A Angústia nos Perídos de Transição e o Advir da Essência

A ANGÚSTIA NOS PERÍODOS DE TRANSIÇÃO
E O
ADVIR DA ESSÊNCIA

 

SANDRA DE SOUZA FORTUNATO

 

 

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como exigência para aprovação e conclusão do curso de formação em psicoterapia fenomenológico-existencial do Centro de Psicoterapia Existencial

 

Para amar é preciso ser, mas para ser é preciso, antes de tudo amar: pois quem não ama é um simples fantasma.

(V. Jankélévitch)

 

RESUMO

Nesta ousadia de dizer algo sobre a existência humana, necessitamos compreensão e esclarecimentos para encontrar eixos e referências que nos confirmem a realidade, o ôntico. Dentro da fenomenologia existencial a visão de homem estrutura a existência de cada um em si mesmo e o mostra apto a abrir-se para o mundo visualizando suas possibilidades. As dificuldades crescentes de ajuda na saúde integral vêm mostrando o crescente existir transtornado dos indivíduos que se afastaram desta visão. As relações interpessoais são mais difíceis que os problemas econômicos, ambientais ou qualquer outro aspecto de natureza prática. A dor, o sofrimento e até o prazer e as realizações são vividas de forma equivocadas, empobrecidas e transtornadas, pois se embasam em um existir inautêntico.

Neste trabalho, tentativa de chamar o assunto à discussão, trago minha experiência nessas ocorrências e o contraponto desta realidade com a teoria existencial que explica e justifica os processos psíquicos humanos atravancados nas mazelas diárias das pessoas. Mas temos aqui também a luz ao final do túnel, a esperança onde podemos encontrar um caminho, a partir da compreensão e relevância do que está causando dor e sofrimento.

Compreender a condição humana, suas potencialidades e, portanto, suas possibilidades, tendo a abertura para compadecer-se dela, é a maior descoberta que se revela após o processo de crescimento e libertação proposto pela fenomenologia existencial.

A psicoterapia pode e deve ajudar, porém ela nada é sem a intenção e disposição de cada um em perder-se em si mesmo para encontrar-se.

Temas envolvendo esta expedição íntima são discorridos para reflexão e aprofundamento esclarecedores.

ABSTRACT

In daring to say something about human existence, we need to find understanding and clarification axes and references that confirm the reality, the ontic. In existential phenomenology, the human vision structures the existence of each one and shows itself capable of opening to the world viewing possibilities. The difficulties in increasing aid overall health have been showing the growing disturbed experience of individuals who have strayed from this vision. Interpersonal relationships are more difficult than the problems of economic, environmental or any other aspect of a practical nature. The pain, suffering and even pleasure are experienced and achievements so misguided, impoverished and upset, because they embody in an inauthentic existence.

In this work, an attempt to draw the subject to discussion, I bring my experience in these events and the counterpoint of this existential reality to the theory that explains and justifies the human psychic processes cluttered in people’s everyday ailments. But there is also the light at the end of the tunnel, hope we can find a path from the understanding and relevance of what is causing pain and suffering.

Understanding the human condition, its potential and therefore its possibilities, taking the opening to sympathize with it is the greatest discovery that reveals itself after the process of growth and freedom proposed by existential phenomenology.

Psychotherapy can and should help, but it is nothing without the intention and willingness of each one to get lost in itself to meet.

Issues involving close this expedition are discussed for further reflection and clarification.

Sumário

INTRODUÇÃO

COMPREENDENDO A ESSÊNCIA

O CONFRONTO COM A VERDADE DE SI-MESMO

A VIDA COTIDIANA, A EXISTÊNCIA HUMANA

O MUNDO ÍNTIMO, MORADIA DOS SIGNIFICADOS

FRUSTRAÇÕES E EXPECTATIVAS AO LONGO DO CAMINHO

RELAÇÕES AFETIVAS

A DOR

A BUSCA DA PSICOTERAPIA NA CRISE

CUIDANDO DA EXISTÊNCIA

REFERÊNCIAS

 

INTRODUÇÃO

Para se construir um trabalho de pesquisa é necessário antes de tudo construir uma abertura para a reflexão. Abertura esta que nos permita pensar algo com mais atenção e profundidade para responder a uma indagação. A indagação deste trabalho são as agruras e emoções vivenciadas no cotidiano das relações interpessoais, indispensáveis na vida de cada um.

