentro de uma conversação exploratória e gravações previamente feitas, um dialogo dirigido nas quais foi abordada a relação com esses signos ou a que esses signos o/a remetem e o que é pensável a respeito deles, uma vez que a resignificação é o objetivo central. Nos casos onde essas palavras criaram alterações perceptíveis ao instrumento de aferição de resistência galvânica, trabalhamos sua resignificação até verificar uma diminuição no painel de medição (leds) do aparelho, que pode significar que a dissonância está sendo melhor compreendida ou está sendo menos percebida pelo sujeito. Nos dois casos isso nos levou a constatação que estava havendo uma reorganização interna do sujeito-paciente. Quanto mais tranquilo o sujeito, maior a resistência galvânica que a pele apresenta, o que é determinado no aparelho pela manutenção da cor verde nos leds: pequenas lâmpadas coloridas que vão do verde (calmo), amarelo (neutro) ao vermelho (excitado), de medida no painel. Mais excitado, pelo incomodo da palavra colocada, os leds caminham para a cor vermelha, mostrando que a resistência galvânica está sendo diminuída pela presença de microsudorese na pele, excelente condutor elétrico.

Resultados: Os pacientes apresentaram resultados satisfatórios

Foi possível modificar o peso da significância existencial dessas palavras, uma a uma. À medida que isso ocorria no “logos” do indivíduo, uma reestruturação no “bios” também se processava, mostrando que há no seu bio/lógico uma interdependência que precisa ser harmonizada. Essa comprovação foi feita pela contínua aferição do peso do indivíduo, observada, diariamente, durante o decorrer das doze sessões. Entendemos que a diminuição do peso foi possível devido à intervenção psicoterápica, já que os pacientes não se submeteram a nenhum outro tipo de tratamento, com esse intento, durante o período da pesquisa.

Conclusões: Mais estudos são necessários para uma comprovação definitiva

As respostas obtidas com esses experimento-estudos iniciais nos levam a verticalizar esses conhecimentos: por acreditar na força construtora e/ou desconstrutora da palavra e, por entender, como Heidegger, que o homem mora em sua linguagem.

Acreditamos ser necessário que outros profissionais utilizem essa metodologia com seus pacientes para que tenham suas próprias percepções. Desenvolvemos este trabalho experimental com um número reduzido de pacientes o que nos impede de generalizar a eficácia do neo-tratamento.

Implicações Clínicas:

Esse estudo pode contribuir: 1)  para uma melhor compreensão de como a mente humana valora suas próprias construções;

2)  para identificar os pontos de fraturas emocionais ocasionados pelo sentido conotativo da palavra instalada nos espaços sócio-culturais. Acreditamos que podemos  estar dando início a um aprofundamento de como nossa estrutura interna reflete no corpo sensório, alterando sua forma em detrimento do que sofremos ou contentamos. Este novo olhar clínico-psicólogico poderá em um futuro próximo contribuir para a reestruturação dos tratamento, eliminando fórmulas químicas que saturam os organismos. A Psicologia Hospitalar, diante de pacientes cada vez mais ansiosos por ter de volta a sua forma física, pode diminuir as intervenções cirúrgicas desnecessárias em muitos casos e ao mesmo tempo estar organizando a psique que invisível aos olhos do cirurgião, é a causa de toda somatização que o corpo que sofre. A forma do corpo que vemos, nestes tempos cibernéticos, se apresenta como um out-door, diz quem somos para a sociedade do pós-humano em que o homem está inserido e, se é fato a alteração do estar deverá também ser feita a nova forma de ser.

 

 

 

 

Envio Resumo para a Conferência:

Título: Avaliação psicológica no contexto hospitalar *

Autor: Diana Tosello Laloni*

Apresenta-se avaliação psicológica como a ação clínica de excelência nos ambientes médicos em especial na saúde geral.  Indicam-se os instrumentos de avaliação, escalas e inventários utilizados para avaliação de padrões de comportamento associados às doenças como Symptom Checklist 90-R (SCL-90-R), Derogatis L.R. (1994), o Questionário de Saúde Geral de Goldberg (QSG), Pasquali (1996), Inventário de Sintomas de Stress (ISSL) Lipp ( 2000). Dentre as escalas disponíveis, os inventários multidimensionais emergiram como mais usuais na avaliação do risco psicológico associado às doenças.  SCL-90-R é uma escala multidimensional de auto avaliação para diagnosticar sintomas psicopatológicos segundo 9 dimensões: somatização, obsessividade-compulsividade, sensibilidade interpessoal, depressão, ansiedade, hostilidade, ansiedade fóbica, idéias paranóides e psicoticismo, há pesquisas com a SCL-90-R em populações clínicas, relacionando-se as sub escalas com as patologias físicas. Pesquisa brasileira (Laloni, 2001) sugeriu-se que dos 90 itens originais, 40 que apresentaram carga fatorial fossem retidos para a adaptação e versão em português, e distribuídos em 4 dimensões: psicoticismo, obsessividade-compulsividade, somatização e ansiedade, adotou-se uma escala Likert de 3 pontos para a avaliação da intensidade do sintoma. A escala, assim constituída, foi denominada de Escala de Avaliação de Sintomas 40 (Eas-40) e forneceu medida válida da predominância de sintomas psicóticos, neuróticos, psicossomáticos e de ansiedade em pacientes atendidos em hospitais gerais em nosso meio. Por outro caminho avaliam-se fatores comportamentais presentes na relação saúde-doença, através da Análise Funcional do Comportamento. O comportamento como ação do organismo na prevenção, reabilitação, início ou fim de uma enfermidade organizado em 3 fatores: A forma na qual o comportamento participa na modulação dos estados biológicos, na medida em que regula o contacto do organismo com as variáveis funcionais do meio ambiente; As competências que definem a efetividade do indivíduo para interagir com uma diversidade de situações que direta ou indiretamente afetam o estado de saúde; As maneiras consistentes que tipificam um indivíduo em seu contato inicial com situações que podem afetar potencialmente sua condição biológica. Resumindo pretende-se indicar como ocorre a relação do comportamento ou sintomas psicológicos com a vulnerabilidade biológica para a proposição de ações terapêuticas eficazes para a prevenção e tratamento.

Palavras chave: avaliação psicológica na saúde, comportamento e saúde, psicologia hospitalar.

* Pesquisa e Aplicação

** Graduada e Licenciada em Psicologia, PUC Campinas 1969, Especialista em Psicologia Clínica, Especialista em Saúde Mental, Doutora em Psicologia Ciência e Profissão, PUC Campinas 2001. Professora titular da PUC Campinas desde 1971 até o momento, Coordenadora do Serviço de Psicologia Clínica do Hospital e Maternidade Celso Pierro, Hospital da PUC Campinas desde 1986 até o momento. Psicóloga Clínica e fundadora do Centro de Psicologia e Fonoaudiologia desde 1970 até o momento. Fundadora, coordenadora e docente e do Núcleo de Aprimoramento em Psicologia (NAPSI). Atua como Psicóloga Clínica em Terapia Comportamental, desenvolve pesquisas em Avaliação, Comportamento e Saúde, é Professora colaboradora em cursos de Pós Graduação, no lacto sensu e estricto sensu.

 

 

 

 

 

CIRURGIA PARA CORREÇÃO DE FISSURA LABIOPALATAL: A ESPERANÇA DO FILHO PERFEITO

Marta Gardênia Barros

Hage, A. C. S. M. C.

Thomé, A S. D.

Oliveira, T. S.

Hospital da Criança Santo Antônio/ Universidade Federal de Roraima – Boa Vista – Roraima – Brasil

Objetivo: Este trabalho apresenta os resultados de uma pesquisa, realizada no Estágio Básico I, do curso de Psicologia, da Universidade Federal de Roraima, junto a mães de crianças que nasceram com a deformidade fissura labiopalatal e fizeram a cirurgia corretora, no Serviço de Atendimento ao Portador de Fissura Labiopalatal, doHospital da Criança Santo Antônio. O objetivo era analisar as conseqüências do nascimento de uma criança com essa deformidade, para as famílias com filhos de 07 a 12 anos e identificar os principais sentimentos manifestados pelas mães.

Metodologia: Como metodologia optamos pela pesquisa qualitativa. Utilizamos como instrumento de coleta de dados, entrevista do tipo semi-estruturada realizada com seis mães, que representavam 10% das beneficiadas no Serviço de Atendimento ao Portador de Fissura Labiopalatal, doHospital da Criança Santo Antônio. Algumas entrevistas aconteceram no próprio hospital, para viabilizar a realização de outras, nos deslocamos até a casa das famílias. Para a análise dos dados coletados lançamos mão da análise de conteúdo.

Resultados: As entrevistadas apontaram sentir para um choque emocional ao saberem que o filho possuía a má formação, sofrimento esse amenizado com a possibilidade da cirurgia corretora, que poderia devolver a eles todos os sonhos de uma criança “perfeita”. A mãe também é a pessoa que mais sofre, pois a ela cabe a responsabilidade de cuidar da criança, dos demais filhos e marido. Além de se auto-cobrarem, elas também lidam com as cobranças dos demais familiares e ainda enfrentam o preconceito da sociedade.

Conclusões: Mesmo após a cirurgia ainda resta a cicatriz, que denuncia a existência da má formação e gera sentimentos como vergonha e medo dos filhos sofrerem preconceito e discriminação. Concluímos que se torna indispensável um acompanhamento psicológico para amenizar ansiedade e sofrimento como também para evitar dificuldades futuras promovendo o bem-estar da criança e da família.

Implicações Clínicas: Gerar um filho com fissura labiopalatal acarreta vários sentimentos e dilemas para uma família, principalmente para a figura materna, que é a presença mais constante na vida do filho e participa ativamente de todo o processo que envolve desde a procura pela cirurgia, aos  cuidados pós-cirúrgicos.  Além do preconceito da sociedade, a mãe lida ainda com o sentimento de incapacidade por ter gerado um filho “imperfeito”, cobrança que em alguns casos vem da própria família. A cirurgia para correção da fissura labiopalatal representa a possibilidade de resgatar uma criança “perfeita” e o inicio de uma nova vida para ambos.

 

 

 

 

 

 

 

 

CUIDADOS PALIATIVOS: LIMITES E OBSTÁCULOS DA ATUAÇÃO PROFISSIONAL

Castilho, H. D; Garcia Oliveira, A. E; Silva, F. F. P.

Universidade Paulista – UNIP, Campinas – SP – Brasil.

Objetivos: Identificar os limites e obstáculos da atuação relatados por profissionais que atuam em equipes de cuidados paliativos. Buscou-se conhecer a concepção de cuidados paliativos para cada profissional entrevistado, sua preparação para lidar com o paciente terminal, seu envolvimento em pesquisas sobre o tema e suas sugestões para o aperfeiçoamento do trabalho realizado em cuidados paliativos.

Método: A pesquisa teve caráter qualitativo. Foram realizadas entrevistas semi-estruturadas com dois médicos, dois enfermeiros e dois psicólogos que atuam em programas de cuidados paliativos em hospitais da rede pública do município de Campinas – SP. Todos os participantes eram do sexo feminino e tinham idade entre 28 e 66 anos. Essa pesquisa teve a aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Paulista e o consentimento livre e esclarecido dos profissionais. Após a coleta de dados, as falas das entrevistadas foram categorizadas em unidades de sentido e então criticamente analisadas a partir de seus conteúdos.

Resultados: Verificou-se que as entrevistadas tiveram facilidade em definir o conceito de cuidados paliativos de acordo com a literatura. As principais dificuldades apontadas na atuação em cuidados paliativos foram: problemas de relacionamento entre os membros da equipe, falhas na comunicação, desconhecimento das funções de cada profissional, disputas hierárquicas, deficiência na formação durante a graduação, carência de profissionais em relação à demanda, entraves político-institucionais e falta de conhecimento da sociedade em relação aos cuidados paliativos.  A dificuldade em lidar com questões relacionadas à dor, sofrimento e morte foi pouco mencionada. Como sugestão para superar as dificuldades referidas, foram citadas: psicoterapia e atividades de lazer para a equipe, supervisão e discussão de casos, investimento na formação dos profissionais e discussão sobre bioética nos cursos de graduação.

Conclusões: As principais dificuldades identificadas dizem respeito aos problemas de relacionamento entre a equipe que acabam comprometendo a qualidade do atendimento prestado aos pacientes e familiares. Embora a atuação em cuidados paliativos continue a ser considerada impactante do ponto de vista emocional, esta característica não foi apontada como um obstáculo à atuação destes profissionais, podendo representar uma negação do fato.

Implicações clínicas: A assistência de um psicólogo, não pertencente à equipe, poderia ajudar a promover um melhor entrosamento entre os profissionais que atuam nessa área. Essa intervenção seria eficaz no sentido de identificar os problemas e elaborar estratégias para que os membros das equipes consigam superar os problemas de comunicação existentes.

