IV Congresso Brasileiro de Psicossomática

A CANTOTERAPIA NO ALÍVIO DA DOR DOS PACIENTES HOSPITALIZADOS: Uma experiência inovadora no IHGER*

*Ana Nery de Medeiros   – ananery.medeiros@gmail.com

Objetivos: A Cantoterapia(ou terapia do Canto) é uma atividade que faz bem ao corpo, a mente e o espírito. Cantar envolve vários órgãos como a laringe, o diafragma, os pulmões, equilibra as emoções e libera a endorfina – substância responsável pela sensação de bem-estar. O aumento da endorfina na corrente sanguínea previne doenças como o estresse e melhora a qualidade de vida .  Certos sons podem mudar a própria química do corpo, composições que expressam alegria, ânimo, calma, que enchem e inundam com sua beleza e com seu poder de cura. Foi à partir das pesquisas científicas  sobre os benefícios da música que surgiu a minha motivação (ao assumir a Coordenação de Psicologia em janeiro de  2004) de trazer o Canto para dentro do universo hospitalar – ambiente de dor e sofrimento – com o objetivo de minimizar  a dor, o medo e o estresse hospitalar, oferecendo ao paciente, seus familiares e funcionários da Instituição momentos únicos de paz interior, alegria e Bem-Estar, através da música.

Métodos: A Cantoterapia vem sendo desenvolvida por uma equipe de composta de 03 psicólogos (sendo 01 psicólogo fixo do plantão, que toca violão) do *Instituto Hospitalar Gal. Edson Ramalho , todas as quartas-feiras, das 16:30 ás 17:30h em todas as clínicas do Hospital, inclusive CTI e Semi-Intensiva, onde as músicas são escolhidas previamente dentre os estilos Rítmica – Melódica e Harmônica e distribuídas entre pacientes, acompanhantes e funcionários de cada  Setor do Hospital.

Resultados: O grupo da Cantoterapia do IHGER vem , cada vez mais, causando grande impacto na sociedade paraibana como um todo , bem como na mídia escrita e televisiva como um trabalho inovador e dinâmico no âmbito hospitalar, cujos benefícios são inúmeros não só para os nossos pacientes internos, como também na interação dos familiares e a  equipe de saúde de plantão. Foi percebido através dos relatos uma melhoria na qualidade de vida dos pacientes, (principalmente aqueles de longa permanência), aumento da  aceitabilidade ao tratamento e diminuição das queixas psicossomáticas, como a dor, ansiedade, revolta bem como a descontração e a alegria daqueles que entoam sua canção preferida, possibilitando vivências mais agradáveis no ambiente hospitalar , fortalecendo  vínculos na tríade  paciente-família-equipe multidisciplinar e  minimizando o stress hospitalar.

Conclusões: Esta atividade  dinâmica tem contribuído para uma mudança de atitudes dos profissionais de saúde em assumir uma postura ética de respeito ao outro, de um melhor acolhimento aos usuários e na melhoria da qualidade de vida dos pacientes e seus familiares , contribuindo com  as práticas humanizadoras dos serviços de saúde no Hospital Edson Ramalho.

Implicações Clínicas: Observamos que não basta somente ouvir a música, mas cantá-la pode trazer muitos benefícios terapêuticos, pois a pessoa como um todo estará participando desse tratamento e o próprio ato físico de participação pode aliviar bloqueios, reduzir as tensões e desviar a atenção da dor. A música pode também contribuir para uma atmosfera de cura e felicidade, ou para uma atmosfera destrutiva ou depressiva. Portanto, deixamos de fora desse trabalho as músicas tristes que causam danos no corpo, nas emoções e nos processos mentais. Essas melodias deixam o Ser Humano arrasado, isolado, tenso, abandonado, culpado e não condizem com a essência fundamental deste trabalho: O BEM-ESTAR DOS PACIENTES.

*Psicóloga Clínica e Hospitalar

Coordenadora do Setor de Psicologia do *Instituto Hospitalar Gal. Edson Ramalho-João Pessoa-PB ( Instituição dirigida pela Polícia Militar do Estado da Paraíba).