Este trabalho trás, em primeira instância, a necessidade de denunciar e desvelar o paradoxo da realidade subjetiva e objetiva quando o indivíduo tenta adaptar-se e ser aceito no meio social, ainda assim, realizar-se na vivência autêntica, não perdendo-se da própria essência. Manter-se no caminho de si mesmo é árduo. É necessário abandonar os medos e assumir‑se. Segundo Torres (2008 apud MERLEAU-PONTY, 1999), o fenômeno da percepção, enlaçado à historicidade e ao imaginário da subjetividade é o ponto de encontro entre o objetivo e subjetivo, como sendo esta uma forma de ver o mundo. Este foi um explicativo importante no desenvolvimento deste trabalho, como também o conceito de “insegurança ontológica”, conforme Torres (2008 apud LAING, 1963), que trata do medo de se lidar com o ambiente ontológico da existência, o que Merleau–Ponty (2000) chama de “invisível”. Esclarecimentos estes que sustentaram partes desta dissertação. Foram lidos muitos autores e textos, inclusive um estudo sobre o sentimento de inadequação, muito comum na vivência compartilhada dos dias atuais, levando ao isolamento ou a um esforço em moldar-se (adaptar-se) para corresponder ao ambiente e isto vai contra todo princípio de autenticidade, originalidade e primazia da essência, como nos convida de forma vigorosa e deliciosa o Existencialismo. Vivenciei estes conflitos e paradoxos em minha vida profissional, trabalhando em equipe multidisciplinar e com a população em serviço de saúde atuando como psicóloga clínica. Muito me inquietou e exigiu estes anos todos de profissão a força da pressão do ambiente e expectativas sociais sufocando as verdades existenciais em favor das exigências administrativas e políticas, assim como as necessidades e adoecimentos pessoais de quem trabalha ou é atendido nestes centros de saúde, querendo soluções rápidas e mágicas às suas angústias, longe de vislumbrarem as reais necessidades humanas em si mesmos e o que seria ajuda efetiva. Isto foi contra minhas aspirações de alma e meus fundamentos filosóficos que embasam minha atuação clínica.

Nas contribuições de Merleau-Ponty e Heidegger apoiei minhas reflexões e dissertação. Nas reflexões de trabalhos de colegas e professores confirmei a legitimidade de minhas inquietações para poder dar sentido a este trabalho. Nas centenas de pacientes que atravessaram meu dia a dia profissional ao longo destes anos, percebi a inequivocável importância da postura da abordagem fenomelógico-existencial.

O empolgante e ao mesmo tempo frustrante foi o volume de leituras que pareceram inesgotáveis e estimulantes.

O texto foi dissertado em tópicos pertinentes que necessitaram de depoimento e esclarecimentos. Temas intrínsecos à problemática.

COMPREENDENDO A ESSÊNCIA

Na visão Fenomenológico-Existencial a “Essência” é toda a motivação do psicoterapeuta. É nela que se encontra de fato o “ser”, que justifica seu “existir”, que se desvela o humano, em particular, de cada pessoa. A essência não é algo etéreo como por vezes a palavra sugere, mas sim a maior realidade, a verdade de cada um. A consciência disto se dá em diversas ocasiões e diversas formas. No fenômeno, porém de forma parcial, pois o ser em essência é transfenomenal, existe independente disto e se fundamenta em si mesmo. A rede de significados pessoais não se apresenta no fenômeno, mas no “como” cada um pode fazer sua leitura sobre ele, buscando em si o que é invariável.

O psicoterapeuta existencial caminha nesta direção junto ao indivíduo, persegue o humano naquela existência e não o fenômeno em si, embora este permita que o ser em essência possa ser “dasein”. Para isto, como método fenomenológico, Husserl chama de “redução eidética” o esforço de pensamento exercido sobre o fenômeno, que purifica tudo o que inessencial, para fazer surgir o essencial.

A essência sendo a especificidade de cada um, habitação particular, privada e de aspecto subjetivo, revela-se no existir de forma singular em cada pessoa.

Viver em mundo único é estar só, lançados “ser-aí”. Só, é o que somos até que sejamos retirados disto pela intersubjetividade, num encontro com o outro, um “ser-junto”.

Existir humanamente e de forma autêntica é encarar a “liberdade”, breves momentos que antecedem a escolha, a “responsabilidade” sobre a forma de estar no mundo e a “angústia” permeando tudo isto no contraponto com a finitude.

Na vida cotidiana, a ocorrência desses processos se misturam na inconsciência parcial, na inautenticidade e no abandono do poder criativo de cada um dentro de sua verdade invisível.

O CONFRONTO COM A VERDADE DE SI-MESMO

A CRISE

O homem está no mundo de forma relativa às suas afinações, como a pessoa em depressão está afinada com a morte, está vinculado por estas afinações que têm teor afetivo e que podem ser de prazer ou sofrimento. As vivências de estados de humor revelam nosso mundo íntimo, com o que sintonizamos, nossas afinações são desvelamentos de nossa essência, dizendo o que se passa na estrutura psíquica, decodificada apenas por cada pessoa que a vive. As manifestações humanas, os fenômenos psíquicos, transportam em si as características essenciais. No existir está o humano, de bem ou de mal com a existência. A ira não se verifica na presença do prazer.