 

 

 

 

 

 

 

SERVIÇO SOCIAL NO CONTEXTO HOSPITALAR E O

TRABALHO PELA EFETIVAÇÃO DE DIREITOS. (1)

Rosana Oliveira Corte Fontana (2)

Dentro de uma unidade hospitalar, o profissional de serviço social

desenvolve suas atividades através de planejamento e execução de políticas

sociais específicas. Intervêm em situações de vulnerabilidade e risco social,

a fim de traçar ações que viabilizem o tratamento médico. Nosso trabalho

desenvolve-se no ambulatório de Oncologia Clínica do Hospital de Clínicas

da UNICAMP, em equipe multiprofissional, pois a atenção à saúde não

está centrada apenas sob o enfoque médico, mas nas diferentes

intervenções necessárias para a promoção e atenção à saúde. Através de

uma abordagem individual, traçamos o diagnóstico social de cada caso,

identificando perfil sócio-econômico, cultural e a estrutura familiar. Em

muitos casos, a socialização destas informações à equipe multiprofissional

é componente facilitador para a atenção integral ao paciente e ao cuidador.

Além da doença, outros aspectos surgem como relevantes para o paciente,

como a perda da força do trabalho, da autonomia, a desestruturação

familiar, o enfrentamento dos preconceitos sociais e principalmente a falta

de proteção social. No Brasil, somente após a promulgação da Constituição

Federal de 1988 o direito universal à Saúde, à Previdência e à Assistência

Social deixou de ser considerado benevolência e passou à condição de

Política Pública, atribuindo ao Estado a responsabilidade de sua efetivação,

que na prática ainda se mostra ineficiente e inconsistente. A inclusão de

pacientes em programas sociais, a recursos da rede sócio-assistencial e a

direitos estabelecidos pela legislação brasileira incide sobre padrões de sua

qualidade de vida e de sua família. Partindo-se do conceito que todo

paciente é também um cidadão de direitos, cabe ao profissional de serviço

social intervir para assegurar o acesso à proteção social como direito de

cidadania. È diante do confronto entre o direito do usuário e o cumprimento

dos mesmos que se perfaz um dos embates que o assistente social enfrenta

na área da Saúde.

Palavras chaves: serviço social, direitos, inclusão social, cidadania.

(1) Relato de experiência.

(2) Assistente Social do Ambulatório de Oncologia Clinica/Quimioterapia do Hospital

de Clínicas da Unicamp. Supervisora do Programa de Aprimoramento e Especialização

em Serviço Social em Oncologia.

 

 

 

 

 

 

 

 

Nutrição no Contexto Hospitalar

Sonia Trecco

 

O profissional nutricionista e sua atuação na preservação, promoção e recuperação da saúde de indivíduos e grupos populacionais visando melhoria da qualidade de vida. Áreas de atuação do nutricionista clínico e seu papel como educador. Especialidades atendidas pelo nutricionista em ambulatório e home care. Atendimentos individualizados e em grupo. Dinâmicas práticas como restaurante virtual, leitura de rótulos de alimentos e oficinas culinárias. Participação do nutricionista em projetos de pesquisas e publicações científicas. A intervenção nutricional visando a recuperação e a manutenção do estado nutricional. As etapas do atendimento nutricional iniciam-se a partir do encaminhamento médico. No momento da consulta, o cliente é classificado segundo níveis de assistência primário, secundário ou terciário, dependendo do grau de comprometimento do estado nutricional e seus riscos. São coletados dados antropométricos, dietéticos e laboratoriais. A orientação dietética é individualizada, levando em consideração todo o perfil e características do mesmo. Os retornos são agendados para avaliar a adesão às orientações e evolução do estado nutricional. A conduta é alterada sempre que necessário. No momento da alta são aplicados os critérios de reabilitação nutricional com o objetivo de avaliar a eficácia da terapia nutricional e a qualidade do serviço prestado.

Sonia Trecco

Nutricionista Chefe do Serviço de Atendimento Ambulatorial do Instituto Central do Hospital das Clínicas (ICHC) da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).

Responsável pelo atendimento nutricional no Centro de Pesquisas do ICHC – FMUSP

Graduada pelo Centro Universitário São Camilo

Especialista em Nutrição Clínica pelo Centro Universitário São Camilo

 

 

 

 

 

 

 

 

O CUSTO EMOCIONAL DO ATENDIMENTO A HUMANOS

APRIMORAMENTO DOS RECURSOS PESSOAIS DO PROFISSIONAL PARA O DESENVOLVIMENTO DE UMA BOA OBSERVÇÃO E CONTATO COM OS DIFERNTES ESTADOS DA SAÚDE FÍSICA OU MENTAL[1]

Armando Colognese Junior[2]

colognesejr@uol.com.br

I – APRESENTAÇÃO.

O estudo sobre o custo emocional do atendimento a humanos se inicia – há mais de dez anos – com um trabalho de treinamento aos profissionais do COAIDS na Prefeitura do Município de Santos – SP. Na proposta de treinamento visávamos atender a demanda de compreender a diminuição da adesão ao tratamento por parte da população do município. Diminuição esta que residia, fundamentalmente, ao fato dos profissionais terem adquirido maior conhecimento e despreza no tratamento dos co-infectados (HIV e hepatite) e menor atenção à angústia dos doentes. Seguimos esta pista e desenvolvemos atenção especial aos estados de mente primitiva, que doentes crônicos e necessitados de ajuda profissional e técnica, com e diante da necessidade e fragilidade, procuram ou são colocados para receber a ajuda. E, claro, a reação dos profissionais e o concomitante prejuízo que estavam expostos, tanto no plano físico, como mental e do trabalho propriamente dito, provocado por tais mentes.

Nosso trabalho consiste em desenvolver condições emocionais e sistemas saudáveis de defesa pessoal que possam ajudar aos profissionais que trabalham na área da saúde, educação e áreas afins, no manejo com humanos necessitados de cuidados técnicos e que, portanto necessitam reconhecer com precisão e instantaneamente a resposta agressiva humana.

É nossa intenção trabalhar, no sentido de oferecer ao trabalhador dessa ‘lavoura’, conceitos e técnicas que possam vir a facilitar a elaboração dos fatos emocionais brutos que estão presentes em todo contato humano.

II – INTRODUÇÃO: UM ESTUDO SOBRE A AGRESSIVIDADE HUMANA.

“Quem faz boa cerca, faz bons vizinhos.”

Sabemos que, infelizmente, os estados emocionais brutos se exageram nos grupos de doentes crônicos, nos grupos de trabalho psicoterápico (onde o ambiente afetivamente insalubre intensifica essa manifestação) e em grupos de trabalho genéricos que mantêm neles pessoas portadoras de mentes fortemente fragmentadas, aterrorizadas com a vida e com seus problemas, sem que possam, no entanto, observar-se sendo reféns inconscientes das próprias emoções.

Acreditamos que é da condição humana, a tendência para livrar-se de estados emocionais intensos derivados de situações inesperadas – ou mesmo nas situações esperadas – isto é, experimentar nossos próprios estados afetivos nos causa desconforto e esse desconforto eu posso resolvê-lo livrando-me dele usando mecanismos de defesa expulsivos (evacuatórios), que já foram abundantemente descritos nas obras psicanalíticas. Assim se define uma experiência de desprazer e a fuga do mesmo. Necessitar do outro e perceber-se nesse estado necessitado é perturbador. Como uma alternativa para lidar com tal desprazer, livro-me dos significados que o outro possa ter dentro de mim jogando esses significados para fora; ou ainda crio expectativas, crio personagens salvadores, idealizados. Livro-me da aflição e finjo que resolvo o problema. Por outro lado, esse estado de coisas coloca o ser humano diante de sua própria condição de vulnerabilidade, de fragilidade e, portanto, na posição de alguém que está correndo o risco de não conseguir ver sua necessidade atendida, uma vez que ela se encontra prisioneira do medo que alguém tem de sentir o outro como algo da ordem do necessário e do medo da incapacidade de quem acolhe um pedido de ajuda, dando a resposta adequada e madura, sucedida do acolhimento que o humano demanda.

Nesses momentos, as dores derivadas do desamparo vivido disparam uma reação espontânea de desespero que, no entanto mantém-se no plano inconsciente, dada a vulnerabilidade da mente consciente diante das grandes emoções e da impossibilidade de organizá-las de modo a poder pensá-las. Essa defesa psíquica apoiada no gesto desesperado dispara uma conduta interna de onipotência – como uma espécie de auto-suficiência, inadequada e descomunal – que é uma tentativa fracassada para proteger-se de um colapso diante da própria tomada de consciência do problema que significa estar vivo.

Isto, por sua vez, desemboca em manifestações do tipo “eu resolvo tudo!” – ou “alguém resolverá tudo (geralmente um eleito) ou “não há mais esperança, não há mais nada a fazer!”.

Uma alternativa desesperada para dar conta desse mesmo drama do desamparo vivido como desespero (consciente ou inconscientemente) é disparar uma defesa de congelamento afetivo, como forma de proteção de nossa sobrevivência psíquica: “nada tem significado para mim” ou seu reverso, “estou afogado por todos os significados e isto é insuportável!”. Como podemos observar, as possibilidades de enfrentamento do processo de angústia tendem para o uso de defesas com poderes descomunais para resolver pequenos problemas e para ações ensandecidas, carregadas de componentes emocionais primitivos, não “digeridos”, que se opõem à possibilidade de simbolização e exercício da potência real.

Estamos conscientes que ‘componentes emocionais primitivos’, em seu estado original – e, portanto não elaborados – impedem o desenvolvimento criativo dos processos que determinam pensamentos adequados para que as ações possam ser executadas corretamente, e dificultam a construção do conhecimento e do gesto que oferece uma rede simbólica para quem se ocupa do atendimento de pessoas emocionalmente perturbadas pelo seu sofrimento.

Essas emoções primárias, encharcadas de desespero, emperram o andamento dos tratamentos, dos trabalhos feitos em grupo e de todos os processos de aprendizado. Toda e qualquer tentativa de ajuda, cura ou educação que surja espontânea e/ou tecnicamente oferecida pelo meio ambiente é assim anulada para evitar que o contato com a complexidade humana traga dor psíquica e aumento de responsabilidade por si e pelo outro dando lugar a experiência de compaixão.

Por questões, que se colocam, como estas que apontamos, é nosso intuito promover o desenvolvimento mental do profissional que opera continuamente nesse campo de experiência e oferecer-lhe uma condição maior de reserva técnica para usá-la nos momentos profissionais de prestação de auxílio humano a outro humano, e com isto ajudá-los a desenvolver uma capacidade específica para o reconhecimento e acolhimento dos estados primários da percepção do que ocorre quando humanos encontram humanos. Isto é, dos efeitos afetivos e invasivos que a percepção do ambiente em funcionamento nos causa, quando nos encontramos expostos ao contato com o outro humano.

Com esse recolhimento técnico que estamos propondo pelo uso extenso da compreensão teórica de experiências vividas, e com o desenvolvimento da capacidade para perceber os efeitos mentais que as emoções básicas – derivadas das pulsões sexual e agressiva – nos causam e que estão em jogo no convívio social, queremos ressaltar a necessidade de se observar atentamente a existência de fenômenos emocionais cuja obviedade e primitividade os mantêm inconscientes, porém perigosamente ativos. Como já foram apontadas, essas manifestações primitivas derivam do desespero humano que nasce do convívio. São atos descarregados de chofre, vêm como um relâmpago e, por isso, são muito destrutivos porque desmedidos, e estão presentes na vida cotidiana, sendo insidiosamente utilizados com diferentes camuflagens.

Fazemos notar que é necessário compreender que esses elementos destrutivos, descarregados de chofre, sempre estão ativos em toda relação terapêutica e/ou em toda situação onde se requer a prática de cuidados intensivos entre humanos, seja ela qual for[3].

Lembramos que é nosso intuito fazer entender por aprimoramento dos recursos pessoais na lida com humanos justamente o aprendizado de um método para trabalhar com esse campo de experiência que envolve o encontro interno com a turbulência gerada pelo impulso para reagirmos de modo desorganizado (reações emocionais da ordem da neurose, da ordem da perversão e, muitas vezes, da ordem da psicose) – impulso comum a todos nós quando respondemos de modo imaturo à demandas externas – quando estamos atendendo um outro humano que inconscientemente alcança-nos perturbar com a negação ou a ostentação de sua dor.

Esse estado mental inconsciente que induz à respostas dadas sem que haja a intervenção do pensamento, se deriva da turbulência gerada pelas experiências emocionais nascidas do contato humano em grupo; são respostas onde prevalecem ações impulsivas que usam a musculatura e o reflexo de ataque ou fuga como solução para evitar o contato com dor psíquica e com angústia derivadas da relação diária com pessoas que necessitam de ajuda de um outro humano.