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ATUAÇÃO NEUROPSICOLÓGICA NA ÁREA HOSPITALAR

Cecília Souza-Oliveira

Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto, São Paulo, Brasil

 

Introdução: A neuropsicologia é um campo da psicologia que estuda o comportamento humano com base no funcionamento do cérebro, das estruturas funcionais responsáveis pelas atividades mentais superiores (memória, atenção, organização vísuo-espacial e linguagem) e os processos de maturação cerebral A investigação das funções cerebrais é realizada através do Exame Neuropsicológico que pode ser indicado quando há suspeita que uma doença neurológica, genética ou psiquiátrica esteja influenciando o desempenho cognitivo ou o comportamento do paciente. Esta Avaliação pode ser solicitada por profissionais da área de saúde ou envolvidos com atividades de reabilitação.

Objetivo: Os objetivos deste exame na área hospitalar são: caracterizar o funcionamento cognitivo do paciente, auxiliar o diagnóstico, realizar o diagnóstico diferencial, avaliar a evolução de determinadas doenças, prever o prognóstico neuropsicológico em neurocirurgias, avaliar o efeito do tratamento e orientar um programa de reabilitação cognitiva.

Método: O processo de avaliação inclui uma história clínica detalhada abordando: a) os antecedentes pessoais e médicos, b) histórico ocupacional e acadêmico, c) queixas cognitivas, d) status emocional e psicossocial, aplicação dos testes neuropsicológicos, apuração dos resultados, relatório e devolutiva. Os testes neuropsicológicos investigam inúmeras esferas cognitivas, tais como: atenção, funções executivas, memória verbal e visual, organização vísuo-espacial, praxia construtiva, tarefas dependentes da linguagem e eficiência intelectual.

Discussão: Na área hospitalar, a Neuropsicologia atua junto a equipes multidisciplinares com o intuito de avaliar o paciente a partir de uma visão ampla e integrada considerando que as funções cognitivas são dinâmicas e intrinsecamente ligadas. Em função dessa maneira integrada de funcionamento da estrutura cerebral, uma determinada doença pode comprometer várias tarefas cognitivas aparentemente independentes. A Avaliação Neuropsicológica permite que os distúrbios do desenvolvimento sejam detectados e, por vezes, prevenidos, fornecendo dados a respeito do funcionamento cognitivo global, evidenciando-se as potencialidades e dificuldades de cada pessoa. Esse conhecimento possibilita que sejam elaborados programas de reabilitação eficazes além de permitir o estabelecimento de intervenções clínicas e terapêuticas mais precisas e adequadas no sentido de minimizar os prejuízos cognitivos.

Agência Financiadora: CNPq

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A principal motivação no atendimento gratuito

Cristiane Lago

Objetivo:

-compartir minha experiência de atendimentos em instituições não governamentais às pessoas carentes, quando se é necessário envolvimento e comprometimento com o trabalho, além de respeito e amor terapêutico pelo paciente;

- falar sobre a importância de o paciente sentir-se acolhido, acreditado e respeitado dentro de suas condições psico-sociais.

Métodos:

Atendimento de 50min., realizado uma vez por semana (somente aos sábados), em horário e local pré-determinados, às pessoas cuja renda mensal não ultrapasse dois salários mínimos.

Faz-se um contrato verbal, no qual se fala sobre as normas da instituição, o sigilo, as faltas e o tempo estimado para a totalidade dos encontros.

Conclusões

O amor e a crença no ser humano independem de sua condições social e ambos são fundamentais para melhora do paciente, uma vez que ele se encontra em dificuldades para lidar com as adversidades da vida, dentre elas a do pagamento dos atendimentos.

Mesmo que não haja um contrato financeiro entre terapeuta/paciente, este último espera, deseja e confia que o terapeuta vá atendê-lo da mesma maneira que o faria se estivesse em consultório particular.

E a percepção, o sentimento que o paciente tem de que um outro ser se preocupa, que disponibiliza seu tempo para ajudá-lo e o aceita de forma incondicional, o ajuda a acreditar em sí e a superar os problemas e as dificuldades que existentes em sua vida.

Penso, que não é somente o desejo de ajudar o outro que me motiva a atender gratuitamente. É necessário algo maior; é preciso um sentimento “grandioso” pelo ser humano, assim como a fé inquebrantável que este tem em si a condição de superação.

O que me motiva a realizar atendimentos gratuitos é o sentimento de amor e de comprometimento, não somente pela profissão, mas principalmente pela pessoa que me confidencia suas dores, segredos e angustias… e que de alguma maneira acredita que eu possa ajudá-la a seguir a vida de forma diferente.

Implicações clínicas

não entendo este item.