A crise não costuma ser vista como ela é, ou seja, um momento de transição; um processo de sedimentação das experiências e reestruturação do modo de vida do ser, que precisa voltar a si-mesmo; um momento de autenticidade paradoxal onde, em queda no abismo da “Angústia”, tem-se a possibilidade de rever significados e retomar o sentido da vida para que a existência faça novamente sentido, já que a crise indica um colapso das motivações de até então.

A crise impõe o desprender-se de velhos padrões e formas de existir insuficientes, tornando o conhecido exasperante e o desconhecido amedrontante, abrindo um campo de novas possibilidades. A inadequação da forma inautêntica de viver pede por uma ampliação, um ajuste mais a ver com uma nova necessidade e condição de existir.

A desestrutura que isto causa, a emersão de conteúdos pendentes, afastados do foco da consciência, a dor evocada de experiências mal logradas e assuntos não resolvidos, voltam pedindo adequação, assimilação e integração. Portanto, um movimento evolutivo do psiquismo, impregnado de fragilidade, vulnerabilidade e inconstâncias, necessárias para novas escolhas e mudanças pessoais. “O homem sofre porque toda a escolha incorre numa morte” Coelho (2002 apud MERLEAU-PONTY).

Permitir  que isto ocorra, entendendo esta leitura de que isto é preciso para avançar na existência é a grande dificuldade. Considerar este processo como transformação é aliviar o sofrimento, soltar os freios, não resistir ao auto-progresso, é a forma menos dolorosa e triunfante deste encontro consigo mesmo chamado “CRISE”. ”É pela angústia que o homem tem acesso a existência autêntica” Foulquié (1977 apud HEIDDEGGER)

Acontecem perdas e mortes para que a renovação se efetue, eis a dificuldade em desapegar e deixar ir o que não mais se faz necessário. Lançar-se para o novo sempre foi angustiante para o homem, a maior parte da dor experimentada está em resistir a isto, mas passar por isto e encarar o estar só, ser-aí, é preciso coragem.

A VIDA COTIDIANA, A EXISTÊNCIA HUMANA

Homem, ser social e gregário através dos tempos, se vê na busca de manter-se incluso utilizando dos recursos de sua época tanto tecnológico, cultural, geográfico, climático, como convenções sociais. Ser histórico e temporal, pois o ser é o tempo, ocupa lugar interpelativo na atuação de cada dia. Para tanto lhe é exigido integralmente manifestações produtivas, assertivas, adequadas e aprováveis. Até que alguns conflitos se instalem, pedindo coerência e fidelidade à realidade essencial.

O capitalismo, com seus desdobramentos e a revelação do poder destrutivo da exclusão, assim como dificuldade em encontrar a própria essência, trouxe a sociedade a uma existência inautêntica coletiva, onde o ser singular é irrelevante. O preço disto é o crescente prejuízo da saúde, e não frisaremos a saúde mental, pois nosso olhar da pessoa, nesta linha do trabalho, não dicotomiza corpo-mente. As doenças psiquiátricas, de grande volume, não se diferenciam das de ordem geral. O consumo de medicação psiquiátrica tornou-se comum, não mais uma medida extrema para a contenção do dito “louco”. Um sentimento de igualdade e solidariedade se instala quando algo, despido de valor, torna-se lugar comum. Há um prejuízo quando, disto, resulta a banalização da essência humana, onde os sintomas são ocultados por representarem apenas dor e desespero. A mensagem não é aberta, o sinal é deletado e o conteúdo se perde em detrimento do crescimento pessoal. Medidas podem e devem ser tomadas, porém a causa tem que ser investigada, legitimizada e dada à pessoa a oportunidade de significá-la dando voz e sentido a sua angústia.

Nas ocorrências cotidianas, as inter-relações como de trabalho-profissional, rede de amigos e colegas, familiar próximo e distante, afetivas de casais e com o comportamento em público assumem posturas padronizadas em confronto com interesses e aspirações particulares. Conviver exige mais que adaptar-se, exige conhecer-se.

As relações estão empobrecidas, o contato físico precoce, intenso e indiscriminado vem tentar ocupar o vazio deixado pelas relações inautênticas. O medo do verdadeiro encontro, mas também seu desejo exasperado, conduzem à superficialidade das relações, à tentativa de controle, ao medo da perda antes mesmo de ter, ao medo do encontro com o ser só, que caminha só no que se refere às próprias escolhas e a responsabilidade de reconhecer-se como ser potente e capaz de promover a própria mudança, a dinâmica da própria vida.

