De um Sorriso Doce…

De um Sorriso Doce…

Valdemar Augusto Angerami – Camon

Para Cacheadinha

SERRA DA CANTAREIRA

Eu quero da vida o teu sorriso

doce… o mesmo que você exibe

quanto te estreito em meus braços…

quero passear pelo teu corpo do

mesmo modo como caminho

pela serra nas manhãs e madrugadas…

sentindo cada detalhe da caminhada

com um prazer que nunca se exaure… e

sempre se renova…

Eu quero da noite o teu sorriso

meigo… aquele que você mostra

quando tomamos vinho diante da

lareira… ver o teu contorno emoldurado

pelo fogo e sentir a emoção de

abraçá-la em cada fragrância da

magia dos nossos momentos…

Eu quero da vida a paz do teu sono…

o teu espreguiçar pela manhã e o teu

sorriso de bom dia… de como você

reclama das minhas molecagens

logo cedo… a tua fala que se mistura

com a algazarra dos pássaros no

amanhecer… eu quero a vida com

a serenidade com que você se

debruça sobre os teus livros para

produzir intelectualmente… um olhar

penetrante e abrangente…

JOÃO PESSOA

A Lua nasce sob o horizonte e

deixa a água do mar com um prateado

reluzente… um prateado que toca a alma

de modo único… a Lua vai deixando as

águas e vai subindo em direção ao céu…

e o seu rastro prateado encanta e se espraia

e nos abraça com um suave toque de

magia… eu sinto a tua falta… falar ao telefone

não basta… preciso te ver admirando esse

luamento… como de outras vezes aqui em

João Pessoa, em Natal e na Cantareira…

A praia pela manhã me traz tua ausência… caminhar

sozinho pela areia é saber que você está

longe… noutros cantos… sentir falta dos teus

beijos é como sentir falta da própria seiva

da vida… de como tudo é incompleto sem você…

o mar que se derrama na areia não tem a mesma

beleza de quando você está ao meu lado…

O pôr-do-sol na Praia do Jacaré é espetáculo

insosso… tudo é um só tédio quando você não

está ao meu lado… vir a esse espetáculo é

lembrar do teu sorriso diante da magnitude

desse espetáculo… da tua alegria em registrar

com fotos o sol se escondendo no horizonte…

não há como estar em João Pessoa e não

te encontrar em cada canto… em cada quina de

esquina… em cada pedaço de chão, de areia,

de mar… é lembrar, sonhar e constatar:

