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Coletando a Exis(/Insis-)tência

Coletando a Exis(/Insis-)tência
*André Roberto Ribeiro Torres

Homem,
Instrumento do ser
Homem é música
Música só existe quando é executada e escutada
Escutar ou ouvir?
Depende do dono da orelha…

Flashback Join for free Blackjack Game over Set me free
Falar inglês
Quem sabe…
Quem sabe?

Oui, oui Bon Apetit Bon Suoir C’est la vie
Parlez francez
Quem sabe?
Como diria?

Falar português
Quem saberia?
Apenas o João
O da Rosa,
Dos Guimarães
Ou o Carlos, talvez,
O velho gauche,
Du Monte minês
Que pasa, Pablo?

Diga, colega,
Reze comigo
As lágrimas que acabamos de compor
Somos compositores, quem diria?
Que dia!
Compomos para as outras músicas e para nós também

Homens
Além?
Zaratustra nos enviou?
Que acham?
Que procuram?
Nada?
Ou ninguém?
Nihil
I hope not…

Que música,
Que sonata,
Que barulho ouço neste papel!
Suas linhas são cordas
A caneta é o arco
O violino escreve!
Mas as melodias ficam impressas…
As marcas só devem ser ouvidas por olhos atentos
Por línguas fugazes
E banquetes sonoros serão servidos durante as orgias literárias que podem ser vistas no quarto, no escritório ou na sala-de-estar.
No bar não!
Essas coisas não se faz em público!…
Vergonha…
Mostrar a todos
Nossos momentos
Movimentos mais íntimos

O bom jogador
Está dentro ou fora com a mesma alegria e prazer.
Quem é você?
Acha que joga com outros homens?
Risos infinitos imortais:
Rá Rá Rá Rá
Jogas com os deuses!
Ninguém há de perder ou ganhar
É possível apenas jogar.
Não quer?
Ótimo!
Pode ser uma das peças manipuladas
Ou até o próprio dado…
Há de ter os cantos arredondados, Homem…

Risos divinos o acompanham com batatas.
Aos vencedores?
Nem pensar!
Aos bons jogadores, que sabem cear.
Vencedores comem como porcos!
Não saboreiam a beleza do paladar
Como quando inventaram o sal
Como quando criaram o açúcar
Como quando puseram o cordeiro para assar
Como quando tiver fome
Ou quando minha alma o desejar

Uf!…
Respiro.
Ainda respiro
E, um dia,
Um dia…
Me espirro.

FIM

Ciência da (In)Evolução

Ciência da (In)Evolução
*André Roberto Ribeiro Torres

Sempre vemos coisas
Que parecem o futuro.

São óbvias…
Tão certas…
Concretas…

Mas a certeza é incerta.
E o que não tinha dúvida
É questionável…

Chegam a construir
Monumentos sobre um pântano.

A razão que se usa não é suficiente
E não se vê o que é coerente.
É o 8 ou 80:
“Se eu penso eu não sinto
Se eu sinto eu não penso”.

As estátuas não duram para sempre.

FIM

Ciclo

Ciclo
*André Roberto Ribeiro Torres

Um calendário caiu
E derrubou quem estava atrasado
E espalhou milhões de compromissos

E todo o peso do tempo perdido
Foi arremessado longe
Começou outro ciclo,
Outra cabala,
Outro totem,
Um tempo sagrado.

Esses números todos no chão
Sendo pisoteados
Pra ninguém mais se lembrar
Tiram o sentido fraco da vida
De quem não sabe amar.