Certamente, julgamos nosso objetivo principal estabelecer um processo contínuo e gradativo de desenvolvimento da tomada de consciência da loucura pessoal e da existência real de experiências primitivas eliciadas pelo contato que são poderosamente destrutivas e que interferem imperceptivelmente em nosso dia-a-dia, disparando em nós respostas imaturas e agressivas desmedidas, pelas quais, muitas vezes não sabemos como nos responsabilizar.

Queremos chamar a atenção dos profissionais que se especializaram no trabalho com humanos – nas áreas de saúde e educação –, para o que está dito nos modelos teóricos que a psicanálise desenvolveu e propôs para compreender e explicar como o mal-estar na civilização e a comunicação humana são desenvolvidos e executados de modo tóxico e irresponsável quando humanos se reúnem para trabalhar e ingressam em estados emocionais impróprios para o convívio.

A comunicação inconsciente, a comunicação de estados emocionais insuportáveis, as noções de transferência e identificação projetiva, que deslocam a comunicação humana para o território da insanidade, trazem consigo antigas questões que foram banidas do campo da psicanálise e que hoje, quanto mais somos capazes de compreende os mecanismos primitivos utilizados sem consciência nas relações intersubjetivas, mais se sabe que são formas ativas de interação emocional, usadas tanto para o amor quanto para o ódio durante os processos de tratamento ou educação.

Estas questões se referem especificamente ao uso que a mente humana faz de expedientes como a telepatia e o hipnotismo[4], ambos executados de modo inconsciente, usando a susceptibilidade hipnóide própria ao ser humano como porta de acesso ao mundo interno daquele que a isso se oferece ou daquele que a isso se dedica.

A força hipnótica da comunicação inconsciente é claramente notada quando se observa bebês se relacionando com suas amorosas mães. Todos podem observar o quanto esses frágeis seres são capazes de disparar ações impensadas nesses humanos que lhe estão próximos[5]. São poderosos processos de invasão mental feitos em um estado particular de desespero e desconhecimento.

As conjecturas que sustentam ações terapêuticas baseadas na ‘investigação telepática’ (investigação que aceita conviver e compreender – sem reagir – com estados emocionais projetados no interior da mente do trabalhador), quando não filtradas pelos sistemas simbólicos (onde se encontram as conquistas científicas), acabam sendo perdidas no emaranhado emocional.

Sem uma transformação que parta do real e chegue ao imaginário, esses impulsos advindos da transferência das paixões inconscientes tendem à descarga via ação quando a capacidade de suportar frustração e ignorância falha.

A tentativa de sonhar impulsos para agir evitando corresponder à transferência das emoções propostas pelo outro humano, transformando material bruto em elementos psíquicos, é possível somente para uma mente preparada para digerir e processar em pensamento aquilo ao que pela via telepática está sendo coagida a fazer.

A pressão para ação não permite que um gesto profissional se constitua em um ato de cura toda vez que prevalecer o desespero para tomar uma providência sobre a capacidade para pensar. Só o pensamento espontâneo é capaz de transformar-se em gesto terapêutico adequado, favorecendo com isso o processo de transformação da emoção em conceito ou em um gesto criativo como é o caso quando uma ação adequada se apresenta na mente para resolver o problema, e com isso extrai conhecimento sobre o mundo e alcança boa vida bio-psico-social.

Para que a compreensão destes processos possa se concretizar, é necessária uma discussão profunda da vida emocional que sirva de suporte, ao menos intelectual, à angústia desses que trabalham com humanos. A obtenção dos conhecimentos necessários para o manejo com pessoas doentes ou em algum estado particular de carência, depende do desenvolvimento e da tomada de consciência dos processos psíquicos íntimos de quem se oferece para ajudar o outro em apuros e que estão envolvidos no manejo da cura de pessoas emocionalmente enfermas.

Necessitamos conhecer e domar as emoções que estão dentro e fora do campo de nosso ego, e para que isto aconteça se faz necessário que o coletivo acolha mais profundamente o problema das emoções desmedidas em humanos imaturos, dando a esse desmedido um lugar na cultura, oferecendo a ele uma parceria que o ajude a viver uma maturação útil capaz de gerar uma película protetora e segura do eu (e do socialmente organizado) que permita o transito adequando dos processos brutos, agressivos e repletos de elementos sexualizados e passionais, para os processos criativo e cognitivo que são capazes de reutilizar as energias destrutivas de forma invertida, aprimorando o relacionamento entre a própria emoção e o conhecimento.

Emoção sem pensamento não produz um gesto adequado e sim uma ação hostil, de descarga e geralmente destrutiva ou, pelo menos, imprópria para produzir conhecimento.

A ação criativa transforma emoção bruta – e pronta para ser transferida diretamente na corrente mental do outro por hipnose e telepatia – em pensamento compartilhável, domesticado, dando a essas ações, para abrandá-las, um tom dolorido e triste.

III – SOBRE O DESENVOLVIMENTO: FRAGILIDADE E DEPENDÊNCIA

O bebê humano é incapaz de subsistir sozinho. Ele não dá conta do recado. A sua imaturidade o obriga a recorrer ao ambiente e ao seu grupo, sem perguntar nada antes. Deve poder antecipar um laço de confiança. Em sua solidão primeva, ele lança um grito que imediatamente se transforma em um pedido de ajuda que ao mesmo tempo constitui (dando um começo) e fragiliza a relação humana primária, fazendo dela um campo delicado e altamente propício ao trauma e ao luto, diríamos. O ambiente e todos que acolhem o novo ‘eu’ que se apresenta à comunidade entram em alvoroço e angústia com a chegada do recém-nascido. A comunidade, ao reconhecer esse novo ‘eu’ que hora se apresenta, transforma em humano o recém-chegado; enquanto o acolhe e conforta, do mesmo modo e com o mesmo gesto em que o aprisiona quando o nomeia, singulariza, recorta e lhe dá um valor, um gênero e uma função, mediante as expectativas e desejos que os pais têm.

O padrão natural da resposta humana ao choro do bebê humano é formado pela expressão de oferecer-se espontaneamente ao outro que pede acolhimento; é um padrão que surge de imediato na conduta do humano médio, sadio e mentalmente hígido, masculino ou feminino. De modo geral, essa conduta de acolhimento deve pender para tipo de conduta que esteja ligado ao prazer e à serenidade, mesmo que o coração bata muito forte pela proximidade emocional que o contato com um bebê constitui e suscita.

É bom que se tenha sempre em mente que somente o outro humano maduro é aquilo que acolhe o desespero do bebê humano ao nascer. Somente o outro, ao oferecer seu rosto e seu corpo como sinal de humanidade é que pode reconhecer o recém-chegado e, por isso mesmo, apresentá-lo ao mundo e à cultura. É na face e no peito do outro humano que se acolhe o grito de dor do bebê faminto de leite, de sonhos e de um semblante que lhe sirva de identidade e lembrança.

Quando um humano chora, todos choram com ele e por ele. Ninguém quer que ele sofra. Como é grande a fragilidade humana! Tomar consciência de que qualquer um de nós precisa de uma outra pessoa para proteção e cuidados é uma tarefa e tanto. É angustiante perceber a enorme fenda que há e o enorme vazio existente entre a necessidade de agir para buscar uma solução e a real impossibilidade da ação quando se é imaturo para a mesma. É nesse estado de coisas que a dupla humana primordial se constitui.

Essa dupla primária, formada pela mãe e seu bebê, unidade na dualidade, essa fusão fendida, deverá tomar consciência, deverá dar-se conta do fabuloso problema ainda não solvido que é a maternidade e o nascimento. Esse casal primário deverá organizar uma forma de proceder e de se comunicar nesses momentos iniciais, elaborando suas adaptações e contratos, dando conta das próprias dores e de uma forma viva de comunicação, além de procurar evitar criar confusão desnecessária ao seu redor, para que os olhos maldosos dos outros não os capture nesse idílio e os tome por outros inadequados ao agrupamento.

Essa experiência íntima de amor e medo será na vida de cada um de nós o sinal primitivo da existência de um ‘nós’ (minha mãe e eu) e de um ‘outro’ (aquilo que é o grupo) – que nos ama e ao mesmo tempo nos odeia – e dos perigos que é estar nele ou desistir de a ele pertencer.

É nesse momento muito inicial que percebemos a pressão que a existência dos outros nos causa, e isso tomará parte de nossas vidas em todos os seus mais íntimos momentos. Será, nesse tempo dos começos, onde o “trauma do nascimento” pode inscrever seu início. Angústias sem nome, medos de não pertencer ao mundo, terrores de ausência de significado, falências emocionais.

Isto é, é nesse começo onde a marca-machucadura – que nasce da consciência que o desamparo nos trás – virá ao encontro de nossos olhos ainda esperançosos e os ferirá de modo indelével roubando deles as ilusões que querem impedir nosso contato com a falha fundamental de que o outro é necessário. Essa é a dor de nascer. Esse será o momento do trauma. Será o momento que nos dá um começo, um princípio. Princípio dominado pelo desespero, pelo desamparo, pela desconfiança de ser ou não atendido.

Quando adulto esse mesmo bebê continuará, à medida que cresce, necessitando formar e participar de associações com pessoas em graus e números os mais variados. O ponto de partida para isso deve ter sido a luta pela sobrevivência, física e mental dentro e fora do grupo. Como sabemos o ser humano não é, nem nunca foi, o mais forte entre os animais. Tampouco o mais rápido ou o mais bem aparelhado de órgãos perceptivos, e, no entanto, seus elementos quando unidos, por arte da inteligência, são mais que a soma de suas partes, e certamente isso vem a ser mais um problema que uma solução.

O estado de coisas em que vivemos em nosso cotidiano, ajuda a expor mais ainda o fato de sermos extremamente frágeis e dependentes. O tipo de convívio pouquíssimo cooperativo que desenvolvemos suscita uma organização mental (e social) muito insegura, que proporciona a manifestação de comportamentos com um alto índice de violência, e de uma ética que não se pauta pelas relações de confiança e cuidado. Cremos que esse modo de organização venha a ser uma etapa de nossa evolução e organização socio-psíquica. Mesmo assim, continuamos necessitando uns dos outros para nos legitimar através de nossas trocas afetivas. Somente a partir desse núcleo ético de cuidado mútuo que se elabora uma vida pela cultura da educação psíquica. Isto é, é somente pelo uso de uma fraternidade lúcida e responsável que uma cultura pode ter acesso ao anseio pela verdade e pelo amor. Só os insanos desconhecem que o fundamento dos vínculos humanos está na saúde geral do indivíduo e do grupo e nasce dos cuidados e das preocupações com a tranquilidade humanas.

As observações mais acuradas indicam a saúde mental como uma meta que deve ser buscada dia a dia. Ela só será alcançada quando cada um de nós oferecer de si, como contribuição a reserva saudável do coletivo, um pouco de maturidade para que, aí sim, o grupo nos proteja nas diferentes situações de angústia derivadas do convívio muito próximo que sempre suscita angústias que são nascidas dos comportamentos infantis de pessoas que ainda não puderam chegar nesse patamar de serenidade.

É necessário frisar que é pela força do sonhar e da imaginação criativa que acreditamos atingir estados emocionais superiores e cooperativos. É quando combinamos todas as nossas forças amorosas com a potência dos elementos simbólicos, que derivam da coletividade, que chegamos a conquistar e desfrutar o mundo que fizemos, ao menos em parte, nosso.

Insistimos em observar as coisas óbvias. Ou seja, com este texto vimos frisar que as associações emocionais, os vínculos afetivos, os laços de aproximação de cada um dos humanos quando esses humanos estão em grupo têm o condão de gerar energias poderosas, capazes de vencer obstáculos inimagináveis para o indivíduo. Porém, acontece que energias mentais tanto quanto aquelas que encontramos na natureza, não são respostas morais de um deus qualquer em relação aos nossos atos pecadores. Criação e destruição (sexualidade e agressividade) geram uma enorme turbulência e podem ferir em qualquer um dos estados em que se apresentam. É certo que um grupo vence obstáculos quando funciona bem orientado por um líder para o progresso e para o bem comum, constituindo-se dessa forma num grupo de trabalho. Esse grupo deve ser visto como sendo o resultado do esforço consciente de um grupo para manter-se mentalmente saudável enquanto trabalha em conjunto.

Poderíamos chamar esse estado mental de estado adulto de civilização fraterna. É uma civilização idealizada. É uma civilização que se pauta pelo ‘seria melhor nos salvarmos juntos’ e não pelo ‘salve-se quem puder!’. Civilização que se dedica à redução dos riscos desnecessários quando se está em convívio grupal.

Porém, quando se conhece um pouco da história da civilização humana, percebe-se que somos igualmente eficientes ao manifestarmos nosso potencial destrutivo. Quando um grupo, inicialmente criado e orientado para a cooperação e para o trabalho, é tomado por sentimentos da ordem do ódio, onde prevalecem suposições paranóides que sustentam e justificam sentimentos muito violentos e não éticos, talvez derivados de experiências emocionais que gerem desespero, esse mesmo grupo se torna apto a cometer atrocidades inimagináveis para com outros grupos ou para consigo próprios enquanto grupo, desde que isso possa satisfazer desejos narcísicos disfarçados de ideais coletivos almejados.