sua ausência é uma doce reminiscência de

que te viver é sonhar um sonho azul,

é esperar com muita ansiedade o dia de

te reencontrar e poder abraçar e beijar

na sua delicadeza dessa magia que estamos

vivendo, onde cada momento é revestido

de um mistério e um fleuma que torna

tudo inesquecível, indescritível… uma

ilusão, uma paixão, uma emoção…

tudo isso é você, é João Pessoa,

é a Cantareira… é o prazer de te estreitar

em meus braços na madrugada e

sorrir como criança… de um sorriso doce

que me fascina e que torna as minhas coisas

uma suave fragrância de paz e amor…

é assistir à florada da Sibipiruna na primavera

e saber que em tudo existe um pouquinho de

você… do teu ser… do teu sorrir…

Serra da Cantareira, numa manhã de primavera

De um Aniversário Doce

De Um Aniversário Doce

Valdemar Augusto Angerami – Camon

 Para Paulinha

Eu te quero em paz…

a mesma paz que víamos

na neblina, enquanto esperávamos

tua condução escolar,

e que emoldurava a montanha

como se fosse flocos de algodão…

Eu quero zelar pelo teu sono…

para que durmas em tranqüilidade…

assim como os esquilos permanecem

nas pontas das galhas da árvores

para protegerem os filhotes que

dormem nas mesmas galhas

mas junto ao tronco…

Eu te quero dançando…

pelos palcos… pela vida,

cobrindo teu corpo juvenil,

que se transforma em mulher,

com o véu azul da felicidade…

Eu quero manter no imaginário

a menininha loirinha da infância,

e ver o desabrochar da moça

que se transforma em mulher

e que ainda mantém a meiguice dos sonhos…

Eu te quero feliz…

com a mesma felicidade

com que apreciamos as estrelas

brilhando no céu enluarado

da montanha…

Eu te quero serena…

com a mesma serenidade

que te encontro debruçada

sobre os teus livros e cadernos

no entardecer e na noite

no nosso refúgio da floresta…

Eu te quero em harmonia…

com a mesma harmonia dos cães

deitados na soleira da porta,

espreitando tua suavidade,

e te protegendo contra

as adversidades da noite…

Eu te quero alegre…

com a mesma alegria com que descobres

as primeiras flores da Suinã

no raiar do inverno…

e com a alegria do teu sorrir

diante do caminho amarelado pelos girassóis…

De que esse aniversário

te traga a mesma emoção dos

aniversários da infância primeira…

brincando de Moranguinho, de Limãozinho…

comendo brigadeiro e se lambuzando de chocolate…

de que a vida seja sempre uma festa de luz,

com a alegria das crianças brincando no parque

num domingo ensolarado…

De que a menininha loirinha

que eu levava no parque para brincar

e que adorava algodão doce azul,

e que me perguntava sorrateira:

“– pai, por que será que a gente se gosta tanto!?”…

continue a existir no teu ser

que se transforma numa mulher…

De que o prazer tantas vezes

vivido nos almoços e jantares do cotidiano

sejam fragmentos de luz no teu coração…

de que das vezes que saboreamos,

com torradinhas, as sopas que você faz

para aquecer o frio da montanha,

sejam lampejos de amor… dádivas de felicidade…

De que as árvores que

plantamos juntos – principalmente

as tuas Suínas – sejam lembranças

de que a vida se perpetuou nas tuas mãos…

e se fez florir a um toque teu…

De que os passeios

noite adentro pela montanha

sejam sempre fagulhas de luz

a iluminar teus caminhos…

a te ensinar que a verdadeira

magia da vida está nas coisas simples…

nos amigos em volta da lareira…

no telefonema de preocupação…

no plantio das nossas árvores…

num sorriso de criança…

De que esse aniversário

possa te fazer ainda mais exuberante…

e a mim: o mais feliz dos homens

simplesmente por tê-la como filha

amada e adorada…

Serra da Cantareira, numa manhã de verão…

De mim, ou de você?

Márcia Chicareli Costa

Quando você se mostra rude, foges de mim, ou de você?
Quando áspero está, na fala, ou no toque…agride a mim, ou a você?
Quando quer ser doce e amável e não consegue por estar acostumado a travar sentimentos, magoa a mim ou a você?
Quem é você que não doa sentimentos e quer recebê-los?
Quem é você que cobra amor, sem nunca ter amado?
Sabes o que é paixão? Um botão de rosa vermelha? Uma mordidinha na orelha?
Se nega cada coisa que sente, castiga a mim, ou a você?
Já caminhaste dentro de você… pode perceber o tamanho vazio cavado por você mesmo, ou prefere continuar arrancando das pessoas o amor pronto, fabricado em dias, para ter menos trabalho em conquistar alguém? E isso tudo…é ruim para mim, ou para você?
Que mulher não deseja ser cortejada, amada e respeitada com a delicadeza de uma flor apanhada na roseira?
Que mulher não acredita na paixão, que vem forte do coração e chega a exaustão de tanto procurar alguém para amar?
Mulheres em busca de conquistas, toques e carícias…homens em busca de praticidade, e quando o sentimento vira amizade, eles nunca compreendem porque?
O amor e a flor merecem a mesma doçura. Tem que regar todo dia, senão morre… Não precisam de competição! Quem liga hoje, sou eu ou é você?
Busque aí dentro desse coração de pedra, as vezes que tua alma encontrou morada e de lá correu por medo de ser vencido pelo amor e pela paz que há contida nele.
Você deve estar pensando: “Nossa, quanta bobagem unida num só texto.” Mas, sou teimosa e iremos em frente, a escolha é sua, ou leia ou rasgue agora…
Se perceba sentindo. Sinta e viva cada momento com intensidade e não com pressa e desespero, parecendo que tudo não passa de cenas de filmes que terminam com o clássico: “Foram felizes para sempre”…
Conquiste para ser conquistado. Acredite para ser acreditado. Demonstre para ser percebido na doçura do ser humano encapado que você se mostra ser…
Confesso que exagero nas doses de romatismo, mas insisto, para mim só existe dois se existir um sentimento…o amor!
Sentimento fino, delicado e conquistado, sentido a cada dia, a cada encontro e a cada olhar…não diminua o que há de maior no Universo…isso não é bom, nem para mim, nem para você!
Se emocione e sofra. Deixe doer aquilo que se perdeu. Alegre-se com aquilo que se conquistou, porque se não sabes, homem endurecido, o amor amolece a alma…
A alma satisfeita por sentir o amor, vive em plena harmonia e segue feliz, porque além do materialismo existe algo que chamo de sentimentalismo e disso não abro mão!
Quero ser acordada com carinho, café da manhã na cama e um lindo botão de rosa na bandeja…e sabe porque? Porque isso não tem valor material, isso são gestos de alguém que quer com carinho cuidar de mim e do meu ser…
Para que tanta pressa para chegar a algum lugar e atropelar o que há de belo para ser saboreado? Pressa para chegar onde? Quantas pessoas se perdem de nós pela pressa que temos em resolver um quase nada do nosso dia a dia irritado, e a vida é assim para mim e para você.
Basta que cada um de nós, procuremos nos centrar em nós mesmos e arriscar a melhorar…destruir e reconstruir, modificar para edificar, sair para poder entrar, terminar para começar!
Homens e mulheres, em busca do tão sonhado porto seguro, segurar em quem se nem em nós mesmos somos capazes de nos atracar?
Me propus a recomeçar e dessa vez como manda o meu figurino, e não cumprindo ditos da sociedade medíocre e ingrata!
Um pensamento, uma reflexão! Um encontro uma condição! Peço ao Universo que eu nunca perca a sensibilidade em sentir cada movimento de vida!
Assim seja…