O sentimento de inadequação tem índices surpreendentes, para quem quiser constatar isto. Segundo Torres (2008), ele é mais comum e mais pertubardor do que se poderia imaginar, havendo um sentimento negativo em relação a si, tentativas inócuas de adaptação ao exigido pelo meio, seguido de sentimentos de frustração e impotência, assim como exclusão, isolamento e culpa. Obviamente isto é um bom início para transtornos psicopatológicos. A busca em se “encaixar” trás a perda das condições básicas da saúde mental e afasta o ser dele mesmo. As referências são externas, os conceitos e valores não são resultantes das referências próprias, mas da expectativa social. O homem tem mostrado grande necessidade da aceitação social e isto se torna mais grave a medida que se auto-abandona, tornando assim ainda maior sua necessidade de afetividade, numa busca condenada ao fracasso já que não se pode seguir viagem sem si-mesmo.

Quando falamos de tudo isto estamos falando dos suicidas. Parece sempre tão difícil entendê-los, porém temos que entender sua lógica. É de ordem vincular na relação com o outro. Para Camon (2001), o suicida não suporta a si, mas não suporta também o outro. Para este, o suicídio é um ato de violência muitas vezes contra o outro. Muitas pessoas buscam o “outro” nos aglomerados (como no metrô, por exemplo) em razão da ausência do “outro” em sua vida.

Nas relações de amor coisifica-se a pessoa amada, SATRE, em certo ponto a pessoa não aceita mais isso. “Amor é cuidar” (HEIDDEGGER).

Amar pode ser extremamente ameaçador. Estar vivenciando este sentimento pode ser um momento de intensa crise. Todos os amores vividos e possíveis “perdas” são evocados dando um peso possível de ser insuportável. Alguns tentam o controle da relação, controem relações objetais coisificando o outro, mantêm distância não usufruindo do sentimento e da relação ou então apropriando-se do outro sem permitir-lhe existir. Difícil, para nós aqui, seria dizer que nada disto, discorrido neste tópico, tenha a ver com a distância do material fundante, com a falta de si-mesmo.

Medo colocado fora, no outro, da própria insegurança em ser capaz de cuidar de si, de nutrir-se com seu próprio amor e aventurar-se em suas próprias escolhas, correndo o risco da queda.

O MUNDO ÍNTIMO: MORADIA DOS SIGNIFICADOS

Não só não há matéria independente do pensamento, mas o próprio espírito nada é fora das representações. Intencionalidade é: todos os fatos psíquicos. A representação não é o som ou uma cor, mas a audição deste e visão do outro. Eis aí a consciência. Foulquié (1977 apud BRENTANO; apud HUME)

O mundo em si e o mundo para nós (campo fenomenológico): Pela consciência é que existe um mundo; é a consciência, diz Foulquié (1977 apud MERLEAU-PONTY), que o faz ser para mim.

Interpelações (apelos): reagimos a elas conforme nosso histórico e que leitura fazemos sobre nossas vivências nas dimensões temporais, familiaridade e distanciamento. Delas resultam nossas escolhas. Nisto consistem dúvidas, reflexões e renúncias. Escolher é um momento de legítima liberdade, aonde o que virá será decidido por nós. Esta tão almejada liberdade, neste momento se configura de angústia, pois é ter o destino nas próprias mãos. Escolher também significa renunciar às outras opções, para seguir apenas uma. Porém, eis uma vivência autêntica. ”É pela angustia que o homem tem acesso a existência autêntica”. Foulquié (1977 apud HEIDDEGGER).

A carga emocional vem mostrar o tipo de relação que temos com o objeto. As crenças, nossa historicidade, campo vasto de nossos significados, vínculos presentes com estas estruturas carregados de afetividade, são a lente por onde o mundo a nós se revela e por onde nos revelamos ao mundo. A memória emocional, as experiências de todo tipo, a herança cultural , a presença do ambiente mostrando à psiquê relações interdependentes, a personalidade afinada com os fenômenos, a intrínseca atuação da vontade, do desejo, da inclinação.   Este é um mapa cognitivo por onde damos significados à nossa existência.

O que é relevante e prioridade para uns é indiferente para outros. Transcender é mais do que uma possibilidade, mas também uma capacidade desenvolvida pelo ser, uma forma de estar na vida. Tudo faz sentido quando buscado na essência seu significado, construído unicamente pela pessoa. Na Psicoterapia Existencial, o que importa é o significado que cada um pode atribuir a suas experiências. Não há pré-determinação ou interpretação, há a compreensão, a elucidação dada pela significação de cada pessoa. O papel do psicoterapeuta existencial consiste aí em limpar, clarificar, utilizando para isto a redução fenomenológica, intuir a essência, para que o sentido do cliente emerja.