Tais atrocidades são derivadas de ações que expressam o desmedido dos impulsos, e que se organizam sob a forma de comportamentos que, num certo limite, poderíamos dizer desnecessários, mas presentes e fortemente desejados pelo todo insano, como observamos nas torcidas futebolísticas, ou nas agremiações políticas e religiosas organizadas.

Comportamentos arrogantes, expressos por atos de violência vicejam em todo agrupamento social. Ao abandonar os processos de trabalho e aceitar as suposições paranóides como traduções “certas” da realidade, os grupos cismáticos tendem a privilegiar formas comportamentais primitivas derivadas de angústias e defesas esquizóides, tentando evitar, com esse procedimento, o contato com angústias fraternais e de solidariedade que são mais elaboradas, mais complexas e sofridas para serem vividas. Nesse momento de ruptura, o grupo torna-se massa, perdendo sua identidade como unidade produtiva e cooperativa, habilitando-se para ser uma máquina destrutiva e dogmática. Reduz sua conduta a um conjunto de comportamentos feitos com muitíssima angústia que diminuem drasticamente a qualidade ética e moral das ações que devem ser executadas, transformando-as em ações antiéticas e anti-sociais. Por esses atos oferecerem alívio imediato e pouquíssima responsabilidade, são fáceis também de serem executados como uma forma de justiça que deriva de ideais primitivos de punição sem culpa que leva o grupo a fazer um acerto de contas coletivo justificado.

IV – MANIFESTAÇÕES PERVERSAS

A falta de ética que floresce nos relacionamentos humanos, está expressa nos vínculos patológicos formados pelo indivíduo no interior dos agrupamentos aos que pertence e em suas relações pessoais dentro desses agrupamentos. Como Pinóquio, por medo de nunca virmos a ser algo além de bonecos de madeira, nos associamos a pessoas e projetos que são eticamente desnutridos e sem compromisso com a verdade porque queremos nos fazer acreditar que é possível levar vantagem e não ter que pagar o preço das experiências. Agindo assim regredidos passamos por um envilecimento, por uma desnutrição moral, o que nos faz jogar o jogo de modo a vencê-lo a qualquer preço. Essas condutas, como o desprezo, o desdém, a zomba, a esperteza psicopática e a burla ligam-se apenas a um nível de lógica moral que podemos chamar de primitiva onde a questão do amor próprio e do amor ao outro não contam nada. Assim como as atitudes teimosas de Pinóquio, as manifestações perversas servem de exemplo para observarmos tanto a evolução da ética humana quanto os rebaixamentos éticos que envolvem as relações primitivas.

Devemos admitir, olhando de certa perspectiva, que Freud propôs – sem dizê-lo do modo como nós aqui tratamos do assunto – que o psiquismo que opera sob o regime dos processos primários (princípios de inércia e princípio de prazer-desprazer) é, necessariamente, um psiquismo sem ética, age por reflexo e não por intenção. A nosso ver, Freud disse que esse psiquismo apresenta uma capacidade primitiva para desviar do obstáculo imposto pela realidade contornando-a de modo a fazê-la desaparecer, e tende também a resolver os problemas usando métodos radicais e desmedidos. É um psiquismo que visa apenas obter alívio (Freud chama a isso de prazer), apenas obter uma descarga da tensão gerada pelas exigências advindas do contato com a realidade. Ou seja, seja o preço que for não importa, é necessário obter prazer a qualquer preço.

Isto é, uma vez que a um impulso, seja ele qual for, possa ser dada uma possibilidade de descarga, isto serve para ser considerado como sendo prazer. É certo que é mais um alívio que um prazer, mais uma expulsão de tensão que alguma coisa com a qual alguém se deleita e aprecia. Porém, uma vez que livra o sujeito dos acúmulos de tensão, não importa a qualidade da ação que se execute, basta que seja ação, basta que se execute algo, uma vez que esse executar já serve, já basta, para aliviar.

Essa organização psíquica apresenta-se assim simplificada e empobrecida por não ter encontrado um modo adequado de manifestar-se, quer seja na esfera da sua genitalidade quer seja na do convívio social onde a agressividade é o item mais fácil de conjurar e trazer a luz.

Apesar de muitas manifestações públicas das perversões serem ligadas aos desvios da sexualidade tais como o masoquismo, o sadismo, a coprofilia, a zoofilia, o voyeurismo e o fetichismo – isto é, patologias ligadas ao uso e abuso do corpo como objeto de erotismo – algumas de suas manifestações denotam apenas traçosperversos[6], que lidam com a experiência psíquica, e não são perceptíveis a olho nu. Diríamos até que a sexualidade é um só-menos nesta definição do problema. O centro tenso ao redor do qual tudo gira é a história de um ego imaturo, desesperado, violento e primitivo que, não tendo como sintonizar-se com o mundo humano, usa como defesa armas psíquicas brutais, mas eficazes, se aproveitando da agressividade inconsciente que está disponível em todo ambiente.

As defesas perversas ultrapassaram racionalmente os limites da racionalidade, da cultura e do próprio corpo. O que deveria ser psíquico se tornou ato e tomou um destino que objetiva um desvio de propósito.

Freud já havia enfatizado – um sem número de vezes! – sobre a desordem de um psiquismo que fosse, por alguma razão, precocemente erotizado e, portanto, por isso ficasse incapaz de elaborar e constituir a sua própria referência sexual. Parece que Freud percebia que o erro perverso era um erro na ética da sexualidade, mas que poderia ser derivado muito mais do ódio ao conhecimento e ao contato com a observação da realidade que propriamente com a rejeição do gênero: havia algo psicótico que perpassava a sexualidade.

Esse estado de coisas dificulta o indivíduo para conduzir com elegância a sua tomada de consciência sobre o mundo que o rodeia e constitui. Suas limitações éticas apoiadas por essa compulsão a agir de modo desviante e expulsivo, dificulta, por sua vez, a boa elaboração das próprias feridas narcísicas e dos fracassos reais, obrigando o sujeito a lançar mão de esquivas psicóticas. Esses estudos de Freud foram aprofundados por Melanie Klein que, com suas novas propostas teóricas, pode mostrar que o sujeito comum, abalado por uma doença como é a perversão, torna-se profundamente incapaz de experimentar relações humanas de afeto e intimidade, e revela baixa capacidade para o convívio social sincero e dificuldade para estabelecer a sua subjetividade, uma vez que está perdido no antagonismo entre livrar-se de si ou livrar-se das leis de convívio social que determinam um como se deve ser!

Essa oposição que indica o antagonismo entre dois comandos internos (um que aponta para o social, que por hora denominamos de social-ismo, e o outro que aponta para o eu, que hora denominamos de narcis-ismo[7]), cria com isso uma falha na e para a representação do ser para si mesmo, e impede que a diferenciação entre o próprio eu e o eu do outro se efetue. O que acaba por criar, simultaneamente, um ego vazio e arrogante que, em seguida, desenvolve estupidez e estreitamento mental, incapacitando-se para poder simbolizar a experiência vivida, o que interfere direto na formação de laços profundos e solidários no campo da fraternidade.

Os estudos feitos pela escola inglesa de psicanálise indicam que esse acontecimento de erro na hora e no modo de erotização de uma experiência de contato humano é derivado de deslizes ou acidentes no percurso de acolhimento dos bebês humanos pelos humanos mais velhos, em sua chegada neste mundo, mas indicam também que pode haver uma parcela desses bebês que já chegam trazendo graves limitações nas configurações que deveriam ser usadas para as operações de amizade e companheirismo[8]. O estranhamento, a reação de des-significação, a reação de inveja e mesmo o ódio e o estreitamento mental são algumas dessas manifestações.

Também não deixaram – os psicanalistas – de tratar dos graves problemas internos à própria mente e a sua estruturação, observando que os registros iniciais ou os problemas das inscrições iniciais da experiência emocional na mente do bebê colocam as relações humanas em uma trama muito delicada tanto para a mãe quanto para a sociedade no que tange a organização da sua relação com o indivíduo.

A rede social reage impulsivamente e com ódio – ou falsa bondade – a qualquer lesão na solidariedade e na fraternidade que nasce da evitação das angústias psicóticas e de auto-destruição do grupo, e abre nas relações humanas o campo para as manifestações da fusão emocional e da perda de identidade.

Hoje sabe-se – depois dos estudos de Wilfred Bion e de Piera Aulagner – que o problema das inscrições mentais, os ideogramas e os pictogramas ou as imagos[9](como um dia Melanie Klein e, depois, Jacques Lacan, por caminhos diferentes, nomearam os engramas[10] derivados dos primeiros relacionamentos), são um problema de dimensões não conjecturáveis para a compreensão da representação científica da mente, mas, do ponto de vista clínico, esses primeiros inscritos internos deixam danos incorrigíveis no tecido mental dos bebês e, mais tarde, na vida emocional de nossos clientes, alunos ou colegas; nesse ponto já aparecem como lesão moral ou de caráter, que constituem um potencial destrutivo enorme quando são atuadas sem consciência no âmbito da coletividade.

Hoje – temos certeza! – a travessia das fases de infância e adolescência pode ser considerada uma experiência emocional extrema e fundamental para a maturação do homem. É, também, a travessia mais dolorosa de nossas vidas. Deixa marcas metais dificílimas de serem elaboradas, deixa restos não digeríveis, menos ainda degradáveis sob a ação do tempo.

Se nos fosse permitida uma metáfora que pudesse nos falar direto ao sentido do conhecimento que é próprio ao psicanalista, diríamos que a infância e a adolescência é a longa caminhada na escuridão dos tempos, é a jornada que nos leva ao que poderemos ser. É nela que nos perdemos, porém é nela onde devemos vir a ser e aceitar tomar em nossas mãos a vida que, um dia, lá, nessas mãos, foi colocada.

É certo que nossa herança e nosso passado nos marcam, é certo que recebemos de nossos ancestrais pedaços da visão que eles tiveram quando viveram presos a um órgão de conhecimento que era somente deles. Todas essas marcas organizam a mente e a vida de um eu, e se Ferenczi estiver certo, são transmitidas pelo germoplasma durante o ato sexual.

Acontece, por vezes, que nosso órgão cognitivo falha ou apresenta-se defeituoso por lesão originária ou adquirida, e cria anomalias que se mantêm clandestinas no espaço social afetando a saúde mental do grupo de pertinência. No final das contas vamos descobrindo o que nossa visão (herdada e adquirida) acoberta e o que dessa bruma se pode retirar como noção e referência para uma vida saudável.

No final da humanização, então, restará apenas um faro psíquico como indicador mais preciso do caminho a ser seguido, e a diferença entre a realidade externa e interna será percebida e constantemente comparada criando-se assim um hábito no inter-jogo dos dois mundos. Para um bebê maduro será necessário reconhecer que nos tempos mais duros, sem a presença de nossas mães de nossos pais, estamos perdidos, mas também estaremos perdidos se não soubermos cuidar das nossas coisas e de nossa vida sozinhos.

Sabemos que essa discussão sobre o mundo perverso aponta também para a questão da inveja[11] sobre a qual não trataremos neste momento, mas que – não deixaremos de sublinhar – é certo, compõe muito bem com o desenho dos erros no desenvolvimento humano.

Igualmente, a questão da perversão também diz respeito a um acidente ligado à experiência em relação à verdade, isto é, a perversão se instala em um determinado ponto da mente do sujeito que faz com que a verdade se torne “experiência” insuportável ao espírito. O que a substitui é um fracasso da mente diante da experiência insuportável de não saber antes de experimentar. No caso de mau funcionamento do sistema, costuma-se observar que tornar-se perverso é uma tentativa de equilíbrio psíquico[12] que dá conta, pelo menos, de maquiar a gravidade do problema, adotando uma solução narcísica que envolve desprezo ao grupo e aos significados que neste grupo se presa, deixando o miolo da encrenca sem alocação adequada.

Atenção! Fazemos observar que quando a mente tem que chegar a destruir o sinal de semelhança e fraternidade humanas, e tudo ‘deve’ tornar-se estrangeiro e desconhecido, as coisas internas vão mal. Nesse estado de coisas aceitamos um jogo imoral e de altíssimo risco: estabelecemos como proposta de relacionamento humano um vínculo erótico e agressivo com a mãe, tanto quanto com o outro que está aí para nos cuidar.