Da Magia das Cores sobre uma Tela

Da Magia das Cores sobre uma Tela

Para Evandro

Valdemar Augusto Angerami – Camon

Diante do seu novo quadro,

eu não reconheço tua obra anterior…

Não me reconheço no desconhecimento…

Me surpreendo com a tua evolução de cores…

do azul e suas variações

numa composição grisalha… Um

novo mundo onde as cores são

efuziantes, estonteantes, inebriantes…

Um amarelo avermelhado… ou um vermelho

amarelado… ou uma nova combinação que não só

inebria como também traz uma grande

alegria… mas o que são os efeitos dessas

novas pinturas estampadas nesses quadros?!

É um pedaço da nossa alma que se mostra

e traz inquietação?!… Ou simplesmente

é uma ilusão de que transcendemos quando

nos configuramos com humanos diante de

uma obra de arte?!… Ou é a beleza do

teu quadro que toca fundo na alma

trazendo um pouco de paz ao coração?!

Olho para o quadro e me distancio

do mundo, das coisas e de mim mesmo…

Ou é o quadro que me eleva a uma deificação

e faz perceber que a grandiosidade da vida

é o esplendor dessa evolução de cores?!

Que cores são essas?! Como elas podem invadir

a minha alma de modo tão pleno e emocionante?!

E essas cores que os teus pincéis

reproduzem, estampam a tua alma?!… Ou são apenas

uma configuração da leveza do teu coração?!…

E da tua generosidade, cuja grandeza é a combinação

dessas cores?!… Um pequeno quadrinho da tua

infância já exibia cores fortes, bonitas… mas

eram uma beleza que apenas resplendiam

aos olhos de um pai sonhador… de um sonho

que se renova no novo quadro… Ou será que é

a pintura que nos renova e acalenta a

ilusão de tempos mais azuis e coloridos para

a própria vida?!

Quantos quadros ainda teremos de sonhar

para que a contemplação seja um mero

espelhar de alma diante da efusão das

cores?!… e da harmonia das formas?!

E o que são as cores se não o brilho dos

nossos olhos diante da alegria de nossa alma?!

