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Impressões & Apreensões sobre a Psicoterapia Fenomenológico - Existencial

Centro de Psicoterapia Existencial - SP
Formação em Psicoterapia Fenomenológico - Existencial

Aluno: Thiago Gomes de Castro / 1º semestre
Data: 13/06/05

"A existência é sempre limitada apenas pela própria existência, no sentido de que não apresenta-se enquanto memória ou futuro. Iniciando e terminando no absoluto e na absurdidade do instante presente."

Proponho-me a debater, neste trabalho, alguns dos esboços por mim formulados acerca da proposta de Psicoterapia Fenomenológico - Existencial, vislumbradas ao longo deste primeiro semestre de curso. Para tanto farei uso de um discurso livre, em forma de ensaio, com o objetivo de fazer desta escrita uma espécie de estética da impressão, um tanto quanto apreensiva neste momento primordial de contato com a teoria Existencial.
Afirmando a apreensão peculiar a mim neste momento, no sentido mesmo da angústia de quem ruma em direção ao desconhecido desvelando o improvável, faço-o com a consciência de quem sabe que um encontro autêntico não pode desprover-se de tal característica. Assim, aceito-a e faço dela motor para minhas leituras, simultaneamente angustiando-me (apreensivo) pelas novidades e profunda modificação no senso de sujeito-no-mundo e aprendendo novos conteúdos por meio dos quais reinicio permanentemente o ciclo angústia - aprendizado. Neste eterno retorno, acredito evoluir na crença sobre a incomensurabilidade da abertura para o mundo. Sou uma fissura por meio da qual descubro o nada, pálido a olhar-me, diz ele: Estás aqui... lançado...e agora, que faz? Não te dou nada além da certeza de que faz-se a ti mesmo e nada mais - Existe, é.
Sobre tal impressão remeto-me à Fenomenologia das coisas, donde o corpo, consciência intencional, ser da pre-sença emergem enquanto veículo do ser-no-mundo, agindo sobre o mundo e fazendo da realidade condição presentificada de produto subjetivo - fundamento último de uma ética terapêutica, sobre a qual repousa a questão de sentido, ou como queira Amatuzzi (2001) Versão de Sentido. Está, portanto, a apreensão de que falo na esfera da condição, condição de subjetividade (inquieta e atuante), assim como o está a impressão, pois, neste caso, não se trata de uma verdade última, afirmativa do absoluto; como diriam alguns Verdade com "v" maiúsculo, mas antes uma verdade com "V" minúsculo, que em seu momento de afirmação se faz, sim, afirmativa do ser, porém cônscia de sua efemeridade / transitoriedade, e por que não contingencialidade? Como bem aponta Nietzche, a verdade contida pela lógica do perspectivismo.
Acredito ser importante, nesta altura do texto, pontuar a seguinte questão: A que vem um projeto de Psicoterapia Fenomenológico - Existencial? Questão pertinente, quando pensada sob o foco do iniciante no estudo, aliada a uma voraz necessidade contemporânea por um olhar diferenciado acerca das questões da clínica. A resposta a esta indagação pode ser pensada de diversas formas; destaco aqui duas muito freqüentes na discussão sobre o tema: 1) desponta a Psicoterapia Fenomenológico - Existencial a partir de uma suposta carência e/ou insuficiência de outras abordagens na lida com as questões Humanas (tese que pouco me agrada por elucidar um argumento que se aproxima às críticas pragmatistas de validação do conhecimento por meio da quantificação dos resultados do mesmo; 2) uma Psicoterapia fundada na impossibilidade de negar-se aquilo (que acredito seja mais apropriado) chamado compatibilidade entre condição de existencialidade e sujeito de relação - compatibilidade sintetizada pelo termo encontro. Penso assim, estar na segunda tese algo mais importante na condução epistemológica da discussão, uma vez que atenta o debate para a questão qualitativa do olhar e por conseguinte as repercussões éticas do mesmo. Não trata-se, por assim dizer, de uma questão de carência técnica e/ou intelectual.
Neste percurso, meio que jazzístico, encontro-me novamente - e por enquanto: finalmente - com a apreensão, tendo em vista o desafio para o qual aponta um projeto de Psicologia e Psicoterapia Humana em face às condições civilizatórias contemporâneas de produção e reprodução de subjetividades. Quero com isso afirmar minha atual angústia acerca da cegueira branca (de tão iluminada) circundante dos tempos pós-modernos, no que tange a questão da estética utilitarista contemplada na tão real seleção darwiniana. Destarte, questiono-me sobre o futuro das civilizações - como não poderia deixar de ser - e da própria sobrevivência das pluralidades no universo padronizado. Deixo em aberto, também, a incômoda questão sobre o lugar da proposta existencial, vislumbrada neste espectro, ante a procura incansável e crescente por garantia de previsibilidade. O que fazer?

Referência

AMATUZZI, M.M. Por uma psicologia humana - Campinas, SP: Editora Alínea, 2001.


 
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