Freud não cansou de falar do complexo de Édipo como um desafio, uma conquista, uma meta de dificílima superação para o salto humano em direção a humanização. E não cansou de dizer como esse complexo era inibidor e paralisante do desenvolvimento e de como essa paralisação poderia induzir a psique a erros graves em sua organização interna. Deu exemplos e recontou o mito! Outros psicanalistas, não menos, observaram, todos, que tal erro na estruturação da personalidade poderia levar a mente de um bebê comum a um estado de retorção, de deformação essencial do próprio eixo ético. Disseram e insistiram que se o homem perde esse norte humano de solidariedade espontânea, perde com isso, a noção de amor-próprio e do sentimento de comiseração, elemento tão necessário à construção do amor e da fraternidade que nos são próprias quando não estamos em desespero por medo do desamparo. O desespero seria o afeto central e prevaleceria – destrutivo – sobre toda a esperança. O desespero passaria a implicar numa ação insana e desnecessária – agressiva em sua essência moral – que é feita a qualquer preço!

Nessa retorção da lógica original – lógica que se define em comportamentos de destruição da importância da realidade ‘fazendo vista grossa’ e disfarçando o problema -, o sujeito cego para o outro, angustiado unicamente com sua própria condição precária, fará uma falsificação do paradigma doloroso, mudando a orientação primária da psique e deformando sua tendência natural promovendo um falso estado de controle sobre a turbulência interna gerada pelo estranho fenômeno de sentir prazer na dor. Sentir dor (ou causá-la) será uma forma de obter prazer. Isto é, quando alguém para não ter que pensar ou para não ter o trabalho pesado de elaborar psiquicamente as transformações afetivas exigidas pela mente humana para compreender as relações com a dor e com os objetos de prazer/dor, esse alguém opta pela perversão e será assim capaz de gerar um erro no sistema e inverter a orientação original da experiência de dor em prazer.

A experiência de dor, que naturalmente é sinal da percepção de experiências de desconforto e desprazer, é também a marca de que algo passou dos limites e que se encaminha para uma ruptura (desastrosa ou criativa, não importa). O drama do perverso será agora usar essa via destrutiva, privilegiando-a sobre outras, como forma de relacionar-se com o outro humano! Aqui se estrutura o par masoquismo-sadismo. Aqui se ensina como se extrai ódio do amor e como se ama odiando. A vida fica sendo constituída por absurdos, por contrários e não por paradoxos.

Esta estrutura, este uso indevido da função é uma proposta frequentemente aceita como solução contra o colapso psíquico, e como um modo de alguém manter-se vivo usando uma tática que consiste em promover uma redução ética no ego do sujeito. É dessa relação que nasce o homem mínimo – homem que aceitou uma diminuição ética – apenas para fugir da responsabilidade pelo outro, e infelizmente, é dessa relação com a dor que esse homem tenta obter algum prazer. Não é sem sentido lembrar que esse movimento pode indicar que agir assim venha a ser uma forma de não enlouquecer, de não se estraçalhar, de não ter um break down[13]. Tal inversão de vetores, de valores e de princípios pode vir a ser uma solução que, no desespero, seja aceita pelo psiquismo humano desamparado se ele está acompanhado por algum adulto insano.

Então, observem: se de alguma forma buscamos a cura, devemos ter em mente quais são as condições em que alguém deve trabalhar para ter esse desespero abrandado. Não podemos responder á loucura do outro com nossa insanidade enquanto estamos trabalhando.

Quando o pêndulo oscila rápido entre proteção e desamparo ou quando não há mais limite claro entre amor e ódio, fazendo deste momento o momento propício para a fusão narcísica, nos aproximamos da inexorável aflição causada pela percepção interna de que hipnotizados seguimos para a morte. É aqui que as coisas se complicam – o que se sabe é que uma forma de deter essa aflição é transformar a morte em um desejo, em uma procura e exercer controle erótico sobre ele usando de comportamentos que afetam o grupo de convívio e a coletividade. Nesse momento se chega a um estado mental onde fica impossível diferenciar quem é o “eu” de quem é o “não eu”, e o ódio faz do amor um ato violento e incontrolável se desferindo contra quem quer que apresente algum vínculo com a verdade e a realidade.

Encontrar em uma fusão entre psiquismos a certeza de estar vivo, transforma a experiência de viver em uma experiência de vício, fazendo de cada desencontro com a fraternidade e com o acolhimento um modo de se aproximar da morte e do prazer de não ser. Assim sendo, sofrer torna-se um grande alívio, mesmo porque, viver passa a ser entendido como uma forma de se livrar de aflições e não de se enriquecer com as descobertas.

Desse modo, viver no limite entre vida e morte pode tornar-se um modo perverso e excitante para obtenção do prazer, e isto, para o profissional que se dedica a cuidar de humanos, perturba sobremaneira a condução de tratamentos, ensino ou contato profissional. Fazer disso um jogo, onde se busca poder e domínio, onde o sentimento prevalente é a arrogância, e as reações beiram a estreiteza mental e a crueldade, essas são as tarefas da mente perversa. Nela, às experiências emocionais se soma um alto grau de agressividade e desmesura, construindo-se assim um sujeito cujo objetivo é ser na dor, ou seja, um sujeito que só compreende o que é viver desde que ele venha a quase morrer ou fazer sofrer a quem está no seu entorno.

Compreendemos que a erotização precoce e intensa das tendências destrutivas conduz a uma fusão narcísica entre o sujeito que recebe ajuda e o profissional que a oferece, o que ajuda na fabricação da confusão entre as experiências de alívio e prazer, pois a estas se sobrepõem as satisfações deformadas de poder e de controle absoluto sobre o objeto que é investido com nossa curiosidade. Em um rápido movimento aquilo que era, num determinado momento, algo da ordem da curiosidade é agora vitima de nossa intensa crueldade. Os prazeres se tornam orgásticos e o triunfo sobre a dor é o objetivo maior do sujeito que se aprimora no desvio de propósito, na usurpação da função e na inutilização dos atos de ajuda. A curiosidade está sob o comando da maldade, e o gozo não se liga mais à descoberta, pelo contrário, se liga a destruição do próprio desejo de investigação.

Para trabalhador que é exposto continuamente ao contato com a mente humana, a compreensão dessa retorção do eixo da lógica primária humana é de fundamental importância para a formulação de uma boa base de observação e compreensão. A mente perversa dirige-se à confusão, anseia pelo caos, busca a discórdia. Perversão é loucura branca, sem marcas visíveis que possam ser antevistas, mas que certamente serão sentidas por todos sem que saibam de onde partem. É correto dizer que a mente perversa trabalha para confundir, não para explicar, menos ainda para compor e esclarecer. Dominar a cena já não basta, é necessário também que se instaure certo clima caótico, confuso, psicótico e com emoções turbulentas. É necessário que o outro sinta culpas profundas e paralisantes, é necessário que alguém se sinta desestruturado, sem controle, desmontado, comandado a partir de seu interior em total desordem.

A mente que é incapaz de receber ajuda externa – ao dominar a cena e com ela a mente do sujeito que trabalha com humanos e que se entrega generosamente ao cuidar de um outro necessitado – usa essa brecha oferecida pela entrega dedicada na qual o “cuidador” se coloca quando se doa, e com isso estabelece o domínio sobre em que momento aquele que cuida deve sentir a dor e como ele deve, por assim dizer, sofrê-la.

Isso desloca a ação terapêutica do profissional de qualquer área – aquele que oferece serviços pessoais a humanos necessitados de cuidado -, gerando nele um resto de ódio imperceptível e que não se desgasta com o tempo, permanecendo sempre ali no interior daquele que cuida como se fosse uma ferida aberta por onde se pode inocular, mais uma vez, o veneno produzido por uma mente inconscientemente imprópria e que não é capaz de receber ajuda.

Ao menor sinal da existência de traços ligados a humanidade (por exemplo, a resposta automática de prestação de socorro e acolhimento), essa mente que evita se ligar ao mundo, constrói um sinal que é um contra-sinal e que indica estar havendo, quando do contato íntimo, uma abertura para um processo de ameaça de desmantelamento do self. O sinal de humanidade gera angústias insuportáveis que devem ser projetadas no outro humano para evitar que o desmoronamento interno tenha início. É esta sensação que deverá ser projetada sobre os que cuidam de humanos obrigando-os a sustentar conscientemente duas possibilidades: a) a possibilidade de uma fortíssima defesa inconsciente contra a cura que eles devem prover ou, b) uma posição ingênua diante da maldade do cliente no momento mesmo em que ele (o cliente) recebe ajuda.

Se o interlocutor ou o grupo dá suporte a proposta emocionalmente patológica, o cerco se fecha e o fracasso de quem cuida gera uma grande melancolia profissional, o que implica que se escolha o desconhecimento mútuo como um caminho para o relacionamento profissional.

O evento que se desenvolve daí é a ruptura dos tecidos simbólicos e uma consequente fratura no ego de quem trata daquele que necessita. Para evitar a tomada de consciência da grave situação da mente desesperada, o sujeito doente reforça a onipotência dos sentimentos de controle e isto o ajuda a sentir-se novamente com o domínio da situação e ‘psicoticamente’ vivo.

Note-se que, mesmo louco, o sujeito exerce enorme poder sobre o grupo e sobre os indivíduos que o compõe. A inversão de perspectiva que deforma a proposta originária do ego, e a consequente retorção do eixo ético garante ao homem que perdeu sua humanidade a posição de cinismo e arrogância que ele necessita para ser violento sem saber, uma vez que é dessa confusão causada inconscientemente no grupo de trabalho que o fracasso ético se beneficia.

É da associação entre a agressividade comum e a sexualidade “perversa polimorfa” que deriva a mente destrutiva, a mente degradada. Uma violência experimentada desde muito cedo como sendo excitante e eroticamente derivada de um relacionamento primordial facilita a inscrição na mente de um tipo de prazer que somente a violência contempla. Essa inscrição bizarra e deformada do que vem a ser uma relação humana, permite uma falsa sustentação racional e mantém no sujeito enfermo uma atitude que garante que relações de baixo nível ético se estabeleçam.

É necessário perceber que há uma busca de plenitude derivada da indiscriminação de cada psiquismo, isto aponta na direção de perceber que o desejo de unificação dos ‘eus’ para eliminar a elaboração das diferenças está ativo. Estas manifestações são peças importantes para que, nas agremiações, uma mente ceda território para que equilíbrios mentais inadequados – apesar de eficazes – se efetuem e subordinem a mente hígida a uma falsificação que finge ser organização. É bom que se pense que algum tipo de instinto destrutivo está escondido sob o manto de falsa sanidade ou da dor da doença, permitindo que a mente enferma se legalize como manifestação humana comum para que ninguém realize a maldade que se está fazendo ao outro humano de quem recebe cuidado e cura.

As exigências internas de satisfação são desproporcionais na mente imatura e, no desespero, aceita qualquer solução, mesmo que a solução proposta seja eticamente inadequada[14]. Os fins justificam os meios e a destrutividade floresce despercebida e sem controle. Regras próprias são criadas, condições especiais de conduta são estabelecidas e os limites não se relacionam às convenções sociais. Para tudo se faz vista-grossa e o disfarce das coisas que apresentam defeito transforma-se de falsidade em virtude desejada e rompe, assim, com a lógica original de uma fraternidade baseada no uso da verdade e da sensatez.

É necessário que o profissional que trabalha com grupos e com humanos em geral reconheça e perceba que, quando em grupo, essas energias emocionais destrutivas derivadas da insistência no infantil das respostas, liberadas pela massa mental em fusão, superam frequentemente a capacidade de defesa e elaboração das mentes individuais. A capacidade de pensar com autonomia fica danificada, e o que se observa é um transe no que a própria personalidade será dissolvida, naufragando no “arrastão” emocional que a massa autoriza e do qual um grupo pode se ver prisioneiro. Entra-se em um estado de suposições. Os fatos cedem lugar para uma visão moral da realidade, e num certo sentido, a experiência de Deus, fica reduzida a re-cobertura de uma ignorância em relação a nossa origem, e recobre o espaço reservado à busca da verdade.

É necessário a um trabalhador que se envolve com a profissão de cuidar de humanos que ele também possa compreender que as inseguranças pessoais são abandonadas na insanidade onipotente adquirida no e pelo contato com a mentalidade grupal. Ou seja: o grupo tende ao êxtase, à formação de vínculos por atração inconsciente (valências) e ao transe hipnótico, e isto trás força extra ao narcisismo! Quando estamos em grupo, é bom que se perceba quão perturbador e excitante é exercer o poder que deriva das convicções fanáticas, quando no associamos a um saber de quem já sabe, e quando a verdade deriva do dogma que se reforça a si mesmo e ao narcisismo. Essas certezas advindas dos saberes já sabidos, permite ao indivíduo a falsa impressão de não ser apenas mais um: inflamado pelo grupo agora ele poderá se tornar o todo e daí o único. No transe do coletivo e na submissão à autoridade do líder (mentalmente mais forte e primitivo), o sujeito fica irresponsável pro seus atos. Isso faz com que nosso juízo, nosso bem mais valioso, seja abandonado em nome de seguir a corrente emocional hipnótica.