Um quadro é um sonho que me remete à

tua infância… dos primeiros desenhos… dos primeiros

rabiscos e das primeiras combinações de cores…

Sempre que vejo um novo quadro surge um

pequeno desenho de quando você era uma pequena

criança de 5 anos…

(um caminhãozinho

com um ratinho que fazia propaganda de queijo…)

Os quadros de hoje ainda trazem aquela

criança da primeira infância… da tua

liberdade na criação de formas e contornos…

para desenhos que simplesmente representavam

o cotidiano das vidas… O azul de hoje é

profundo, mágico, eterno… Mas é o azul

que estava guardado em algum recanto do

teu coração para que sua alma pudesse

exibi-lo no momento oportuno… senão,

de onde mais pode vir um azul tão

forte bonito e encantador?!… Ou de

onde se originam as emoções que as cores

propiciam se não do desvelamento da alma

no transbordas das paixões?!…E o que são

essas cores se não um modo peculiar

de o artista mostrar a todos a presença

de Deus?!… E de como Deus s desvela

e se revela na mistura e na eloqüência

das cores…

Transitar pelos teus quadros é um

passeio de muita leveza, de muito amor

e, acima de qualquer outro determinante,

é um sonho de que nos eternizamos

diante de cores tão magníficas…

De como tua vida simplesmente é a magia

dos teus pincéis sobre a tela… assim

como nos primeiros rabiscos da infância…

É como se aqueles primeiros rabiscos se

transformassem e te transportassem

para o universo das tintas, das galerias,

do grandes artistas… da própria vida que

irradia o prenúncio de mais cores e

mais vida…

Cores, luz e mais cores… Uma

vida… Um sonho… Um azul… Uma

ilusão… Um filho… E a dimensão

de uma obra de arte… Você ainda é

aquela criança loirinha correndo

pelas alamedas da vida… E desenhando…

rabiscando… pintando os livrinhos

de histórias… as paredes do teu quarto…

e tudo para que tudo ficasse mais

bonito… Esses quadros de hoje são

um pedaço de você, das tuas cores,

e até mesmo da emoção vivida e

sentida… sonhada, sofrida, mas,

acima de tudo e por tudo, são amor.

Daniela

Daniela
*Valdemar Augusto Angerami (Camon)

Adolescência. Tempo de ilusão.
A vida pulsando como se tudo
fosse concebido para apenas ser
intensamente vivido…
a única expectativa era que o mundo
tivesse alegria igual a
que dominava e invadia a própria alma…
tempo do tempo em que tudo
demora mais tempo para passar…
coisas aconteciam que a própria memória
custa acreditar que se passaram…


Nesse tempo, era roqueiro…
tocava numa banda de rock…
bastante sucesso…apresentações
em programas de televisão, shows
e aparições nos momentos mais marcantes da época…


Tudo era uma doce ilusão…
era incontável o número de fãs,
colegiais, adolescentes ou simplesmente
admiradoras, que nutriam verdadeira
paixao por tudo que representavamos….
mistura de idealização circunstancialmente
sedimentada na pulsação da própria idade…
também havia Daniela…
doce menina que fazia o
meu coração vibrar numa emoção incontida…
Daniela, amadada, idealizada
e ao mesmo tempo distante…
distante de tudo que fazia parte do meu ser…


Inconcebível que um roqueiro
que tocava na noite,
apesar de pouca idade e maturidade,
que vivia num círculo onde se consumia
uma quantidade bastante grande de drogas
e que convivia com prostitutas da noite,
pudesse aproximar-se de Daniela…
Daniela…


Não era possível imaginar
qualquer tipo de envolvimento
que não a tênue amizade
que mantínhamos…
ela certamente deveria namorar
alguém que tivesse uma vida mais regular…


Alguém que freqüentasse
o colégio regularmente…
que tivesse um projeto
profissional solidamente sedimentado…
alguém que pudesse levá-la
a bailes, festas, domingueiras dançantes,
cinemas e até mesmo pra tomar
sorvete nas alamedas do tempo
no remanso da adolescência…
esses argumentos,não conseguiam
aliviar os sentimentos que nutria por ela…


Cada vez mais
tinha nítida sensação
de que aquela deveria ser
a mulher dos meus sonhos…
sonhos de um adolescente
que sonhava com a própria
ilusão do amor…


Houve uma vez nesse tempo
um baile…baile animado pela minha banda…
lá estava Daniela…
sem namorado
a espera de alguém
que a tirasse pra dançar…
e eu no palco
tocando canções que
faziam os namorados sonharem,
e os mais apaixonados conhecerem
momentos de arrebatação…
Daniela estava lá,
sentada numa mesa perto do palco,
acompanhada por um grupo de amigos…


Não dançava, apenas olhava
e o seu olhar é tão forte e
brilhante hoje na lembrança
como era naquele dia
na moldura do passado…