Começou outro ciclo,
Outra cabala,
Outro totem,
Um tempo sagrado.
Que não vai mudar nunca
Que não é alterado

Até a próxima vez…

FIM

Cantata em Si Maior

Valdemar Augusto Angerami – Camon

Para Simone

MosteiroBatalha

Andante Cantabili
Ontem…

Era uma santa ajoelhada à minha frente…
que murmurava em tom de prece palavras de êxtase…
que se misturavam ao meu gozo, fagulha intermitente…
e o meu gozo naquela boca,
fazia de mim um Deus imaculado, venerado
e adorado pela beatitude e santidade daquela mulher…
dulcíssima santa em magnitude celestial…

mosteiro

Alegro Di Molto
Hoje…

Busco por ela nos altares dos sonhos…
no imaginário, nas flores e até mesmo nos templos de oração;
vejo outras mulheres ajoelhadas no genoflexórios das igrejas…
ouço os cantos gregorianos e acompanho o cerimoniais litúrgicos;
aprecio os ícones que exaltam o esplendor da virgem poderosa…
mas não encontro o rosto da minha santa?!?!
E diante da minha incredulidade os anjos me segredam
que a minha santa não está nas igrejas;
está na vida: é beatificada pela sua luta…
pela sua dedicação materna, pela determinação
na busca da dignidade humana.

mosteiro

Adágio Cantabili
Lembranças…

Dois seios que generosamente serviram o meu desejo,
e que me mostraram o esplendor daquela beatificação -
santificada pelos anjos em forma de mulher;
uma boca sedenta de tesão e que me mostrou
a candura da oração na penumbra de um novo alvorecer
nas frestada das sombras o seu riso era a esperança…
o negro dos seus cabelos traz o incenso dos turíbulos medievais…
a alvura das suas mãos era o branco da paz;
fui amado e tocado pelas mãos de uma santa;
adorado pelo corpo de uma Deusa, no seu manto de amor…
fui purificado por uma vagina que molhou minha boca
inúmeras vezes com a água-benta mais pura e cristalina.
O seu tom musical é Si maior;
sua música uma Cantata de vida amor e paixão.
Seu nome Simone, um credo de oferenda à própria fé…
uma lembrança, uma dádiva divina de prazer e luz
no meu amanhecer
recordar o seu toque é viver a suavidade nos lábios
de um licor que esparrama pela boca
e molha a saudade com a névoa da recordação

mosteiro

Adágio Dulcissimo
Outras Lembranças

Hoje procurei teu corpo na minha cama…
nada encontrei a não ser sua ausência…
e uma fragrância que faz da tua ausência a
ausência de sentido para o amor e para novas paixões…
A chuva cai suavemente no telhado…
a melodia da chuva me traz tua voz
novamente sussurrando sobre o espetáculo da
Natureza – a chuva ao lado de alguém que se ama -
A chuva cai, ou eleva minhas lembranças rumo ao teu ser…
rumo a um vazio do amor que um dia sonhamos
e que pareceu tornar-se real diante da força
das tuas crenças, das tuas orações e da simples
recordação da tua fé em nós mesmos
no amor…
e no amanhã…

Rio de Janeiro, numa noite de primavera de 1996.

Autoria: Valdemar Augusto Angerami – Camon

Ilustração: Fabio

Imagens: Internet

Midi: Ave Maria et benedictus

Amanhã

AMANHÃ

Márcia Chicareli Costa

Linda é a natureza que se faz bela ao amanhecer…
Tão lindo o cair da tarde, a noite vem de mansinho…
Meu coração as vezes perde a coragem…
Sinto falta da passagem…do hoje para o amanhã…
Amanhã…dia tão especial que nunca chega…
Quando é amanhã? Hoje de novo.
Amanhã…
Seria amanhã por amanhecer hoje de novo?
Seria amanhã, somente pela manhã…e vem hoje!
Hoje…foi amanhã…mas é hoje…e amanhã?
Amanhã é sempre hoje!
Ontem já passou…
Hoje vai embora…
Amanhã nunca chega…
Curioso o amanhã…se esperarmos por ele, nunca poderemos viver de
verdade…por isso pessoas, vivam o hoje…porque o amanhã…nunca chega!
Ele é sempre…Hoje!
Amanhã é esperar o hoje…
Amanhã é ter esperança…
Confiança…
Mas tudo isso é hoje.
Até amanhã…

