IX Congresso Brasileiro de Psicologia Hospitalar

CONTOS DE VIDA E FÉ NO TRATAMENTO DE PACIENTES ONCOLÓGICOS DA SANTA CASA DE MISERICÓRDIA DE SÃO FÉLIX, BAHIA.

SANTOS, Gilmara Rodrigues

Santa Casa de Misericórdia de São Félix

São Félix, Bahia, Brasil

  1. OBJETIVOS

Possibilitar por meio da formação de um grupo terapêutico de pacientes oncológicos a construção de vínculos e troca de experiência entre os mesmos, a fim de promover o fortalecimento do ego, auto-estima e observar o processo de manifestação da fé no enfrentamento da doença. Estimular a expressão dos sentimentos  através da leitura de contos e fábulas, percebendo o efeito subjetivo destas narrativas no momento existencial presente.

  1. MÉTODOS

O grupo de trabalho foi formado por 30 (trinta) pacientes oncológicos em tratamento . Os encontro para as atividades tiveram início em janeiro de 2007 e término em abril de 2008, ocorriam semanalmente às segundas-feiras, numa sala ampla,climatizada, com boas acomodações, adequada ao  tipo de trabalho supracitado, no próprio Centro de  Oncologia da Santa Casa de Misericórdia da cidade de São Félix, Bahia. A duração destes encontros era de aproximadamente noventa minutos ao longo dos quais os pacientes, inicialmente, realizavam a oração do Pai Nosso – o que era consenso entre os mesmos. Em seguida, a psicóloga facilitadora se dirigia a todos com mensagens de otimismo e perseverança e lia um conto ou fábula retirados da coleção Clássicos da Literatura Universal publicada pela editora Nova Fronteira, entre outros. Depois de ouvirem atentamente às estórias, os pacientes relatavam o que compreendiam e externalizavam seus sentimentos. Partilhavam seus testemunhos de vida e como  estavam enfrentando o contexto da doença que estavam vivenciando. Durante o processo, descreviam também sua fé num ser supremo – Deus – que se institui como referência de superação, esperança e amor.

  1. RESULTADOS

Para Pargament, K. L., (1990), “muitas pessoas atribuem a Deus o aparecimento ou a resolução dos problemas de saúde que as acometem e recorrem freqüentemente a ELE como recurso cognitivo, emocional ou comportamental para enfrentá-los”, reafirmando em 1997 que “este enfrentamento religioso possibilita ao ser humano entender a doença e a lidar com ela.” Esta idéia encontra consonância nos estudos realizados por Ellison, C. G., (1998), para quem “há um registro consistente que aponta para vários aspectos do envolvimento religioso que estão ligados a resultados desejáveis da saúde física e mental” além de destacar “a intensificação dos sentimentos de auto-estima e de auto-eficácia providos pela religião; no enfrentamento das situações estressantes, possivelmente, nas alterações das conexões psiconeuroimunológicas ou neuroendócrinas que afetam os sistemas fisiológicos.” É possível citar ainda a contribuição de Paiva (2004), G. J., Amundsen (1987), D. W., Levin, J. S. & Schiller, P. L. (1987), dentre outros, para a compreensão da correlação entre religião e saúde, religião e doença e religião e cura.Nos encontros com o grupo, durante o período citado, pode-se observar que os pacientes tornaram-se mais  confiantes no tratamento, a auto-estima se fortaleceu entre os mesmos e a construção dos vínculos de afeto e amizade surgiu entre muitos a ponto de se perceberem como elos de uma só corrente. No grupo, a fé tornou-se um recurso de enfrentamento contra o sofrimento. Também, observou-se a quebra de preconceitos sobre o falar da própria enfermidade e suas conseqüências. Seguem pequenos relatos como o da Sra. N.C.S., 53anos, com câncer de mama: “Eu aprendi, aqui, que tudo na vida passa e que a gente precisa cuidar da gente mesma, se colocar em primeiro lugar porque gostando da gente encontramos força para lutar pela vida e eu tenho muita fé em Deus que há de me curar.” Outro relato significativo é o da Sra. D.F.C., 34anos, também com câncer de mama: “Eu passei por todo processo do sofrimento e das perdas que o câncer traz a gente, mas cresci com a dor, tive muito fé em Deus e me segurei com confiança nos médicos e na minha família, e olha como estou hoje: curada. Deixo para os amigos que construí aqui a mensagem que não percam jamais as esperanças. Acreditem na vitória, ela é real!” Por fim, mais um relato do Sr. E. N., 59anos, com câncer de próstata: “Eu achei que já tivesse visto tudo de ruim nessa vida, mas nada é tão ruim como viver uma doença como esta. Estou melhorando, cada dia mais. Quando pensei que ia morrer, Deus me deu de volta a vida. Agradeço a ele pelo amor por mim e a todos aqui da oncologia que se tornaram um pouco minha família (lágrimas). Estou vencendo a batalha.”

  1. CONCLUSÕES

Os encontros terapêuticos com o grupo caracterizaram-se como ocasiões de auto-conhecimento, onde foi possível que os pacientes entendessem mais sobre si enquanto seres sociais no contato direto com outras pessoas, utilizando de suas competências psicoafetivas para ressignificarem a sua história e identidade como pessoas. Outro elemento importante que mereceu destaque no grupo foi a associação entre a cura desejada – ausência da enfermidade, e a cura possível. De maneira geral, nos casos observados, a fé como recurso de atenuação do sofrimento pareceu ser a opção mais imediata para a aceitação do diagnóstico da doença além de se revelar como elemento de enfrentamento da dor, do sofrimento e de possíveis perdas.

  1. IMPLICAÇÕES CLÍNICAS

Com base nos estudos supracitados e nas experiências acumuladas positivamente por ocasião dos encontros terapêuticos é possível instituir trabalhos de observação, neste sentido, em outras unidades hospitalares que disponibilizem serviços de acompanhamento psicológico em oncologia como meio ou fim do chamado processo de humanização.

 

 

RESUMO :  TRABALHO EM GRUPO 

REALIZADO COM CRIANÇAS VÍTIMAS DE VIOLÊNCIA SEXUAL E SEUS PAIS/ RESPONSÁVEIS

O atendimento em grupo com as crianças vítimas de abuso sexual tem como objetivo que as crianças possam viver a possibilidade de reatar vínculos afetivos e de confiança para com o outro, fator gravemente afetado na vida da criança após a violência sexual.

Esse trabalho em grupo tem se revelado como um importante instrumento onde a criança pode desenvolver sua autoconfiança, através do jogo lúdico expressar seus estados de medo/terror e os sentimentos de culpa gerados por essas vivências traumáticas.

A prática dos atendimentos em grupo com os pais/responsáveis pela criança vitimizada, é de extrema importância no auxílio à elaboração do vivido e no estabelecimento de uma relação de confiança. Observa-se que a partir da revelação da história de violência sexual que a criança sofreu, a presença de um adulto continente às necessidades da criança faz com que as manifestações do stress pós-traumático  comecem  a diminuir, e a capacidade de superação passa a ser notada.

O grupo de pais/responsáveis é um espaço de apoio e orientação que visa uma melhora na condição emocional desses cuidadores para que estes possam restabelecer o equilíbrio e a rotina da vida familiar.

Tanto nos atendimentos em grupo das crianças como no de seus familiares, observamos  o quanto o grupo favorece o paciente a se tornar agente da sua própria mudança. Em condições favoráveis, eles passam  a assumir papel ativo no decorrer do processo. Cada paciente em sua particularidade, manifesta sua sintomatologia e o próprio grupo troca recursos entre si.

A abordagem teórica utilizada é a Psicanálise , onde os sintomas  são analisados a partir da escuta do discurso do paciente e como este faz uso da linguagem verbal, corporal ou lúdica. A leitura dessas manifestações pelo terapeuta, dá condições para que o paciente possa resignificar  sua experiência traumática.

 

 

****

 

Resumo para o IX Congresso de Psicologia Hospitalar

Título: Técnicas adaptadas do grupo operativo e do treinamento autógeno no trabalho com pacientes de câncer de mama do hospital perola byington

Este trabalho é um relato do grupo operativo que foi desenvolvido ao longo do ano de 2007, no CRSM, com pacientes pós-cirurgia mamária por incidência de câncer.

O grupo operativo considera o campo grupal como estrutura em movimento, o que deixa claro o caráter dinâmico do grupo.

Adaptando o grupo operativo de Pichón Rivière e o treinamento autógeno de Schultz, o trabalho teve como objetivos: melhorar o auto-conhecimento e a auto-estima; tornar conscientes alguns pontos obscuros do mecanismo psíquico das pacientes, para propiciar então mudanças significativas no modo de ser de cada uma; sintonizar mente e corpo; e ainda, estimular o processo de identificação das forças auto-curativas.

Os encontros semanais tinham dois momentos: um de conversação aberta e outro de trabalho corporal (relaxamento).

As técnicas utilizadas eram: no primeiro momento, abordar através da tarefa e da aprendizagem, os problemas pessoais relacionados com a tarefa, levando o indivíduo a pensar “o indivíduo “aprende a pensar”, passando de um pensar vulgar para um pensar científico.

A execução da tarefa implica em enfrentar alguns obstáculos que se referem a uma desconstrução de conceitos e certezas adquiridos e estabelecidos. Para o grupo implica em trabalhar sobre o objeto-objetivo (tarefa explícita) e sobre si (tarefa implícita), buscando romper com estereótipos e integrar pensamento e conhecimento”;

E no segundo momento, utilizar o trabalho corporal induzindo ao relaxamento por meio da técnica do treinamento autógeno ou relaxação auto-concentrativa, com ênfase na respiração e ainda indução à visualização, para aliviar as tensões e facilitar os processos de assimilação mental.

Para citar resultados, transcrevo o trecho do relato de uma das pacientes do grupo: “nunca pensei que o câncer de mama que para mim foi um sofrimento muito grande ao sabê-lo, serviria para me fortalecer e modificar devolvendo a vontade viver, e conquistando meu espaço nunca antes ocupado, e isso só foi possível graças às reuniões e terapias oferecidas pelo hospital, a qual serei eternamente grata.”

Alcina de Cássia Meirelles

Diretora Técnica de Serviço de Saúde

CRSM – Núcleo de Psicologia

Especialização em técnicas de relaxamento de Pethö Sandor (PUC-SP) e massagem rítmica (ABMA)

Coordenadora do programa de assistência psicológica às pacientes com câncer de mama – CRSM

Coordenadora do programa de assistência psicológica aos casais inférteis – CRSM

Coordenadora do programa de assistência psicológica às pacientes vítimas de violência sexual – CRSM

 

***

 

Resumo  

 O trabalho em grupo com mulheres sexualmente vitimizadas.

O atendimento psicológico tem como objetivo atender pacientes com idade acima de 16 anos, vítimas de violência sexual, com mobilização interna para intervenção psicoterapêutica.

O atendimento em grupo é focal e breve, com freqüência e duração pré-estabelecidas; sendo o funcionamento do grupo aberto e homogêneo. A abordagem de trabalho utilizada é a Cognitivo-Comportamental, que além de objetivar a remissão dos sintomas, tem como objetivo principal a reestruturação cognitiva destas mulheres.

Utiliza-se como critério de exclusão  pacientes com psicopatologia prévia diagnosticada.

A  metodologia utilizada no grupo é direcionada à resolução de problemas, com caráter didático, diretivo e semi-estruturado, utilizando-se de técnicas/ instrumental cognitivo-comportamental.

O processo grupal favorece apoio mútuo, a redução de sentimentos de diferença e de auto-estigmatização; proporciona um espaço para a discussão de crenças mal-adaptativas  e o aprendizado de estratégias e habilidades para o enfrentamento das situações aversivas; promove mudanças de sentimentos e comportamentos disfuncionais, além da prevenção de recaídas e da otimização da resignificação do evento traumático.

 

 

***

 

IX CONGRESSO BRASILEIRO DE PSICOLOGIA HOSPITALAR

APRESENTAÇÃO TEMA LIVRE  -  sábado, 11 de outubro de 2008

André Maziero Araújo

4º ano da graduação em Medicina

FCM/Unicamp

Título: VIVÊNCIAS DE UM ALUNO EM HOSPITAL UNIVERSITÁRIO

Resumo:

Trata-se de uma exposição em forma de palestra com alguns slides em PowerPoint com o propósito de enfocar algumas experiências pessoais vividas em ambiente hospitalar marcadas por conteúdo de grande densidade psicológica.

A exposição é baseada em um caso clínico que dará margem para suscitar questões sobre como a equipe de saúde lida com a experiência da morte dos pacientes e sobre como a dor, principalmente física, mobiliza ou deixa de mobilizar os componentes da equipe de saúde.

O caso clínico gira em torno de um jovem de 20 anos de idade com um tumor de hipófise e complicações clínicas associadas que acabaram o levando a óbito, além das repercussões desse fato na família e na equipe.

Também é abordada a importância que percebemos da presença e intervenção da abordagem psicológica, através do psicólogo, interagindo com a equipe de saúde, não só com relação à assistência aos grandes dramas humanos vivenciados pelos pacientes e familiares, mas também com relação à assistência aos membros da própria equipe, já que esta por vezes demonstra tamanho despreparo para lidar com tais questões, no sentido de adotar, em grande parte das vezes, uma postura de distanciamento quanto ao foco da questão, como, por exemplo, a perda de um ente querido, desviando sua atenção para coisas e fatos de ordem material.

Para encerrar, temos um poema de Camões louvando sentimentos de alguém que perdeu uma pessoa amada, chamado “Alma minha que te partiste”.

A apresentação está prevista para durar 25 minutos.

 

 

***

 

IX CONGRESSO BRASILEIRO DE PSICOLOGIA HOSPITALAR

APRESENTAÇÃO MESA REDONDA “ÉTICA E CONDUTA MÉDICA”

sábado, 11 de outubro de 2008

André Maziero Araújo

4º ano da graduação em Medicina

FCM/Unicamp

Título: A DOR EM AMBIENTE HOSPITALAR E A FORMAÇÃO MÉDICA

Resumo:

Trata-se de uma exposição em forma de palestra com alguns slides em PowerPoint com o propósito de enfocar alguns aspectos sobre como a experiência da dor é vivenciada em ambiente hospitalar, principalmente na formação médica.

Como substrato para a discussão, um caso clínico é apresentado, relatando a experiência da dor de uma mulher em ambiente de Pronto-Socorro e como isso sensibiliza a equipe de saúde responsável, mobilizando-a, ou não, no sentido de tomar a conduta adequada para a situação.

Questões como a importância de se preocupar em aliviar a dor alheia, a resistência ao uso de analgésicos potentes em ambiente hospitalar e os fatores que levam o aluno a ver a dor apenas como um sintoma semiológico também são abordadas, baseando-se principalmente em exposições durante aulas de professores do curso médico da FCM/Unicamp.

A apresentação está prevista para durar 25 minutos.

 

 

***

 

ATENDIMENTO ESCOLAR EM HOSPITAIS E DOMICÍLIO.

Andréia Gomes da Silva

Casa de Apoio à Criança com Câncer Durval Paiva

Essa modalidade de atendimento escolar hospitalar e domiciliar é um seguimento específico da educação especial, no Brasil a primeira classe hospitalar surgiu em 1950, no Rio de Janeiro na Escola Hospital Menino Jesus, e funciona até hoje. Desde então o atendimento vem crescendo, mas de forma tímida. Existem em nosso país quase sete mil hospitais e apenas noventa classes hospitalares sendo que esse atendimento pedagógico atua nos hospitais e em casas de apoio. Apesar de está garantido na legislação brasileira o acesso à escola, o poder público se faz ausente na maioria dos casos, toda criança ou adolescente hospitalizado tem o direito ter continuidade nos estudos, cabe a ele garantir o processo de aprendizagem desses educandos criando alternativas para execução desse direito.

A CACC Durval Paiva instituição filantrópica que atua há treze anos em beneficio de crianças e adolescentes com câncer ou doenças hematológicas, tem como missão oferecer qualidade de vida aos usuários e seus familiares durante o tratamento, para isso criou o Setor Pedagógico visando oferecer um atendimento educacional.

O atendimento pedagógico oferecido pela Casa de Apoio conta com a supervisão da Sub Coordenadoria de Educação Especial da Secretaria de Educação do Estado,  desde 2001.  Em 2002 o MEC/SEEP – Ministério da Educação publicou um documento de estratégias e orientações para Classe Hospitalar e Atendimento Pedagógico Domiciliar, com o objetivo de “assegurar o acesso à educação básica e à atenção às necessidades educacionais especiais, de modo promover o desenvolvimento e contribuir para a construção do conhecimento desses educandos”. Esse documento nos serve de subsídio para as ações tomadas no atendimento.

Durante o tratamento nada impede que novos conhecimentos possam ser adquiridos pelo aluno/paciente que venham contribuir para o seu desenvolvimento escolar e pessoal, não ficando em defasagem nos conteúdos de seu grupo ou turma. Ao ficar afastado do aprendizado proporcionado pela vivencia escolar e tendo uma nova vivencia a hospitalar, o aluno/paciente se priva não apenas de perder o ano letivo, mas de ficar desmotivado a continuar os estudos. O atendimento escolar hospitalar e domiciliar serve como resgate da criança para escola dando oportunidade para que ela possa exercer seu direito de cidadão em aprender.

O atendimento educacional oferecido aos pacientes da Casa Durval Paiva tem o nome de SAP, Sala de Apoio Pedagógico, é o nome de registro na Secretaria de Educação do RN. A SAP possui características específicas por ser uma modalidade nova na educação, temos uma sala (brinquedoteca) com vários recursos didáticos para favorecer o aprendizado, nosso público é flutuante e com idades diversificadas, são em média 10 a 15 alunos por dia. Esses alunos/paciente estão na Casa de Apoio de acordo com a necessidade do tratamento e orientações médicas.

Temos como objetivo maior fazer que a criança ou adolescente não se afaste totalmente do universo escolar, pois devido ao tratamento a maioria das vezes a criança e o adolescente abandonam o seu meio ambiente, afastando-se dos familiares, de sua casa, seus brinquedos, seus amigos e sua escola, na verdade esse é o momento em que a criança ou adolescente deve aproximar-se de tudo isso para que possa suportar melhor o tratamento.

Nós tentamos resgatar da criança e adolescente o interesse pelo aprendizado proporcionando um retorno com o mínimo de perdas possíveis a sua escola de origem, para que ele sinta que existem perspectivas e que sua vida segue, e em breve ele poderá voltar para sua escola, rever seus amigos e professores e continuar estudando.

O aluno/paciente ao chegar na instituição se encaminha para o serviço social e em seguida para os outros serviços da Casa, incluindo o pedagógico. É feito um perfil do aluno, através de uma entrevista com ele e/ou a mãe para saber como está sua situação educacional, nome da escola e professor, série e informações gerais, em seguida se faz uma pequena avaliação com aluno para perceber o seu nível de aprendizado, pois na maioria das vezes não condiz com a série que está matriculado.  A partir do momento que o aluno chega a SAP se envia uma carta de apresentação, do atendimento pedagógico na instituição, para a Escola de origem do aluno, para que o corpo docente da escola de origem saiba que o aluno está tendo um acompanhamento pedagógico durante o tratamento e solicitamos informações gerais do aluno para que o trabalho desenvolvido na SAP tenha resultados positivos. Durante o tratamento o aluno/paciente fica tendo o acompanhamento pedagógico e a SAP fica se correspondendo com a escola de origem do aluno, enviando as atividades desenvolvidas e relatórios para que a escola possa avaliar esse aluno. Esse período é incerto, depende da situação de tratamento de cada aluno. Após a liberação do médico para o retorno a escola, a SAP faz uma nova carta para a escola avisando da nova situação do educando e ressaltando a importância da reinserção escolar dele.

O atendimento pedagógico acontece de segunda a sexta-feira à tarde com a coordenação da pedagoga e conta com a colaboração de voluntários.