As peculiaridades, singularidades, o que nos diferencia está na essência de cada um, senão não seríamos humanos, seríamos em série.

 

FRUSTRAÇÕES E EXPECTATIVAS AO LONGO DO CAMINHO

Parte de nossos projetos coexiste no outro. Aquilo que se torna difícil em nós buscamos que o outro tenha. Parte de nossas realizações e experiências apresenta-se misturada nas relações com nossos familiares, amigos etc. Quanto mais próxima, íntima a relação, maior esta identificação. No outro está nossa real necessidade de confirmação, de ser real. No outro está nossa afetividade profunda, muitas vezes nossas esperanças e sonho de felicidade. Parece que precisamos de um espelho para nos visualizar e só o outro pode nos fornecer isto. Precisamos do outro, mas, ultrapassando os limites, o outro pode passar a ser nosso veículo para viver e sem ele não temos a menor idéia de quem somos.

A “entrega” nos relacionamentos é conflitante. Crianças psíquicas que somos, ainda entendemos que se entregar é estar na mão do outro, é perder o controle e o outro poder fazer de nós o que bem entender. Para combater isto nos tornamos competitivos, às vezes intransigentes e inflexíveis, defendendo nosso “eu” do domínio do outro. Portanto ser abandonado, esquecido, perder a importância é perder a própria vida. A experiência amorosa consiste em três fases: 1ª fase: paixão; 2ª fase: ver o outro como ele é realmente e 3ª fase: conviver com o outro como ele é.

O sentido da vida se perde quando só existimos no significado do outro, quando perdemos a conexão com nossa essência e vivemos à partir dos significados dos outros, estando nós, conseguindo ou não, fazer este papel. O adoecimento existencial é inevitável, a crise existencial é a oportunidade de reavaliarmos e retornarmos o caminho para “si-mesmo”.

Outra postura e não menos adoecida também se verifica: o fechar-se em si-mesmo, a ausência da transcendência, que é a abertura para o outro, a capacidade de sair de si mesmo e poder “estar” e não “ser” o outro. É a partir da necessidade que os processos se iniciam, esse movimento acontece porque de alguma forma já se está no tempo e espaço desta transformação.

 

RELAÇÕES AFETIVAS

AFETO

Quando se passa a conviver com frequência com uma pessoa, as disposições da afetividade aparecem. Afetividade não é só na relação interpessoal, mas conosco e com nossos propósitos, com nossas atividades, com nossos projetos, ou seja, tem a ver com os vínculos que estabelecemos na vida. Nesta intersubjetividade somos afetados e afetamos. É um movimento vincular, são modos de respondência àquilo que vem ao nosso encontro e nos evoca. O “modo como” somos afetados é com o que se preocupa a abordagem Fenomenológico-Existencial, porque este é “nós”, aí estamos em presença/essência. Para isto, o psicoterapeuta precisa, junto ao cliente, interromper o cotidiano e refletir.

Nas relações humanas o apego tira a liberdade. O afeto existe sem este. O verdadeiro encontro existe onde a vivência intersubjetiva pode ser autêntica, onde o ser se revela, sem reservas ou restrições, sendo o que é deixando que o outro seja ele mesmo. O homem é um ser livre, produtor de sentidos. A ética faz parte da afetividade. A teoria que usarmos para nós, temos que aplicar ao outro. O encontro é muito mais que presença física ou gostos semelhantes, é o despojar-se de couraças e estar inteiro para o outro. O encontro são dois seres em essência, compartilhando tempo e espaço, em condições onde ambos podem se revelar e se aceitar mutuamente.

O sentimento de amor é o desejo de união com outro. Há zelo e interesse em que o outro se desenvolva. No amor há o desejo da reciprocidade, “amar é desejar o desejo do outro”. O amor também é o convite para a pessoa sair de si mesmo e ir ao encontro do outro. Manter a alteridade é questão frágil neste sentimento, pois o amor é ambíguo, trás em seu bojo o desejo da união e a preservação da alteridade. O homem é lançado neste paradoxo. Há ambiguidade também nos sentimentos de amor e ódio para com aquele que escolhemos, pois nossa escolha significa abrir mão de outras possibilidades. Haverá sempre uma dúvida a ser superada para que não se busque uma solução inadequada como fusionar-se ao o outro ou afastar-se de forma a não se perder e, então, impedir que o envolvimento aconteça.