O que isto significa?

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A MULHER QUE EU QUERO! UM ESTUDO EXISTENCIAL DA ESCOLHA AMOROSA MASCULINA

Letícia Batistella e Silva

Teresa Moreira Leite

Monografia apresentada à Universidade São Marcos em 2003 – São Paulo/ SP – Brasil

O objetivo deste estudo foi investigar os motivos que levam à escolha amorosa masculina de uma parceira e como esses motivos interferem e agem na manutenção do namoro, que é um tipo de relacionamento amoroso possuidor de um vínculo afetivo.

Para tal foram realizadas entrevistas semi-abertas com base em uma pergunta diretriz (Quais os motivos que te levaram a escolha da sua namorada?), com homens entre 18 e 30 anos, de nível universitário e que estivessem namorando.Por meio dessas entrevistas pode-se chegar às unidades de sentido, as quais são propostas no método fenomenológico de Joel Martins e Amedio Giorgi, que permitiram atingir  os motivos de escolha masculinos, ou seja, os motivos que os levaram à escolha da namorada.

Foram obtidas sete unidades de significações, as quais são: motivo de ser-no-mundo (gostos semelhantes, sinceridade, feminilidade, carinho e meiguice, companheirismo, inteligência, carisma e simpatia, estados de ânimo, timidez e alegria); motivos sociais ; motivos estéticos (beleza parcial e total); motivos da paixão; motivos morais (respeito e fidelidade); motivos vinculares ou de continuidade e motivos de encontro. Tais unidades de significação correspondem aos motivos de escolha dos entrevistados.

Com este estudo, percebeu-se quais os motivos da escolha amorosa masculina e o quanto esses motivos de escolha influenciam a manutenção do namoro, já que estão relacionados às fases que antecedem o namoro e ao namoro propriamente dito. Assim como as características que o compõem, como o erotismo, a intimidade, a paixão, o encontro enamorado e o amor, que surge durante o namoro. Notou-se também como essas características terão uma conotação e significação diferente em cada fase, visto que passarão por reformulações dos parceiros quanto a sua significação.

Esta pesquisa mostrou-se importante para a formação do psicólogo, uma vez que este se deparará com as questões aqui apresentadas, que perpassam os relacionamentos amorosos e as dificuldades enfrentadas por homens e mulheres para lidarem e compreenderem suas peculiares diferenças neste complexo modo de relacionar-se. Além disso, esta pesquisa pretendeu contribuir para o crescimento emocional de homens e mulheres, através da reflexão, do diálogo e da compreensão das diferenças existentes nos modos de relacionar-se de cada um dos sexos, uma vez que os motivos de escolha da parceira(o) serão diferentes.

São Paulo, 3 de agosto de 2007

Letícia Batistella e Silva

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TITULO: Saúde Mental – uma interpretação nietzscheana

AUTORA: Marisa Forghieri

Universidade Anhembi Morumbi – Laureate International Universities

São Paulo / SP – Brasil

Objetivos: investigar o conceito de saúde mental à luz do pensamento nietzscheano.

Método: pesquisa qualitativa, realizada em oficinas de criação, com estudantes de Psicologia.

Resultados: as obras plásticas, geradas ao longo do processo, indicam que a complexidade do conceito de saúde mental está para além das considerações puramente lógicas, enunciadas pela racionalidade planificadora.

Conclusões: para que seja possível compreender o conceito de saúde mental à luz do pensamento nietzscheano, é necessário incluir a arte como meio e anzol do conhecimento.

Implicações Clínicas: apenas a partir de reflexões mais profundas, que incluam a arte como instrumento metodológico de investigação, é possível apreender mais amplamente as questões que permeiam o conceito de saúde mental em uma perspectiva nietzscheana.

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AMAR-AMARO: O SENTIMENTO AMOROSO NA POESIA DE CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

FRIAS, R.R. Grupo de Estudos sobre Tradição da Herança Africana

Universidade de São Paulo – São Paulo, SP, Brasil

OBJETIVOS: Apresentar a visão do amor e o modo como o eu lírico enxerga distintas musas em importantes poemas de Carlos Drummond de Andrade.

MÉTODOS: Coleta, análise e interpretação de diversos poemas amorosos de Drummond a partir de referenciais críticos e teóricos já consagrados.

RESULTADOS: Foram coletadas e analisados diversos poemas do autor e fichados diversos materiais teóricos a seu respeito.