Os conteúdos das atividades desenvolvidas para os alunos do setor pedagógico da CACC Durval Paiva são norteadas pela adaptação do seu currículo escolar ajustando à situação do educando favorecendo o aprendizado. São usados para orientação dos planejamentos das atividades documentos de referência como: Referencial Curricular para Educação Infantil (MEC, 1998) e Parâmetros Curriculares Nacionais (MEC, 1997).

Durante o tratamento do câncer são muitas mudanças, transformações físicas e emocionais, dúvidas a respeito da possibilidade de cura e da doença e inseguranças. A SAP tem conseguido atingir seus objetivos, minimizando as perdas educacionais ocasionadas pelo afastamento do universo escolar do aluno e promovendo a socialização de todos, na sala eles são alunos como qualquer outro e estão ali para aprender e construir. É notória a satisfação deles em aprender, se envolvem por completo pelas atividades, mesmo os que estão mais fragilizados devido ao tratamento. Para os alunos o fato de estarem em tratamento não os impede de estudar, brincar, jogar e construir. Inconscientemente eles se entregam as atividades escolares como uma oportunidade de retornar a sua vida como era antes, em sua escola e sem doença, a SAP é uma ponte entre sua real situação e a possibilidade retornar novamente a sua escola de origem e vida “normal”. Estudos apontam que o envolvimento de crianças e adolescentes com atividades que vivenciam uma realidade escolar favorece e muito o tratamento, eles se desligam de sua atual realidade e criam perspectiva de que poderá continuara estudando em breve.

O atendimento escolar hospitalar e em domicílio não deve ser visto como uma forma de ocupar o aluno/paciente, mas como um direito que ele tem em continuar estudando. Privar crianças e adolescentes doentes de aprender e priva-los da perspectiva de viver.

 

***

 

UM ESTUDO COM PORTADOR DO VÍRUS HIV ATRAVÉS DA TEORIA DA ADAPTAÇÃO

SAWTSCHENKO, C N

OBJETIVO Embora a prescrição da chamada Terapia Anti-retroviral de Alta Potência (HAART) á partir de 1996, tenha causado um impacto na redução da incidência das doenças oportunistas e no registro da mortalidade por HIV/AIDS a infecção pelo vírus ainda é considerada uma questão de saúde pública, devido ao crescente número de pessoas contaminadas mundialmente. O fato de a AIDS ser uma doença incurável faz com que gastos econômicos para o tratamento e a prevenção da síndrome aumentem e cada vez mais exija políticas públicas mais eficientes voltadas às pesquisas que abordam o assunto. (CARACIOLO, 2007; DOURADO; VERAS; BARREIRA; BRITO, 2006). Dessa forma, o objetivo do trabalho é investigar a eficácia adaptativa do indivíduo portador do vírus HIV.

MÉTODO Foi aplicada a Entrevista Clínica Preventiva (Simon, 1983) em um usuário do Programa DST / AIDS do município de Aparecida – SP. A amostra foi escolhida por conveniência já que não houve critérios estatísticos para a escolha da amostra. Os dados colhidos foram analisados qualitativamente. A entrevista foi avaliada de acordo com a Escala Diagnóstica Adaptativa Operacionalizada – EDAO (SIMON, 1983).

RESULTADO Após a avaliação do resultado da entrevista pode-se contatar que o diagnóstico adaptativo do indivíduo é ADAPTAÇÃO INEFICAZ SEVERA, grupo 4, sub grupo 5c.

CONCLUSÕES Durante toda a vida do portador ocorreram perdas que não foram assimiladas e negadas por ele: sentimento de abandono com a morte do pai, rompimento com a família, diagnóstico positivo para HIV. Ele não se mostrou satisfeito com seu trabalho tampouco com o ciclo de amigos. Com relação ao setor orgânico, embora seja portador de uma doença crônica, e tenha que lidar com a dificuldade do estigma da AIDS, com a rotina de exames, consultas médicas, com o uso da medicação Anti-Retroviral, e com sua condição clínica, é aderente ao tratamento, tem boa relação com os profissionais da equipe e comprometido com sua saúde.

IMPLICAÇÕES CLÍNICAS A Entrevista Clínica Preventiva atua como sendo uma determinante na prevenção dos serviços de saúde, pois tem a condição de diagnosticar o indivíduo nas várias fases da vida. A aplicação da EDAO como instrumento de avaliação, permite um diagnóstico amplo sobre os quatro setores de funcionamento do indivíduo e possibilita uma avaliação da adaptação desse indivíduo livre dos quadros nosológicos tradicionais. Após o diagnóstico dessa pesquisa, foi orientado que o sujeito se submetesse à psicoterapia breve para a resolução dos conflitos e perdas relatados na entrevista.

CARACIOLO, J.M. de M. Adesão aos Anti-Retrovirais IN CARACIOLO, J.M. de M e SHIMMA, E. Adesão Da teoria à prática Experiências bem sucedidas no Estado de São Paulo. Centro de Referência e Treinamento em DST/AIDS, 2007.

DOURADO, I; VERAS, M.A de S M ; BARREIRA, D; BRITO, A.M de.  Tendências da epidemia de Aids no Brasil após a terapia anti-retroviral. Rev. Saúde Pública v.40  supl. São Paulo abr. 2006.

 

 

***

 

A INCIDÊNCIA DE ESTRESSE EM PACIENTES HOSPITALIZADOS

MACENA, Cristiane Santos; LANGE, Elaine Soares Neves 

Universidade São Francisco, São Paulo, SP, Brasil

Objetivos: O objetivo deste estudo foi avaliar a incidência de estresse em pacientes internados em um hospital geral de rede privada.

Método: Participaram deste estudo 40 pacientes, sendo 20 mulheres e 20 homens, com idades entre 20 e 80 anos. Foi utilizado um questionário sociodemográfico elaborado pelas autoras e o Inventário de Sintomas de Stress para Adultos de Lipp.

 

Resultados: Verificou-se que 82,5% dos participantes encontravam-se estressados, estando 62,5% na fase de resistência, 7,5% na fase de alerta, 7,5% na fase de quase-exaustão e 5% na fase de exaustão, havendo predominância de sintomas psicológicos 69,2%. Encontraram-se 40% de mulheres estressadas e 42,5% de homens. Os resultados obtidos apontaram um alto índice de estresse em ambos os gêneros, sendo que os dias de internação e o grau da patologia não foram fatores determinantes para o desenvolvimento do estresse.

Conclusões: A partir deste trabalho, sugere-se que novas pesquisas sejam realizadas relacionadas à hospitalização, a saúde psíquica do paciente e dos profissionais envolvidos, para que assim conseqüências negativas sejam evitadas, permitindo o bem-estar e a qualidade de vida  não só do paciente como também  familiares, profissionais da área da saúde e a todos envolvidos neste contexto. Este trabalho reafirma o papel e a importância da atuação do Psicólogo no contexto hospitalar.

 

 

***

 

A SUBJETIVIDADE DO ENLUTADO: O INEVITÁVEL PERCURSO FACE A INEVITABILIDADE DA MORTE.

NETTO LIMA, A.M; CIBULSKI, D.F.P; MOTA, S.F; RUIZ, A.C.D – Universidade de Rio Verde, cidade de Rio Verde-Go, Brasil.

Objetivos:

O luto está presente em todos os conceitos do ser humano, desde a perda de um objeto e de um familiar próximo O presente estudo teve por objetivo compreender a constituição subjetiva de duas mulheres enlutadas da cidade de Rio Verde-GO.

Métodos:

Trata-se de uma pesquisa qualitativa do tipo estudo de caso, fundamentada essencialmente na Epistemologia Qualitativa de González Rey (1999), em que o conhecimento é tido como uma produção “construtiva interpretativa enfatizando a importância da existência de um vínculo entre pesquisador e sujeito pesquisado, através do qual o primeiro irá interpretar os indicadores que surgem dessa relação”. Participaram deste estudo duas mulheres que perderam os cônjuges, cada qual inserida em uma problematização individual, residindo na cidade de Rio Verde, Goiás. A história das duas mulheres foi investigada por meio de quatro encontros, através dos quais foram realizadas entrevistas, gravadas em MP3. Após estes encontros foram aplicados um questionário aberto e um instrumento denominado “completar frases”. No decorrer das investigações foram levantados os indicadores, que foram analisados e correlacionados. Utilizou-se, como instrumento, entrevistas abertas, sendo a primeira um resgate da história de vida de cada sujeito, possibilitando o levantamento de hipóteses e indicadores que, nortearam as entrevistas posteriores, e a segunda, semi-estruturada, a partir do tópico guia levantado na entrevista anterior. Também foi aplicado um instrumento denominado “completar frases” que permitiu confirmar os indicadores levantados no decorrer da pesquisa. As entrevistas foram realizadas com o auxílio de gravadores digitais, em dias e horários determinados pelos mesmos, sem tempo previsto para o término (ficando em torno de 1 hora cada entrevista). Através do método instrutivo de Rey, as entrevistas foram realizadas, transcritas e analisadas com a finalidade de levantar os indicadores. Com os indicadores levantados, foram aplicados os questionários e o completar frases, para posterior confirmação das hipóteses.

Resultados:

Este trabalho tornou-se perceptível o quão conflitante é a relação estabelecida entre o indivíduo em estado de luto e a sociedade. Ao buscar um novo sentido para suas vidas, estas mulheres depararam-se com o imprevisível e com a solidão. Podemos notar que o processo de luto na vida destas mulheres tem um significado para cada uma, em que para a participante um a elaboração do luto só foi capaz, ao inserir em seu meio um grande tangente de pessoas juntamente com o trabalho cotidiano, já para a participante dois que está envolta no processo de luto há 26 (vinte e seis) anos e casou-se novamente, demonstra uma “superação” da dor buscando outra pessoa, demorou 20 anos para assumir algo mais concreto. Em ambos os casos temos o denominador comum que é a morte do marido ligado ao significado da família,

Conclusões e Implicações Clínicas

Na atualidade, o distanciamento entre os indivíduos, a não-interferência na vida privada, a economia dos gestos e dos sentimentos que compõem as relações sociais num âmbito mais abrangente só reforçam o isolamento e a interiorização da dor daqueles que sofrem a perda. A perda é um fato que e plausível de acontecimento na vida de todos, a perda daquele que se vive por muito tempo é mais sentida ainda, mas a significância desta morte na vida de cada depende de como se constituiu a subjetividade no decorrer da vida de cada pessoa.

 

 

***

 

A CONSTITUIÇÃO SUBJETIVA DE MULHERES COM HISTÓRICO DE INFERTILIDADE E A LUTA PARA A CONQUISTA DE UM SONHO

NAVES, R.M; LENZA, A.S; MOTA, S.F; RUIZ, A.C.D – Universidade de Rio Verde, cidade de Rio Verde-Go, Brasil.

Objetivos:

A infertilidade na mulher causa vários danos em sua vida psíquica e emocional e o  presente estudo teve por objetivo compreender a constituição subjetiva de mulheres com histórico de infertilidade, em suas diversas dimensões na cidade de Rio Verde – GO.

Métodos:

Trata-se de uma pesquisa qualitativa, baseada na Epistemologia de González Rey (1999). Essa epistemologia se apóia em três princípios: o conhecimento, a interação entre investigador e investigado e a singularidade. O primeiro é uma produção construtivo-interpretativo que possibilita o conhecer e a interpretação, dando sentido às expressões usadas, o segundo é de extrema importância para o desenvolvimento da pesquisa, pois possibilita os imprevistos e a informalidade e o terceiro que é a singularidade tem um grande significado para a pesquisa qualitativa, pois busca se aproximar daquilo que é único, do indivíduo, por meio da qualidade de sua expressão. Foram realizados dois estudos de caso, o primeiro com uma mulher de 34 anos, casada que recebeu o diagnóstico de infertilidade há oito anos e desde então buscou incessantemente diversos métodos que possibilitassem a realização do sonho de ser mãe, conseguindo engravidar por meio de inseminação artificial após várias tentativas. O segundo caso trata-se de uma mulher com 34 anos, casada, mãe de um filho. Foi diagnosticada como infértil há sete anos, buscou auxílio durante dois anos e conseguiu engravidar por meio de inseminação artificial. Como instrumentos de pesquisa foram utilizadas entrevistas gravadas, questionários e “completar frase”. A análise das informações partiu do método construtivo-interpretativo.

Resultados:

Estetrabalho demonstra o quanto o diagnóstico de infertilidade e a luta em busca da realização do sonho de engravidar marcaram a vida dessas duas mulheres.  Mesmo estando em etapas de vida diferentes foram perceptíveis as modificações ocorridas na vida das participantes da pesquisa, haja vista que as mesmas após serem diagnosticada como inférteis se sentiram tristes e incompletas e muitas vezes pressionadas, solitárias, frustradas e inferiores por não conseguirem conquistar a glória da maternidade. Esta situação, por sua vez, contribui decisivamente para que a condição de infértil se apresente como uma transgressão das prescrições e expectativas subjetivas. Nos casos expostos predominou a determinação e a luta em conseguir realizar um sonho, em condições múltiplas, curiosas, estranhas e comoventes, sob os quais as participantes passaram para  alcançar a conquista dos objetivos.

Conclusões e Implicações Clínicas

As mulheres de uma forma geral são educadas na expectativa de um dia terem um bebê, a possibilidade da não realização desse fato podem causar sérios transtornos emocionais em suas vidas, dificultando as relações pessoais e interpessoais.

 

 

***

 

O ESTRESSE OCUPACIONAL EM ENFERMEIROS QUE TRABALHAM NA U. T. I.  DO HOSPITAL PRESBITERIANO DR. GORDON NA CIDADE DE RIO VERDE-GO

.

PEREIRA, M.R; RUIZ, A.C.D; MORAES, E.R.– Universidade de Rio Verde, cidade de Rio Verde-Go, Brasil.

Objetivos:

O presente estudo objetivou identificar se os enfermeiros que trabalha em uma U. T. I. num hospital privado da cidade de Rio Verde –GO encontram-se em estado de estresse ocupacional..

Métodos:

Dos 14 enfermeiros e Técnicos em enfermagem que trabalham na U. T. I do Hospital Presbiteriano Dr. Gordon na cidade de Rio Verde- GO, apenas 8 se dispuseram a participar deste estudo, sendo que todos os participantes são do sexo feminino. Para a realização dessa pesquisa foi utilizado três instrumentos, um que mede o estresse de uma maneira mais ampla permitindo diagnosticar se a pessoa tem estresse e em qual fase se encontra (alerta, resistência ou exaustão) que é o ISSL de Lipp, o outro inventário utilizado foi o IEE (Stacciarini e Tróccoli) que nos permite ter uma visão mais fechada do estresse, pois ele é específico para os enfermeiros e também, utilizaram-se algumas questões para um melhor entendimento da rotina de uma U. T. I.

Resultados:

                Com a análise do ISSL, foi possível verificar a freqüência dos sintomas e os que mais se destacaram foram: insônia com uma freqüência de 4 e angústia, ansiedade e diarréia com a freqüência de 5, como pode ser observado na tabela abaixo, sendo que os profissionais que atuam nessa área possuem um elevado nível de ansiedade, como demonstra o estudo de Guerrer (2007) e também comprovado por este estudo. Com o Inventário de Lipp foi possível diagnosticar que três dos participantes deste estudo se encontram em estado de estresse. No que se refere às fases do estresse, alerta, resistência e exaustão, os resultados nos mostram que nenhum participante se encontra na fase de alerta do estresse, dois na fase de resistência e um dos participantes se encontra na fase de exaustão. Com a análise do IEE, que é um instrumento específico para os enfermeiros, foi possível verificar um baixo nível de estresse ocupacional, tanto no que se refere às relações interpessoais, aos papéis estressores da carreira e aos fatores intrínsecos ao trabalho

               

Conclusões e Implicações Clínicas

Foi possível concluir com esse estudo que a equipe de enfermagem da U. T. I se encontra com um nível baixo de estresse, sendo que só uma das participantes se encontra em fase de exaustão segundo o inventário de Lipp, já no IEE o fator de relações interpessoais é o que mais contribui para o surgimento do estresse ocupacional, considerando também a alta jornada de trabalho desses profissionais que são em média de 40 a 50 horas semanais.

 

 

***

 

O PODER TERAPÊUTICO DA MÚSICA E SUAS IMPLICAÇÕES NO ÂMBITO HOSPITALAR.

FREITAS, K.M.O; GUIMARÃES, J.F; RUIZ, A.C.D.– Universidade de Rio Verde, cidade de Rio Verde-Go, Brasil.

Objetivos:

A presente pesquisa teve como objetivo principal destacar a relevância de se utilizar novos meios que possibilitem a busca pela humanização hospitalar, dentre esses meios destaca-se a escuta musical como um fator terapêutico, com base nesse pressuposto buscou-se fundamentar essa idéia em uma pesquisa comum enfoque quantitativo e qualitativo visando maior adequação possível.

Métodos:

A pesquisa foi realizada com quinze pacientes de um hospital particular situado na cidade de Quirinópolis-GO, que se encontravam hospitalizados.  Foi utilizado ensaio clínico aleatorizado, entrevista semi-estruturada e questionário fechado baseado na escala likert, a pesquisa buscou fundamentar-se em uma perspectiva qualitativa e quantitativa, ou seja, subjetiva e objetiva, sendo que a parte objetiva foi avaliada pela pressão arterial e freqüência cardíaca antes e após a intervenção por meio da musicoterapia com um intervalo mínimo de vinte e cinco minutos, contando com três grupos cada um contendo cinco pessoas, um grupo de controle onde foi utilizado um aparelho de mp3 que não continha música denotando-se “placebo”, o segundo grupo de intervenção “A”, no entanto as músicas escolhidas foram de acordo com a subjetividade da pesquisadora, o terceiro grupo de intervenção “B” contou com execuções musicais escolhidas de acordo com suas histórias de vida, em que as escolhas eram efetuadas pelos mesmos em um encontro prévio.

Resultados:

                No grupo controle que não continha música denotando-se “placebo”, houve um aumento significativo de +5 na Pressão Arterial (PA). Passando a um grau de aceleração do ritmo cardíaco, o que é altamente desfavorável para a saúde humana de +78. No Grupo de Intervenção A com músicas escolhidas pelo pesquisador (orquestradas), foi o que teve melhor colocação geral, a diminuição da Freqüência Cardíaca (FA) dos 5 pacientes após a intervenção foi de –98 o que nos leva a inferir que as músicas orquestradas tais como: once upon a time, shepherd, sounds of nature, instrumental 1, antarticalls piano, utilizadas nessa pesquisa podem ajudar na manutenção da saúde. O Grupo Intervenção B, que sofreu aplicação das preferências musicais, das mais diverssas músicas, tais como: sertanejas, músicas popular brasileira e rock obteve uma diminuição geral de – 20 na freqüência cardíaca. A análise da PA dos três grupos nos mostra um resultado parecido com o da FA, em que o Grupo de Intervenção A, obteve um resultado significativo de -13 o que também mostra a importância da música como instrumento terapêutico. O Grupo de Intervenção B, também obteve um resultado geral positivo em uma diminuição geral de -6 sendo assim sugerem-se que a relevância de se considerar as preferências musicais é de suma importância.  O Grupo Controle C, novamente mostrou um resultado geral insatisfatório em que se obteve um aumento geral da pressão arterial em + 17. Os resultados das intervenções com músicas foram muito positivo, 80% dos pacientes se sentiram melhor ao fim da sessão. É por esses resultados que se comprova a eficácia da escuta musical e o poder da música para manutenção das emoções.

               

Conclusões e Implicações Clínicas

Com base nos dados obtidos evidenciou-se que a música é um forte aliado para a manutenção da saúde humana, mais que uma das expressões artísticas a mesma pode-nos auxiliar frente aos problemas de ordem psicológica e até mesmo os problemas fisiológicos, tais como o alívio imediato da sensação de dor, e o controle da pressão arterial e freqüência cardíaca. A psicologia hospitalar pode utilizar-se do rítmo, melodia e voz de início para estabelecer um vínculo existencial com o paciente, uma das grandes dificuldades que poderão ser encontradas é a transformação dos sentimentos provocados pela aplicação da musicoterapia em algo individual e palpável, fazer com que o paciente veja que os conteúdos aflorados pela musica são dele, com isso esse sentimento torna-se audível e logo passe a ser trabalhado nas intervenções clínicas hospitalares.