Viver o presente, o momento tal como ele se revela, é a parte difícil de nosso cotidiano. Lançamos-nos em especulações do futuro, impregnados de crenças e significados pautados nas experiências do passado. O “Aqui-e-Agora” é a oportunidade valiosa, poderosa e momento de liberdade verdadeira para escrevermos nossa vida da maneira que escolhermos, dando-lhe ressignificações e rumo determinado por nós. Este é um real momento de poder, de controle, de autonomia. Geralmente isto não é percebido nem compreendido, dando lugar ao familiar seja ele bom ou não.

Por outro lado é sob a luz dos afetos que todos seguem na caminhada, todos o desejam, todos o têm para dar, todos o buscam e reconhecem sua importância.

Parece que para o homem conhecer a realidade é preciso que ele viva a presença e a ausência dos objetos, sejam eles de que ordem for. Para conhecer a infelicidade, tem que ter conhecido a felicidade, para conhecer o ódio, tem que ter conhecido o amor, para conhecer a inquietude, tem que ter conhecido a paz. Portanto, toda experiência é boa, só por isto a existência já vale a pena. Nada teria sentido se não houvessem as pessoas nos cercando, por mais que tudo tivesse significado em si, do que serviria?

Estar com o outro é sempre muito importante e essencial a todo sentido que se dê à vida. A troca afetiva e o compartilhar de experiência é o combustível de toda e qualquer existência. Amar, seja lá como for e como pudermos, é a única forma de existir. Hoje com menos e amanhã talvez com mais qualidade, mas é do muito que precisamos para que sejamos HUMANOS. Ser humano é amar, seja de forma transtornada ou saudável, ser humano é poder considerar todas essas questões, poder especular, refletir, questionar, investigar todas as coisas para poder suportar no amor do outro e com o outro nossa condição de seres sós. Amar é não estar só, é presença. Portanto, ser presente e poder viver de forma atemporal, sentir a própria grandeza interior, cuja beleza e magnitude queremos compartilhar com o mundo. Amar é possibilidade não existente em outra situação, de ser precioso para o outro tanto quanto ele é para nós. Amar é poder viver todos os desafios, onde independente dos resultados, sem garantias, sabemos que valeu a pena, pois é HUMANO não fazermos só por nós, mas pelo outro objeto de nosso afeto, sentido de vida em nosso existir.

O amor provoca uma revolução, a crise se instala na luta pelo direito de amar. Amar é sentir-se vivo, visível, notável, pertencente. Começos e recomeços atribulados fazem parte da conquista do amor maduro, onde o bem do ser amado é o importante.

Poder viver de forma prazerosa uma verdade irrelutante: “AMAR É TER COM QUEM SE PREOCUPAR”.

 

A DOR

Abençoada DOR, mensageira do crescimento.

Para Camon (2001, pág. 6), “a dor é um sinal de agressão ao organismo e tem uma função: avisar que essa agressão existe e deve parar”. Continuando com seu pensamento, “a dor é uma abstração, só é real para quem a sente”.

A dor emocional, indica portanto, que algo não vai bem, que o organismo como um todo não vai bem. Agredimos nosso ser quando vamos contra nossa essência, nossas necessidades e aspirações. Corpo, mente, social e ambiente são partes indivisíveis de nosso organismo e qualquer agressão nestas áreas reverbera na existência. A dor é a mensageira que avisa que essa agressão está ocorrendo, um sistema de alerta, um sentinela atento nos mostrando, o quanto as coisas não estão como deveriam estar.

Eliminar a dor é o propósito das pessoas que buscam a medicina para isto, não há interesse em compreende-la. Porém isto vem se tornando inevitável, a medicina não pode mais desconsiderar a subjetividade, já há uma maior sensibilidade para com isto.

A dor de cada um só pode ser dita pela própria pessoa, só ela pode falar sobre algo que acontece consigo e o outro não pode compartilhar. Tratando-se do emocional, falar da dor já é um grande passo na busca de compreendê-la e aliviá-la. Ouvir o “como” aquela pessoa vivencia sua dor e que conexões faz a isto, é um dos principais cuidados no tratamento da dor. Dar voz às dores humanas é a proposta Existencial, contribuindo numa psicologia humanizada.

A dor pode ser o começo do fim de algo, que poderia estar prolongada e sistematicamente ferindo nosso ser integral de forma cruel e obscura.

 

A BUSCA DA PSICOTERAPIA NA CRISE

Um processo precioso e maravilhoso se consolida aqui. Na psicoterapia a chance de tornar-se si-mesmo, autêntico sem deixar de ser-com e ser-no-mundo, sem perder a oportunidade desse “chamado” é muito maior. A ajuda do terapeuta em situação de crise é como a de um garimpeiro, separando do universo das águas e seus muitos habitantes a “preciosidade da joia”.