Ainda Menina

AINDA MENINA

Márcia Chicareli Costa

Querem saber o que existe por trás dessa “Dama de Ferro”? Existe uma menina. Sim, amigos… se não sabem, sou apenas uma menina. Os anos passam, as responsabilidades aumentam e eu… ah.. eu… sou apenas uma menina.
Ainda carrego sonhos, fantasias de uma pequena menina lírica. Acredito que a vida é complicada, sim, mas tão generosa nas pequenas coisas, nos mínimos detalhes…
Nos raios do sol, na lua, no vento, nas árvores, vejo o belo de ser, de estar… a natureza é pura e nela purifico o meu “existir” na vida. Acredito nas pessoas, no amor que elas carregam dentro de si. Dizem que sou diferente, com isso me torno excluída. Sim, amigos… pessoas diferentes são excluídas. Trazem nelas novidades e ansiedades de querer convencer o mundo de que o Amor prevalece à tanta dor e violência e, claro, frustram-se, pois o amor é pouco divulgado.
Em caridade e em amizade fala-se pouco. As notícias que temos são sempre de crueldade e isso nos tira a felicidade de poder seguir em frente sabendo que existe gente que tenta, ainda que só, fazer a diferença e acabar com a descrença. Juntos ou separadamente podemos, sim, fazer essa tal diferença, sem se preocupar em entender, apenas em fazer, modificar, reestruturar, tornar a vida mais amena, mais plena, simples talvez. Difícil, amigos, é se fazer entender nesse contexto romântico que lhes apresento e, por isso, me sinto tão menina…
Penso a vida ser minha boneca e o mundo minha casinha e dentro do que acredito, vou vivendo, tentando e conseguindo, ao menos de minha parte e em minhas partes, fazer com que a vida seja feita de cores. A aquarela da vida está na mão de cada um e cada um pinta a vida como lhe parece. A minha é colorida. Isso não significa que não faça uso do cinza e do preto. Faço sim, amigos. Por isso me sinto tão menina… mas uso também cores vibrantes que me lembram energia e, pela vida afora, vou levando meu arco-íris, mesmo em dias de tempestade..

Como as Asas do Assum Preto

Como as Asas do Assum Preto
Valdemar Augusto Angerami – Camon
Para Maria Augusta

Amanhece
O Sol nos encontra entrelaçados
Após uma noite intensa de amor…
Ela cantarola um de seus maravilhosos
Acalantos africanos… e seus braços
acolhem-me e nesse estreitamento
tenho a sensação da verdadeira plenitude…

(se fosse possível teria eternizado
o tempo naquela fragrância de deleite…)

 

Ela me contínua a cantar e me
faz recordar de uma das primeiras noites no
meu canto, momento em que temia pela
convivência dela com as minhas cadelas,
furiosas e imprevisíveis… num repente simplesmente
estava ela no jardim cantarolando
seus acalantos para elas,
que de cócoras ouviam e se
mantinham calmas e meigas… e
docemente tornaram-se amigas
em níveis que a percepção
não atinge…

 

E na seqüência ela canta
como se fosse repentista nordestino
e me diz então:

“minha criança, o teu coração
está fora de compasso…
vou te levar novamente à
praia pra você brincar na areia…
e me fazer outras esculturas de areia…”

 

Em seguida contínua a cantarolar seus
acalantos africanos…
Digo que irei fazer
um castelo de areia bem
bonito para ela… e ela sôfrega
responde: “…então nós vamos morar
nesse castelo… eu não deixarei mais ninguém
magoar teu coração…”

 

Tento me estreitar ainda mais
em seus braços, pois o meu estilhaço
emocional é por demais contundente
e precisa mais do que nunca dessa
proteção… me aninho em seus braços
e sinto a paz e a luz da tranqüilidade
há muito tempo buscada sem ser encontrada.