 

 

***

 

“GRAVIDEZ DECORRENTE DE VIOLÊNCIA SEXUAL: CARACTERÍSTICAS, POSSIBILIDADES E MANEJO”

DANIELA PEDROSO 

Centro de Referência da Saúde da Mulher/Hospital Pérola Byington – São Paulo, SP, Brasil

 

A violência sexual constitui uma das mais antigas e amargas expressões da violência de gênero, além de representar uma brutal e inaceitável violação de Direitos Humanos e de Direitos Sexuais e Reprodutivos. Embora possa comprometer ambos os sexos, o peso da questão de gênero faz com que as mulheres sejam as principais atingidas pela violência sexual. O fenômeno, considerado universal, atinge mulheres de todas as classes sociais, etnias, religiões e culturas. A gravidez decorrente de violência sexual se destaca pela complexidade das reações psicológicas, sociais e biológicas que determina. A gestação, indesejada ou forçada, é encarada por muitas mulheres como uma segunda violência.

As pacientes que procuram o Centro de Referência da Saúde da Mulher (CRSM) com queixa de gestação decorrente de violência sexual são submetidas a avaliação interdisciplinar com assistente social, ginecologista e psicólogo. O objetivo desta avaliação é verificar se a gravidez decorre da violência sexual alegada, e se não há falsa alegação de crime sexual. A metodologia utilizada na avaliação psicológica compreende entrevistas semi-dirigidas e, quando necessário, a aplicação do Teste da Casa-Árvore-Pessoa (H.T.P.). O H.T.P., de Jonh N. Buck, atende aos requisitos mínimos estabelecidos pela Resolução n.001/2003 e obteve parecer favorável do Conselho Federal de Psicologia em 20/01/2004. É uma técnica projetiva de desenhos e, tem por objetivo, obter informações sobre como uma pessoa experiencia sua individualidade em relação aos outros e ao ambiente do lar.

Através do atendimento psicológico são trabalhadas as opções que a paciente possui mediante a gravidez decorrente de violência sexual, a saber: 1) manter a gestação até o seu término e inserir a criança na família; 2) manter a gestação até o seu término e proceder com os mecanismos legais de doação para processo de adoção; 3) interromper a gestação através do abortamento previsto por Lei. De acordo com o Decreto-Lei 2848, de 7 de dezembro de 1940, incisos I e II do artigo 128 do Código Penal, não é crime e não se pune o abortamento praticado por médico quando não há outro meio de salvar a vida da gestante, ou quando a gravidez resulta de estupro ou, por analogia, de outra forma de violência sexual. O aborto deve ser precedido de consentimento da gestante ou, quando incapaz, de seu representante legal, podendo ser realizado até 20 semanas de idade gestacional.

Independente da decisão tomada pela paciente, a mesma recebe acompanhamento psicológico em todas as etapas do atendimento, podendo ventilar seus sentimentos acerca do ocorrido, com o objetivo de minimizar os impactos emocionais decorrentes da violência sexual e seus agravos. A influência do tratamento vai refletir diretamente no processo de reabilitação de cada paciente, reduzindo os danos da Desordem Pós-Traumática.

***

 

A IMPORTÂNCIA DO ACOMPANHAMENTO PSICOLÓGICO PARA PACIENTES RENAIS CRÔNICOS A PARTIR DAS SUAS PRÓPRIAS AVALIAÇÕES

Ferreira, Emanuelle Loyola; Corrêa-Cunha, E. F.

Universidade Federal de Sergipe – Departamento de Psicologia – Aracaju, Sergipe, Brasil.

Objetivo: Avaliar a importância do acompanhamento psicológico para portadores de Insuficiência Renal Crônica (IRC) a partir das avaliações de uma amostra de 30 pacientes atendidos em uma clínica localizada no município de Aracaju, em Sergipe. Para tal, foram levantados aspectos de caracterização dos participantes, bem como aspectos emocionais instalados neles após o conhecimento da doença. Foram ainda comparadas as avaliações de dois grupos de participantes da pesquisa, um que estava sendo acompanhado psicologicamente com as do outro que não estava.

Método: Participaram desta pesquisa trinta portadores de IRC, com faixa etária entre 18 e 67 anos de idade, divididos em 2 grupos compostos por 15 membros: grupo (1) submetido a tratamento terapêutico e grupo (2) sem tratamento psicológico. Para a coleta de dados foi confeccionado um questionário constituído por questões fechadas, abertas e mistas. As questões fechadas referiam-se ao sexo, à idade, à escolaridade, à moradia e ao tempo de tratamento.  As questões abertas se relacionaram às mudanças na vida após a descoberta da doença, ao significado da doença, às contribuições advindas do tratamento psicológico e às mudanças na vida após o referido tratamento. As questões mistas referiam-se à descoberta e a adaptação à doença e ao seu tratamento. Parte dos dados foi submetida à análise de conteúdo e as justificativas das respostas foram agrupadas em categorias por similaridade (Bardin, 1977). Nas questões mistas foram calculadas as porcentagens da parte objetiva e as considerações foram citadas a fim de enriquecer a análise das mesmas.

Resultados: Quanto à caracterização dos sujeitos, os resultados mostraram que a média de idade foi de 43 anos, sendo 50% do sexo masculino e 50% do feminino. O tempo de tratamento dos participantes variou entre 8 meses a 11 anos. A maioria dos participantes (60%) não completou o ensino fundamental e 73,3% moram no interior de Sergipe.

Em relação à descoberta da doença, 50% afirmaram ter sido “péssimo”, segundo as suas próprias palavras, 40% afirmaram que foi “ruim” e 10%  disseram que foi “normal”.

Quanto à adaptação a doença, afirmaram que  foi “ruim” 60% dos participantes do grupo 1 e 40% do grupo 2. Apontaram que foi “regular” 20% do grupo 1 e 26,7% do grupo 2. Sinalizaram ter sido “boa” a adaptação à doença 20% do grupo 1 e 33,3% do grupo 2.

Em relação à adaptação ao tratamento, afirmaram que foi “ruim” 40% do grupo 1 e 46,7% do grupo 2. Apontaram que foi “regular” 40% do grupo 1 e 6,6% do grupo 2. Sinalizaram ter sido “boa” 20% do grupo 1 e 46,7% do grupo 2.

Do total dos participantes, observou-se que 96,7% afirmaram que após a descoberta da doença  ocorreram mudanças em sua vida – no sentido negativo -, relacionadas ao trabalho, à vida social, ao modo de ser e aos hábitos alimentares.

Os participantes do grupo 1 afirmaram que as contribuições da psicologia estavam relacionadas: ao ânimo; aos esclarecimentos sobre a doença; ao desabafo e aconselhamentos dos psicólogos. A maioria do grupo 2 (66,7%), afirmaram que gostariam de ser acompanhados psicologicamente e ressaltaram a importância da psicologia. Observou-se que mesmo os que não desejavam acompanhamento psicológico enfatizaram sua importância explicando que esse trabalho é essencial principalmente no momento da descoberta da doença e no início do tratamento. Em relação às mudanças na vida dos participantes após o acompanhamento psicológico, eles afirmaram que passaram a compreender mais a doença e melhoraram o estado psicológico, no sentido de se tornarem mais calmos e mais alegres.

Conclusão: Ficou evidenciado que o tratamento psicológico é importante para os portadores de IRC, tanto para aqueles que estavam sendo acompanhados psicologicamente como para os que não estavam.  Implicações Clínicas: O conjunto das respostas dos participantes indicou a necessidade de se propor um trabalho terapêutico de grupo para o acompanhamento dos pacientes Renais Crônicos. Tal experiência poderá compor outra frente de estágio nesta área, tendo em vista que o acompanhamento individual já vem sendo desenvolvido na condição de estágio obrigatório para alunos dos últimos períodos do curso de Psicologia da Universidade Federal de Sergipe. Acreditamos que tal iniciativa venha, entre outros benefícios, ampliar e sistematizar a rede de atendimento a esses pacientes.

***

 

MÉTODO MÃE-CANGURU: UM ESTUDO DE REVISÃO BIBLIOGRÁFICA    

Corrêa-Cunha, Elza Francisca; Mendonça, L. G. T.; Carvalho, M. M. S. B.; Ferreira, E. L.; Santos, C. A.; Caldas, M. C. S.; Santos, V. A.

Universidade Federal de Sergipe – Departamento de Psicologia – Aracaju, Sergipe, Brasil

Introdução: A proposta de um estudo de revisão de literatura sobre o Método Canguru surgiu para dar suporte teórico a uma pesquisa sobre bebês de alto-risco, que é um dos objetos de estudo do grupo de pesquisa que assina este trabalho. Esta revisão foi a primeira parte de uma série de desdobramentos que se originaram em uma experiência de Estágio Supervisionado em Psicologia Institucional I e II ofertados aos alunos do curso de Psicologia da Universidade Federal de Sergipe.

Objetivo: Realizar uma revisão da literatura nos últimos 20 anos a respeito da abordagem e evolução de bebês prematuros e pais, submetidos ao método Mãe-Canguru e comparar suas variáveis com aquelas descritas em estudos em que se utilizou a incubadora como forma de tratamento de neonatais e pais em condições de prematuridade.

Método: A revisão bibliográfica foi construída a partir das bases de dados: Medline, Bireme Cochrane Plus, Scielo, Science Direct e Pubmed, nos idiomas Português, Inglês, Francês e Espanhol. As palavras chaves pesquisadas foram: kangaroo care, soins cangourou, métodos de cuidados com prematuros, comparison of kangaroo mother care and conventional incubator care, kangaroo care versus incubator care, método canguru, amamentação, prematuro. Os artigos selecionados cobriram um período que variou entre os anos de 1993 a 2008, tendo sido pesquisados entre alguns resumos e artigos, um total de 47 comunicações.

Resultados: O conjunto de participantes incluídos nesta pesquisa ficou assim distribuídos: Nº recém-nascidos = 1770; Nº mães = 1248; Nº de díades compostas pela mãe e bebê = 191; Nº de tríades (pai, mãe e bebê) = 164; equipe médica e para-médica = 125. Os resultados das pesquisas acessadas evidenciaram 6 categorias, com as quais realizamos uma análise de conteúdo, obtendo o seguinte quadro: Interação Mãe-Bebê (50%) Amamentação e Sucção (32,6%); Tempo de Hospitalização (15,2%); Custos do Método Canguru (19,5%); Equipe Profissional(17,3%) e Comparação entre o Método Mãe-Canguru (MMC) e o Método Incubadora (24%).

Conclusões: Interação Mãe-Bebê – 100% dos estudos enfatizam a importância do Método Canguru para o contato precoce entre o prematuro e seus pais e/ou familiares. Amamentação – Foram registrados que 93,7% apontaram a importância do MMC para a elevada incidência de amamentação e seus benefícios para a produção de leite. Para 6,3% dos registros não houve diferença significativa no aumento da amamentação. Tempo de Hospitalização – Mencionaram que o MMC contribuiu para a redução do tempo de internação 85,8% dos registros e 14,2% concluíram que MMC não interfere no tempo de internação hospitalar. Custo do Método Canguru – Foram representados por 88,9%, os registros que mostraram eficiência do MMC quanto à redução de custos. 11,1% dos registros enfatizaram que é preciso mais estudos para verificar a vantagem do MMC. Equipe Profissional – Para 50% dos estudos foi enfatizada a assistência da equipe como essencial para o sucesso do MMC. Foi constatado que 37,5% dos registros mostraram a necessidade de uma equipe treinada e conhecedora dos benefícios do MMC, e 12,5 % dos estudos afirmaram que a presença da família no hospital atrapalha a equipe de saúde no bom andamento das atividades. Comparação entre Método Canguru e Incubadora – Foram contados os efeitos positivos e de semelhança entre as diferentes abordagens, em que se constatou 31 citações positivas atribuídas ao MMC, uma atribuída ao MI e 5 que não apresentaram diferenças significativas entre os métodos.

Implicações Clínicas: Diante da revisão realizada verificamos a necessidade de mais pesquisas comparativas entre os métodos, cujos resultados poderão esclarecer aspectos clínicos importantes para subsidiar o aconselhamento para qualquer uma das abordagens, bem como para capacitar equipes no manejo de suas especificidades em diversas instituições. Para tanto, realizaremos uma pesquisa a fim de descrever e comparar a formação do vínculo bebê-pais favorecida pelo método mãe canguru e pelos cuidados de tratamento pela incubadora, bem como estudar aspectos emocionais dos pais de bebês pré-termos durante o processo de hospitalização dos mesmos. Para tal, entramos em contato com duas maternidades do Estado de Sergipe, uma pública e outra particular. Nesta última os prematuros são tratados nas incubadoras. A maternidade pública contatada adota o método Mãe – Canguru e mantém, em parceria com o departamento de Psicologia/UFS uma frente de estágio.

 

 

***

 

Assistência Psicológica à Gestante Soropositiva

Uma Atuação Interdisciplinar.

Maria do Carmo Braga do Amaral Tirado

TIRADO MCBA; AMED AM; LINDSEY PC; BORTOLETTI FF; ALECRIM MJ; SILVA RCO; NARDOZZA LMM; MORON AF.

Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP – Brasil

OBJETIVO

A equipe médica do NUPAIG detectou a necessidade de uma assistência psicológica especializada para as gestantes soropositivas e solicitou ao Setor de Psicologia Obstétrica a implantação de uma abordagem terapêutica que pudesse atender as necessidades dessa clientela. Objetivando atender adequadamente esta solicitação optamos pelo atendimento personalizado.

METODOLOGIA

Foram atendidas individualmente 80 pacientes com idade entre 16 e 44 anos, no período de janeiro de 2004 a abril de 2008, independentemente da idade gestacional. O instrumento utilizado foi a Psicoprofilaxia no Ciclo Gravídico Puerperal (CGP), fundamentados pela compreensão da Psicodinâmica da Gravidez, Parto e Puerpério. Utilizamos a Entrevista Clínica e a Psicoterapia Breve, trabalhando a emergência dos conteúdos emocionais, orientação psicopedagógica acerca do HIV positivo e do processo reprodutivo e, finalmente, a intervenção corporal.

RESULTADOS

A Psicoprofilaxia do CGP personalizada adaptada ao diagnóstico clínico da soropositividade mostrou-se eficaz na implantação da assistência psicológica, assistindo essa clientela durante todo o CGP.

A adesão da clientela ao atendimento psicológico foi de 80%.

O protocolo de assistência psicológica incorporou-se ao da Equipe de Saúde, registrando uma atuação interdisciplinar eficiente entre a assistência médica, enfermagem, administrativa e voluntariado.

CONCLUSÕES

O protocolo da assistência psicológica obstétrica atendeu não só as necessidades da clientela promovendo o suporte ao CGP, beneficiando integralmente a gestante soro positiva, como também da equipe médica que recebeu retaguarda pela consultoria. Dessa forma favoreceu a todos uma melhor qualidade de vida, inclusive ao Setor de Psicologia Obstétrica, que teve a oportunidade de desenvolver um trabalho enriquecedor.

IMPLICAÇÕES CLÍNICAS

Essa clientela demanda um preparo especializado tanto do ponto de vista técnico quanto  pessoal, necessitando um cuidado redobrado quanto as questões bioéticas.

 

***

 

Perfil Psicológico da Gestante Soropositiva como Instrumento Norteador da Implantação da Assistência Psicológica no Ambulatório de Doenças Infecto-Contagiosas  - NUPAIG – POSTEER!

 

TIRADO MCBA, AMED AM, LINDSEY PC, BORTOLETTI  F F, FRANCISCO MFR; SILVA RCO; NARDOZZA LMM;  MORON A F.

 

Departamento de Obstetrícia-Universidade Federal de São Paulo – Brasil

 

Objetivo

Este estudo propõe traçar o perfil psicológico das gestantes soropositivas atendidas no Ambulatório de Doenças Infecto-Contagiosas do Departamento de Obstetrícia – NUPAIG, objetivando identificar instrumentos técnicos adequados à assistência psicológica tendo como foco a prevenção de transtornos psíquicos específicos do ciclo gravídico puerperal (CGP).

Metodologia

Foram atendidas  individualmente 80 gestantes com idade  entre 16 e 44 anos de janeiro de 2004 a abril de 2008, independentemente da idade gestacional. Utilizamos o protocolo psicoprofilático clássico adaptado ao diagnóstico clínico, respeitando as particularidades das orientações:  Entrevista Clínica, Psicoterapia Breve, Orientação Psicopedagógica e Conscientização Corporal.

Resultados

Observou-se que as mulheres soropositivas exibem uma psicodinâmica específica do CGP  similar à qualquer outra gestante. Com o parto evidencia-se aumento da auto-estima, percebendo o bebê como continuidade de si mesmo e concretizando o instinto de preservação da vida. O sentimento de capacidade para exercer a maternagem dá à sua própria vida uma outra dimensão. Observa-se frustração pela impossibilidade da amamentação, porém esta é sublimada nos cuidados gerais ao bebê. Evidencia-se a necessidade do reasseguramento quanto ao respeito à sua privacidade. O vínculo terapêutico é fundamental para esta gestante não se sentir discriminada. As pacientes drogadictas apresentaram-se mais agressivas do que as demais. Não foram registrados casos significativos de Depressão Pós-Parto.

Conclusão

A Entrevista Clínica mostrou-se eficiente para traçarmos o perfil psicológico desta clientela, fornecendo subsídios para delinearmos a assistência psicológica obstétrica especializada.

A Psicoterapia Breve, a Orientação Psicopedagógica e a Conscientização Corporal mostraram-se eficientes na prevenção dos transtornos psíquicos do CGP.

Implicações Clínicas

É de fundamental importância a conscientização do profissional que vai assistir essa clientela no sentido de sua fundamentação teórica, uma vez que estas gestantes apresentam não só as particularidades específicas da Psicologia Obstétrica como também aquelas pertinentes a sua patologia.

 

***

 

ATENÇÃO INTERDISCIPLINAR À GESTANTE DIABÉTICA

 

Maria de Jesus Alecrim

 

ALECRIM MJ; MATTAR R; NAKAMURA UM; TORLONI MR;BITTENCOUT C; COSTA CP;  BORTOLETTI FF; MORON AF

 

Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP – Brasil

 

OJETIVOS

Este trabalho visa refletir sobre a atenção integral à gestante diabética, numa atuação interdisciplinar com acompanhamento rigoroso da gravidez objetivando prevenir  complicações e riscos materno-fetais. Atua de forma efetiva na prevenção dos transtornos psíquicos específicos do processo reprodutivo, facilitando  e promovendo a adesão ao pré-natal de forma adequada e integral.

METODOLOGIA

A assistência  se inicia pela enfermeira  a qual realiza a pré-consulta, avaliando peso, altura, pressão arterial, níveis glicêmicos e, orientando tanto no controle deste último como na aplicação e manejo da insulina. Logo após a gestante é encaminhada à consulta  obstétrica para a rotina de pré-natal e endocrinológica onde é avaliada nos níveis de glicemia sendo que as condutas médicas são adotadas de forma integrada. Paralelamente recebe assistência psicológica que se inicia na sala de espera, posteriormente recebendo atendimento individual de acordo com o protocolo do Setor de Psicologia no modelo de pré-natal psicológico durante toda a gestação, recebendo atendimento hospitalar diário durante o período de internação e ambulatorial até o 3º mês pós-parto. Concomitantemente a gestante recebe a consulta com a nutricionista, ensinando o controle dietético, orientando na contagem de carboidratos às diabéticas em uso de insulina.

RESULTADOS

Constata-se que, a clientela atendida no ambulatório, valoriza o atendimento, sente-se acolhida e vincula-se a equipe, aderindo ao pré-natal de forma efetiva. Portanto, podemos inferir que a atuação da equipe interdisciplinar, promove benefícios significativos a clientela, esclarecendo, desfazendo mitos e conceitos equivocados sobre o diabetes, facilitando a elaboração dos conteúdos emocionais próprios do ciclo gravídico puerperal e a adesão à terapêutica durante o período gestacional.