Não havia como saber
por quem ela esperava,
ou ainda o que fazia,
sendo tão bonita e atraente,
sozinha num baile…


Tudo passou…
o baile, o tempo do colégio,
e a própria dimensão dos fatos
que insistia em manter distancia
das reminiscências da vivência…


A adolescência se foi…
assim como os caminhos onde
Daniela passeava com a
graciosidade dó seu jeitinho…
eu gostava tanto do jeitinho dela…
do jeitinho de me dizer coisas
tão bonitas de se sonhar…


Tudo passou…
Daniela ficou nas entrelinhas
do tempo e do espaço…
na idealização e na certeza
da própria inquietude que cercava
os nossos momentos e olhares…


Sonhos…paixão…
idealização…
tudo se mistura e torna
díficil de separar e definir
quando aconteceu…
ainda há pouco minha guitarra
estava lá no canto…
ainda ouço seus acordes…
foi ainda há pouquinho que
vi a Daniela na saída do colégio…
saia azul pregueada,
blusa branca mostrando
sob a textura do tecido
os seios ofegantes no ritmo da própria vida…
meias brancas e os cadernos
na pasta que carregava…
ainda há pouco pensava
em esperar Daniela no intervalo
da aula pra contar das
novas músicas…
do novo show…
e onde seriam os bailes do fim-de-semana..
E das apresentações na televisão…

Foi há pouquinho também
que contei pra ela que
mais uma vez perderia o ano letivo…
fruto da minha contínua ausência às aulas…
adorava o seu sorrir,
seu jeito moleque de falar
dos seus próprios sonhos…
o seu cabelo com tranças
arranjadas de forma desarmoniosa,
tudo foi agorinha, há bem pouquinho…


Outros tempos…
trinta e dois anos de idade…
tempo de maturidade,
de buscas profissionais e existenciais…


O roqueiro adolescente existente
apenas em doces e suaves
lembranças… sombras e vivências
de um passado num momento
onde o tempo parece
que tem mais urgencia pra passar…


Uma tarde de primavera…
eis que reencontro Daniela…
não mais aquela adolescente dos
sonhos e reminiscências,
mas uma mulher…


Linda… exuberante…
uma formosa mulher…
e num repente não mais
havia tempo nem espaço
a separar nosso ontem…


Sentamo-nos pra conversar e
naturalmente passamos a recordar
e viver novamente as lembranças
daqueles momentos…tudo era saudade…
E eis que coloco pra ela
a minha paixão e a razões
que me impediam de me aproximar
e até mesmo de tentar
algo mais envolvente…
a idealização que fazia
de seu ser me afastava
definitivamente de tudo
que a envolvesse…
e de repente seus olhos adquirem
um brilho bastante intenso e
ela confessa algo que me
deixou não apenas estonteado
como perplexo frente a vida
e a crueldade dos fatos…
ela também
era apaixonadíssima por mim e
igualmente achava que
não era suficientemente dotada
para namorar ou então aproximar-se
de alguém que considerava tão importante…
e que era tão amado
e idolatrado por tantas colegas do colégio…


Diante dela não estava mais
o roqueiro assim como à minha
frente não estava aquela adolescente
dos sonhos… Éramos dois adultos
recordando fatos e fazendo revelações
que certamente além da
perplexidade de que eram revestidos…
deixaram-nos atônitos em
razão da própria consciência
de que havíamos deixado
de viver um romance que
seguramente teria a ilusão
de que se reveste o encanto da adolescência…


Nada foi concretizado…
apenas a idealização de que éramos,
ou então, o que é ainda pior,
que não éramos merecedores
um do outro…como se a vida
tivesse medidas e pesos
para avaliar quem é digno ou
está à altura de quem…
a frustração pelo namoro que
não existiu ganha novos contornos
com a constatação da paixão dela…
Ela também me amava intensamente …..