 

Ela é meu anjo protetor… uma deusa negra
a me proteger das tormentas do caminho…
E o mais estranho é que os anjos dos livros
religiosos sempre são figuras de pele e asas
brancas… mas o meu anjo é negro… tem a pele
negra e as asas pretas, assim como as do
assum preto…

 

O seu acalanto tem um efeito
misterioso em minha alma…
Acalma e me traz reminiscências da
infância e de outros tempos idos…
É sonhar acordado nos braços dos
sonhos de uma ilusão de que a vida
pode se transformar apesar das tormentas…

 

E ela me diz na seqüência:

“… minha criança vamos mudar para
Recife… aqueles dias de abril que lá
passamos foram muito felizes. Eu nunca vi
teus olhos brilharem com tanta felicidade
como naquela madrugada na roda de ciranda
em Itamaracá… e o teu violão erudito
diante daqueles cirandeiros é
lembrança pra ser guardada no coração
para sempre… e agora você também
vai trabalhar lá…”

 

E contínua a cantarolar… minha alma
vagueia e se transporta para Recife
e Jaboatão dos Guararapes, a praia
onde ficamos… recordo os nossos
passeios, as rodas de ciranda e uma
das canções que ela mais gostou me invade
a alma:

 

Oh cirandê, oh cirandá,
Só não entra na ciranda
Quem não sabe amar…

 

Recordo ainda as reuniões na universidade
em que decidi aceitar atividades por lá…
Os passeios em Olinda, a música armorial,
e a vida seguindo no remanso da pulsão
da felicidade…

 

E ela contínua:
“… mudamos para lá…
Eu te prometo a continuar a andar
nua pela casa pelo prazer que
isso te dá…e também continuar
deixando você me lambuzar com
torta de limão e vinho para saboreá-los
em meu corpo… a única coisa que não
te prometo é controlar meus ciúmes,
pois ele é fruto da loucura que sinto
por você… e a cada mês você vem
para São Paulo cuidar das
coisas daqui… e quando você
voltar eu e a nossa criança
estaremos te esperando…”

 

E diante do meu olhar
atônito e incrédulo
ela finaliza: “… sim,
minha criança, estou grávida…”
Naquele momento ela
simplesmente colocou que
estava grávida…

 

Grávida do meu amor… da
minha essência, do nosso ardor.
E das nossas afinidades… grávida
de amor e de luz…
um fruto meu em seu ventre

 

O nome da nossa filha será Esperança…
E será uma Esperança negra… Esperança
de um mundo sem ódio racial… de um
novo mundo sem violência… de uma
sociedade onde as crianças possam
cantar livremente como arautos
da liberdade… Esperança de que a
condição do negro não seja mais
de humilhação e açoitamento
social… Esperança de que novos
desígnios de amor sejam lançados
nos corações de todos que
circundam a nossa vida…

 

Ela contínua cantarolando
e entoa uma oração para
Santa Sara Kali, uma santa de
pele negra pedindo proteção a
todos que sofrem preconceito
e humilhação racial… a nossa
Esperança será ungida na
crença de que os nossos
ideais se estruturem na
velha esperança de que
só o amor pode vencer o ódio que
está desmoronando com a
nossa dignidade humana…

 

Ela contínua a cantarolar e a
minha alma passa agora a
vaguear pelos caminhos
de liberdade e amor da
nossa Esperança….

 

Serra da Cantareira, numa madrugada do outono de 2007.
***

Caçador, O

O Caçador
(ou: O Niilista – ou ainda: O Conceituador)
*André Roberto Ribeiro Torres