CONCLUSÃO

A atuação interdisciplinar mostra-se eficiente na busca da conscientização da necessidade do controle metabólico, minimizando os riscos maternos-fetais durante o ciclo gravídico puerperal, favorecendo o desenvolvimento do vínculo materno-paterno-filial.

IMPLICAÇOES CLÍNICAS

A gravidez em diabética é considerada de alto risco, uma vez que a incidência de níveis hiperglicêmicos podem desencadear  intercorrências maternas e fetais. A adesão da paciente ao tratamento é fundamental no controle do quadro clínico e, tendo como objetivo garantir a saúde materno-fetal torna-se importante a atuação da equipe multidisciplinar, uma vez que a evolução do bem estar materno e fetal depende não somente de fatores orgânicos como também psicológicos.

 

***

 

Formação de Profissionais para a Implantação do Ambulatório de Sexualidade

 

FRANCISCO MFR; NAKAMURA UM; BORTOLETTI FF; VIEIRA TCSB; SANTANA TGM; FARIA GR; FERREIRA DQ; MORON AF

 

Universidade Federal de São Paulo- UNIFESP – Brasil

1. Objetivo:

É sabido que existem dificuldades em encontrar profissionais que atuem adequadamente na área de disfunções sexuais, sendo que a dificuldade já se inicia na escuta do paciente. O Programa de Qualidade de Vida e a Disciplina de Obstetrícia Fisiológica optaram por qualificar os profissionais que irão atender no Ambulatório de Sexualidade. O objetivo é preparar os profissionais, lidar com suas dúvidas e inseguranças, favorecendo uma melhor qualidade de vida no seu desempenho  com a futura clientela.

2. Metodologia:

Foi elaborado um Curso de Extensão em Sexologia para Equipe Multiprofissional do Departamento de Obstetrícia no período de fevereiro a novembro de 2008. Este curso está sendo administrado por professores da UNIFESP em parceria com a equipe técnica do CRESEX. O público alvo  são médicos, enfermeiros, psicólogos e fisioterapeutas. A formação é teórico-prática, contando com reuniões científicas, atendimento a pacientes e discussão de casos clínicos.

3. Resultados:

Os alunos são assíduos havendo uma participação ativa, onde cada profissional contribui com o conhecimento da sua ciência. A informação está tomando o lugar da insegurança e da angústia, favorecendo a melhoria da qualidade de vida dos profissionais frente ao novo desafio o que beneficiará diretamente o paciente.

4. Conclusões:

Os profissionais estão realmente se preparando atendendo aos objetivos básicos de uma Escola, onde o profissional deve exercer suas funções de forma técnica e pessoal adequada.  O ambulatório de Sexualidade está diretamente ligado à formação de uma equipe interdisciplinar, uma vez que as disfunções sexuais apresentam fatores orgânicos, psíquicos e sociais.

5. Implicações Clínicas:

O compromisso com a assistência efetiva à população que busca atendimento na rede pública, denota a responsabilidade dos profissionais de Saúde frente a nossa realidade social e a transformação desta. Esta clientela deve ser assistida tal aquela que busca a assistência na rede privada.

 

***

 

TRAJETÓRIA DO LUTO MATERNO NOS CASOS DE

INTERRUPÇÃO LEGAL DA GESTAÇÃO

Roberta

SILVA RCO; BORTOLETTI FF; TIRADO MCBA; FRANCISCO MFR; ALECRIM MJ; SANTANA RM;  NARDOZZA LMM; MORON AF

Disciplina de Medicina Fetal – Universidade Federal de São Paulo – Brasil

OBJETIVOS

Identificar particularidades da trajetória do luto materno desde o diagnóstico de inviabilidade fetal até o período da alta preconizado pelo protocolo do Setor de Psicologia .

METODOLOGIA

Selecionamos  19 pacientes atendidas no período de 2005 a 2008. Foram submetidas ao Protocolo de Tomada de Decisão e preparadas para a indução pela Psicoterapia Breve focada no desligamento mãe-feto e elaboração do luto. Utilizamos o Marcador de Prontidão Psicológica para interrupção legal da gestação como instrumento objetivo da decisão minimizando as possibilidades de arrependimento.

RESULTADOS

As pacientes responderam ao processo de indução expulsando o feto no máximo em 3 dias. A  trajetória do luto materno nesses casos é similar àquelas que optam pela não interrupção,  ou seja: choque, negação, revolta, aceitação, depressão,  desligamento do feto, elaboração do luto, reestruturação da vida. Observou-se uma particularidade importante, as pacientes passam por uma fase de tristeza intensa após o processo de indução e, por ocasião da DPP registramos a recidiva desse quadro em intensidade similar, desaparecendo aproximadamente 1 mês após. Nenhuma paciente se arrependeu da sua decisão.

CONCLUSÕES

Existe uma diferença na vivência da trajetória do luto entre as pacientes que interrompem a gestação e aquelas que mantém até o têrmo. As primeiras só irão concluir seu processo 1 mês após a DPP independentemente da data da interrupção, enquanto naquelas que mantiveram a gestação a conclusão do processo ocorre 1 mês após o parto. Consideramos esta particularidade importante para desmistificar a fantasia de que a interrupção abrevia o tempo de sofrimento.

IMPLICAÇÕES CLÍNICAS

O psicólogo especializado em Psicologia Obstétrica deve estar sempre comprometido com os sentimentos latentes da paciente não se deixando contaminar por pré-conceitos sociais alimentados pela mídia. Deve sempre respeitar o livre arbítrio da paciente ajudando para ela possa identificá-lo de maneira segura garantindo uma tomada de decisão consciente, desmistificando as fantasias criadas pela sociedade.

 

***

 

A IMPORTÂNCIA DO ACOMPANHAMENTO PSICOLÓGICO AO PACIENTE E FAMILIAR NOS DIFERENTES ESTÁGIOS DA HOSPITALIZAÇÃO. 

SIMHON JAQUELINE; GUIMARÃES E; LEAL L; MARIS R; SOUZA M;  VILAS BOAS ; J. PITANGUEIRA FILHO, JCC

Hospital Municipal Eurico Goulart de Freitas – Mata de São João – Bahia – Brasil

Hospital Municipal de Candeias – Candeias – Bahia- Brasil

 

Objetivo: Os Hospitais públicos gerenciados pela equipe multidisciplinar da empresa Mediar Gestão e Serviços de Saúde têm como foco principal o atendimento humanizado e resolutivo. O Departamento de Psicologia da Mediar constitui um dos pilares principais dos macro-processos gerenciais de humanização e acolhimento dos pacientes e seus familiares. O presente estudo teve por objetivo avaliar a importância do acompanhamento psicológico prestado ao paciente e seus familiares nos diferentes estágios da hospitalização nas unidades gerenciadas pela Mediar

 

Método: Trata-se de estudo do tipo retrospectivo, realizado através da aplicação de questionário padronizado para a revisão de 266 prontuários de pacientes internados no período de março a maio de 2008, nos Hospitais Municipais de Candeias e Mata de São João, ambos localizados na região metropolitana de Salvador-BA e administrados pela empresa Mediar Gestão e Serviços de Saúde. Os critérios de inclusão do estudo foram pacientes submetidos a acompanhamento psicológico durante a hospitalização. A análise dos dados foi realizada através do software Excel e estratificada com base no estágio de atendimento psicológico (inicial, subseqüente e final da hospitalização) considerando as variáveis de recursos positivos e negativos do enfrentamento de pacientes e seus familiares frente ao processo de hospitalização.

 

Resultados: As análises identificaram reações psicológicas positivas e negativas, que, por sua vez, caracterizaram um bom ou mau enfrentamento da hospitalização; as reações positivas mais predominantes foram: Ativo, tranqüilo e receptivo, e as negativas, medo, angústia e ansiedade.

Na Pediatria, verificamos que dos 92 pacientes atendidos, no momento inicial, 58% apresentaram recursos negativos de enfrentamento à hospitalização, ao passo que 42% demonstraram recursos positivos. Nos atendimentos subseqüentes, observou-se que aproximadamente 72,5% dos pacientes demonstraram recursos positivos, contrapondo com apenas 27,5% de enfrentamento negativo. Assim, 83% finalizaram a hospitalização evoluindo para um bom enfrentamento. No que tange atendimento psicológico ao familiar, percebeu-se que dos 101 atendimentos, aproximadamente 44% apresentaram enfrentamento positivo e 55% enfrentamento negativo. Nota-se então, uma dificuldade destes familiares em lidar com a doença e hospitalização do paciente, sendo minimizado através de atendimento psicológico, em 64% dos casos.

Na enfermaria de Clínica Médica, observamos que dos 174 pacientes atendidos, 81% no primeiro momento, reagem com recursos negativos. Nos atendimentos subseqüentes, aproximadamente 72,5% dos pacientes demonstraram recursos positivos, contrapondo com apenas 27,5% de enfrentamento negativo. Assim, 83% finalizaram a hospitalização evoluindo para um bom enfrentamento. No atendimento psicológico ao familiar nesta enfermaria, foi observado que dos 141 familiares, 44% apresentaram enfrentamento positivo e 53% apresentaram enfrentamento negativo, denotando a dificuldade destes em lidar com a hospitalização.

 

Conclusão: O presente estudo concluiu que os pacientes que foram submetidos ao acompanhamento psicológico nos diferentes estágios da hospitalização, cursaram com bom enfrentamento, apresentando reações positivas diante deste momento. A inserção do psicólogo no Hospital objetiva resgatar os aspectos subjetivos do estar doente que transcende a urgência orgânica. O acompanhamento psicológico propicia ao paciente expressar suas angústias, ansiedades e expectativas em relação à internação e doença permitindo uma melhor aceitação e, conseqüentemente, uma recuperação mais adequada e acompanhada de menos sofrimento. Os benefícios com o acompanhamento psicológico também se estendeu aos acompanhantes, no sentido de prepará-los e auxiliá-los nas suas possíveis angústias.

 

Implicação Clínica: As reações e complicações psicológicas decorrentes de problemas de saúde comprometem a capacidade funcional do individuo.  Este estudo demonstrou que a contribuição do psicólogo neste momento é efetiva no sentido de minimizar os impactos causados pela doença e hospitalização. Assim, o processo do adoecimento requer, portanto cuidados ao físico, a subjetividade e a relação do paciente e familiar, visto que a família é mobilizada pelos impactos causados pela doença e pelo doente.  .

 

APOIO: Mediar Gestão em Saúde.

 

 

Salvador, 09 de Junho de 2008.

Jaqueline Simhon

 

***

 

A PSICOLOGIA HOSPITALAR NO CONTEXTO PEDAGÓGICO: RELATO DE EXPERIÊNCIA COM PROFISSIONAIS DE SAÚDE

 

DUARTE, MARCIA SIMEI ZANOVELLO; CUNHA, K., C.; SILVA, T.C.C;. UNIVERSIDADE DE FRANCA, FRANCA-SÃO PAULO, BRASIL.

INTRODUÇÃO: A Psicologia Hospitalar tem importante contribuição às equipes de saúde, instrumentalizando-as com conhecimentos para compreensão dos aspectos subjetivos dos pacientes em situações de adoecimento.

OBJETIVOS: O presente trabalho descreve e compara duas estratégias de ensino -palestras e grupos de estrutura mista (teórico-vivencial) utilizadas em grupos de acadêmicos e profissionais da área da saúde.

MÉTODOS: A estratégia utilizada na modalidade palestra consistiu em aulas expositivas temáticas com recurso do data-show. As estratégias utilizadas na modalidade grupos de estrutura mistaforam: aquecimento do grupo através das técnicas dos iniciadores; uso de material didático fornecido para leituras prévias ou no grupo; comentários pessoais; compartilhamento; feedback dos participantes, feito a partir dos insights e reflexões ocorridas durante  a sessão. Utilizou-se para o feedback imagens, desenhos coletivos e/ou individuais, escritos, relatos orais, dentre outros.

RESULTADOS: Os resultados obtidos nas duas modalidades diferenciaram-se significativamente quanto ao nível de insights e reflexão gerados em uma e outra estratégia utilizada. Nas aulas expositivas e temáticas observou-se desmotivação, passividade dos profissionais e grande dificuldade de interação com o conteúdo exposto, dificultando a discussão e compreensão dos temas propostos. Na outra modalidade, a partir de um referencial teórico psicodramático, privilegiou-se uma estrutura mista aos grupos de ensino, enfocando conhecimentos teóricos aliados às vivências temáticas dramatizadas pelos grupos.

CONSIDERAÇÕES FINAIS: A experiência vivida neste contexto demonstra a importância da psicologia hospitalar nos contextos de aprendizagem e evidencia que as estratégias escolhidas têm importância fundamental no processo. Percebe-se que colocar as equipes como protagonistas do processo saúde/doença através das dramatizações mobiliza sentimentos pessoais que potencializam percepções e reflexões sobre as vivências dos seus pacientes e também resgata a importância dos seus papéis de cuidadores.  Esta dinâmica facilita a aprendizagem, pois não privilegia a “educação bancária” tradicional, mas sim, a participação efetiva no processo ensino/aprendizagem

 

***

 

PERCURSO – REFLETINDO SOBRE A TRAJETÓRIA INICIAL NO PAPEL DE APRENDIZES EM PSICOLOGIA HOSPITALAR

CUNHA, KARINE CRISTINA; FARIA, L. M. L; CARVALHO, D. M.; SILVA, T. C. C.; GUASTI, R. C.B.; DUARTE, M. S. Z.

OBJETIVO: O presente artigo visa apresentar algumas reflexões sobre a vivência de seis estagiárias no contexto hospitalar (Santa Casa de Misericórdia) em um estágio de Psicologia Hospitalar realizado no curso de graduação em Psicologia de uma Universidade localizada no interior do Estado de São Paulo.

MÉTODOS: Para a construção deste relato recorremos à própria vivência das estagiárias, partindo de reflexões feitas durante a supervisão (reflexões estas possibilitadas por dinâmicas de sensibilização sobre o papel de aprendizes de terapeutas no contexto hospitalar); discussões sobre as intervenções e inserção na instituição; trocas realizadas no grupo sobre aspectos sociais e pessoais observados e vividos no estágio; e a construção coletiva deste relato.

RESULTADOS: No início percebemos que ansiedades, medos, incertezas se faziam muito presentes. Escutar, compartilhar, acolher dores, perdas e temores não é tarefa fácil. Num espaço nem sempre acolhedor, por vezes hostil ou pouco crente no valor da Psicologia e, principalmente num papel recém conhecido de escuta-dor, é desafio. Desafio que escolhemos e enfrentamos. Abria-se um caminho permeado por descobertas, insights e conhecimento. Misto de prazer misturado com desconfiança, curiosidade e desejo por conhecer.  Medos: de se mostrar, de não-saber ser e/ou fazer. Vivemos a angústia de estar com outro no sofrimento; sentimentos de impotência, dependência, de inadequação e por vezes, vontade de desistir. Necessidade de algum guia para nos conduzir. Entretanto, continuamos e resgatando conhecimentos teóricos aliados às intervenções realizadas, aprendemos sobre este papel. Desenvolvemos habilidades essenciais para a vida profissional. Tivemos então, o desejo de compartilhar a experiência.

CONSIDERAÇÕES FINAIS: Estagiar é dar os primeiros passos de bebê, é explorar, frustrar-se e, também, apreciar as (auto) descobertas. Nesta trajetória foi fundamental a supervisão e apoio mútuo entre colegas. Na ânsia por modelos prontos para nos apoiarmos, vimos que o caminho se faz pelo seu trilhar. O papel se constrói pelo experimentar, pela tolerância com os limites pessoais ou situacionais. A experiência vivida representou um grande salto na aprendizagem como iniciantes no papel de terapeutas onde, em meio aos percalços encontrados, pudemos constatar as possibilidades e a importância da prática do psicólogo neste contexto.

 

***

 

FAMÍLIA: A DOR DA PERDA

Larissa Shikasho – Curso de Psicologia Hospitalar e da Saúde da Fundação de Apoio ao Hospital Universitário da Universidade Federal de Juiz de Fora  - MG-Brasil.

Orientadora: Faria, H.M.C – Coordenadora e professora do Curso de Psicologia Hospitalar e da Saúde da Fundação de Apoio ao Hospital Universitário da Universidade Federal de Juiz de Fora e Psicóloga do Instituto Oncológico de Juiz de Fora -MG-Brasil.

Introdução: Diante da grande amplitude de experiências de perdas pertinentes a vida, sem sombra de dúvidas, a morte de um membro da família nos coloca defronte ao que  pode ser considerado o maior desafio humano: a adaptação tanto individual quanto ligada a  reestruturação familiar, visto que há uma ruptura, uma quebra de equilíbrio, uma interrupção de um modo de ser.

O luto, compreendido aqui como a dor ligada à perda da pessoa amada, é caracterizado por momentos de crises e de situações bastante estressantes, que se não forem bem administrados pelas pessoas que os vivenciam, podem ocasionar distintas perturbações disfuncionais.

Objetivos: Considerando que inúmeros fatores podem definir o rumo de um luto e que problemas, em diferentes aspectos, podem surgir da incapacidade de fazê-lo adequadamente, o presente trabalho tem como objetivo analisar a repercussão da perda dentro de uma perspectiva sistêmica, considerando algumas variáveis que podem facilitar ou dificultar o processo de adaptação familiar. Estes fatores dizem respeito à forma de morte, a família e a rede social, ao momento da perda no ciclo de vida familiar  e ao contexto sociocultural  da perda.

Metodologia: Pesquisa exclusivamente teórica, conduzida pela revisão bibliográfica centrada nos estudos sobre dor, perda, processo de luto e morte na família. O estudo será norteado pelos seguintes autores: Bauman (1998), Carvalho (2003), Esslinger (2004), Mello Filho (2004), Romano (1999) e Walsh & McGoldrick (1998).

Conclusões: Para que famílias enlutadas possam atingir o reconhecimento da perda e adaptação à nova realidade na terapia, é indispensável que o terapeuta tenha uma grande clareza ao discriminar o limite da normalidade e patologia, quando confrontado a situações de luto, se atentando sempre aosaspectos gerais e particulares imbricados no caso. Dentre estes aspectos destaca-se: a análise de variáveis influentes no processo de elaboração do luto; grau de flexibilidade do sistema à mudança; histórico do passado; legado de perdas passadas e idiossincrasia. Todas estas questões são crucias para que se possa entender as formas de enfrentamento adotadas pelas famílias e individualmente, para consequentemente, poder estabelecer  a  futura intervenção.

Constata-se também que o reconhecimento compartilhado da realidade da morte e a experiência comum da perda são tarefas imprescindíveis para o processo de adaptação, sendo os rituais terapêuticos instrumentos muito úteis para promover e facilitar o trânsito dos sentimentos comuns aos membros da família, pois, a expressão e simbolização se realizam de forma menos ameaçadora à integridade emocional.

Implicações Clínicas: Acredita-se que uma compreensão sistêmica da morte e dos  seus impactos é imprescindível para nossa orientação profissional no auxiliar famílias que apresentam possíveis sintomas e dificuldades associadas à morte de um membro, manifestos ou não.

 

***

 

HEMOFILIA: O DIFÍCIL PROCESSO DE ACEITAÇÃO E AUTOCUIDADO NA ADOLESCÊNCIA.

Larissa Shikasho – Universidade Federal de Juiz de Fora – MG – Brasil.

Barros, N.D.V.M. – Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora – MG – Brasil.

Orientadora: Ribeiro, V.C.P. – Professora Mestra do Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora (CES-JF) – MG – Brasil.

Introdução: A hemofilia é o distúrbio de coagulação que afeta todos os grupos raciais e socioeconômicos com a mesma incidência. É uma doença genética, hereditária, congênita e crônica, sendo suas manifestações clínicas freqüentes e caracterizadas principalmente por crises hemorrágicas.

Os hemofílicos, desde muito pequenos, mostram sua fragilidade física culminando numa certa limitação ao longo do seu crescimento, já que suas ações devem ser cautelosas, para não se ferirem. Estão sempre enfrentando desafios inerentes à sua doença: a dor devido às sucessivas hemorragias intra-articulares e as condutas no tratamento destes episódios.