A Constelação de Pégaso é a Primavera no Firmamento…

A Constelação de Pégaso é a Primavera no Firmamento…
Valdemar Augusto Angerami – Camon

 Para Tereza

Eu quero ir ao teu encontro
com o desprendimento das flores
que se abrem ao Sol,
sem saber do vento que pode
despetalar o seu formato e a
formosura de sua cor…
com a alegria da algazarra matinal
dos pássaros anunciando o amanhecer…
com a graciosidade dos esquilos
correndo pelas árvores e trazendo
destreza ao próprio olhar…
Eu quero te estreitar nos meus braços
com o fulgor do Sol
rompendo a neblina da manhã
e trazendo o azul mais azul
e que estava escondido atrás da névoa…
com a magia das nebulosas emoldurando
as estrelas que cintilam na escuridão da noite…
como as gotículas do orvalhar na madrugada
e que ainda insistem em brilhar na luz do Sol…
como um raio cortando a escuridão
e iluminando a noite na tempestade

 

Eu quero sentir o teu coração
batendo junto ao meu…
assim como eu ouço um concerto de Mozart:
apreciando cada acorde, coloratura, andamento,
e nuances melódicas…ouvir o teu ritmo
e descobrir o andamento da tua pulsação…
Eu quero ouvir a tua voz rouca
na imensidão da noite e
contemplar a paz do amanhecer…
assim como um passeio à beira-mar
com os pés arrastados na areia
e a vida pulsando Verão…

 

Eu quero beijar os teus lábios
com a mesma doçura que
o beija-flor toca
as flores do hibisco…
com a mesma suavidade de
um pássaro filhote sendo alimentado pela mãe

 

Eu quero tocar no teu corpo
com a leveza da brisa do mar
na noite de Primavera…
com o encantamento de quem percebe
os segredos que o rio repousa no mar…
com o fascínio de quem descobre,
no céu estrelado do Inverno,
a Constelação de Escorpião…
e a de Pégaso na Primavera.
A Constelação de Pégaso
é a primavera brilhando no firmamento…
E você é as marcas “du soleil” em meu coração…

 

Eu quero sussurrar no teu ouvido
uma nova canção de amor
que ouvi no vento e que fala
da grande emoção e da alegria
de te-la como amada adorada,
sonhada e venerada…

 

Eu quero te contar o que senti
e aprendi pensando em você,
sonhando com você…das coisas que imaginei
realizar ao teu lado…
e das coisas que criei para você,
da ilusão, da luz, da Primavera
e de um novo tempo que há
que celebrar o nosso encontro…

 
Eu quero apanhar outras flores do Jasmim,
do Jacarandá-Mimoso e de Sibipiruna para te dar…
Eu quero ver a tua pele dourada
cintilando ao Sol…
misturando luz e vida no coração…fazer da florada
da Primavera uma flor para te acarinhar…
de cada detalhe da Natureza
um toque de vida, paz e amor…um regato
de água pura e cristalina…
Eu quero te ouvir junto à lareira
e escutar as tuas estórias
e saber um pouquinho mais de você…
da divindade feminina que existe no teu ser…
eu quero te contar alguns segredos
que aprendi com o fogo e
ver a tua imagem na luz multicor da
madeira que estala na vibração do calor…
e fazer dessa magia o desdobramento
de uma suave melodia de amor…

 

Eu quero executar as peças mais melodiosas
e fazer um recital que consagre a alegria
que exibimos publicamente,
simplesmente por estarmos juntos…
eu quero fazer de cada música
uma dádiva de louvor aos anjos
que te colocaram na minha vida…
fazer desse recital uma ode
de agradecimento pela deificação de poder
sonhar com você…e abraçar e beijar
na fragrância de cada frase melódica
a harmonia do teu ser…

 

Eu quero te dar a minha fragilidade
para eu me sentir mais humano…
a minha emoção para eu me sentir
criança. Criança que acredita na pureza
e na ilusão de um grande amor…
Eu quero te abraçar e te proteger
contra as vicissitudes do caminho
e novamente te dizer “You’I I never walk alone”…
eu quero fazer com que a tristeza
do teu olhar se transforme
em alegria e prazer…
E ver que o brilho dos teus olhos
será a luz do amanhã…

Ouro Preto, numa manhã de primavera de 1996.