No interior das empresas, das escolas, dos hospitais e dos lares formados pelas famílias humanas, laços inconscientes se organizam quotidianamente. Inconscientemente, pessoas se atraem e se unem (ou se repelem) por forças psíquicas não facilmente explicáveis ou compreensíveis. Como se fôssemos puxados um para o outro, nos vemos envolvidos na indiferença, no ódio ou no amor pelo outro. Para quem trabalha com o contato pessoal é fundamental que observe como ocorre esse tipo de vínculo, essa união inconsciente, e observe como certos impulsos se potencializam com a simples presença do grupo, e vêm à tona insidiosamente e com mais violência. O que os articula são vínculos emocionais cuja potencialidade é derivada da organização mental que tende à realização de desejos, a realização de descargas. Esses impulsos primitivos devem possivelmente chagar até a musculatura e manifestarem-se como ação. Isto, no entanto, não melhora o fato de que são impulsos muito desorganizados associados a um estado de desespero que, se associados a um perfil psicológico deteriorado e frágil, facilitam o desenvolvimento de um sentimento de insanidade imperceptível que, infelizmente, muitas vezes alimenta, une e anima o grupo para um ato delinquencial.

Almejamos que, para aqueles que estudam os fenômenos subjetivos e o seu funcionamento nos agrupamentos humanos, vejam no ensinamento que queremos transferir nestes seminários, um ensinamento que deriva de um longo estudo e prática da psicanálise, e que reafirma nossa convicção de que é a agressividade aquilo que deve ser trazido à consciência para ser neutralizada pela responsabilidade. Somente assim talvez possamos caminhar nesse braseiro sem queimar os pés, ou melhor, sem queimá-los tanto!

V – ATOS IMPENSADOS, PENSAMENTOS E ASSUMPÇÃO DE RESPONSABILIDADE

Para ser construída uma boa postura profissional deve-se entender que todo pensamento é, antes, emoção desmedida. Todo profissional deve estar gabaritado para reconhecê-lo e discriminá-lo de uma resposta impulsiva onde só houve reação e não propriamente pensamento. Deve compreender que para ser pensamento o impulso deve primeiro encontrar um adulto maduro que possa mediatizá-lo, introduzindo o tempo como mais uma condição a ser respeitada, transformando a resposta agressiva e imediata (que é primordial diante de estímulos externos), em resposta que opera em sintonia com as capacidades que temos para absorver a nossa própria destrutividade sem descarregá-la no ambiente. Neste caso o adulto se vale da cultura que deixa disponíveis vias livres de conflito para uso coletivo.

A boa observação dos processos que tendem a produzir ações impensadas ao invés de pensamentos é necessária, pois é reconhecendo a manifestação psicopatológica de um indivíduo em seu habitat que se pode compreender o quanto o não pensar pode ser uma esquiva a essa posição de espera e de luto que envolve o lidar com a ignorância diante dos fatos propostos pelo dia que se desenrola. Deve compreender também, que esse tipo de reação sem pensamento indica haver uma disposição no comportamento humano para não assumir responsabilidade pessoal por nenhum ato cometido, acompanhada por uma forte disposição para agir antes de pensar. Somente adultos responsáveis e maduros podem oferecer algo útil que difere da resposta por reação, e com isso contribuem para o bom andamento do grupo evitando suscitar inconscientemente conteúdos perigosos para esse convívio.

Para sermos saudáveis travamos uma luta encarniçada contra o desconforto gerado pelas dores de nossos infindáveis lutos, de nossos infinitos fracassos e infinitas frustrações. Por outro lado necessitamos de uma esperança e de uma coragem para fazermos uma parceria com o amor do outro e pelo outro e, afirmarmos que sem esse amor conservado em nós não se pode recuperar nem a vida menos ainda a saúde. Observamos, no entanto que esse amor não é um gesto de tolerância, mas de virilidade, de firmeza e força, o que implica na compreensão da sentença: amor e liberdade são o máximo de responsabilidade, e o amor viril é um estado, portanto, onde não se pode permitir nenhuma justificativa, nenhuma explicação. Jamais poderíamos aceitar que nossa história passada viesse a servir de abrandamento na avaliação de nossos atos violentos. Nada explica a brutalidade humana, portanto nada pode autorizá-la, nem nosso passado, nem algo que seja promessa do futuro; nem a catástrofe nem o ato terrorista.

Devemos evitar ao máximo confundir o gesto que busca a compreensão mais profunda e adequada da necessidade do outro que de nós necessita, com comportamentos de tolerância cega para atos insanos e inadequados daquele que pede ajuda. Tolerância não é compreensão. Tolerar comportamentos pode infelizmente justificar intelectualmente a violência moral contra o outro humano, mas não melhora em nada os efeitos lesivos desses comportamentos sobre o mundo. É bom notar que, uma vez justificada a ação agressiva, também outros atos violentos praticados poderão sê-lo em nome de uma “jurisprudência” concedida pela atitude de acolher com perdão aquilo que é da ordem do imperdoável.

É comum encontrar nas entidades que oferecem serviços a humanos, essa atitude psicológica de acolhimento, e é comum encontrar a equipe geralmente perplexa diante da ingratidão que sente receber daqueles a que atende. Isto gera um distúrbio na percepção que o demandante tem de si mesmo, que por sua vez fica encoberta pela falsa atitude de acolhimento do profissional, gerando um falso perdão por atos não digeríveis, que muitas vezes aparecerão como desleixo no atendimento. A vingança inconsciente é uma prática notável nos relacionamentos que envolvem aprendizado e cura.

Esse agir, equivocadamente ‘bondoso’ e terapêutico, não é correto, mas está disponível no repertório de respostas humanas, como defesa eficaz contra a tomada de consciência e de responsabilidade.

Por outro lado, devemos evitar confundir nossos gestos de aceitação consciente da doença mental humana com uma atitude de indiferença ou de equivocada neutralidade. Tudo o que vem do outro nos afeta, e estamos decididos a não tolerar qualquer ato de autodestruição, de destruição do ambiente ou de alguém nele, em nossa luta contra a negação da agressividade que se faz de modo comum em nossa sociedade. Sempre iremos, nesses momentos onde se pressente o convite á degradação ética, convocar todas as nossas forças profissionais e vitais (que estão ali presentes no ato do encontro de ajuda) e trazer o sujeito doente ou necessitado ao seu máximo de responsabilidade, exigindo dele que nos ajude a ajudá-lo, tomando consciência da cisão de sua personalidade e da contenda que estabeleceu contra a realidade.

Temos a convicção profunda de que forças contra-evolutivas estão sempre presentes e ativas em toda personalidade que adoece e em toda a sociedade que se organiza ao redor do narcisismo, do medo e das idealizações de perfeição. O negativo e a negação, o trabalho de retirada do significado do outro e de si mesmo toma forma e se expressa na atitude do cidadão que se organiza ao redor do “dane-se!” e do “salve-se quem puder!”. Essa organização por si só facilita o crescimento de um egoísmo doentio, e é essa compreensão do adoecimento que sugerimos não ser usada como bom motivo para se dar um perdão ao outro que adoece. Por mais que a doença ressuscite o nosso narcisismo, o nosso infantil e a nossa maldade perversa que diz: “primeiro eu”, sabemos que não há o que se possa fazer por nossa saúde a não ser adotar uma postura adulta e responsável que proíbe confundir o ato de compreender com o de perdoar.

Assim, temos como certeza que não há nada que possa vir a justificar um ato insano mesmo que saibamos das dimensões da lesão na personalidade dos indivíduos que praticam atos violentos. Temos ciência, pelo trabalho que desenvolvemos na área da psicanálise, que muito do que estamos trazendo à consciência nesta discussão pública pode ser em vão uma vez que sabemos por nossos próprios estudos que tanto as fantasias sexuais quanto as agressivas são inconscientes e que jamais poderão ser percebidas completamente em nossa mente sem esses inúmeros véus que recobrem a realidade.

A nosso ver, no entanto, a bondade gratuita derivada do efeito falsificador desses véus é no mínimo hipócrita ou, pior ainda, denota como é insano acolher com complacência bondosa à doença alheia. Podemos dar abrigo e usar nossos remédios, mas jamais podemos usar esse encontro para conceder um alívio às obrigações éticas pelas quais todos nós devemos nos responsabilizar, inclusive aquele que recebe algum tipo de ajuda. O trabalhador ingênuo, aquele que acredita em sua própria bondade, dificulta a situação de trabalho com sua clientela ao negar com uma bondade produzida tecnicamente a quantidade de desejos auto e hétero-agressivos estão em jogo quando alguém pede ajuda.

Não se pode aceitar que tudo seja simplificado pela idéia religiosa de que há uma penitência a ser cumprida por aquele que sofre ou pro aquele que oferece ajuda, mesmo porque todo sofredor faz sofrer a todos em seu sofrer, e isso não é bom se permanecer fora do âmbito da consciência do profissional que presta serviço. É necessário que essa dor sentida em demasia e organizada como doença mental ou física, seja apenas indicativa da enorme fragilidade humana negada e não pode servir para eximir o doente da responsabilidade que lhe cabe enquanto elemento pertinente ao grupo com o qual convive e do qual depende, quando o respeita, com prazer e tranquilidade não usando seu estado necessitado como modo de fazer corpo mole diante de suas responsabilidades.

Queremos observar que julgamos o nosso trabalho e tomamos esta atividade que lhes propomos como o mais verdadeiro sentido de nosso ofício: produzir uma mudança pela simples tomada de consciência. Dar, por um instante, a luz suficiente para que algo invisível seja visto apenas por um átimo e, logo, volte ao seu estado obscuro e de clandestinidade. Este “flash” pra dentro do mundo psíquico deve por si só oferecer um rearranjo nas organizações mentais enrijecidas. Luz para dentro, este é nosso ofício, ofício que sublinha o impulso terapêutico de iluminar coisas que de alguma forma não podem permanecer visíveis e de correr riscos calculados e lidar com esses riscos tecnicamente, com treino e disciplina. Neste trabalho se sabe dos perigos e do grande equívoco do homem comum ao supor que o relacionamento emocional humano é de baixo risco. Não se pode esquecer que a violência precede o encontro amoroso. Não se pode esquecer também que esse ato amoroso, necessita de instrumentos culturais próprios e um senso próprio de continuidade de existência para dar conta de criar um esteio simbólico adequado num campo de tranqüilidade.

Seja com doentes físicos ou mentais, seja com doentes crônicos necessitados de atendimento especial, seja no manejo de pessoas em regime de internação ou em ambulatório de saúde ou no campo da assistência social, no campo da educação, nas diversas áreas jurídicas, ou mesmo em lideranças de áreas comerciais, essas noções que desenvolvemos devem prevalecer, e deveriam ser estudadas com maior aprofundamento. Sublinhamos que este é, de longe, o trabalho mais difícil uma vez que lida com a capacidade de quem conosco se treina de reconhecer a própria maldade profissional mesmo que tenha sido contratado para fazer o bem. É um trabalho que lida também com a tomada de consciência de nossas falsificações e nossas dificuldades para tolerar erros impondo-nos deformações às noções primárias de amor, tanto quanto às de fraternidade como às de ética e moral.

Observem que sublinhamos que o desejo que mantém a mescla sexual-agressiva ativa nos torna seres brutais e desmedidos. Infelizmente, inadequados para lidar com o ódio que carregamos dentro de nós por nossos semelhantes, somos levados à construção de uma sociedade que troca violência por violência. Este ódio provém das camadas primitivas e do medo do desamparo, no entanto, para nos defendermos dele produzimos lógicas e comportamentos impróprios para o trabalho de troca.

É da negação insensata de sentimentos brutos e deformados que de alguma forma se justifica aos loucos – que um dia se tornaram criminosos – seus atos impensáveis! É desse iluminismo de ódio nascido da racionalidade que explica e dá abrigo e razoabilidade a atos brutais que se deriva a cínica atitude daquele que explica ou que justifica tomar ao outro humano como um opositor destrutivo, a fim de manter com ele um modo doente de viver a busca de conforto e de prazer. Por essa via vamo-nos transformando em sadomasoquistas compulsórios uma vez que a resposta agressiva é facilmente extraída do ambiente onde se encontram homens concentrados em fazer alguma coisa.

Esse mesmo desejo (sexo-agressivo) deformou a imagem que poderíamos ter do nosso impulso amoroso para o outro e que ainda se conserva em nós como referência de amparo, e com isso permitiu que morressem nesse pranto coletivo, que é a doença emocional, todas as nossas esperanças de nos tornarmos acolhedores para com os nossos semelhantes. Essas deformações no amor se expressam formalmente na psicopatologia da paranóia, da anorexia, da drogadição, do pânico, dos transtornos compulsivos, do egoísmo doentio, ou da arrogância e do poder.