Objetivos: Elucidar as principais dificuldades advindas da hemofilia, associada ao processo de adolescer, considerando suas implicações no autocuidado e na promoção de uma maior qualidade de vida.

Metodologia: Pesquisa exclusivamente teórica, conduzida pela revisão bibliográfica centrada nos estudos sobre hemofilia e adolescência. O estudo será norteado pelos seguintes autores: Botura (2001); Camon (1996, 2002) e Mello Filho (1992, 2004).

Resultados: As limitações impostas pela hemofilia são reforçadas, em muitos casos, pela própria família através do estigma da superproteção, propiciando a criança/adolescente um ambiente emocional que aponta para a incapacidade e falta de perspectivas com relação ao futuro. A renúncia, desde cedo, de qualquer responsabilidade própria reafirma a personalidade dependente do hemofílico, tendo implicações principalmente na adolescência, cujos desejos de liberdade e independência, característicos da fase, podem levar o adolescente a vivenciar este processo de transição com maior angústia, agressividade e revolta.

Devido ao fato de se sentirem lesados e diferentes, os adolescentes portadores de hemofilia podem se aventurar em atividades arriscadas, com o intuito de buscar aprovação de um grupo ou tentar provar algo a alguém. Podem também desejar ser como seus colegas em todas as atividades, ignorando riscos graves à sua saúde, chegando até a negligência, em alguns casos, considerando que os limites necessários ao autocuidado são vivenciados como privação.

Conclusão: Conclui-se que além do importante papel da família no cuidar e sua implicação no desenvolvimento emocional da criança/adolescente, a equipe multidisciplinar também tem uma função crucial no auxílio a estes pacientes, através do acompanhamento sistemático, integral e diversificado.

Constata-se também uma significativa carência de material teórico sobre o tema, sendo  extremamente relevante que em futuras investigações, variáveis como a idade, diferenças no tipo de hemofilia, relação entre o ajustamento psicológico de adolescentes hemofílicos com o ajustamento dos seus familiares possam ser estudadas e aprofundadas.

Implicações Clínicas: O caráter deste trabalho, reveste-se de importância no âmbito da psicologia da saúde, pois, reflete o crescente interesse no conhecimento dos determinantes psicológicos ligados à pacientes hemofílicos, principalmente na fase da adolescência, onde fatores como o “ser hemofílico” defrontam-se com aspectos como negação e negligência, característicos desta fase. Estas questões podem contribuir para a atuação clínica na medida em que permitem um maior entendimento das relações complexas entre a qualidade de vida e o funcionamento psicológico destes pacientes.

 

***

 

PREPARAÇÃO PSICOLÓGICA PARA CIRURGIA: UMA EXPERIÊNCIA COM CRIANÇAS E ADOLESCENTES NO HOSPITAL UNIVERSITÁRIO LAURO WANDERLEY (HULW) EM JOÃO PESSOA-PB

Laura Helena Montenegro Kumamoto; Chaves, C. T. S.; Jardim, L. C. S. ; Rodrigues, N. N.; Andrade, R. F. ; Soares,  S. C.  S.

OBJETIVOS- A doença e a hospitalização na infância e adolescência é vivenciada como uma crise que afeta o indivíduo como um todo. Quando há necessidade de cirurgia o sofrimento físico e psicológico tende a se agravar em face da ameaça à integridade corporal, prolongamento do tempo de internação e medo de morrer. Este trabalho tem por objetivo amenizar os efeitos negativos de tal experiência, tendo como foco as crianças e adolescentes e seus respectivos acompanhantes, no centro cirúrgico do Hospital Universitário Lauro Wanderley, em João Pessoa na Paraíba.

MÉTODO-As técnicas lúdicas fundamentadas nos princípios da Ludoterapia fenomenológico-existencial mostram-se eficazes ao permitirem a aproximação gradual dos conteúdos ansiogênicos relacionados ao procedimento, permitindo a construção de um diálogo terapêutico pautado na empatia e na transmissão de informações verdadeiras, em linguagem compatível com o nível de desenvolvimento cognitivo da criança ou adolescente. O trabalho se concretiza em três fases: a) pré-cirúrgica que pode se realizar nas enfermarias da unidade de pediatria do HULW ou na sala de espera do centro cirúrgico quando a criança ou adolescente não se encontra hospitalizado; b) fase cirúrgica que se concretiza através do acompanhamento até o momento em que o paciente é anestesiado, quando o foco passa a ser o acompanhante; c) fase pós-cirúrgica através do acompanhamento do processo de recuperação anestésica.

RESULTADOS – O brincar tem promovido mudanças positivas nas condições psicológicas de enfrentamento do estresse na díade criança/adolescente-acompanhante. Dentre esses benefícios, pode-se citar o desenvolvimento de comportamentos cooperativos, a redução do estresse e o alívio de ansiedades devido à possibilidade de expressão de sentimentos tais como o medo relativo à anestesia e à morte, fantasias em relação ao ato em si, à perda da integridade corporal e às seqüelas do procedimento.

CONCLUSÕES – A preparação psicológica para a cirurgia é uma proposta ética e humanizadora do processo de cuidar ainda predominantemente centrado na técnica e na patologia.  Esse tipo de trabalho tem sido amplamente apontado na literatura como uma intervenção que traz benefícios evidentes ao paciente e à família.

*  APOIO:  UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA E INSTITUTO FELIPE KUMAMOTO.

 

***

 

LAQUEADURA: UMA OPÇÃO DE PLANEJAMENTO FAMILIAR

CERESOLI, L. L.

HOSPITAL MUNICIPAL DE MANDIRITUBA

MANDIRITUBA – PARANÁ – BRASIL

OBJETIVOS: Refletir com o paciente/casal, a decisão da laqueadura, demonstrando outros métodos contraceptivos e resgatando o papel de pais e o vinculo familiar.

MÉTODOS: Trata – se de um processo descritivo com abordagem qualiquantitativa de coleta e tratamento dos dados. Os dados foram coletados através de entrevistas, observação, aplicação de técnicas de avaliação psicológica e questionários.

RESULTADOS: Os resultados obtidos foram analisados em forma de gráficos para melhor visualização dos mesmos.

 

CONCLUSÕES: Através dos resultados obtidos concluiu – se o fato de que as mulheres ao fazerem a Laqueadura, estão preocupadas com o futuro fator financeiro, e não com o futuro desejo materno. Também evidenciou que essas mulheres não buscam outras formas contraceptivas antes de optar pela Laqueadura, somente os métodos tradicionais como camisinha, pílula cíclica e injetável. Outro dado relevante é a falta de Planejamento Familiar, onde não discutem sobre suas perspectivas perante a sua “futura família”, e as gestações não planejadas “acontecem”.

IMPLICAÇÕES CLÍNICAS: Realizar uma intervenção não somente do fator psicológico/cirúrgico da Laqueadura, mas sim o tratamento terapêutico para o conflito interno dos papéis que a mesma desenvolve (mãe, esposa, mulher….), com resgate/inserção de vínculo familiar, matriz de identidade e sexualidade.

 

 

***

 

ASPECTOS SÓCIO-ECONÔMICOS, CLÍNICOS E PSICOLÓGICOS EM PACIENTES ATENDIDAS NO AMBULATÓRIO DE MASTOLOGIA DO HOSPITAL UNIVERSITÁRIO DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO MARANHÃO – UNIDADE MATERNO INFANTIL

Maiara Monteiro Marques Leite; Mouchereck, M. C.; Rabelo, M. R. M. C.; Oliveira, A. G. C.; Martins, M. G. M.; Santos, L. F. B. Hospital Universitário da Universidade Federal do Maranhão – Unidade Materno Infantil (HUUFMA – MI). São Luís. Maranhão. Brasil.

Objetivos: A principal queixa em ambulatório de mastologia é decorrente de alterações funcionais benignas da mama (AFBM), termo recomendado pela Sociedade Brasileira de Mastologia, em 1994, para as doenças benignas da mama. As AFBMs representam condições clínicas caracterizadas por dor mamária e/ou espessamento que aparece no início da menarca e tende a desaparecer com a menopausa, sendo a mastalgia a mais freqüente. Entretanto, a maioria das pacientes teme que a dor na mama seja sinal de câncer de mama. Mediante essa perspectiva, buscou-se identificar os aspectos sócio-econômicos, clínicos e psicológicos das pacientes atendidas no ambulatório especializado de Mastologia do Serviço de Ginecologia e Obstetrícia do HUUFMA-MI, em São Luís, Maranhão.

Metodologia: Participaram do estudo 165 mulheres, com idade entre 12 e 81 anos, que foram atendidas no ambulatório especializado de Mastologia do HUUFMA-MI, no período de junho a dezembro de 2007. Para alcançar o objetivo proposto utilizou-se um questionário contendo variáveis sócio-econômicas, clínicas e psicológicas, aplicado após grupo informativo sobre afecções benignas da mama, e preenchido de livre consentimento pelas pacientes. As informações coletadas foram armazenadas em um banco de dados informatizado e posteriormente analisadas pelo programa de computador Statistical Package for theSocial Sciences 10.0 (SPSS 10.0). Realizou-se a caracterização da amostra utilizando estatística descritiva e o teste de quiquadrado para verificar a associação entre as variáveis. O nível de significância estatística foi de 5%.

Resultados: A maioria (77,4%) das mulheres que participaram da pesquisa mora em São Luis, é casada (41,5%), tem até dois filhos (44,5%), estudou até o ensino médio (61%) e recebia R$ 380,00 por mês (31,6%). Quanto aos aspectos clínicos, a mastalgia corresponde a 24,2% dos motivos da consulta, sendo que a maioria (50,9%) queixa-se de nódulo mamário. Entre aquelas com mastalgia, a intensidade da dor foi leve em 59,8% e intensa em 7,4%. Em relação à dor na mama, a maioria das pacientes sente-se bastante preocupada (33,3%) e 12,5% não para de pensar, sente muito medo e não consegue dormir. A possibilidade de vir a ter câncer de mama causa desespero em 15,3%; medo em 51% e angústia em 18,5%. Observamos que, a maioria das mulheres que a possibilidade de vir a ter câncer causa medo sente-se bastante preocupada com a dor na mama (p<0,001).

Conclusão: Os resultados evidenciam que apesar dos esforços para minimizar a fantasia que existe em torno das doenças benignas da mama, as pacientes possuem dificuldade para não relacionar a dor mamária e o câncer de mama, o que parece favorecer o aparecimento de sentimentos como desespero, medo e angústia frente à possibilidade de vir a ter câncer, além de propiciar bastante preocupação com a dor.

Implicações clínicas: Tomando a relação entre a dor na mama e o câncer de mama como um aspecto negativo no processo de doença da paciente, o profissional de saúde deve estar atento e procurar contornar esta situação. Neste sentido, deve utilizar favoravelmente as características específicas de cada grupo, a fim de elaborar novas abordagens e, conseqüentemente, eliminar os conflitos e favorecer o melhor manejo da paciente.

São Luís, 16 de junho de 2008.

 

***

 

PERFIL DO AMBULATÓRIO DE SAÚDE MENTAL DE VOTORANTIM – SP: UM ESTUDO DE CASO INSTITUCIONAL.

RODRIGUES, Luísa Ester Barbalho de Freitas; FURQUIM, M. L. R. M.; DINIZ, C. M.; ANTONELLI, P.; DELFINO, A. M; DEMILITE, C.; MEIRELLES, M. M.; LIMA P. AMBULATÒRIO DE SAÙDE MENTAL, VOTORANTIM, SÃO PAULO, BRASIL.

OBJETIVOS: Apresentar o histórico, descrever o funcionamento e caracterizar o perfil da população atendida do Ambulatório de Saúde Mental de Votorantim – SP; identificar sua abrangência e características do serviço oferecido, bem como limitações, pontos cegos e necessidades.

MÉTODOS: pesquisa documental sobre a história do município e a história do Ambulatório de Saúde Mental, entrevista com técnicos funcionários, ex-funcionários e usuários para resgate da história oral, levantamento de dados sobre clientela atendida no período de janeiro a abril de 2008.

RESULTADOS: O Ambulatório de Saúde Mental de Votorantim (ASM) funciona desde 1997 enquanto unidade, contando com uma equipe multidiscipinar composta por sete (07) psiquiatras, quatro (04) psicólogas, duas (02) fonoaudiólogas, uma (01) enfermeira, uma (01) assistente social e gerente de serviço, duas (02) auxiliares de enfermagem, uma (01) escrituraria, uma (01) recepcionista, uma (01) auxiliar de serviços gerais e um estagiário de psicologia. Atende a população do município, que é de aproximadamente 107.000 habitantes (dados do Censo de 2006), sendo referência para o atendimento psiquiátrico, psicoterápico e fonoaudiológico. Recebe encaminhamentos de todo o serviço de saúde municipal e também de outros serviços do município como o Conselho Tutelar, o Poder Judiciário e a Secretaria de Educação. Atualmente atende em média 1700 pacientes ao mês, entre entrevistas de triagem e atendimentos diversos, de acordo com as especialidades que oferece. A população de usuários é composta por adultos, adolescentes e crianças de ambos os sexos, com diversas queixas psíquicas. Seu objetivo é o tratamento, a reabilitação e reinserção social, como também a promoção de saúde mental.

CONCLUSÔES: O ASM tem um uma importância significativa no atendimento em Saúde Mental do município, mas apresenta um quadro limitado de profissionais e de recursos físicos. A demanda recebida e atendida a cada mês é grande para o número de profissionais, sendo que o atendimento acaba tendo um caráter emergencial, restrito ao tratamento e reabilitação, limitando a ação de promoção de saúde mental. Além disso, o serviço público em saúde mental ainda carece de recursos de sistematização de seus dados que forneçam informações para a pesquisa e atualização constante, sendo essa uma das dificuldades encontradas para a obtenção dos dados na realização desta pesquisa.

IMPLICAÇÕES CLÍNICAS: A partir da análise do funcionamento do ASM em Votorantim, pudemos observar que a realização de trabalhos educacionais pode se tornar um instrumento muito importante na prevenção em Saúde Mental, e que o ASM, sendo um ponto de referência da população do município, pode vir a ser um pólo deste serviço. Outro atendimento que seria muito importante seria o trabalho comunitário, promovendo na população a conscientização de seu protagonismo frente às questões de saúde mental. Para que estes objetivos sejam alcançados é primordial uma constante capacitação da equipe multiprofissional, a partir de cursos e supervisão institucional; a melhoria da articulação entre os serviços de atendimento a população; e a captação de recursos para prover o funcionamento do serviço.

 

***

 

AVALIAÇÃO DE TRANSTORNO DE COMPULSÃO ALIMENTAR PERIÓDICA EM PACIENTES NORTE-RIOGRANDENSES SUBMETIDOS À CIRURGIA BARIÁTRICA.

Silva, Wagna Tavares; Vidal, J.L; Gonçalves, M.RM; Almondes, K. M.

Faculdade Natalense para o Desenvolvimento do Rio Grande do Norte

Natal – Rio Grande do Norte; Brasil.

OBJETIVO:

O objetivo desta pesquisa foi avaliar a presença de transtorno de compulsão alimentar periódica em pacientes submetidos à cirurgia bariátrica, com tempo mínimo de cirurgia de seis meses.

METODOLOGIA:

A amostra foi constituída por 21 pacientes norte-riograndenses, com tempo médio de cirurgia 2,5± 1,7 anos. A amostra foi dividida em 17 mulheres (idade média 38 ± 10 anos) e 5 homens (idade média de 27± 1,6 anos).A maioria da amostra apresenta nível superior a 99%. Os protocolos utilizados foram: o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido; a ficha de identificação contendo nome, idade, sexo, escolaridade, estado civil, se apresentava problemas de saúde, uso de medicação, o tempo e tipo de cirurgia, se houve alguma complicação no pós-cirurgico, se teve algum tipo de transtorno alimentar e o IMC pré e pós operatório; a Escala de Compulsão Alimentar Periódica, FREITAS (2001), que avalia o nível de compulsão alimentar. A avaliação da escala gradua os indivíduos da seguinte forma: os indivíduos com pontuação menor ou igual a 17 são considerados sem CAP (Compulsão Alimentar Periódica), com pontuação entre 18 e 26 são considerados com CAP moderado e aqueles com pontuação igual ou maior a 27, com CAP grave. A coleta de dados foi realizada através de comunidades no Orkut, através de correio eletrônico e entrando em contato diretamente com os pacientes a partir das indicações dos cirurgiões bariátricos do Estado. Foi realizada análise descritiva. Esta pesquisa foi aprovada pelo comitê de ética local.

RESULTADOS:

Através da ficha de identificação pode-se verificar a redução do peso no geral de 39 ± 8,6 kg sendo nas mulheres 39  ±  8,6 kg  e em homens 59 ± 25 Kg  . Todos foram tratados por uma equipe multidisciplinar. Com relação à Escala de Compulsão Alimentar Periódica apresentaram escore geral de 8,5±8,6, sendo em mulheres 8,0 ± 9,2 e nos homens 10,2 ± 7,3. Todos os indivíduos foram submetidos à cirurgia do tipo Foby Capela.

CONCLUSÃO:

Podemos inferir que não foi encontrado o Transtorno de Compulsão Alimentar Periódica nos indivíduos entrevistados. Vale salientar que a pesquisa está em andamento e que o numero amostral reduzido se deve pela resistência dos indivíduos em responderem aos protocolos.

IMPLICAÇÕES CLÍNICAS:

Os dados da pesquisa permite sugerir que a presença de uma equipe multidisciplinar muito pode influenciar para que não haja o desenvolvimento do transtorno alimentar.

Milla Rafaella Marinho Gonçalves                           Natal/RN, 10 de junho de 2008.

              Assinatura

 

***

 

O ESTÍMULO MUSICAL NO DESENVOLVIMENTO SAUDÁVEL NA PRIMEIRA INFÂNCIA

Gonçalves, Milla Rafaella Marinho; Almondes, K. M. de; Melo, Gomes, C. C.; I. S. C. de; Silva, C. A. S. da; Câmara, A. M.; Oliveira, D. C. G. de; Otutumi, C. H. V.; Maia, E. M. C.

Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal/RN, Brasil.

OBJETIVOS: Esta pesquisa tem como objetivo geral avaliar os resultados da musicalização no desenvolvimento social, da linguagem, auditivo-musical e da psicomotricidade de bebês até dois anos. Como objetivos específicos se propõe a analisar o efeito da musicalização na socialização entre os bebês que tiveram aulas de musicalização e os que não tiveram, o desenvolvimento dos aspectos musicais (andamento, exploração de timbres, ritmo, melodia, etc) e comparar o desenvolvimento social (interação com o grupo participante das aulas, que inclui professores e outros bebês), o desenvolvimento da linguagem (balbucio e fala) e da psicomotricidade (manipulação dos instrumentos e objetos sonoros na execução rítmica ou exploração sonora) entre os bebês que receberam aulas de musicalização e os que não receberam, e a repercussão das aulas de musicalização na ansiedade da mãe ou cuidador do bebê.

MÉTODOS: Tratando-se de um estudo analítico-descritivo e experimental, utilizando a musicalização como variável no grupo experimental Farão parte dessa pesquisa crianças de quatro meses a dois anos pertencentes a um mesmo berçário localizado na cidade de Natal/RN, num número total de 10 bebês. Porém, tal universo será subdividido em dois grupos: Grupo Experimental e Grupo de Controle. No primeiro grupo participarão 6 bebês e seus respectivos cuidadores às aulas de musicalização que serão realizadas na Escola de Música da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, durante aproximadamente 2 meses, em encontros semanais. Cuidadores e/ou familiares responderão a dois questionários inicial (tratando de ocupações cotidianas visando caracterizar o ambiente do bebê) e final (com intuito de verificar possíveis mudanças na rotina ou comportamento do bebê) e também ao Inventário de Ansiedade Traço-Estado (IDATE), para investigar o Traço e o Estado de Ansiedade da mãe ou cuidador verificando se as aulas de musicalização têm repercussão nesse aspecto. E no Grupo de Controle estarão 4 bebês que serão acompanhados nesse mesmo período, através de visitas sistemáticas e os mesmos procedimentos aplicados ao grupo anterior, exceto as aulas de musicalização. Durante a observação desses momentos serão considerados aspectos de produção, expressão, e apreciação sonora e vocal, bem como sua interação com seu cuidador e com os demais presentes.