Condutores ,Os

Os Condutores
*André Roberto Ribeiro Torres

Era uma vez dois amigos que assim se cultivavam desde sua mais miniatura infância.
Juntos aprenderam a andar, a falar, a crescer.
Conheceram suas namoradas quase ao mesmo tempo.
Casaram-se com um intervalo muito pequeno entre um e outro.
Rotinaram-se praticamente juntos e rebelaram-se na mesma conversa do mesmo “pub”, na mesma atmosfera ébria.
De lá não voltariam mais para casa.
Não sabiam o que havia de errado, pois, até então, haviam feito tudo correta e exata-mente do modo como, juntos, haviam aprendido.
Agora porém juntos decidiram do nada romper com tudo.
Abandonariam sobre aquela mesma mesa suas duas cartolas galantes e partiriam com as cabeças desprotegidas.
Há quanto tempo não perdiam o penteado em meio ao vento!
Há quanto não tomavam eles próprios as rédeas de seus cavalos!
Decidiram retomarem-se e, para isso, dispensaram o cocheiro.
Sentaram-se lado a lado e um deles assumiu o comando, anunciando que levaria o carro diretamente ao lugar onde encontrariam a felicidade.
O outro comemorou, juntamente felicitando-se.
Partiram pela madrugada, guiados apenas pela imprecisão da lua.
A estrada para o final feliz foi aleatoriamente escolhida a dedo pela irrazão do condutor.
Em determinante momento, cansado da árdua tarefa de segurar as rédeas na estrada para a felicidade, o condutor acordou o companheiro que, cochiladamente, roncava já havia alguns tempos.
Passou-lhe o encargo do destino de ambos, já que este se encontrava descansado ao seu lado e também tinha o querer de atingir o fim da estrada antes de o sol nascer.
Relutante, o amigo aceitou sem pensar o poder passado pelo sonolento amigo, que já dormia antes mesmo de entregar-lhe o controle total.
O recém-desperto encontrou-se perdido!
Desesperou-se na estranha estrada sem orientação.
Olhou para o céu e lembrou-se do que buscavam: felicidade, é claro!
Sabia, sim, que caminho seguir!
Sabia, sim, que estrada tomar!
Sentiu pena do amigo.
Sonolento, coitado, deve ter-se atrapalhado…
É claro que aquele caminho estava completamente errado!
O amigo, com a certeza, equivocara-se…
Seguiam para um lugar completamente oposto de onde estava a verdadeira felicidade!
Tendo consciência do difícil trabalho que teria, o novo condutor começou a sua jornada, que garantiria a felicidade dos dois.
Trabalho dobrado, velocidade também!
Pobres cavalos…
Mas quando o Homem pensa unicamente em sua própria felicidade, não pensa em mais ninguém.
Corriam todos para a concepção de felicidade do condutor: ele mesmo, o amigo inconsciente, o carro e os cavalos.
Voltara a ponto de partida e reconhecera a estrada realmente desejada.
Avançava longamente já pelo caminho, quando caiu de sono antes de passar as rédeas ao amigo que também podia conduzir.
Ambos dormiam.
Os cavalos apenas seguiam a estrada sem imaginar que seus condutores olhavam, na verdade, apenas as próprias pálpebras, sua consciência desacordava mais e mais.
Por menos de um minuto os cavalos tiveram sua liberdade sem saber: o condutor originário despertara de seu sono para retomar a condução.
Rápida foi sua percepção de que estava longe de seu destino.
Lógica foi sua explicação: seu pobre e fraco amigo não conduzira por um metro que se quer.
Dormira logo que tomara as rédeas e deixara os cavalos escolherem o caminho…
Conheciam-se muito mas não se viam tão bem.
Para ele, era inadmissível percorrer qualquer caminho que não fosse escolhido pelo Homem!
A meia-volta fechada para castigar os cavalos foi veloz como a constante força que passou a exigir destes animais.
Correu mais que antes na sede de seu objetivo!
No entanto, jamais teria a mesma força dos cavalos e adormeceu tão rapidamente quanto o carro ia.
Não caíram porque se recostaram um no outro.
Os cavalos eram, de novo livres sem saber e, sem saber qual era o conceito da verdadeira felicidade, fizeram o que sabiam.
O sol nascera.
Os amigos, juntos, acordaram ofuscados.
Não podiam mais ver o céu por causa de tanta luz.
E não tinham seus chapéus para proteger-se.
Olharam, finalmente, um ao outro.
Olharam, depois, ao redor.
Familiaridades.
Olharam-se, novamente, espantados desta vez.
Estavam lado a lado como sempre, em frente ao mesmo “pub” que sempre freqüentaram e com a memória de sempre terem feito as mesmas coisas mesmossempre reclamando.
Após despertarem, lembraram da inusitada e louca decisão de buscarem a felicidade.
Teria sido tudo um confuso sonho bêbado?

FIM