CONCLUSÕES: A poesia amorosa de Drummond revela um eu lírico angustiado, tímido e eternamente em luta, entre a paixão e a culpa, entre o desejo e a impotência de realizá-lo.

IMPLICAÇÕES CLÍNICAS: Compreender o amor pela via literária é um excelente meio para a compreensão de nossos próprios dramas amorosos e, possivelmente, um bom caminho para a conquista amorosa.

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Atividade: Palestra ou workshop

Título: O AMOR: BARREIRAS E POTENCIADORES.  PESQUISA SOBRE O TEMA DESENVOLVIDA EM CUBA

Necessidade de equipamento: Computador e projetor multimídia, TV e vídeo.

Tempo: 1 hora

Palestrante: Felipe Chibas Ortiz

Resumo:

Durante a apresentação mostraremos a pesquisa desenvolvida por mim e uma equipe de psicólogos feita em Cuba, abarcando um período de dois anos. Durante este trabalho foram atendidas em consulta em torno de 500 pessoas. Dessa forma reunimos um leque de importantes informações e experiências sobre temas como os ciuméns, o ideal amoroso, o modelo de casal idealizado, a influencia dos amigos e os pais nos relacionamentos,  a influencia da sociedade, relação sexo-amor,entre outros. Esses resultados, assim como a peculiar metodologia de consulta utilizada são abordadas durante a apresentação. Muitos desses resultados transcendem o marco da sociedade cubana e possuem amplas possibilidades de generalização em outros contextos.

Mini curriculum

Felipe Chibas Ortiz é psicólogo, formado na Universidade de Havana, Cuba. É Mestre pelo PROLAM-USP e Doutor pela ECA-USP, palestrante e professor convidado em várias universidades estrangeiras, assim como autor de dois livros sobre o tema publicados em Cuba e Espanha.

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20/09/2007

A/C de Christina Neder

Dor em seus diferentes ângulos…

A dor, em pacientes de doenças crônicas, é um tema complexo que deve ser compreendido da maneira mais abrangente possível, pois seu entendimento constitui ferramenta primordial de trabalho para os cuidadores – sejam eles da equipe de profissionais da Saúde ou familiares. E a Psicologia é um aliado importante nessa ampliação do conhecimento relacionado à dor, ela propicia a análise dos aspectos subjetivos que permeiam tal tema – o que influencia sobremaneira a capacidade de reação dos pacientes frente à realidade a que se encontram submetidos.

A constatação de uma doença crônica, sua contextualização na dinâmica de vida do indivíduo, o impacto social trazido pelo estigma da doença, os efeitos colaterais do tratamento e as eventuais seqüelas, constituem desafios emocionais difíceis de se transpor, exigindo muito dos recursos de enfrentamento – todas essas questões têm sido, hoje, motivo de grande reflexão na área da Psicologia. Mas, e a dor? Como e onde ela instala-se nesse percurso? Até que ponto a sociedade acolhe e “permite” que o paciente viva a sua dor? O que vem a ser “dor” em toda essa trajetória repleta de efeitos colaterais, incertezas, ameaças de perdas, preconceito?

Busco, nessa apresentação, propiciar uma exploração e reflexão sobre esse cenário, identificando os tipos de dores possíveis nessa realidade: a dor física, a dor emocional, a dor solitária, a dor não reconhecida… a dor total, como diz Cicely Saunders.

Cristiane Frias da Costa

Psicóloga Clínica, Educacional, Hospitalar e Psico-oncologista

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Oficina – Cuidando de tanto Cuida: Técnicas de meditação e Riso.

Christina Neder, Raquel Maimone e Magali Anselmo

Estando em uma profissão que exige dos cuidadores doação constante, entendemos que eles precisam estar também recebendo suporte, continência e cuidados para lidarem com as demandas do seu dia-a-dia. Demandas estas que muitas vezes suscitam sentimentos de angústia, ansiedade, impotência entre outras. Entendemos que enquanto cuidadores é muito importante que eles estejam também sendo cuidados e aprendam a se cuidar e manter o seu próprio equilíbrio e bem estar, para que possam exercer a sua profissão da melhor forma possível. A literatura que discute tal temática nos alerta para o fator humanização, e nos alerta mostrando que essa humanização não se tem estendido à pessoa dos profissionais de saúde, cuja saúde é presumida e não promovida.