RESULTADOS: A pesquisa encontra-se em andamento, onde, espera-se iniciar as aulas de musicalização e observação dos sujeitos a partir do mês de junho do corrente ano.

CONCLUSÕES: Este estudo poderá vislumbrar a importância da música no desenvolvimento saudável dos bebês, identificando características principais da linguagem, produção sonora e comportamento durante a fase de balbucio à apropriação da linguagem, bem como analisando aspectos musicais e verificando sua influência na estimulação do bebê, proporcionando novos recursos para a promoção de um desenvolvimento saudável.

IMPLICAÇÕES CLÍNICAS: A música está presente no ser humano desde suas primeiras experiências auditivas no útero materno, por volta dos seis meses e meio. Ainda na barriga da mãe, são os sons que o aproximam do seu mundo social, além de influenciar diretamente nos seus batimentos cardíacos e na sua mobilidade. Muitos benefícios são evidenciados por diferentes estudos, os quais têm mostrado que o estímulo e desenvolvimento musical implicam no refinamento da percepção auditiva, espacial, de linguagem e também motora, além de ocasionar um aumento das sinapses do cérebro, especialmente do hemisfério direito (ILARI, 2002). Atualmente existem vários estudos referentes ao estímulo do desenvolvimento musical infantil (PARIZZI, 2007; ILARI, 2002; SOUZA, 2003; BEYER, 2005), e os trabalhos sobre cognição musical têm aumentado no Brasil, a citar a fundação recente da Associação Brasileira de Cognição Musical – ABCM. Ainda assim inexistem trabalhos sistemáticos e consistentes sobre a musicalização para bebês na cidade de Natal/RN.

Milla Rafaella Marinho Gonçalves                           Natal/RN, 10 de junho de 2008.

              Assinatura

 

***

 

AVALIAÇÃO DE TRANSTORNO DE IMAGEM CORPORAL EM PACIENTES NORTE-RIOGRANDENSES SUBMETIDOS À CIRURGIA BARIÁTRICA.

Silva, Wagna Tavares; Vidal, J.L; Gonçalves, M.R.M; Almondes, K. M.

Faculdade Natalense para o Desenvolvimento do Rio Grande do Norte

Natal – Rio Grande do Norte; Brasil.

OBJETIVO:

O objetivo desta pesquisa foi avaliar a presença de transtorno de imagem corporal em pacientes submetidos à cirurgia bariátrica, com tempo mínimo de cirurgia de seis meses.

METODOLOGIA:

A amostra foi constituída por 21 pacientes norte-riograndenses, com tempo médio de cirurgia 2,5± 1,7 anos. A amostra foi dividida em 17 mulheres (idade média 38 ± 10 anos) e 5 homens (idade média de 27± 1,6 anos).A maioria da amostra apresenta nível superior a 99%. Os protocolos utilizados foram: o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido; a ficha de identificação contendo nome, idade, sexo, escolaridade, estado civil, se apresentava problemas de saúde, uso de medicação, o tempo e tipo de cirurgia, se houve alguma complicação no pós-cirurgico, se teve algum tipo de transtorno alimentar e o IMC pré e pós operatório; o Teste de Imagem Corporal,  onde segundo  CORDAS e NEVES (1999)  pretende- se avaliar as preocupações com o  corpo, auto -apreciação devido a aparência física e a sensação de estar gorda. A análise desse teste é feita de acordo com a quantidade de números que os participantes respondem. Entre 1, 2 e 3 os indivíduos não apresentam transtornos de Imagem corporal ; Já entre  4 a 6 os indivíduos apresentam tal transtorno. A coleta de dados foi realizada através de comunidades no Orkut, através de correio eletrônico e entrando em contato diretamente com os pacientes a partir das indicações dos cirurgiões bariátricos do Estado. Foi realizada análise descritiva. Esta pesquisa foi aprovada pelo comitê de ética local.

RESULTADOS:

Através da ficha de identificação pode-se verificar a redução do peso no geral de 39 ± 8,6 kg sendo nas mulheres 39  ±  8,6 kg  e em homens 59 ± 25 Kg  . Todos foram tratados por uma equipe multidisciplinar. Com relação ao Teste de Imagem Corporal,  dos pacientes entrevistados  81 %  responderam entre 1 e 3, e 19 % responderam entre 4 e 6.Todos os indivíduos foram submetidos à cirurgia do tipo Foby Capela.

CONCLUSÃO:

Podemos inferir que não foi encontrado o Transtorno de Imagem Corporal nos indivíduos entrevistados. Vale salientar que a pesquisa está em andamento e que o número amostral reduzido se deve pela resistência dos indivíduos em responderem aos protocolos.

IMPLICAÇÕES CLÍNICAS:

Os dados da pesquisa permitem sugerir que a presença de uma equipe multidisciplinar muito pode influenciar para que não haja o desenvolvimento do transtorno de Imagem Corporal.

Milla Rafaella Marinho Gonçalves                           Natal/RN, 10 de junho de 2008.

       Assinatura

 

***

 

ANÁLISE E REFLEXÕES ACERCA DO STRESS E TRABALHO NOS HOSPITAIS PÚBLICOS DE NATAL-RN

Priscilla Cristhina Bezerra Araújo; Oliveira, L. C. B. de; Moreira, T. A. S.; Maia, E. M. C. Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde, Hospital de Pediatria, Grupo de Estudos: Psicologia e Saúde – Universidade Federal do Rio Grande do Norte/ Natal-Brasil.

Objetivos: Fatores estressantes no ambiente podem contribuir para o desencadeamento de problemas físicos e emocionais, cujo processo envolve estímulo, adaptação e reação. Considerando o hospital como fonte de stress para os profissionais ali inseridos, torna-se de grande relevância a identificação dos elementos estressores e avaliação destes sujeitos, de modo a se viabilizar propostas futuras de ações preventivas e minimizadoras de tal problemáticaO estudo avalia a presença ou não de stress e os diversos níveis sintomatológicos apresentados junto a 88 profissionais de saúde atuantes nas enfermarias de 04 hospitais públicos de referência na cidade de Natal, Rio Grande do Norte, Brasil.

Métodos: Neste estudo descritivo e transversal foi utilizado como instrumento, um questionário semi-estruturado abordando dados pessoais e profissionais e o Inventário de Sintomas de Stress para Adultos de LIPP (ISSL).

Resultados: Considerando os dados demográficos, constatou-se que: os profissionais eram em sua maioria mulheres (90%), casadas (60%), católicas (81%), com filhos (70%), com idade média de 45 a 54 anos (48%). Constata-se que 62% cursaram especialização25% trabalham há mais de 20 anos, cujo exercício de suas atribuições se dá sob uma carga horária de 40 horas semanais. Os profissionais contam com uma renda salarial entre 04 a 06 salários mínimos (51%). Diante de tal dificuldade financeira, os trabalhadores necessitam ter uma multiplicidade de vínculos (60%) como uma alternativa para complementar a renda salarial. Dentre os participantes com outros empregos, 62% trabalham em mais uma instituição, além da investigada, encontrando também aqueles que estão vinculados a mais duas (23%). O estado de saúde desses profissionais demonstra estar um tanto fragilizada, com uma incidência de stress em 47%.

Conclusões: Apesar dos indivíduos com stress não se enquadrarem em uma fase crítica, há uma incidência de risco ocupacional, possibilitando estabelecer reflexões sobre a influência das condições de trabalho sobre o stress.

Implicações Clínicas: Cabe o alerta para investimentos em ações objetivando um efeito minimizador do stress, assim, prevenindo e tratando da saúde psíquica deste trabalhador. Programas direcionados à avaliação, acompanhamento e orientações são bastante eficientes. Ações preventivas que busquem a melhoria da saúde e qualidade de vida podem estar inseridas. Lazer, atividades educativas e físicas são essenciais. Investimentos em ergonomia e recursos humanos também são primordiais.

Assinatura: Priscilla Cristhina Bezerra de Araújo                       Data: 27/06/2008
***

 

OBSERVAÇÕES E REFLEXÕES ACERCA DA SAÚDE PSÍQUICA DOS PROFISSIONAIS DE SAÚDE

Priscilla Cristhina Bezerra Araújo;Oliveira, L. C. B. de; Moreira, T. A. S.; Maia, E. M. C. Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde, Hospital de Pediatria, Grupo de Estudos: Psicologia e Saúde – Universidade Federal do Rio Grande do Norte/ Natal-Brasil.

Objetivo: Observa-se que pressão constante neste ofício perdura na rotina dos profissionais de saúde. O trabalho vinculado ao setor de enfermaria exige atenção e vigilância todo o tempo. Neste sentido, torna-se pertinente estas instituições lançarem também um olhar específico à saúde do profissional de saúde, já que este tem em seu ofício o cuidar do outro. Este estudo buscaanalisar o nível de saúde psíquica dos profissionais de saúde nas enfermarias dos hospitais públicos do Estado do Rio Grande do Norte, Brasil.

Metodos:Foi realizado um estudo descritivo transversal com95 profissionais de saúde (mostra estratificada proporcional). Utilizou-se um questionário constando características sócio-demográficas e de trabalho, assim como o Questionário de Saúde Geral de Goldberg (QSG).

Resultados: Os empregados são do sexo feminino (82%), casados (60%), católicos (81%), de idade acima de 45 anos (48%). Contam com uma carga horária de trabalho de 40 horas semanais (73%), além de trabalhar em outros lugares (63%). As somatizações ocorrem com freqüência, 35% enquadram-se nos percentis de 55 a 85%, requisitando uma atenção a sua saúde. Vale salientar que neste fator específico 19% apresentaram gravidade extrema, sendo indicativo a tratamento. No entanto, apesar de todas as dificuldades a saúde psíquica global 64% apresentaram um nível bom, 31% estão em processo de agravamento e 5% constatou-se em situação de extremo perigo.

Conclusões: Mesmo incluindo os profissionais saudáveis, cabe aqui colocar uma merecida atenção quanto à necessidade de ações preventivas, de modo a evitar futuros danos ou estados mais acerca das condições de saúde psíquica destes trabalhadores. A sobrecarga de trabalho a que esses profissionais estão expostos, pode ter uma influência decisiva no estado de saúde destes profissionais, que, a partir dos instrumentos aplicados, demonstra estar um tanto fragilizada.

Implicações Clínicas: Sabe-se que diante da vulnerabilidade em que o indivíduo apresenta, fica mais viável futuramente se propor um melhor direcionamento de tratamentos ou ações preventivas a estes sujeitos.

Assinatura: Priscilla Cristhina Bezerra de Araújo                       Data: 27/06/2008

 

***

 

REPRESENTAÇÕES SOCIAIS DA ATIVIDADE FÍSICA: UMA ARTICULAÇÃO COM O BEM-ESTAR PSICOLÓGICO NA VELHICE.

Autores: Priscilla Cristhina Bezerra de Araújo; SANTANA, M. S.; FERREIRA, C. L.; MATA, A. N. S.; ACCIOLY JÚNIOR, H.; MAIA, E. M. C.

Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal/RN, Brasil.

Objetivos: Objetivou-se nesse estudo investigar as representações sociais da atividade física no processo do envelhecimento, buscando a compreensão desse saber construído na prática vivida por idosos do Nordeste do Brasil. Para isso, discutiu-se como as atividades físicas se articulam para a manutenção do bem-estar psicológico de participantes de um projeto para a terceira idade. No Brasil, os componentes negativos da saúde psicológica encontram-se entre as alterações mais evidenciadas entre idosos e a depressão se constitui em uma das alterações afetivas mais estudadas na relação com atividade física.

Métodos: Trata-se de um estudo qualitativo, orientado pela Teoria das Representações Sociais. A amostra não-probabilística, censitária e por conveniência foi constituída por 62 indivíduos da cidade de Natal (RN), Brasil. Utilizou-se da técnica de associação livre de palavras no levantamento dos conteúdos e da estrutura da Representação Social. A análise foi feita pelos softwares SPSS e EVOCe complementarmente pela Análise de Conteúdo.

Resultados: Os resultados permitiram distinguir dois campos de representações da atividade física: funcionalidade biofisiológica representado pelos elementos “ginástica” e “hidroginástica” e como significação psicossociológica, por “felicidade”, “bem-estar”, “saúde” e “dança”.

Conclusões: As representações sociais da atividade física sugerem a necessidade de ampliação e divulgação dos saberes da Educação Física como estratégias de ações proativas e/ou reativas para a saúde com qualidade de idosos, a nível individual, social e governamental, levando em conta a percepção desse segmento social em relação aos benefícios da atividade física. Considera-se o trabalho interdisciplinar do profissional de Educação Física na manutenção da saúde através da orientação da atividade física, como um dos meios para que se atinja a saúde mental e física afetada pelos sintomas da depressão e da ansiedade.

Implicações Clínicas: Nesse sentido, vale ressaltar que este estudo contribui tanto para o conhecimento das Ciências da Saúde quanto para a Psicologia, na medida em que se pode promover recursos biopsicossociais para o idoso, possibilitando a este um processo de envelhecimento saudável.

Assinatura: Priscilla Cristhina Bezerra de Araújo                       Data: 27/06/2008

 

 

***

 

PROCESSO DE ENVELHECIMENTO SAUDÁVEL? UMA AVALIAÇÃO DE SAÚDE E MORBIDADE REFERIDAS EM IDOSOS DA REDE BÁSICA DE SAÚDE.
Autores: Priscilla Cristhina Bezerra de Araújo; FERREIRA, C. L.; MATA, A. N. S.; BRAGA, L. P.; MAIA, E. M. C.

Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal/RN, Brasil.

Objetivos: Com a necessidade de aprimoramento dos serviços de saúde e de políticas públicas que possam atender a demandas do crescimento de idosos e aumento do número de pessoas acometidas por doenças crônicas, suas complicações e conseqüências negativas, torna-se fundamental conhecer a avaliação que os idosos fazem de sua saúde e de sua morbidade.

Métodos: A amostra foi constituída aleatoriamente, por 47 idosos voluntários, com idade média de 71,72±7,79 anos, usuários dos serviços oferecidos por Unidades Básicas de Saúde (UBS) do Distrito Sanitário Leste do município de Natal/RN. Foi utilizado como protocolo da pesquisa um questionário semi-estruturado, contendo questões sócio-demográficas, aplicado através da técnica de entrevista estruturada em situação individual. Os dados obtidos com o questionário foram trabalhados através da Estatística Descritiva com freqüência de respostas e medidas de tendência central e de dispersão.

Resultados: Quanto à avaliação da saúde, 51% dos idosos avaliaram como regular a sua saúde, com 92% deles referindo a presença de alguma doença crônica atualmente e 40% relatando a presença de apenas 1 (uma) doença crônica. Dentre estas doenças, houve uma maior prevalência da hipertensão (em 86% dos idosos), seguida de doenças músculo-esqueléticas (70% dos idosos) e do diabetes (35%). Em virtude da vivência dessas doenças crônicas, 87% dos idosos fazem uso de algum medicamento diariamente, com média de 2,37±1,58 remédios por idoso. Embora a maioria dos idosos apresente problemas crônicos de saúde, esta foi avaliada positivamente pelos idosos do estudo, evidenciando que o envelhecimento não deteriora a auto-avaliação da saúde porque os idosos avaliam a saúde como boa quando ela é suficiente para viver.

Conclusões: Com isso, denota-se a percepção de saúde não como a ausência total de enfermidades, mas sim como uma avaliação ligada a expectativas sobre o que esperar da velhice. Além disso, por serem condições crônicas de saúde, as medicações se fazem presentes na vida de todos os idosos que referiram a vivência de alguma doença crônica, cujo controle e adesão ao tratamento torna-se fundamental para a manutenção da saúde e para que o idoso possa levar uma vida normal mesmo diante de limitações.

Implicações Clínicas: Mesmo combatendo os estereótipos sobre os idosos, não se pode ignorar que as doenças crônicas e os medicamentos prejudicam a funcionalidade real e evidente a partir de certo momento do ciclo da vida, afetando a grande maioria das pessoas na velhice. No entanto, é importante e necessário estabelecer intervenções que reconheçam e estimulem as capacidades e potencialidades de desenvolvimento e crescimento na velhice, a fim de que o idoso possa enfrentar seus desafios adaptativos e viver plenamente.

Apoio: CAPES

 

Assinatura: Priscilla Cristhina Bezerra de Araújo                                  Data: 27/06/2008

 

***

 

O LUGAR DO BRINCAR NO HOSPITAL: O FAZ-DE-CONTA

Cleide Vitor Mussini Batista

Universidade Estadual de Londrina

cler@uel.br

A organização do espaço das brinquedotecas hospitalares apontam uma grande concentração de crianças em arranjos com menor ou plena estruturação espacial e demonstram que, em zonas circunscritas, há maior atividade de faz-de-conta, já que fornecem proteção e privacidade, favorecendo a focalização no parceiro e na atividade. Brincar no hospital de médico, de enfermeiro, e até mesmo de enfermo é um grande faz-de-conta. A criança brincando constrói uma realidade temporária que vira e muda à vontade. Assim, no jogo simbólico, a criança atribui aos objetos toda classe de significados, simula acontecimentos imaginados interpretando cenas mediante papéis e personagens fictícios e reais e, coordenando, em um nível mais complexo, múltiplos papéis e distintas situações. O jogo simbólico é muito enriquecedor para o contexto da brinquedoteca hospitalar, favorecendo e estimulando a expressão de sentimentos e desejos. Esta exteriorização de sentimentos permite canalizar a agressividade, liberar tensões etc; Ajuda a enfrentar os medos por meio de sua expressão e, desta forma, aprender a dominá-los; Permite reproduzir ou inventar situações relacionadas com as próprias vivências hospitalares, bem como representar diferentes papéis; Favorece a atenção, a concentração, o relaxamento, a desinibição e o entretenimento. Por estes motivos, a inclusão de elementos lúdicos que favoreçam o jogo simbólico ou de imitação são imprescindíveis, ao nosso ver, em uma brinquedoteca hospitalar. Para tal, neste espaço, que favorece o jogo simbólico seria recomendável utilizar de materiais lúdicos que permitissem as diferentes representações (bonecos e acessórios em miniatura). Desta forma, se poderia incluir uma variedade de brinquedos ampliando as possibilidades de representação relacionadas com as próprias vivências da criança, assim como seu mundo de imaginação e de ficção. A representação é verdadeiramente uma linguagem imprescindível para a criança hospitalizada, não só para exprimir a sua subjetividade, intraduzível apenas pela linguagem coletiva, mas para afirma-se perante a si mesma como um outro para além daquele que ela julgava ser, para exprimir a possibilidade de mudança. Quando, por intermédio do seu símbolo, a criança reproduz uma situação vivida, desejada ou rejeitada, esta representação apreende algumas das relações importantes que ela mantém com os seres que interpreta e as situações que expõe. O jogo simbólico é um comportamento de transformação de si mesmo por via da representação, para si mesmo e para os outros, em que o eu pode tornar-se outro, construindo um modelo semelhante aos dos adultos. O jogo simbólico é uma forma de representar, inconscientemente, a vida real, sob o olhar daquele que brinca. Os brinquedos ou os objetos utilizados no jogo representam uma ponte, um meio de comunicação, a partir do qual designa-se uma realidade mais complexa.  Enfatizamos que tanto os brinquedos quanto as brincadeiras, assim como as atitudes das crianças que brincam, constituem um sistema de signos, uma linguagem, que, nós adultos que lidamos com elas precisamos aprender a ouvir, a decifrar, a compreender.

 

 

***

 

DA REALIDADE À FANTASIA: A CRIANÇA HOSPITALIZADA E OS CONTOS DE FADAS

SANTOS, Rita de Cassia; LANGE, Elaine Soares Neves; Universidade São Francisco, São Paulo/SP, Brasil.