Espaço terapêutico, lugar muitas vezes único, onde o humano é acolhido e a escuta compreensiva acontece, onde a relação incondicional proporciona a possibilidade de “ser”, lugar seguro e aconchegante onde se pode mostrar as fragilidades, vulnerabilidades e imperfeições de forma menos ameaçadora. Lugar este, onde o olhar sobre si e sua existência pode revelar-se, onde esse olhar poder ser alterado com a constatação da realidade interna, à partir da clarificação da origem do sofrimento presente. O terapeuta neste papel, precisa garantir este lugar, dando condições, muitas vezes inéditas do ser, ora desalojado, encontrar um lugar, mesmo que temporário para se abrigar.

O auto-conhecimento se processa nestas condições, o reencontro, o retornar as coisas-em-si, o homem voltando para o homem, para o que é humano, o reencontro consigo mesmo. Segundo Aranha e Martins (1993 apud NIETZSCHE), “a moral dos senhores” se configura sob o signo da plenitude e do acréscimo. Por isso, se funda na capacidade de criação, de invenção, cujo resultado é a alegria, consequência da afirmação da potência.

Uma tarefa importante da psicoterapia é o desvelar da potência humana, a apropriação do homem do imenso poder que possui, quando está do seu lado. Apartar-se de si e apoiar-se no outro, provoca enfraquecimento e dependência. Cabe ao terapeuta conduzir seu cliente a autonomia, independência e apropriação de seus recursos natos, intrínsicos da condição humana, cabe a este potencializá-lo através de seus próprios valores, aproximá-lo de sua própria verdade, apropriar-se de suas possibilidades. Isto como ser ativo, envolvendo-se ativamente com o mundo, o que quer dizer de forma crítica e sóbria, sem alienar-se na fuga da realidade seguindo o fluxo da massa.

A Psicoterapia não pode tornar-se assistencialismo. O terapeuta deve atentar ao cuidado do humano; ao crescimento pessoal que se faz necessário diante dos obstáculos; a não perda do sujeito de vista e à potencialização dos recursos pessoais, não aplacando a angústia, como fazem os antidepressivos (algumas vezes necessários). Nisto é que consiste a psicoterapia. Ter uma postura de acolhimento, mas impedir de tornar o cliente dependente, frágil e impotente.

O HOMEM é um ser singular, dotado de poder imensurável, possuidor de potência capaz de levá-lo onde escolher chegar. Sua finitude incrementa sua atuação no mundo, apesar da estranheza desta, sua busca a partir daí é de dar sentido a sua existência, cônscio de sua temporalidade. Porém, a extinção da dor momentânea, desprovida de outros desdobramentos, induz o homem a afinar-se com a impotência, tornando-o fraco, pedinte, dependente e inferior, isto está muito longe de representar a criatura humana. De que vale o universo sem o homem, produtor de todos os sentidos? Valioso desta forma, como coloca-lo a revelia, retirando-lhe a dignidade e autonomia, privando-lhe a existência, na desculpa injustificável das misérias sociais, econômicas e políticas? A quem estão matando? Não a fome, mas o direito de EXISTIR.

CUIDANDO DA EXISTÊNCIA

As questões da rotina, das tarefas a se executar, dos prazos, dos compromissos e da agenda, ou seja, o dia-a-dia, envolvem os indivíduos em suas exigências e demandas, absorvendo a maior parte do tempo e determinando as atitudes e conteúdo de vida. Isto pode ser de tamanha intensidade que torna as pessoas automatizadas, sem crítica, noção de opções, nem interação com estes fatos. Obrigatoriamente, para corresponder, aprende-se a levantar prioridades, geralmente imediatas e irrefletidas que tornam o cotidiano uma linha de produção. Levando à perda da personalização, à banalização das coisas importantes e perda de aquisições importantes, assim como da nutrição existencial adquirida na vivência autêntica das experiências. Existir torna-se distante dentro deste mecanismo de desempenho que não considera a condição humana.

A sociedade, levada pela enxurrada de estímulos, competitividade e necessidades emergentes, ao mesmo tempo em que cobra do indivíduo um perfeito ajuste às atualidades, falando em qualidade de vida, age de forma paradoxal, exigindo recursos sobre-humanos para tal adaptação e não fornecendo a este as condições básicas para sua saúde mental. Conflitante, pois o indivíduo tem que dar conta até do que não tem solução e do que necessita de estrutura e estabilidade por parte do ambiente. Daí ocupar-se da vida, da existência, pode vir na contra mão, exigindo maior esforço.