O encontro cego, sem semblante, encontro feito dorso a dorso com o outro da espécie se torna um encontro sem rosto, onde se estabelece como regra fundamental que nada se vê e que de nada se pode falar, regra que faz vir à tona a negação de tudo que somos, nega também nossa enorme dependência uns dos outros. Essa negação radical alterou definitivamente a fraternidade e a capacidade para curarmos humanos com a própria humanidade. Talvez, e por isso mesmo, vamos tornando-nos mais e mais loucos, defensivamente insanos e desequilibradamente equilibrados, revelando-nos cada vez menos e menos criativos.

Se seguirmos dando lugar à transfusão cega – “telepático-hipnótica” – das emoções, e se de nossos impulsos seguirem sendo feitos atos que apenas servem para a descarga das tensões do músculo, teremos em cena e em primeiro plano, um tipo de ação totalmente contemplada em sua sina mediocrizante e transformada, como é hoje, na realidade que a paisagem das favelas revela, e que o tráfico de drogas, os aparelhos terroristas e as armas químicas reafirmam de modo global. O medo, o desespero e o desamparo transformar-se-ão em bombas, em pistolas, em fuzis, em estiletes e drogas vendidas aos ricos nos semáforos das avenidas mais luxuosas e movimentadas. O contato com a exclusão e com os estados esquizofrênicos é, certamente, o limite de todas as nossas trocas. Limite irrecuperável uma vez que expõe que se a escolha for feita como um gesto de exclusão, é essa mesma escolha uma das condições que nos leva, mesmo que inconscientemente, ao exílio na terra do terror, ao sentimento inaceitável do desamparo sem acolhida, da dor sem amparo.

Tanto a doença física como a loucura, realiza essa maldição contida em nossas mentes de que não seremos escolhidos por aquilo que somos nós mesmos se não nos dispusermos a nos defender dos outros. Essa ânsia narcísica, que logo se torna paranóia, decreta a maldição dos nossos afetos mais delicados e profundos em relação a tudo que é físico e real, condena nossa tendência ao amor e condena nosso impulso à miscigenação. Destrói a curiosidade e nos conduz à fusão com a mente inferior do nosso semelhante, associando-nos a um idealismo que fala sobre um tipo de cura e de ajuda humana que vem a ser mais um convite à nossa morte que sinal do respeito a alguém que desejamos recuperar.

VI – PROPOSTA DE ATUAÇÃO

Retomando os complexos estados mentais aos que o relacionamento profissional pode nos levar sugerimos práticas protetoras àqueles que trabalham com humanos:

a) guardar distância técnica consciente de quem recebe nosso cuidado. Esta distância deve ser atentamente desenvolvida pelo profissional tornando-o mais técnico sem ser frio, mais continente sem ser sedutor, mais acolhedor sem ser tolerante, mais seco sem perder a ternura, mais certeiro sem ferir o paciente, mais carinhoso sem ser percebido como inadequadamente bondoso, mais neutro sem perder a elegância e a firmeza, que deve ser exata sem ser arrogante.

b) manter-se capaz de ser tocado e capaz de estar comprometido com a presença do cliente e com as histórias do mesmo sem perder-se nem confundir-se com elas.

c) desenvolver uma capacidade mental onde se possa pensar a existência de um impulso para a destruição e com isso poder reconhecer e ponderar sobre a existência da violência humana que se encontra disponível e gratuita em todo gesto por menor que ele seja.

d) desenvolver uma atitude profissional que denominamos de “disposição para sonhar” como forma de lidar com aqueles sentimentos em estado bruto que o cliente projetou em nós. A “disposição para sonhar” é também a capacidade para sermos tocados pelo outro. É também a capacidade para aceitar por um momento a invasão do estado mental que o outro está projetando e poder fazer alguma transformação do mesmo em algo mais simbólico.

e) deve-se desenvolver uma espécie de digestor de material emocional bruto (os impulsos sem palavra) que possa ajudar ao profissional construir um modo adequado para a digestão de pensamentos no lugar das ações, que se deriva da ampliação consciente da atividade de sonhar enquanto usamos nossos recursos pessoais que agora estão sendo aplicados tecnicamente, como aqui as propomos. É bom que se perceba que essas habilidades estão situadas em um fundo inconsciente, acessível somente quando se entra em um estado livremente associativo, e que não tenham ficado inacessíveis devido a bloqueios da criatividade ou da ação específica em direção ao outro ou do pensamento. Esses bloqueios ocorrem pela existência concomitante em nossa mente de fato e memória (estes últimos são carregados de nossos investimentos emocionais infantis inadequados).

f) para desenvolver essa “disposição para sonhar” é necessário que o sujeito tenha desenvolvida a capacidade para ser afetado emocionalmente por aquele que nos fala e por sua presença.

Bem, o objetivo dessas práticas é evitar a intoxicação do profissional. É uma espécie de uso inteligente dos efeitos contratransferências! Essa capacidade para sonhar serve para digerir os elementos brutos que estão na mente individual ou grupal, sem traduzi-los diretamente em ações sem pensamento, transformando-os em material passível de ser usado como instrumento de investigação, conhecimento ou pensamento provisório para ajudar a manter a calma do observador enquanto não compreendemos o que está acontecendo. Esse modos de observação, podem ser também utilizadas para compreender o ambiente, as manifestações do entorno, apurando o instrumento intuitivo e senso-perceptivo e aprimorando os sistemas judicativos internos.

A capacidade para sonhar afina a mira do arqueiro. A seta não atinge somente o alvo, mas o coração do problema! Esse processo pode e deve, quando bem-sucedido, resultar na construção psíquica de um medicamento emocional que seja capaz de reorganizar o grupo que se encontra conosco trabalhando e nos proteger da intoxicação à que estaríamos expostos caso não soubéssemos tratar desse material contagioso sem reagir a ele.

É, além disso, nosso interesse desenvolver habilidades para absorver reações não intencionais nos participantes do grupo que conosco estudam o funcionamento maldoso da mente primitiva durante o treinamento. Devemos observar também que esse para absorver reações emocionais impulsivas envolve a compreensão dos limites derivados dos aspectos pessoais, a compreensão da própria neurose, da própria insanidade, da própria irracionalidade, destacando, se possível, a contribuição benéfica que oferece a utilização das técnicas psicanalíticas em situação de tensão. Fazemos votos que esse desenvolvimento técnico lhes possibilite um aumento significativo capacidade para a autoproteção.

Esperamos ao fim e ao cabo de nossos trabalhos que o treinamento lhes permita sentirem-se como profissionais capazes de cuidar de si e do outro em uma situação típica de ajuda. Vocês serão profissionais treinados e deverão estar preparados para serem “cuidadores profissionais”, isto é, pessoas capazes de transformar a sua própria brutalidade interna em impulso criativo. Pessoas capazes de transformar suas sensações aflitivas de horror interior – resultado do mau relacionamento dos objetos internos – em elementos úteis para a melhoria das condições de trabalho, em elementos capazes de produzir um pensamento, uma teoria, uma direção. Pensamentos suficientemente firmes que possam oferecer alguma experiência de segurança ao homem comum e, através dessas transformações, tentar oferecer uma experiência mais integrada tanto a si mesmo quanto àqueles que oferecem o cuidado que está sendo em cooperação construído.

A intenção deste trabalho de treinamento é disparar, naqueles que estão presentes, o desejo de desenvolver em si mesmos uma habilidade para prestar uma espécie de atenção, que Freud nomeou de “atenção flutuante”, e que nada mais é que uma atenção muito treinada que deve ficar distraída, passar despercebida, uma atenção dispersa sobre todo o material que está presente no ambiente. É uma atenção que busca conectar coisas obvias, mas inconscientes; conectar coisas dispersas cuja implicação mal se vê, dando-lhes um sentido, uma direção, constituindo-lhes como um desejo inconsciente a ser observado.

Essa atenção “treinada” é de grande auxílio na obtenção de indícios seguros sobre o estado emocional do grupo ou do indivíduo, e também ajuda na compreensão de quais os rumos defensivos que o grupo – ou o indivíduo – está prestes a tomar. Também cremos que, se bem desenvolvida, essa “disposição pra sonhar” o que se vai ouvindo nesse estado de distração técnica pode vir a oferecer um tipo de quadro geral onde, mesmo os gestos mais simples, possam já ser compreendidos como elementos que jogam os jogos inconscientes, e que esclarecem relações humanas de um tipo muito específico, que não são observáveis a olho nu, refletindo, se bem observadas, o movimento emocional de fundo que está em questão naquele determinado momento.

Para se alcançar esses ensinamentos é necessário compreender teoricamente que:

a) os grupos são ambientes humanos necessários, mas de valor conflitivo; nele operam forças poderosíssimas que se mantêm em estado antagônico; amor e ódio, rancor e desmesura são formas expressivas humanizadas desse antagonismo.

b) qual é o lugar que se deve ocupar quando alguém cuida de alguém que necessita de ajuda? Qual é o verdadeiro papel que se deve ter quando se estiver a desempenhar o de coordenador de um grupo (ou em uma relação com o indivíduo), e qual é o conflito básico apresentado por esse indivíduo com quem alguém se propõe a estabelecer uma relação de cuidado. Ou seja, todo coordenador de grupo ou pessoa que trabalhe em instituição, deve saber e perguntar-se todos os dias: Qual é a verdadeira demanda que uma emoção vivida gera em mim quando cuido de alguém que necessita de mim? Qual é o verdadeiro pedido que está sendo feito quando a reação emocional suscitada no profissional que está prestando serviço a alguém é maior do que aquela que seria adequada ao atendimento dessa pessoa? O que contém essa emoção que por vezes irrompe na mente do prestador de serviço e que gera um estado emocional de tal ordem, destruindo a possibilidade de que a ação de ajuda seja cumprida, e que se organiza como ação impensada? O que a emoção vivida nos está demandado, em que nível, no da ação? No do pensamento? No da descarga da emoção bruta? Emoção que exige um gesto que jamais poderia ser cometido sem que antes pudesse ter sido refletido? Qual a reação emocional, quais os elementos mentais e quais as ações necessárias e adequadas para elaborar essa perturbação que é feita pela invasão emocional do outro em nós? O que devemos observar é a ação que tende a ser disparada pelo ódio e qual seria o pensamento que poderia organizá-la antes que ela se tornasse uma ação agressiva? Em uma palavra, qual é a loucura, qual é a desordem mental que está circulando no grupo (ou no indivíduo ou em mim) e qual poderia vir a ser a forma de apaziguamento desse estado de humor, dando-lhe uma forma de ajuda ao outro.

c) Sugerimos o entristecimento como uma forma interessante de usar o psiquismo para elaborar os processos de dor. Achamos que o elemento triste é mais adequado para podermos compreender as dores humanas, e a tristeza do luto auxilia tanto na formulação do problema quanto na sua compreensão. Nossa sugestão é que todo profissional treine – incrementando suas condições internas – o convivo com afetos que envolvem maior amargura; isto, ajuda a manter contato com nossas limitações, ajuda a diminuir a onipotência e facilita a superação da dor com a qual o profissional trabalha, e da qual ele necessita, para oferecer ajuda a quem demanda; é por essa via triste que se busca transformar o objeto perdido em objeto ausente, cabendo ao profissional elaborar a dor e não a agir – ou seja, usar de sua técnica e ação terapêutica e não um agir impulsivo, inconsciente, dominado por emoções primitivas (acting out). Talvez esse luto deva ser compreendido como um caminho de busca de luz, uma possibilidade verdadeira de alguém pensar antes de agir; luto que deve ser um gesto capaz de produzir uma cura (uma ação terapêutica) sem aumentar o medo cotidiano; um luto que desemboque num gesto criativo que se envolve com a palavra maldita para torná-la palavra abençoada e que trás mais uma vez em si a fraternidade solidária para aquele que sofre, mesmo que esta solidariedade seja dura, seca e de compaixão, aparentemente, escassa. Trabalhamos no campo da responsabilidade e não do entendimento, mas sim da compreensão.

d) para tanto, deve-se compreender quais são as questões ligadas ao poder da hipnose nas relações, e também quais as questões ligadas ao mal uso dessa “comunicação invasiva”, que se deriva do convívio humano próximo, e é multiplicada quando em grupo; deve-se compreender como essa comunicação hipnóide fica potencializada e mal usada quando o grupo utiliza padrões éticos degradados para manter vínculos; deve-se compreender, além disso, quais são os detalhes relevantes na comunicação humana que esses vínculos revelam, capazes de nos mostrar que estamos diante de um fenômeno de comunicação inconsciente, que se serve de ações psíquicas primitivas para paralisar (hipnose inconsciente) e transfundir (telepatia inconsciente) emoções violentas de paixão para o interior do outro disponível; deve-se observar que são emoções que operam, ininterruptas, como se fossem um ruído crônico, como se fossem uma espécie de opinião oculta, latente ao que se percebe conscientemente como a verdadeira opinião que o indivíduo ou o grupo se autoriza a dizer. É algo que subjaz ao encontro humano comum, é algo que faz parte de um jogo de espelhos e de insanidade – é aqui aonde graça a burrice, a estupidez e a violência, uma vez existir uma comunicação inconsciente que está sempre em curso em todo encontro humano e nela circulam quantidades enormes de medo, horror, brutalidade e desamparo; do ponto de vista de uma psicopatologia da comunicação humana é uma comunicação (de tipo inconsciente) que se mantém falsamente como se fosse ‘não presente’ enquanto o encontro formal acontece.

e) deve-se compreender quais são as atitudes e os modos terapêuticos úteis e disponíveis no repertório de respostas do “cuidador” para que ele possa tomar uma decisão que seja propícia à elaboração mais triste dos conteúdos que o grupo manifesta. Deverá também aprender sobre as questões ligadas à transferência e à contratransferência – conceitos psicanalíticos fundamentais para a compreensão, continência e possível transformação de um material doentio em uma conversa inteligível, digna e capaz de ajudar alguém a curar-se – transformar um mau negócio em um bom negócio.