RESUMO

Objetivo: O presente trabalho objetivou compreender de que maneira o uso dos contos de fadas, como recurso terapêutico, pode auxiliar no tratamento da criança durante o período de hospitalização, minimizando possíveis danos oriundos desse período.

Método: Como metodologia, foi realizado o levantamento bibliográfico referente às publicações em revistas científicas, dissertações de mestrado e teses de doutorado sobre o tema proposto. A amostra foi composta pelas produções científicas editadas entre os anos de 2000 a 2007, sendo que, abriu-se exceção para dois trabalhos do ano de 1999, por estes serem de grande importância para esse estudo. Os dados foram analisados qualitativamente, com base na leitura de todo o material selecionado e o referencial psicanalítico norteou as considerações teóricas.

Resultados: Os resultados obtidos demonstraram que o processo de hospitalização desencadeia nas crianças, entre outros, sentimentos como: medo, angústia, ansiedade, assim, é de extrema importância que as mesmas tenham um espaço para a realização de atividades lúdicas, como os contos de fadas, para que possam expressar seus sentimentos.

Conclusões: Concluímos que da mesma maneira em que o personagem da história supera os obstáculos e transmite esperança para um futuro feliz, a criança através do processo de identificação com esse personagem tem a possibilidade de encontrar uma solução para os conflitos advindos de seu mundo interior, minimizando assim, possíveis danos oriundos do processo de adoecimento e hospitalização.

Implicações Clínicas: Os contos de fadas se tornam um riquíssimo recurso terapêutico no tratamento da criança durante o período de hospitalização, pois possibilitam a criança experienciar a realidade através da fantasia, ou seja, ludicamente.

São Paulo, 08 de agosto de 2008.

 

***

 

O BRINCAR NO CONTEXTO HOSPITALAR: UMA REVISÃO DA LITERATURA

Talita Soares Amaral (Graduanda); Lange, E. S. N. (Orientadora)

Universidade São Francisco, São Paulo, SP, Brasil.

Objetivo: Apresentar as principais características de pesquisas e publicações científicas sobre o brincar no contexto hospitalar.

Método: A amostra foi composta por 20 trabalhos publicados entre os anos 1999 e 2007 e disponíveis em bases de dados eletrônicas e bibliotecas universitárias. Buscou-se relacionar as principais características desses trabalhos como: Ano de Publicação, área profissional do pesquisador/autor; tipos de documentos; sujeitos; tipos de patologias. Os dados estão representados em tabelas e gráficos. O referencial teórico norteou-se nas abordagens sócio-cognitivas e sócio-afetivas.

Resultados: Como resultados dessa pesquisa, temos as seguintes características: o maior período de publicação desses trabalhos foi entre os anos de 2002 e 2004; os profissionais que mais demonstram interesse nesta temática são os Psicólogos (80 %); em relação ao tipo de documento, a maioria (65%) são artigos de pesquisas; e em relação ao tipo de sujeito, podemos dizer que praticamente todos os trabalhos (80%) tiveram a criança como sujeitos.

Conclusão: Pode-se considerar que este tema desperta muito interesse entre os profissionais de saúde, principalmente entre os Psicólogos. Apesar de ser amplamente discutido no meio acadêmico, as publicações realizadas, em sua maioria, não têm cunho científico. Tendo em vista a relevância do tema, percebe-se a necessidade de maior cientificidade nesses trabalhos, para que esta temática seja cada vez mais valorizada e, o brincar, reconhecido como um instrumento terapêutico eficaz e fundamental para o trabalho do psicólogo neste contexto.

***

 

A INCLUSÃO DE UM PROCESSO DE TRIAGEM PSICOLÓGICA NA ROTINA DE UMA UNIDADE DE PRONTO-ATENDIMENTO: UM DESAFIO PARA O PROFISSIONAL

Barroso, DRS; Rodrigues,DC; Moraes,DG; Lisboa, VCA

Unidade Pré- Hospitalar de Atendimento – Zona Norte – Sorocaba – São Paulo – Brasil- 2008

Objetivo: O presente trabalho teve por objetivo contribuir para a melhoria da rotina assistencial em uma unidade de pronto atendimento tendo em vista uma atuação multidisciplinar e intervenções com pacientes e familiares de forma a minimizar seu sofrimento.

Metodologia: A partir da proposta de estágio no Pronto Atendimento (PA), como parte da disciplina de Estágio Supervisionado em Atendimento em Instituições de Saúde/Psicologia Hospitalar, o grupo de estagiários de psicologia, realizaram uma análise das demandas, através de observações da população e do tipo de atendimento realizado, condições de trabalho e atendimentos e entrevistas com pacientes e profissionais  do PA.   A partir do levantamento das demandas, o grupo percebeu a necessidade de criar uma estratégia de intervenção, com o intuito de diminuir o sofrimento de pacientes e profissionais  que lá se encontram. Este trabalho ocorreu durante o primeiro semestre letivo de 2008.

Resultados:  O grupo decidiu por implantar um serviço de triagem psicológica a ser realizada em um intervalo de tempo entre a chegada do paciente e o atendimento médico. Nessa ação, o profissional psicólogo se utilizará de um roteiro elucidativo visando garantir a autonomia do paciente em definir, a partir da queixa, se seus sintomas têm implicações orgânicas ou emocionais, uma vez que tendo em vista a análise do ambiente institucional, observamos a grande procura pelo serviço, o que desencadeia uma sobrecarga de trabalho nos profissionais de saúde, gerando assim um ambiente estressor que influencia na qualidade de assistência ao paciente. Unindo-se a isso, percebemos um déficit de humanização por conta de um trabalho caracterizado por aspectos predominantemente voltados para o biológico e mecanicista, ausentando assim, questões emocionais.

Conclusão:     Conhecer sobre sua doença faz com que o paciente tenha maior segurança no momento de prestarmos ajuda psicológica. A prática nos mostra que o processo informativo ajuda o paciente a aumentar o controle da situação, diminuindo o medo e a ansiedade, facilitando a recuperação no período de permanência na unidade de pronto atendimento.

Implicações clínicas:   A  triagem possibilita, através da escuta, a criação de um espaço em que o paciente possa melhor significar aspectos afetivo-emocionais, sendo possível diferenciar a urgência médica da emocional.

***

 

A VIVÊNCIA DO ESTAGIÁRIO DE PSICOLOGIA EM EQUIPE MULTIDISCIPLINAR NO CUIDADO A GESTANTES ADOLESCENTES DE BAIXA RENDA NA CIDADE DE ITAPETININGA

Valio, Julia HC; Lisboa, VCA

Casa do Adolescente- Itapetininga – São Paulo – Brasil

Objetivos: Ressaltar a experiência de um trabalho em equipe multidisciplinar com a população de gestantes adolescentes, no ambulatório da Casa do Adolescente, que tinha como meta, auxiliar as adolescentes à lidar de forma mais adequada com a gravidez, possibilitando ás mesmas resguardar alguns aspectos relacionadas ao seu desenvolvimento e/ou perspectivas de vida, que devido a gravidez, poderia ser interrompido definitivamente, tendo portanto, um caráter preventivo.

Métodos: Os encontros em grupos de orientação, conscientização e de acolhimento, ocorreram semanalmente, sendo ministrados por diversos profissionais relacionados à saúde.  Além do atendimento nesses grupos, as adolescentes participavam de aulas de alongamento com profissionais de educação física, aulas de culinária com nutricionistas e aulas com terapeutas ocupacionais e com pessoas da comunidade, a fim de estimular e propiciar o aprendizado de alguma estratégia para seu desenvolvimento pessoal. Este  trabalho se deu a partir da vivência da estagiária de psicologia, da disciplina de Estágio Supervisionado em Atendimento em Instituições de Saúde/Psicologia Hospitalar, durante o primeiro semestre de 2008.

Resultados: De forma geral, pudemos perceber que o trabalho em equipe, bem como a troca entre esses profissionais, repercutiram de forma positiva para a maioria das gestantes. Em alguns casos, o atendimento psicológico individual foi solicitado, garantindo um lugar de escuta e acolhimento. O envolvimento de todos os membros da equipe (médica, assistente social, nutricionista, enfermeiras, fisioterapeutas, estagiária de psicologia e demais profissionais) influenciou diretamente no desenvolvimento e amadurecimento destas adolescentes. A oscilação entre o estar ou não envolvido com o cuidado destas jovens influenciou negativamente nas gestantes.

Conclusões: O trabalho mais integrado e respeitoso entre os profissionais repercutiam favoravelmente nas gestantes, tendo como  feedback, a adesão aos grupos, o interesse sobre diversos temas, o falar sobre suas questões pessoais, o sentimento de pertença e de acolhimento através dos agradecimentos e o interesse em se (re) organizar. Já o trabalho fragmentado e a dificuldade de uma boa interlocução, possibilitou a algumas adolescentes que se mostravam mais fragilizadas, a desistirem do grupo e/ou só aparecer para solicitar cesta básica, para realizar o pré-natal, bem como a abandonarem a escola, entre outros aspectos.

Implicações Clínicas: Em relação a este trabalho torna-se imprescindível estabelecer um bom vínculo entre os profissionais voltados a saúde, bem como trabalhar de forma integrada e em parceria com a comunidade para garantir melhor atendimento e qualidade de vida a estas gestantes adolescentes.

***

 

ACOMPANHAMENTO TERAPÊUTICO PARA PROFISSIONAIS DA SAÚDE

Siviero,LP; Lisboa,VCA

Instituição: Hospital Sarina Rolim Caracante – Grupo de Pesquisa e Apoio ao Câncer Infantil (GPACI) – Sorocaba- São Paulo – Brasil.

Objetivo: O objetivo desta pesquisa baseou-se na promoção da saúde e bem estar dos profissionais de saúde da Instituição, que além da tarefa de cuidar de crianças com câncer, vivenciavam momentos considerados de crise com as mudanças do Hospital.

Metodologia: Foram realizados atendimentos psicológicos individuais e em grupo para os profissionais voltados a saúde da instituição (enfermagem, administração, recepção, nutrição, serviço social, psicologia, medicina e limpeza) durante seis meses, com uma freqüência de duas vezes por semana, totalizando aproximadamente seis horas semanais.

Utilizou-se como técnica o acolhimento, a escuta empática, apontamentos e orientações pertinentes às mudanças organizacionais do Hospital, a partir da análise do discurso dos profissionais e da coleta de informações acerca das mudanças necessárias para a manutenção e funcionamento  do Hospital.

Em alguns momentos, ocorreu atendimento psicoterapêutico individual, de acordo com a demanda da população em caráter de plantão psicológico.

Resultados:    Observou-se que, ao final dos seis meses, 98 intervenções psicológicas foram realizadas evidenciando três problemáticas principais a serem trabalhadas: dinâmica e mudança Institucional; sofrimento psíquico frente as mudanças  exigias pelo INCA, gerando insegurança , medo e  instabilidade de emprego e emocional;  e sofrimento psíquico referente a atuação profissional e influência destes aspectos na vida cotidiana.

Conclusão:  Pode-se concluir que os atendimentos contribuíram significativamente na compreensão do processo pelo qual a Instituição vivenciava, além de favorecer um crescimento pessoal dos sujeitos e facilitar um maior desempenho em suas funções explorando o trabalho em equipe.

Implicações clínicas:  A partir da vivencia durante estes encontros na Instituição, pode-se observar e emergência da presença de um Psicólogo Institucional para garantir e mediar os conflitos existentes na Instituição, melhorando assim  a qualidade do ambiente de trabalho, melhorando as relações interpessoais e a relação entre profissional –paciente-familiar. Percebeu-se também a emergência de uma atuação ampliada enfatizando questões de cunho pessoal e subjetivo, coletivo  e organizacional.

***

 

ASPECTOS QUE PODEM INFLUENCIAR NA NÃO ACEITAÇÃO DA GRAVIDEZ

MORET,A;  SOARES, TB;  LISBOA,VCA.

Unidade Básica de Saúde  (UBS) da região norte de Sorocaba- SP, Brasil, 2008.

Objetivo :Verificar os aspectos presentes na não aceitação da gravidez e proporcionar um ambiente livre de julgamentos para que a gestante pudesse falar a respeito destes aspectos compreendendo-os e aceitando-os.

Metodologia : Foram realizados atendimentos clínicos com uma gestante participante do Projeto Gerações, referente aos estágios dos alunos do 9º semestre de psicologia da UNIP Sorocaba. Estágio esse que foi realizado nas UBS de Sorocaba – SP. A partir dos atendimentos clínicos, observou-se aspectos relacionados a não aceitação da gestação e do bebê.

Resultados :Ao decorrer do processo de atendimento com a gestante houve a gradual aceitação da gravidez e as mudanças na forma da gestante se relacionar com a gestação através do trabalho realizado com os medos e fantasias relacionadas às dificuldades na criação do bebê. Trazendo a ela novas perspectivas de futuro em relação a sua vida e de seu bebê.

Discussão : O presente trabalho irá discutir quais são os aspectos que exerceram influencia no processo de não aceitação da gravidez de uma paciente usuária do serviço do Projeto Gerações que passou por atendimento clínico breve individual com um estagiário do 9º semestre de psicologia da UNIP Sorocaba. Trazendo também, uma reflexão a respeito da postura do profissional diante de uma situação em que há o desejo de abandono do bebê após o parto pela mãe, levando os estagiários a difícil tarefa de escolher o que deve ser trabalhado com essa mãe: a aceitação da gestação e o fortalecimento do vínculo mãe e bebê, tentando reverter o desejo de doação, ou a questão da separação após o parto conforme o desejo dela em entrega do filho.

Implicações clínicas: O trabalho de acompanhamento individual com as gestantes em situação de risco ou vulnerabilidade, diminuiu as dificuldades na aceitação da gravidez, independente se as estas dificuldades são provenientes da situação econômicas ou por medos e fantasias de impotência na criação deste filho, bem como podem fortalecer as gestantes no que se refere a escolha consciente em doar seu bebê ou não.

 

***

 

CARACTERISTICAS DE ADOLESCENTES GESTANTES EM SITUAÇÃO DE RISCO SOCIAL

Faria, P A; Lisboa VCA

Local: Policlínica – ambulatório de especialidades médicas, Sorocaba, São Paulo, Brasil- 2008.

Objetivos: Observar a percepção das adolescentes sobre a gestação através de um grupo de gestantes da periferia da região de Sorocaba/SP e orientar estas gestantes adolescentes sobre a importância do pré-natal e trabalhar questões relacionadas ao parto, pós-parto e os cuidados com o recém nascido.

Métodos: Foram realizados encontros em grupos quinzenais com 20 adolescentes. No grupo cada uma contava como é que entendia a gestação nesta fase de sua vida. Em cada grupo era realizado uma dinâmica com o intuito de eliciar algum tema referente á gestação, como sentimentos, mudanças, necessidades físicas e psíquicas entre outros. Os grupos aconteceram na Policlínica, sendo estas gestantes, consideradas de alto risco e participantes de um atendimento especializado denominado Projeto Gerações, que tem por finalidade garantir a qualidade de vida da gestante e da criança durante o período da gestação e pós nascimento do bebê até aproximadamente 1 ano de vida do recém nascido.Os dados observados nos grupos , através dos discursos das mesmas foram analisados com o recurso de análise de discurso do sujeito.

Resultados: Foram observados nos grupos os seguintes aspectos: falta de apoio familiar, fantasia de estar mudando de vida, sendo a gravidez um possível “passaporte” para romper com o núcleo familiar, sentimento de abandono e constatação dolorosa do não rompimento com os conflitos familiares, ou seja, que não houve mudança positiva, mas sim mudanças significativas, como privação da rotina anterior, sair da escola, ser rejeitada pelo parceiro, ser “expulsa de casa” pelos pais, padrastos, falta de recursos financeiros para se manter e conflitos pertinentes a sua própria história de vida, bem como, reprodução da história de sua mãe, entre tantos outros sentimentos pertinentes a gestação, como medo, ansiedade, não aceitação, culpa e etc…

Conclusão: Percebemos neste trabalho a importância dos grupos de acolhimento e de conscientização para essas gestantes adolescentes, pois as mesmas poderão ter um lugar de escuta e acolhimento, como também um núcleo de referência e apoio integral para elas e seus filhos, auxiliando-as a buscarem os recursos necessários para garantir uma gestação adequada e uma maior qualidade de vida. Nos casos considerados de maior sofrimento e risco, as mesmas foram atendidas individualmente e a partir de suas demandas buscou-se estratégias terapêuticas, em parceria com outros profissionais, como assistência médica, judiciária, social e psicológica.

Implicações Clínicas: O trabalho com gestantes adolescentes consideradas de alto risco por não terem uma série de contingências sócio–econômicas,  familiares, e biológicas para gerarem um filho, possibilita um cuidado não só a criança que irá nascer e que necessita de cuidado integral, segundo proposta do SUS (sistema único de saúde) e do ECA (estatuto da criança e do adolescente), como também garante a proteção e contingência a estas adolescentes que também são sujeitos em desenvolvimento e merecem cuidado integral e envolvimento de seu entorno social e familiar. Para garantir este espaço de escuta, acolhimento e direcionamento se faz necessário um engajamento dos profissionais que trabalham com esta adolescente para que possam ser feitos os encaminhamentos necessários.

***

 

EXPERIÊNCIA COM GRUPO DE GESTANTES DE ALTO-RISCO E MÃES DE NEONATOS: UMA ABORDAGEM INTERDISCIPLINAR

Souza, CMZ de; Ferreira,T; Lisboa VCA.

Unidade Básica de Saúde do Bairro de Aparecidinha- Sorocaba – São Paulo – Brasil- 2008.

Objetivo: O objetivo de grupos de gestantes e mães de neonatos visa proporcionar uma compreensão das fases da gestação e do pós-parto, bem como seus cuidados e demandas físicas, psicológicas e sociais.

Método: A assistência a gestantes e auto-risco e de neonatos torna-se primordial e imprescindível, o suporte emocional às mães inicia-se com a constatação da gravidez, visando amenizar a ansiedade e angústias próprias da gestação, parto e puerpério. Os dados qualitativos foram produzidos a partir das falas das famílias e profissionais, que participaram dos grupos de gestantes de alto-risco e de mães de neonatos da UBS do bairro Aparecidinha. Sorocaba, São Paulo.

Resultados: A equipe responsável pela coordenação do grupo de gestantes e mães de neonatos é composta por uma psicóloga, duas estagiárias-terapeutas na área de psicologia, enfermeiras, assistente social, agentes comunitários de saúde, nutricionistas e outros especialistas. Na análise dos depoimentos destacaram-se freqüentes manifestações psíquicas relacionadas à gestação, ao parto e aos cuidados subseqüentes com o bebê. Os processos emocionais desencadeados pela experiência vivida apresentaram-se sob a forma de sentimento de angústia, presente na fantasia de que a criança não fosse adequadamente perfeita ou que algo fosse erroneamente realizado no momento do parto.

Conclusão: O grupo de gestantes e de mães de neonatos proporciona um espaço para a verbalização de sentimentos, dúvidas e tabus. Através das manifestações das mães, a equipe passou a perceber a real interação mãe-bebê, facilitando assim a detecção de sentimentos ambíguos ou não com relação ao feto, permitindo um abordagem preventiva diante dos enfrentamentos das situações críticas. O acolhimento realizado pela equipe de forma coordenada e integrada, permitiu tal intervenção  através de atendimentos individuais, grupais e visitas domiciliares com profissionais de psicologia, enfermagem e serviço social.

Implicações clínicas: A abordagem grupal proporciona as gestantes e mães um importante canal para manifestações de sentimentos; ao compartilharem com outras gestantes e mães as mesmas dificuldades; fortalece a coesão grupal estabelecendo a interação das gestantes  e mães com a equipe interdisciplinar.

***

 

IMPLICAÇÕES PARA A FORMAÇÃO DO PROFISSIONAL DE PSICOLOGIA DA SAÚDE/HOSPITALAR NA ATUALIDADE

Lisboa, VCA

UNIP- Universidade Paulista – Sorocaba – São Paulo – Brasil

Objetivos: Retratar as demandas e as vicissitudes referentes a formação do psicólogo voltada para a atuação na saúde em geral, a partir da vivência entre a prática profissional (atuação)  e a prática acadêmica enquanto supervisora de estágio.