Mas é da necessidade que surge o homem, sua criatividade e o desenvolvimento de seus recursos e este já mostrou que tem esta capacidade em seu ser, pois a história é cheia de grandes personalidades, que compreendidas ou não, tornaram-se ouvidas, mexeram e tumultuaram com o que estava pré-estabelecido e se tornaram imortais. Personagens que escaparam do mundo das aparências e denunciaram as verdades humanas da qual ninguém escapa por essência.

Voltar-se para si e encontrar nesse recôndito os caminhos e sentidos da existência é o trabalho Fenomenológico-Existencial. Resgatar o homem do tufão das apelações práticas e conduzi-lo de volta pra sua casa indestrutível, si-mesmo.

Camon (1995, pág. 5), em suas colocações, trata da psicoterapia como um processo libertário e cita, de forma oportuna, esclarecimentos para esta narrativa. “Boss, que afirma que o psicoterapeuta é alguém que apenas retira pedrinhas do caminho do paciente, mas que, no entanto, é ele e tão somente por si mesmo que terá que trilhar seu próprio percurso, superando as dificuldades de barreiras existentes”, reforça esta postura.

Para Camon (1995, pág. 6), “o processo libertário implica imprescindivelmente em uma quebra das amarras existenciais que estejam agrilhoando e sucumbindo uma determinada pessoa. E isto pode representar a construção de uma nova vida”.

Adaptação torna-se prejudicial, quando se estabelece através do distanciamento de si-mesmo, quando se pauta nas exigências externas e nas carências irrefletidas, quando não parte do eixo de si-mesmo, sem o encontro com a essência e sim do desespero humano, devido à solidão do medo do abandono, da rejeição e da exclusão.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Somos convocados, pelas situações da vida, a despirmo-nos de nossas ilusões e ganharmos terreno em nosso crescimento, nas agruras e realizações da existência. Para isto o “ser” tem que prevalecer sobrevivendo e se reconhecendo através das adversidades do cotidiano, utilizando seus recursos nas superações destas para continuar pulsante e com sentido.

São nos desenganos e insucessos que se vislumbram os verdadeiros caminhos da vivência autêntica e seguridade da existência de nossa essência, aparentemente imponderável. Apesar de buscarmos os caminhos mais tranquilos e conhecidos, o ser se mostra rebelde na busca de desenvolvimento e a angústia é a grande denunciadora desta aspiração nata. Ser o que somos e no mundo “ser-no-mundo”, eis o grande desafio, mas também a única forma de existir e dar sentido a todo mundo interno e periférico que nos afeta desde que nascemos.

O estar, ser-junto, e ainda assim ser eu mesmo tem exigido esforço redobrado com a banalização dos valores e a ênfase nas aparências. O “ter” é avassalador sobre o “ser” e ajustar-se a convivência social tem sido um trabalho de artista malabarista. Dizer o que se considera de valor pode ser abafado pela cultura do “ter”. Que dirá falar de nossas dores existenciais, nossas angústias, medos, inseguranças, questões tão subjetivas que não representam números, nem desempenhos capitais.

Para se atravessar esse oceano necessita-se “coragem” sobretudo sobre o medo da exclusão. O fenômeno bulling está muito mais além do que nas escolas e nas comunidades jovens.

A compreensão da condição humana e dos processos psíquicos se fazem necessários para o devido respeito aos limites e possibilidades do existir, promovendo a qualidade de vida e a saúde mental. O ser busca a plenitude, preocupado com sua finitude, e para isto, precisa relacionar-se e perceber-se reconhecido, pertencente a algum lugar. A Fenomelogia Existencial mostra que o início de qualquer mudança ou crescimento começa em si, consigo, em sua casa íntima, o homem pode encontrar o sentido e a direção de sua caminhada daí por diante. Este é um momento único, de liberdade e autonomia, onde temos poder e controle.

O encontro com a “essência” muitas vezes promovido pela “angústia” através das chamadas “crises” é a resolução para o sofrimento, o ponto de crescimento e o fortalecimento do “ser”. A resistência a este processo e a incompreensão sobre ele, torna a dor mal vinda, assim como o agravamento dos transtornos existenciais. É preciso entender que isto faz parte dos percursos que o humano necessita para buscar a plenitude, embora ela não faça parte de nossa condição existencial, a busca dela faz por dar sentido a nossa permanência temporária na experiência humana.

REFERÊNCIAS

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TORRES, André Roberto Ribeiro. Sentimento de Inadequação: Estudo Fenomenológico-Existencial. 2008. Dissertação de Pós-Graduação Stricto Sensu em Psicologia – Centro de Ciências da Vida da PUC – Campinas. Campinas 2008.