BIBLIOGRAFIA RECOMENDADA:

BION, W, R.,  Experiencias en grupos. Buenos Aires, Paidos, 1963.

BOLLAS, C.,  Comunicação Inconsciente – in: Cracking up. The work of the unconscious experience (1995; publicado pela Hill and Wang, NY.

COLOGNESE JR, A.,  A trama do equilíbrio psíquico: a questão econômica e as relações objetai”. São Paulo, Ed Rosari, 2003 – Babel da Psicanálise.

JOSEPH, B.,  “Sobre passividade e agressividade: sua inter-relação” in: Equilíbrio psíquico e mudança psíquica. Rio de Janeiro, Imago, 1992.

_________ (1982) “O vício pela quase morte” in: Equilíbrio psíquico e mudança psíquica. Rio de Janeiro, Imago, 1992.

KERNBERG, O.,  Ideologia, conflito e liderança em grupos e organizações. Porto Alegre Artes Médicas, 1998.

PY, L. A. (Organizador),  Grupo sobre grupo. Rio de Janeiro, Rocco, 1987.

RAMOS, M.,  Introdução à terapia familiar. São Paulo, Ática, 1990.

_______________ (Organizadora). Terapia de casal e família, o lugar do terapeuta. São Paulo, Brasiliense, 1992.

TOMAZELLI, E.,  Psicanálise, uma leitura trágica do conhecimento. São Paulo, Ed Rosari, 2003 – Babel da Psicanálise.

WINNICOTT, D. W.,  A família e o desenvolvimento do indivíduo. Belo Horizonte, Interlivros, 1980.

 

[1] Faz parte deste trabalho Dr. Emir Tomazelli; Profª Cecília Noemi Camargo; Profº Lineu Matos Silveira; Profª Margarida Cravo Arduino e a Profª Vera Lúcia Lamas. A maioria deles são parte integrante da construção do Núcleo de Estudo sobre agressividade Humana (NEAH) e no desenvolvimento dos trabalhos realizados.

[2] Psicólogo e psicanalista, professor e supervisor do Departamento Formação em Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae.

[3] Podemos usar como exemplo vivo de um estado mental destrutivo, o estado emocional que os condôminos expressam nas reuniões de condomínio, nas formas contemporâneas de moradia ou aquele em que pais de crianças pequenas se encontram nas reuniões com os orientadores pedagógicos.

[4] Aqui considerados, I) a telepatia como a transmissão do páthos* por transfusão de imagens emocionais.e II) o hipnotismo** como essa vulnerabilidade, essa susceptibilidade em relação ao comando mental narcótico de um outro que não o próprio eu, esse efeito soporífero do contato com o outro que nos leva a um sono desperto.*[gr. páthos,eos ou ous 'sofrimento, sensação etc.'; na Idade Média, a acp. 1 teve um teor pejorativo, de afetação, exagero, perdido já no sXVIII; a f. patos decorre de adp. ao port.; ver pat(o)- ]**gr. hupnótikós,ê,ón ‘sonolento’, pelo lat. hipnotìcus,a,um ‘soporífico’; ver 1hipn(o)-; f.hist. 1726hypnótico; a datação é para o adj. ‘que produz sono’

[5] Há estatísticas completas sobre a brutalidade dedicada a recém-nascidos nas revistas especializadas na documentação da agressividade humana.

[6] Não comentamos nada sobre a homossexualidade e nem sobre os assassinos. Na verdade é um pouco de vergonhoso, hoje em dia, falar publicamente que a homossexualidade é uma perversão; além de acharmos isto um equívoco, cremos não ser desse problema que se trate, uma vez que há um grande número de homossexuais que não se enquadra sequer na categoria de neurótico. São sadios e mantêm relações estáveis sem alardear ideologicamente sua “escolha” sexual. Não têm orgulho de nada, apenas tentam dar o melhor de si naquilo que sentem ser a sua verdade Não passam de pessoas comuns, com problemas comuns de uma vida conjugal seja ela hétero ou homo orientada. Sobre os assassinos, por serem inqualificáveis suas ações (o que, infelizmente, indica que o homem pode chegar até esses estados de desagregação mental), acreditamos que eles se encontrem em outra categoria que não pode ser incluída no assunto de que estamos tratando. Nestes casos os problemas apontam para falhas profundas na construção afetiva do significado humano do outro. Nosso interesse está ligado mais ao estudo dos desvios de propósito e não aos desvios de caráter.

[7] Bion

[8] Bad-feeders

[9]Bairrão, José F. Miguel H. O impossível sujeito: implicações da irredutibilidade do inconsciente, v. I, São Paulo: edições Rosari, 2003. (Babel da Psicanálise)

[10]  substantivo masculino 1       traço ou marca duradoura1.1   Rubrica: fisiologia.essa marca, definitiva e permanente, impressa em um tecido nervoso por estímulo muito forte1.2     Rubrica: psicologia.esse traço definitivamente impresso na psique por uma experiência física

[11] Inveja e gratidão, M. Klein

[12] A Trama do Equilíbrio Psíquico, A. Colognese Jr, São Paulo: edições Rosari, 2003. (Babel da Psicanálise).

[13] Winnicott, Donald 196?

[14] Aqui Machiavel seria uma boa introdução para lidarmos com a maldade feita conscientemente.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Psicologia Hospitalar na Nefrologia. Aspectos Emocionais de Pacientes e Familiares Fernando Trombetti de Moraes

A Insuficiência renal crônica em estado terminal representa para o indivíduo e sua família a necessidade de se adaptarem a uma nova realidade, cheia de desafios e incertezas; levando as pessoas, muitas vezes, a viverem situações de pleno desgaste e falta de perspectivas. Tal contexto revela enorme desafio para uma equipe de saúde que tem como objetivo cuidar de forma plena do sujeito. Para tanto é necessário de muita cooperação e de coerência para se tentar atingir todas as necessidades apresentadas pelos pacientes que frequentam os serviços de saúde (hemodiálise).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

VIVÊNCIAS DE ADOLESCENTES COM CÂNCER: PROPOSTAS DE PESQUISA E TERAPÊUTICA[1]

Giselle de Fátima Silva – Sociedade Brasileira de Psico-Oncologia/DF

O Câncer é uma doença que aflige milhares de pessoas em todo mundo. As repercussões psicossociais desta patologia são estudadas pela psicologia hospitalar, da saúde e pela psico-oncologia. Contudo, comparando-se as pesquisas referentes à infância, adultos e idosos, observa-se uma escassez nas produções bibliográficas referentes aos adolescentes portadores de câncer. OBJETIVOS – Nesse trabalho estudamos e caracterizamos a configuração subjetiva do câncer em pacientes adolescentes, além de analisarmos algumas contradições sociais e institucionais que estes jovens estão submetidos e desenvolvemos propostas psicossociais para a qualidade de vida dos mesmos, bem como a inclusão social deles em diferentes cenários sociais e institucionais em que vivem. Para fins de apresentação nesse congresso, enfatizaremos a forma diferenciada de pesquisa e terapia que possibilitaram alcançar os objetivos anteriores. METODOLOGIA – A metodologia adotada em nossa pesquisa foi a qualitativa, como proposto na Epistemologia Qualitativa de González Rey. Os instrumentos de pesquisa foram a conversação livre e o completamento de frases. Além disso, momentos informais que tivessem conteúdos relevantes para produção de informação foram considerados. A construção de informação nessa pesquisa seguiu um curso progressivo e aberto de um processo construtivo-interpretativo no desenrolar de todas as fases da pesquisa. Na interpretação não existia a preocupação em definir dados empíricos anteriores a um momento de conceituação, procedimento característico da pesquisa quantitativa, da mesma forma que não buscamos classificações ou conclusões finais ou absolutas. Tal pensamento remeter-nos-ia a um caminho descritivo e de caráter positivista. Nosso objetivo foi desenvolver novos modelos teóricos acerca das vivências desses adolescentes. RESULTADOS – Apesar de ser uma doença estigmatizada e a própria adolescência ser também um tema vulgarizado tanto na sociedade quanto nas produções acadêmicas, nesse estudo foi possível observar a singularidade do jovem portador de câncer. Para cada estudo de caso desenvolvemos zonas de sentidos com os principais sentidos subjetivos analisados. No caso do jovem Renato[2], observamos que ele conseguiu sair do papel de doente, de um adolescente em tratamento, para ocupar um espaço de valorização, onde a doença não foi sua única referência. Um dos elementos que consideramos mais significantes no caso de Fabiana refere-se ao sofrimento advindo do tratamento estético pós-câncer que, dada a complexidade dos sentidos subjetivos, causava-lhe profunda tristeza. No caso Karen a questão que mais chamou atenção refere-se à angustia da morte eminente. E, finalmente, no caso Elis observamos a complexidade do sujeito que adoece em suas diversas relações sociais. CONCLUSÕES – Verificamos múltiplas interferências sociais, culturais e individuais no processo de tratamento desses jovens pacientes, o histórico de vida, os vínculos afetivos, a superação, o recolhimento, a fé, o apoio familiar, além de atestar que não há uma maneira padronizada de resposta psicológica à doença. IMPLICAÇÕES CLÍNICAS – A relação entre pesquisadora/psicóloga e sujeito/adolescente apresentou uma qualidade favorável não somente para o desenvolvimento da pesquisa e construção de novas zonas de sentido, mas também para a constituição de um cenário terapêutico, de acolhimento e crescimento do adolescente. À essa relação nomeamos como pesquisa-terapia, que acreditamos ser uma contribuição para a psicologia enquanto ciência e profissão.

 

[1] Esse trabalho refere-se à um trecho da Dissertação de Mestrado da autora intitulada “Os sentidos subjetivos de adolescentes com câncer”, que contou com o apoio do CNPq.

[2] Todos os nomes dos adolescentes são fictícios.

 

 

Apresentação em Pôster

 

 

PERCEPÇÃO DE SUPORTE SOCIAL  E PERCEPÇÃO DE SUPORTE SOCIAL NO TRABALHO  EM PROFISSIONAIS DA ÁREA DA SAÚDE QUE ATUAM EM REABILITAÇÃO
Alberto José  de Amorim Franco Júnior

Garcia, A. T.

Seif, V. H. V.

Universidade Metodista de São Paulo, São Bernardo do Campo, SP, Brasil.

RESUMO

Objetivos: O objetivo deste trabalho foi verificar a percepção de suporte social e percepção de suporte social no trabalho em profissionais de saúde que atuam na área de reabilitação.

Método: Foram aplicadas as seguintes escalas: Escala de Percepção de Suporte Social de Siqueira (2008) e Escala de Percepção de Suporte Social no Trabalho de Siqueira (2008) em 40 profissionais que atuam em Reabilitação, desde profissionais de saúde até profissionais da área administrativa, em uma instituição para pessoas portadoras de deficiência.

Resultados: Em relação à percepção de suporte social, os participantes tiveram no fator suporte emocional média 3,01 e no fator suporte prático média de 2,83. Já na percepção de suporte social no trabalho, obtiveram as seguintes médias nos fatores: percepção de suporte social informacional no trabalho 2,07; percepção de suporte social emocional no trabalho 2,14; e percepção de suporte social instrumental no trabalho 2,14.

Conclusões: A partir dos dados coletados, verifica-se que os profissionais de saúde que participaram deste estudo percebem que muitas vezes recebem suporte emocional e, de acordo com a média obtida em suporte prático, pode-se observar que os participantes possuem uma boa percepção para o suporte prático. Já nos fatores da segunda variável investigada junto aos trabalhadores, a média aponta que o grupo tem dúvida quanto à percepção de suporte social no trabalho. Este estudo mostrou que os profissionais de saúde que participaram deste trabalho apresentaram bons índices de percepção de suporte social, porém quanto à percepção de suporte social no trabalho, eles demonstraram que a instituição carece de um maior e melhor suporte social no trabalho.

Implicações clínicas:  A compreensão da percepção de suporte social e da percepção de suporte social no trabalho nas instituições possibilita diagnosticar e desenvolver estratégias de intervenção visando a prevenção e promoção de saúde.