Métodos: A partir da prática profissional voltada para a saúde pública e particularmente a atuação em um hospital de oncologia pediátrica, articulados com a vivência acadêmica enquanto supervisora de estágio da disciplina de Atendimento em instituições de Saúde/Psicologia Hospitalar, possibilitou-se uma cartografia e/ou recorte das demandas provenientes desta área de atuação. A partir deste recorte, definiu-se algumas possibilidades e/ou  habilidades para a atuação e para a formação profissional.

Resultados: Pode-se perceber que a formação profissional, traz desafios que transcendem formas de atuação embasadas no modelo clínico, exigindo do educador, assim como do aluno, certa capacidade de buscar em diversos campos do saber, uma postura “ampliada” no sentido de recorrer as ciências sociais, políticas, econômicas, biológicas e humanas.

Conclusões: O intuito deste conhecimento ampliado visa capacitar o aluno nos seguintes aspectos: 1. capacidade de descrição da realidade a ser trabalhada; 2. compreensão das demandas de determinada população, quer sejam psicológicas, sociais, econômicas etc…; 3. capacitar o aluno a pensar sobre estratégias possíveis para aquela população para conseguir promover saúde e/ou trabalhar a díade saúde/doença; 4. possibilitar uma formação integral e não especifista; 5. possibilitar ao aluno um processo de pesquisa-ação.

Implicações clínicas: Com esses princípios voltados para a formação, os alunos vão a campo, nas unidades básicas de saúde, hospitais municipais e serviços de saúde (clínicas de especialidades médicas), não só para atuar como interconsulta médico-psicológica, mas como agentes mediadores para promoção de saúde, buscando a integralidade do sujeito, observando e intervindo em todo o “entorno” do processo saúde/doença.

 

***

 

IMPRESSÕES SOBRE ORIENTAÇÕES A GESTANTES DE ALTO RISCO PARTICIPANTES DOS GRUPOS PSICOEDUCATIVOS DE UMA UNIDADE BÁSICA DE SAÚDE DE SOROCABA 

Cavassana, CG; Rodrigues, CTI; Lisboa, VCA

Instituição: Unidade Básica de Saúde (UBS) da Vila Barão- Grupo Projeto Gerações- Sorocaba-São Paulo-Brasil
Objetivos: Observar se as gestantes participantes dos grupos psicoeducativos assimilam as informações passadas pelos profissionais de saúde.

Metodologia: O presente estudo ocorreu no período de março a maio de 2008, como estágio obrigatório na disciplina de Atendimento em Instituições de Saúde/Psicologia Hospitalar. Os estagiários de psicologia participaram dos grupos psicoeducativos a gestantes em pareceria com outros profissionais de saúde (médicos, psicólogos, assistentes sociais , enfermeiros, fisioterapeutas) realizando palestras e orientações de temas relacionados a gestação, prevenção de doenças sexualmente transmissíveis, métodos contraceptivos, direitos  e deveres baseados no Estatuto da crianças e do adolescente e código civil, entre outros. Os grupos ocorriam quinzenalmente na UBS. A partir dos encontros observou-se: 1. a presença de gestações anteriores; 2. conhecimento prévio dos temas trabalhos; 3. conscientização das gestantes sobre os temas propostos; 4. adesão aos grupos; 5. postura dos profissionais envolvidos.

Resultados: Observou-se que: a maioria das gestantes ali presentes já haviam participado do projeto anteriormente; a maioria já estava na sua 3ª ou 4ª gestação; muitas não conseguiam assimilar os métodos contraceptivos, embora ressaltassem não querer ter mais filhos; muitas não aderiam ao grupo e acabavam por participar por conta da doação de cestas básicas e enxoval; muitas ressaltam que o parceiro atual não usa preservativo, ressaltando o descuidado para prevenção de gravidez e doenças sexualmente transmissíveis; os profissionais acabam por se desgastar pela falta de adesão e muitas vezes, pela dificuldade do trabalho a ser desenvolvido, acabavam por ter uma postura distanciada do grupo, utilizando termos técnicos e de difícil compreensão.

Conclusão: O número de reincidência dessas gestantes no projeto é um indicativo da necessidade destas gestantes de buscarem acolhimento e orientação. Observou-se que as mesmas ainda não conseguem ter o controle sobre ter ou não filhos, denotando certa dificuldade na assimilação dos temas propostos.  As necessidades sociais e financeiras levam estas gestantes a procurar o grupo. A maioria das gestantes não conseguem perceber no grupo um espaço de acolhimento e apoio para que as mesmas possam se (re) organizar e administrar melhor as suas vidas. A utilização de termos técnicos e de difícil compreensão leva o grupo a se dispersar e não conseguir assimilar os conteúdos ressaltados. O sofrimento psíquico dos profissionais que trabalham neste projeto devido ao desgaste que estes sofrem, influencia negativamente na proposta do projeto.

Implicações Clinicas:  O trabalho em grupo é relevante para troca de experiências e informações entre essas mulheres. Porém o  modo e as técnicas que são utilizadas nas palestras, são passiveis de melhorias, bem como se torna importante um acolhimento dos profissionais que ali atuam, na tentativa de garantir um trabalho de acolhimento e conscientização desta população.

 

***

 

O MEDO DO ÓBITO NO MOMENTO DO PARTO PARA GESTANTES DE ALTO RISCO EM UMA UNIDADE BÁSICA DE SAÚDE DE SOROCABA

Ferrette, C R; Sbrissa, A.C; Verduro, CR; Lisboa, VCA 

Unidade Básica de Saúde (UBS) do bairro Nova Esperança – Sorocaba – São Paulo – Brasil – 2008.

Objetivos: Compreender e amenizar  as angustias e conflitos apresentados pelas gestantes de alto risco, bem como as fantasias em relação ao medo do óbito durante o período que a gestante inicia o seu trabalho de parto até o nascimento do bebê.

Métodos: Este trabalho se deu no primeiro semestre de 2008, como estágio obrigatório da  disciplina de Estágio Supervisionado em Atendimento em Instituições de Saúde/Psicologia Hospitalar. Foram realizados grupos de encontro quinzenais com as gestantes desta Unidade Básica de Saúde (UBS) durante o período de três meses. Utilizamos como método a escuta empática, o acolhimento, intervenção terapêutica através de apontamentos pertinentes em relação ao conteúdo trazido pelas gestantes de alto risco. Para os casos que foram considerados mais graves realizamos atendimentos individuais. Participaram destes encontros com as gestantes, uma equipe composta por estagiários de psicologia, uma psicóloga, uma assistente social e uma enfermeira.

Resultados: Observamos que durante os grupos, as gestantes apresentavam em suas falas, angustias e conflitos relacionados às fantasias do medo do óbito durante o parto. Quando esses aspectos eram  trazidos de maneira exacerbada, oferecíamos  atendimento individual. Obtivemos como resultado, na maioria dos casos, a elaboração e compreensão das fantasias em relação ao medo do óbito no parto. Os aspectos mais presentes foram: – medo do hospital que iriam ter seus bebês por experiências “ruins” de outras gestantes; – fantasias relacionadas a não aceitação do bebê e possível “castigo”; – medo do desconhecido nos casos de primeira gestação; – medo de acontecimentos ruins, como perder o bebê e entre outros, por experiências prévias consideradas traumáticas; – falta de vínculo com o profissional  que realizaria seu parto.

Conclusão: Concluímos que houve uma evolução no convívio social das gestantes, bem como, a desmistificação em relação às fantasias apresentas e um maior conforto durante o período gestacional na maioria dos casos.  O bom vínculo destas gestantes para com os profissionais da UBS e a mediação feita entre gestante-hospital –equipe pelos estagiários-terapeutas durante o processo de hospitalização, assim como a conscientização de seus direitos, permitiu as mesmas desmistificar algumas fantasias e por conseqüência, ficarem mais confiantes no momento do parto.

Implicações Clínicas: Na gestação é possível emergirem conflitos e fantasias em relação ao parto, demonstrando certo medo da morte. As gestantes não admitem terem outro tipo de sentimento em relação ao seu bebê que não seja de afeto e amor. Contudo, se surgem outros tipos de sentimentos adversos, como não desejar a gravidez, e em muitos casos desejar o aborto, isso pode gerar certa culpa em relação a esses pensamentos e sentimentos, gerando também as fantasias de morte no momento do parto. Através de atendimentos em equipe, é possível trabalhar tais questões, melhorando assim o processo.

 

***

 

POSSIBILIDADES DE INTERVENÇÃO PREVENTIVA PARA GESTANTES QUE SÃO ATENDIDAS EM UNIDADES BÁSICAS DE SAÚDE

Galano, J; Massumi, G; Lisboa, VCA

Unidade Básica de Saúde (UBS) Márcia Mendes- Sorocaba – SP- Brasil – 2008.

Objetivo: O presente trabalho teve como proposta observar e compreender os efeitos da maternidade na vida da mulher no período de gestação e puerpério.

Métodos: Acompanhamos um grupo psico-educativo, dirigido por uma psicóloga e uma enfermeira da UBS, durante três meses. Os encontros aconteceram quinzenalmente com duração média de uma hora e meia. Abordaram-se temas relacionados ao período de gestação, puerpério e temas sobre Planejamento Familiar.  Paralelamente realizamos atendimentos individuais conforme a demanda das integrantes do grupo acolhendo as necessidades das mesmas e trabalhando seus sentimentos relacionados ao período da vida no qual se encontravam.

Resultados: Observamos ao longo dos acompanhamentos, que há interesse das mulheres em ampliar seus conhecimentos, buscar apoio e dividir medos. Porém, por se tratar de um grupo psico-educativo, quando manifestavam sentimentos relacionados às suas experiências, não havia espaço para um acolhimento terapêutico. Sobre o trabalho de atendimento individual, percebemos interesse, mas por diversos fatores, dentre eles sócio-econômicos e disponibilidade de horário, somente algumas nos procuraram. Além das dificuldades concretas, percebemos uma grande resistência delas em falar sobre sentimentos mais profundos, por vergonha e medo de seus sentimentos negativos dirigidos ao bebê. No grupo elas parecem se sentir mais seguras para se expressar.

Conclusões: O “mito da mãe feliz” está muito cristalizado na sociedade, sustentando a idéia de que toda mulher ao ser mãe tem que se sentir feliz e completa, exigindo que ela lance mão de tudo para cuidar exclusivamente do bebê, o que torna ainda mais difícil para a mulher assumir seus sentimentos de amor e ódio com relação ao bebê. Estar grávida parece implicar em possuir instinto materno e ter somente sentimentos de ternura para com o bebê, sendo inadmissível expressar sentimentos negativos. Este processo traz conflitos que precisam ser elaborados para que estas mães possam ter uma maternagem menos angustiante, no sentido de que elas possam acolher seus sentimentos negativos como parte delas e perceber também sentimentos positivos.

Implicações clínicas: No que se refere ao desenvolvimento humano, pode-se dizer que o bebê necessita de uma mãe suficientemente boa; uma mãe que precisará se misturar com seu filho nos primeiros cuidados e para tanto, precisará estar fortalecida e integrada. Uma mãe que teve seus sentimentos cuidados poderá cuidar dos sentimentos do seu bebê. Por esta razão consideramos o trabalho de acompanhamento psicológico às gestantes essencial; trata-se de prevenir o adoecimento da mãe e do bebê.

 

***

 

PRONTO ATENDIMENTO DA ZONA NORTE DE SOROCABA: DA DESUMANIZAÇÃO AO ACOLHIMENTO

Lolata, KB; Santos, PRH; Lisboa, VCA.

Local:    Pronto Atendimento (PA) da Zona Norte de Sorocaba – SP – Brasil

Objetivos:  Proporcionar acolhimento e apoio às pessoas inclusas no PA focando os pacientes, acompanhantes  e profissionais da saúde, com o intuito de suprir uma partícula da carência que permeia tal ambiente, na tentativa de garantir um ambiente mais humanizado.

Métodos:   Foram utilizados os métodos de observação, orientação e acolhimento para com os usuários do PA e para com a equipe de saúde. Nas relações interpessoais utilizou-se a escuta empática e acolhimento, na tentativa de suprir parte da intensa angústia sentida por tais pacientes, acompanhantes e profissionais da saúde. Os encontros aconteceram semanalmente e tiveram duração de aproximadamente quatro horas.

Resultados: A nosso ver, os resultados obtidos, desde o momento em que abordamos o paciente na eminência de uma crise, ou na recente perda de algo significativo, até a ocasião em que, orientando ou apenas ouvindo, na tentativa de compreender a dor do outro, o paciente agradece aliviado e reforçado para trilhar os caminhos comumente “amargos” da vida, devido às condições sociais, situações de abandono, rejeição, e violência que permeiam a vida da grande maioria dos pacientes que chegam ao PA.  Na equipe de saúde, observamos que o acolhimento e empatia referente a inensidade do trabalho desenvolvido por eles, trouxe certo alívio e melhor relação entre profissional-paciente.

CONCLUSÕES : Pudemos perceber que, no decorrer de nosso trabalho pelos corredores repletos do P.A. da Zona Norte de Sorocaba, houve uma significância no que diz respeito ao crescimento pessoal, e prioritariamente à gratificação não apenas nossa, mas dos pacientes e dos profissionais de saúde, que além de se sentirem acolhidos em um momento de imensa angústia, puderam através da própria fala, refletir sobre a vida que levam abrindo a possibilidade dos mesmos rumar à um novo horizonte, ou apenas, mas não menos importante, perceberem que ainda há pessoas dispostas à auxiliar o seu próximo de forma humanizada.

Implicações clínicas: Percebemos que a presença de um profissional da área da psicologia no interior do PA junto àquelas pessoas visivelmente necessitadas de orientação, apoio, compreensão ou ainda apenas escuta, proporcionou nos mesmos,   certa confiança e esclarecimento do que permeia a sua vida naquele momento. De certa forma, a atuação do psicólogo pode influenciar na aceitação do tratamento e de certos procedimentos essenciais quando ha alguma resistência ou temor por parte dos pacientes. As pessoas em geral mostraram-se gratificadas pelo acolhimento e auxílio no enfrentamento do processo.

 

***

 

SALA DE ESPERA: DA CONVERSA INFORMAL À ESCUTA TERAPÊUTICA – UM ESPAÇO DE TROCA ENTRE GESTANTES DE ALTO RISCO E PSICÓLOGOS EM FORMAÇÃO

Pinto, IV; Pires, FG;  Lisboa, V C A.

Policlínica – Ambulatório de Especialidades Médicas, Sorocaba, SP, Brasil- 2008

Objetivos: Oferecer acolhimento às gestantes consideradas de alto risco enquanto aguardam atendimento médico pré-natal.

Métodos: Foram abordadas pacientes que apresentavam estar ansiosas e /ou agitadas na sala de espera. A conversa iniciou-se de maneira despretensiosa, falando de coisas corriqueiras e cotidianas. Com a apresentação mais formalizada da nossa pessoa e informações sobre o papel do psicólogo, demos liberdade para que o referencial da própria paciente definisse a direção do processo, aprofundando o relato para assuntos que quisessem dividir conosco, tornando este encontro terapêutico. O trabalhou se deu no primeiro semestre letivo de 2008, como estágio obrigatório da disciplina de Estágio Supervisionado em Atendimento em instituições de Saúde/Psicologia Hospitalar.

Resultados: A conversa informal na grande maioria das vezes evoluiu para um discurso subjetivo, em que se falou sobre assuntos variados, com destaque para processos de luto (bebê idealizado, situação de vida anterior à gestação, perda de entes queridos); medo pela saúde do feto e pela própria saúde (gestação considerada alto risco); medos quanto ao nascimento do bebê (situação financeira, abandono de projetos, relação conflituosa entre irmãos); planejamento familiar (métodos contraceptivos, burocracia para a realização de procedimentos definitivos como vasectomia e laqueadura pelo Sistema Único de Saúde); além de um retorno às memórias da infância da paciente.

Conclusões: A sala de espera mostrou ser solo fértil para a formação profissional, visto que esta é palco da rotina e das implicações emocionais da futura parturiente que apresentaram alto grau de ansiedade, seja pela situação atual (gestantes consideradas de alto risco) seja pelo medo do futuro (parto e responsabilidade para com o futuro bebê). O acolhimento e a informação para as gestantes atendidas, influenciaram na humanização e na promoção de saúde dentro do ambiente hospitalar.Os estagiários foram beneficiados com a experiência do trabalho que possibilitou o contato com a população que trazem diversos matizes, como por exemplo a situação de crise (gestação de alto risco) e os aspectos psicológicos envolvidos na mesma, assim como as dificuldades resultantes do contexto social que estão inseridas.

Implicações clínicas: O trabalho deste gênero se faz relevante pelo benefício imediato que traz a população atendida, pela contribuição na formação do psicólogo e pela desmistificação da profissão. Além de ser campo fértil para futuras pesquisas, pois as gestantes de alto risco representam a geração de uma nova vida e a possibilidade da própria morte, dela mesma e /ou da criança que está sendo gerada.

***

 

TRABALHO MULTDISCIPLINAR X TRANSDICIPLINAR: REFLEXÕES SOBRE A ATUAÇÃO DA EQUIPE FRENTE A MORTE

LISBOA,VCA

Hospital Sarina Rolim Caracante- Grupo de Pesquisa e Apoio ao Câncer Infantil – Sorocaba, São Paulo – Brasil.

Objetivo: Refletir sobre as atuações isoladas dos profissionais de saúde, seus aspectos pessoais sobre a morte, bem como quais possibilidades de se trabalhar de forma transdiciplinar para poder lidar com a morte de crianças com câncer.

Metodologia: Trata-se de relatos de experiências vivenciadas, no Hospital Sarina Rolim Caracante, mantido por uma entidade não governamental denominada GPACI – Grupo de Pesquisa e Apoio ao Câncer Infantil, localizado em Sorocaba, durante o período de 2003 a 2007, referente aos casos de crianças que  recebiam o prognóstico de morte , bem como , todo o processo até a morte propriamente dita.

Resultados; Observou-se que através das vivências nos casos de óbito, que o manejamento destes se torna muito angustiante para todos os profissionais envolvidos, e que o trabalho transdiciplinar se torna muitas vezes impossível, uma vez que a eminência de morte, mobiliza a todos  e estes acabam por atuar de acordo com os seus aspectos internos. Nesse sentido observamos alguns aspectos na equipe que precisam ser considerados: – História pessoal de cada um dos profissionais de saúde; – Formação pessoal e profissional de cada um; – Vínculo com o paciente e – Qualidade de vida destes. Estes aspectos influenciam diretamente no manejamento dos pacientes em eminência de morte, no cuidado para com a família e na relação entre equipe multidisciplinar, tornando a relação entre equipe-família-paciente, fragmentada  e até mesmo dissociados.

Conclusão: Nesse sentido, conclui-se que a possibilidade para minimizar esses efeitos, é de se criar na Instituição, movimentos “políticos” que mobilizem o trabalho de supervisão de casos multidisciplinares, associados com momentos de escuta terapêutica dos envolvidos nos cuidados de pacientes terminais, a fim de minimizar o sofrimento psíquico dos profissionais e melhorar as relações entre profissionais-paciente-família.

Implicações clínicas: A morte é sempre distanciada e tratada como algo inconcebível.  A formação dos profissionais de saúde  acaba por incentivar este pensamento, em que o profissional e capacitado para curar/salvar vidas. A morte passa então, a ser vivenciada como fracasso, impotência e incompetência. O sentimento de culpa, pode levar a equipe a tomar atitudes invasivas e contrárias as necessidades de crianças  que se encontram a beira da morte. È difícil para todos os seres humanos aceitar que uma criança pode vir a morrer.  Sendo assim, pode-se observar a dificuldade da equipe em se organizar, no sentido de pensar sobre quais possibilidades de acolhimento podem ser empregadas nestes momentos, observando atitudes isoladas e até mesmo  tentativas “heróicas” para poder reverter este processo, sendo portanto relevante pensar sobre atitudes de acolhimento e orientação para os profissionais envolvidos.

***