O objetivo desta Oficina é criar um espaço que dá oportunidade aos participantes de vivenciar práticas integrativas como a Meditação, e o Riso, propicias para o cuidado ao cuidador.

Essa oficina se justifica como um espaço para Cuidar dos cuidadores e de conhecimento de práticas de integração mente-corpo de uso também no cuidado ao paciente somatizante.

Material necessário:

Sala com cadeiras móveis,

Data Show com som.

Christina Ribeiro Neder Cerezetti- Dra em psicologia Clínica pela USP, docentes em curso de graduação e pós graduação pela Centro Universitário São Camilo.

Raquel Maimone Nicastro- Psicóloga, pós graduanda em curso de Psicoterapia Psicadinamica de adultos.

Magali Anselmo- Psicanalista , Enfermeira e Prof. de Yoga. Pós graduanda em curso de Abordagem  Transpessoal.

 

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A compreensão existencial no atendimento comunitário

André Roberto Ribeiro Torres[1]

Mauro Martins Amatuzzi[2]

RESUMO

O trabalho do psicólogo no campo comunitário traz peculiaridades que impedem a mera transposição das teorias e técnicas do atendimento clínico, exigindo dos profissionais a produção de conhecimento específico e flexibilidade no desenvolvimento de suas atividades. Tal produção mostra-se necessária devido ao aumento da demanda do campo social não apenas com o crescimento da população em situação de vulnerabilidade social como com a implantação do Sistema Único de Assistência Social (SUAS) nos municípios por parte do governo federal. Através da experiência prática relatada em publicação anterior e de novas experiências após a publicação, é possível abrir caminhos teóricos e práticos para essa colaboração, principalmente no que diz respeito à compreensão existencial humana, seguindo as diretrizes da pesquisa qualitativa de base fenomenológica (Amatuzzi, 2001). A psicologia necessariamente abandona o olhar individualizante no contato com a comunidade, sendo impossível compreender um sujeito sem que essa compreensão englobe o entorno desse sujeito, isto é, o espaço, as pessoas e o contexto sociocultural e político, por exemplo. Embora sempre haja diferenças teóricas nos diversos campos da Psicologia, as abordagens parecem entrar em consenso ao abordar a ampliação do foco de estudo no ambiente comunitário. É preciso, portanto, que a fenomenologia existencial se instrumentalize para isso.

Palavras-chave: Psicologia fenomenológico-existencial; Psicologia comunitária; SUAS; Pesquisa qualitativa.

 

[1] Psicólogo, professor do Centro de Psicoterapia Existencial e mestrando em Psicologia pela PUC-Campinas.

[2] Professor do Programa de Pós-Graduação da PUC-Campinas.

 

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O Sentimento de Inadequação Física e seus Desdobramentos Psicológicos

André Roberto Ribeiro Torres[1]

Mauro Martins Amatuzzi[2]

RESUMO

Um breve histórico do Sentimento de Inadequação (SI) esboçado durante a pesquisa de mestrado mostrou que uma de suas perspectivas concretas é a inadequação física. No entanto, constatou-se que o SI não se limita à diferença física, pois comportamentos, hábitos e sentimentos também podem ser evidenciados pelo corpo. Com a também constatada tendência à objetivação e sintomatização por parte das ciências e do senso comum tanto do tema em questão como de uma forma geral, a relação entre o visível e o invisível, conforme aponta Merleau-Ponty, mostra-se algo fundamental a ser abordado, usando tais âmbitos como analogia ao físico e ao psicológico. Essa reflexão constitui uma noção de psicossomática que contrasta com a visão tradicional de causa e efeito. As posições tradicionais do SI vindas do filósofo Michel de Montaigne e do psicanalista Alfred Adler, assim como as nosologias psiquiátricas que abordam o SI são revistas e confrontadas com o uso artístico e intelectual da expressão. Os principais desdobramentos psicológicos do SI até agora levantados são o Aplainamento da Subjetividade, Aplainamento da Objetividade e a Reflexão e Criatividade.

Palavras-chave: Sentimento de Inadequação; Psicologia Fenomenológico-Existencial; Merleau-Ponty; Montaigne; Adler; Pesquisa Qualitativa.

 

[1] Psicólogo, professor do Centro de Psicoterapia Existencial e mestrando em Psicologia pela PUC-Campinas.

[2] Professor do Programa de Pós-Graduação da PUC-Campinas.