Era uma vez uma cabana no meio da selva.
Apesar de rústica, via-se nela toda a qualidade de caprichos.
Suas proporções eram geometricamente bem cuidadas e simétricas.
A base sempre pareceu sólida a todos e todos acreditavam nisso, apesar de o terreno mostrar-se inconstante e irregular.
Nesta cabana, habitava um Homem que, apesar de solitário, nunca teve tempo de desfrutar da sua solidão.
Estava ocupado todo o tempo!
Ocupava-se em quê?
Ah! Sim…
O Homem era um caçador!
Um caçador nato!
Um caçador de verdade!
Que não fazia movimentos que não fossem para caçar ou preparar-se para isso.
Que não dormia se não fosse para sonhar com futuras caçadas.
Que não se banhava se não para tirar o sangue da caça de si.
Que não comia se não a carne da presa.
Que não respirava se não o cheiro de pólvora, eterna e permanentemente no ar, como uma linha única de odor que o seguia e o levava.
O Caçador não apenas se alimentava com sua atividade.
Ele fazia muitas coisas com os seres que caçava.
Costurava suas roupas com as peles.
Fazia-o com tanto refinamento que aguçava a própria vaidade, tendo de caçar cada vez mais para poder costurar novos trajes de acordo com sua vontade.
As peles também eram uma ótima decoração para sua cabana.
O mesmo fazia com as penas, as garras, os bicos, os dentes, os ossos…
Estes ornamentos naturais sempre o lembravam que suas caças eram de verdade.
Não caçava nada que fosse fictício, sonhado ou imaginário.
Nunca correu atrás de um pé-grande, um unicórnio, um chupa-cabra…
Não tinha tempo para isso.
Apenas o fazia se houvesse uma aposta muito alta de que essas criaturas existiam.
Ao ver o tanto que podia ganhar, o Caçador seguia as trilhas apontadas até ganhar a aposta e provar por A + Z que tais criaturas eram fantasia.
Chamava-as, então, de “irreais”.
Um caçador de verdade não tem tempo para fantasias.
Caçava apenas o que era concreto, o que podia ser visto, pesado e medido, mesmo que tivesse imaginado ou sonhado tais coisas alguma vez.
Um outro hábito era o de aprisionar os animais que haviam sido feridos.
Vez ou outra o tiro não era certeiro.
Provavelmente por culpa de uma variante inexata, como um vento traiçoeiro ou uma luz forte demais.
Essas inexatidões eram muito, mas muito freqüentes!
Ou sua cabeça estava ficando caduca e já não dava conta dos cálculos complexos por estar ficando velha demais…
A impressão é que o Homem faz caçadas de verdade há milênios!
Seja aqui como for, o fato é que, lá, o Caçador aprisionava os feridos em jaulas e as guardava numa das salas de sua grande cabana.
(A cabana crescia cada vez que mais coisas eram capturadas ou mortas.)
À medida que, indebitavelmente, a incerteza aumentava, diminuindo a precisão, os feridos aprisionados tornavam-se um só número maior, como um grande zero que cercava quem entrasse nesta sala.
O vazio da sala diminuía pelas caçadas de imprecisão não menos freqüentes que as precisas.
Mais feridos.
Mais dor.
Mais jaulas.
Mais sufoco.
Menos espaço.
Menos liberdade.

Num belo dia, o Caçador veio arrastando várias jaulas empilhadas.
Como a força era já pouca, precisou entrar na sala de costas para puxar as jaulas.
Já tinha um certo tempo o Homem andava para trás.
Ao encaixar a jaula com o animal de verdade capturado, o Caçador bloqueou a sua própria visão.
Tudo de verdade havia sido capturado!
Para sua própria surpresa, após ter a tarefa cumprida, ao aprisionar na casa todas as coisas vivas, o Caçador se viu aprisionado também!
Não havia mais saída daquele cômodo!
Como?
Todos os lados cobertos de grades e jaulas!
O Homem prendeu-se através da caça da natureza de verdade.
Nem podia mais ver o céu…
Uma lâmpada elétrica era toda a visão do alto que tinha.
E ela começava a fraquejar…
Piscava, por vezes.
Até quando duraria aquela luz fabricada artificial?
Não é possível dizer.
O Sol não entraria ali nunca!
A Lua menos ainda…
Velas já não tinha mais.
Havia deixado de acreditar nelas…
Esta não seria a melhor hora para voltar a ter fé.
Apenas para arrepender-se…
A triste notícia era a competência do Caçador: não sobrara, realmente, criatura viva e dinâmica em sua selva que, agora, assemelhava-se mais a um bosque.
Os seres estavam presos ou empalhados.
Haveria sobrado algum ovo, um filhote, uma larva, um casulo, uma semente… qualquer coisa assim?
Quantas coisas não sabemos de verdade…

FIM